2.000 LÁGRIMAS DE NAMBUANGONGO

2.000 LÁGRIMAS DE NAMBUANGONGO

Eles atiravam certeiro e nunca se tinha morrido tanto,naquela buála,como naquele dia.O banho de sangue nâo tinha hora para comecar nem acabar.Aquela gente estava em pânico total, e de um momento para o outro,a pretexto de combaterem  o inimigo,eles chegavam de todos os cantos,revólver,metralhadora,granadas,blindados, pontapeiando as portas de casas e pessoas,agredindo velhos,mulheres, e criancas,que já nem sabiam quando haveria aulas na escola, e era tiro por todos os lados.Além dos mortos e feridos pelas balas certeiras ou perdidas,o terror desncandeiado pelos militares da repressâo estatal,fardados ou á paisana, tornava-se o maior problema daquela gente humilde que passava ás noites de ouvido atento para fugir, e olhos arregalados de medo dos projéteis de calibre " 5,56 e 7,62m  que perfurava com facilidade os tijolos,palhas,capim,latas, e luandos usados na construcâo daquelas cubatas.Projéteis que muitas vezes atingiam bebés adormecidos ou avós que  tentavam descansar de um dia de procura vâ, por um pedaco de mandioca,peixe seco , cabuénha ou por uma resma de liberdade.. Mas as consequências dessas investidas e do constante  cerco militar ás buálas nâo se  resumiam aos mortos e feridos pelas balas disparadas por militares,mas também pelo abuso sexual contra um povo de quem se dizia defender,acabando por evoluir para quadro de doencas psicológicas , complicadas como; depressâo,síndroma do pânico,etc.Caminhos eram minados e armadilhados,para evitar o avanco do "inimigo ",e no dia seguinte,apenas lá estavâo os escombros de criancas e velhos que tentavam fugir lá para bem junto á fronteira. Era difícil acreditar toda aquela brutalidade.Mas para comprovar bastava ler o rosto triste,e as lágrimas torrente que brotavam,desesperadamente buscando um médico que nâo havia para tratar  suas doencas de nervos.Eram histórias de gente desesperada,com a morte de um ente querido,com a invasâo daquela buála,no meio da noite, e o eterno pavor de uma arma engatilhada e que dispara desesperadamente até mesmo contra o gado,daquela gente.Gado que seriam para as tradicionais  festas ,de mais um casamento ou alambamento de um filho/a.Brutalidade sem limites. O nervosismo deixava toda gente desesperada,a fome aumntava e,quando o tiroteio comecava,o coracâo disparava,a pressâo subia,as criancas choravam,as nulheres gritavam e era dia e noite.Já ninguém ia ás rocas,escola nem sonhar e com isso,quem se julgava importante eram os militares. O medo,stress e depresâo tomava conta daquela gente em pânico total . Gente humilde e trabalhadora de perspectivas nulas de qualquer acesso aos mínimos direitos ,a despeito de cumprir uma dura rotina de sobrevivência eram a maioria das vítimas.Gente fugindo  deixando para trás familiares.Pânico,tiroteio e quando as lágrimas secavam lá estavam as criancas,e suas brincadeiras eram imitacôes da violência,dos disparos dos militares armados.E era assim que se processava o crescimento e desenvolvimento psicológico,daquelas criancas que também brotaram das 2000 lágrimas de Nambuangongo.

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Commentaires (1)

1. Angolano (site web) 17/07/2012

Este artigo é bom infelizmente só agora consegui visualizá-lo. Quero reforçar que estas 2000 lágrimas de Nambuangongo nem todo povo deste município sofreu como sofreu os de Mucondo por serem familiares, parente, amigos enfim contemporâneos de Bacalof.

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