Angolagate? Angola quê?

Angolagate? Angola quê?

Tudo por causa de uns míseros 420 carros de combate, 150 mil obuses, 170 mil minas anti-pessoais, 12 helicópteros e 6 navios de guerra

Hás uns anos o estado francês foi varrido por um processo jurídico onde os principais intervenientes – leiam-se arguidos, ou suspeitos – eram personalidades da vida política e económica francesa, israelita, russa e angolana. Chamado de Angolagate, este processo, que remontará a 1992 e que teve maiores desenvolvimentos em 2002, visava esclarecer como se tinha procedido à venda de material de guerra russo, quando sobre as partes angolanas em contenda, pendia um embargo de venda de armas decretado pelas Nações Unidas, e quem tinha obtido chorudas comissões com as citadas vendas.

Pois entre os suspeitos arrogados estão personalidades como o filho do antigo e falecido presidente francês Mitterrand, Jean-Christophe Mitterrand, o antigo Ministro do Interior, Charles Pasqua, Jean-Bernard Curial à época responsável do Partido Socialista francês para África Austral, Pierre Falcone, um franco-qualquer coisa, que já ocupou o cargo de embaixador angolano na UNESCO, Arcadi Gaydamak, de 61 anos, milionário russo-israelita, ou dirigentes angolanos onde, entre eles estaria, pasme-se, como se isso fosse possível, José Eduardo dos Santos, presidente de Angola.

Pois então não é que a Justiça francesa, sem tomar em linha de conta os superiores interesses da República Francesa, decidiu iniciar hoje o julgamento deste processo, com acusações que vão desde o tráfico de armas a abuso de confiança, fraude fiscal e tráfico de influências.

Tudo por causa de uns míseros 420 carros de combate, 150 mil obuses, 170 mil minas anti-pessoais, 12 helicópteros e 6 navios de guerra, entre outro armamento, eventualmente comprados por Angola e para os quais uns quantos auferiram umas míseras dezenas de milhares de dólares em “luvas”.

Gingubas ou “peanuts”, como diriam os nossos amigos norte-americanos, eventualmente depositadas em contas de obscuras empresas, em cidades francesas, suíças ou israelitas, antes de seguir para as de companhias e empresas financeiras sedeadas em paraísos fiscais onde o dinheiro “adormece” por uns tempos antes de voltar a circular... É que parar é morrer, e há tantas quintas e palácios na Europa para serem comprados.

Sem tomar em linha de conta a viagem do presidente Sarkozy, conseguida sabe Deus como, a Luanda em Maio passado onde vários acordos foram rubricados, desde logo o levantamento do “embargo” à petrolífera ELF-Total ou, as recentes palavras de Jacques Marraud des Grottes, director para África deste Grupo francês, que terá afirmado que “o continente africano é cada vez mais importante em termos de reservas e produção. África representa mais de 10 por cento das reservas mundiais e Angola é cada vez mais importante neste contexto”.

Não esquecer que após a visita de Sarcozy, o grupo Total, para quem África representa 34 por cento da sua produção, conseguiu voltar a ter uma produção em Angola que já atingiu os 8% de toda a produção petrolífera em África e, não esquecer, também, que Angola, o actual maior produtor de petróleo na África subsariana, vai, no próximo ano, presidir à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

A mania de haver países onde a Justiça quer manter a sua independência face ao poder político e económico é o que dá. Num país a sério onde quem manda é o partido, já que o partido é o povo e o povo é o partido, isto nunca seria pensável. Estes países velhos nunca mais aprendem a saber gerir os seus poderes. Por isso é que estão em vias de abrir falência e ganhar também eles, uns tipos pobres entre uns quantos, poucos, sublinhe-se e exige-se, manterão riquíssimos e sem quaisquer tipos de preocupação.

“Luvas”, sinceramente, disto só se conhece o que é para proteger do frio e isso é ser solidário…

Por Eugénio Costa Almeida

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