ANGOLA ANSEIA PELA MUDANÇA - ISAÍAS SAMAKUVA

ANGOLA ANSEIA PELA MUDANÇA - ISAÍAS SAMAKUVA

Isaías Samakuva, líder da Unita, faz duras críticas ao governo sobre a preparação das legislativas de 2008, e afirma que Portugal tem o seu próprio espaço em Angola, e deve privilegiar as áreas em que já detém vantagens.




Correio da Manhã – O que é que mais o preocupa sobre as legislativas de 2008?

Isaías Samakuva – Os angolanos (e o Mundo) estão preocupados não só com a ausência de uma data, mas também com a democraticidade destas eleições. Primeiro, produziram legislação eleitoral que fere a Lei Constitucional da República. Depois, criaram uma Comissão Nacional Eleitoral que é dominada pelo Partido no Poder (MPLA). Negaram o direito de voto aos cidadãos na diáspora, usaram de parcialidade em muitas aldeias no interior do país. As forças que se opõem ao constitucionalismo democrático, utilizam a máquina do ainda Partido-Estado (MPLA) para importunar os eleitores nas suas casas, ameaçá-los, coagi-los, violentá-los e praticar outras violações dos direitos humanos. Estas violações têm sido documentadas e submetidas aos órgãos competentes mas os violadores têm a protecção do sistema, em violação à Lei.

– A UNITA estará em condições de governar o país se vencer as eleições?

– A UNITA está preparada e estará melhor preparada ainda se tiver a compreensão da comunidade internacional, nas vésperas das eleições. Ao longo da sua história, o nosso partido desenvolveu funções e relações de Estado. E sempre que teve a compreensão da comunidade internacional, o povo angolano beneficiou. A UNITA já participa no governo há mais de dez anos. Participa, mas não governa. Mas conhece os dossiês e sabe o que precisa de ser feito para eliminar a pobreza, proteger os investimentos, respeitar o património, e, assim, manter e promover a estabilidade. A UNITA já discute com a sociedade as linhas mestras do Programa da Mudança, que será apresentado no próximo ano. Levamos a cabo um diálogo de convergência nacional com os líderes de opinião, líderes de comunidades, profissionais, académicos, políticos dos vários partidos, magistrados, representantes dos sectores produtivos público e privado, estudantes, funcionários do Estado. Todos estão envolvidos, mesmo em surdina.

– Como pode a UNITA governar perante a máquina montada há anos pelo MPLA?

– Isto não constitui problema. Estamos em contacto com os quadros que o país tem. Ao contrário do que muitos pensam, eles não são quadros do MPLA. Eles são quadros que servem Angola, não servem homens. Servem o Estado e não um partido político, muito menos os detentores dos cargos públicos. Os angolanos entraram na maturidade. Basta lembrarem-se do 25 de Abril. O que aconteceu em Portugal? No dia 26 de Abril de 1974, já não havia ninguém da PIDE... todos eram progressistas.... A máquina serve o país, não serve homens. Em Angola sucederá o mesmo. Por trás das aparências de um poder absolutista, que semeia o medo por todos os cantos, que pensa que a todos sustenta e domina, e de um povo aparentemente frágil que aceita o jogo da democracia incompleta e tutelada, existe em Angola uma nova realidade: o povo está maduro e quer a mudança de regime. Sim, mesmo os do MPLA também querem a mudança. Angola anseia pela mudança.

– Que análise faz da cooperação de Portugal com Angola?

– A resolução da dívida de Angola com Portugal abriu as portas ao incremento das relações comerciais, empresariais e de cooperação, entre os dois países. Portugal tem o seu próprio espaço em Angola. Ao passo que os americanos e os chineses olham para o subsolo do mar profundo, os russos olham para as minas de diamantes nas Lundas, o lugar dos portugueses está lá, nos corações, na alma dos angolanos. E ficará lá por muitos anos ainda. Portanto, há que explorar melhor esta relação privilegiada, para benefícios mútuos. Portugal terá de seleccionar as áreas em que detém vantagens e concentrar-se nelas.

PERFIL

Isaías Samakuva, de 60 anos, nasceu no Bié. É casado e pai de cinco filhos. Em 1985, partiu para a Jamba, Quartel General da UNITA, nomeado director do gabinete de Savimbi. Em 1992, integrou a delegação para as negociações com o governo junto da ONU. Foi reeleito no X Congresso da UNITA em Julho de 2007, em Luanda, e é o candidato do partido às eleições presidenciais previstas para 2009. O seu percurso, desde 1974, baseia-se nos princípios da integridade e determinação a favor da luta pela liberdade e dignidade.

fonte:Correio da Manhã


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