BRASILEIRO MORRE NOS COMBATES

BRASILEIRO MORRE NOS COMBATES

Cabinda: Guerrilha ataca empresa de prospecção petrolífera

 

Cabinda – Após várias advertências a resistência em Cabinda atacou esta quarta-feira uma empresa de prospecção petrolífera onshore instalada na zona de Inhuca a 45 quilómetros de Lândana, que provocou a morte de um paramédico brasileiro.
Após inúmeras advertências, nunca encaradas seriamente, às empresas que operam em Cabinda, às 12 horas desta quarta-feira, 26 de Dezembro, a resistência Cabinda atacou o Campo n/o 7, na zona de Inhuca, a 6 km do centro da comuna de Dinje e a 41 quilómetros de Lândana, sede do município de Cacongo, da empresa GRANT, especializada na prospecção sísmica. Durante a operação perdeu a vida Elani, 25 anos, paramédico de nacionalidade brasileira.

Esta operação da guerrilha obrigou a uma «interrupção abrupta» nesta quarta-feira dos preparativos para a exploração do petróleo em terra na área do centro e norte de Cabinda e os trabalhadores receberam ordens de evacuarem de urgência da região.

TRABALHADORES AFIRMAM TEREM SIDO ENGANADOS

Testemunha contactada pela PNN afirmou que Lândana, segunda cidade de Cabinda, «viveu nestes últimos tempos uma verdadeira azáfama» com a afluência de candidatos a postos na empresa GRANT.

«Muitos acorreram, na casa de António Gime, que este usurpou ao comandante da guerrilha Veras, na via que leva ao hospital municipal» afirma a testemunha, «para se inscreverem junto da empresa GRANT, cuja especialidade é a de prospecção sísmica. A promessa era de um contrato anual com futuras regalias» avança a mesma testemunha.

«Todo aquele pessoal, de fato-macaco laranja, avançou para o Dinje e para outras zonas sem nenhum papel assinado». A 25 de Dezembro, depois de um mês de trabalho para os últimos incorporados, apareceu a empresa CIMERICA de Alexandre Casimiro, ex-trabalhador do Malongo, com formulários de contratos «longe do prometido e que se limitava apenas a um mês.»

Segundo a mesma fonte «muitas mulheres lavadeiras abandonaram o emprego porque lavavam com as mãos os sujos fatos-macacos em troca de um salário de miséria e que, ultimamente, por que todos deviam se fixarem no Dinje, deviam também garantir, elas mesmas, o seu alojamento e alimentação».

Com a notícia da morte do jovem brasileiro, gerou-se a confusão. Foram chamados, com urgência todos os outros trabalhadores que se encontravam noutros campos, inclusive os de Chiaka. «Aí, trabalhadores já tinham escutado da boca do comandante-militar que ali era uma zona fértil em insegurança. Dizia que os comandantes da FLEC/ FAC Tractor, já mítico, e Esperança não cessavam de raptar militares das Forças Armadas de Angola (FAA), sem fazerem um tiro.»

No entanto, «a multidão de brasileiros, colombianos, mexicanos e outros latino-americanos andavam à vontade, animados quer pela protecção ingente de batalhões de FAA’s e de um corpo militar especializado de sul-africanos da IMANHA», uma frágil segurança garantida pelos «discursos demagógicos dos líderes militares e políticos de Angola» reforçados pelas afirmações de Bento Bembe de «não haver guerra em Cabinda e que na mata não ficou ninguém».

«Assustados e agastados com a morte do conterrâneo, o responsável do empreendimento, Edmilson, gritava e desafogava toda a sua dor. Dizia que tinham sido enganados e que tudo era treta. Ali estavam exaustos e com a perda de um grande técnico de doenças tropicais» relata testemunha. Pelas 15 horas, todos os funcionários estavam de regresso a Lândana.

«Todos os expatriados, inclusive os sul-africanos que arrendavam os anexos do João Evangelista Capita partiram em debandada a cidade de Tshiowa. Atrás deixavam tentas por montar, matéria espalhado pelas matas, uma viatura queimada e outra danificado durante o ataque.»

AVISOS DA GUERRILHA

Em vários comunicados e declarações a guerrilha em Cabinda alertara que «ainda há guerra no território» contrariando as informações oficiais difundidas por Angola.

A 10 de Outubro, em entrevista à PNN, o comandante Claver Lila «Jalinca», chefe da comissão político militar do Centro e Sul afirmara que «A FLEC não assume a protecção das empresas estrangeiras em Cabinda» acrescentando que «uma empresa que está a trabalhar em Cabinda colaborando com Angola é um potencial inimigo do povo de Cabinda». Na mesma entrevista «Jalinca» sublinhava que as Forças Armadas de Cabinda (FAC) estão presentes na totalidade do território e lembra que as empresas no enclave «devem encontrar os mecanismos próprios para a ajudar a encontrar uma solução na resolução do problema de Cabinda, mas se são cúmplices dos angolanos estão a sustentar a guerra que Angola faz em Cabinda. A qualquer momento poderá acontecer um problema»

No mesmo artigo o Comandante da guerrilha Pirilampo sublinhara também que «qualquer empresa a operar em Cabinda tem de estar muito consciente que a autoridade em Cabinda é a FLEC» e alertava «as empresas petrolíferas, madeireiras, e outras, que os guerrilheiros da FLEC perderam a paciência, inclusive com Portugal.»

Advertências que foram ignoradas por Angola que preferiu persistir na teses que «em Cabinda já não há guerra» minimizando a capacidade operacional real da guerrilha em Cabinda.

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