Os milhões de Eduardo dos Santos

  Os milhões de Eduardo dos Santos
ImageNas audiências do 'Angolagate', julgamento que decorre em Paris, o tribunal continua a revelar números estonteantes: o Presidente angolano José Eduardo dos Santos e seus próximos terão recebido à volta de 140 milhões de dólares.

Uma parte dos montantes citados - mais de 80 milhões de dólares -, alegadamente distribuídos pelo franco-brasileiro-angolano Pierre Falcone a Eduardo dos Santos, à sua família e a personalidades muito próximas do Presidente angolano, não diz respeito à matéria em julgamento actualmente em Paris.

A soma, depositada inicialmente em bancos luxemburgueses, está ligada à renegociação da dívida angolana à Rússia, igualmente dirigida, nos anos 90, por Falcone e pelo seu sócio, o franco-russo-israelita-canadiano Arcadi Gaydamak.

A renegociação foi considerada legal e a Justiça francesa não tem competência para investigar o assunto, ao contrário do negócio da venda de armas russas a Angola, que foi dirigido a partir de Paris sem autorização do Governo francês. As transferências foram, no entanto, citadas no âmbito das relacionadas com a venda de armas.

Em 2004, numa entrevista ao 'Expresso', Pierre Falcone confirmou ter aberto duas contas de "sobrevivência para casos de urgência" relacionadas com a renegociação da divida angolana à Rússia, dizendo: "Eram fundos secretos que púnhamos à disposição do Governo; uma era realmente de fundos secretos para o próprio Governo e outra foi um empréstimo nosso - meu, em particular - quando a guerra estava num momento crucial e eu quis ajudar".
Na altura, Falcone confirmou que, com os juros, uma das contas atingiu mais de 50 milhões de dólares.

No que diz respeito ao 'Angolagate', o tribunal evocou um total de 54 369 milhões de dólares transferidos, alegadamente, em benefício de Eduardo dos Santos e de diversos outros angolanos. Segundo a acusação, o dinheiro destinado ao Presidente angolano teria ido parar a contas em nome de uma sua filha e de uma sociedade do Panamá.

Além das transferências, o tribunal citou ainda prendas diversas a Eduardo dos Santos e outros angolanos num valor global de 4,26 milhões de euros. Entre as prendas figuram, por exemplo, um carro blindado no valor de 350 mil euros para o Presidente, despesas em grandes hotéis, aluguer de iates, pagamentos a acompanhantes femininas de personalidades angolanas, estudos de jovens angolanos em Londres, etc.

Nenhum angolano é acusado nem foi citado como testemunha neste caso de venda de armas russas a Angola, nos anos 90. O julgamento decorre até à Primavera de 2009 e entre os arguidos figuram 40 personalidades francesas, algumas de primeiro plano da vida política e cultural.

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