CUBANOS EM ANGOLA

A Batalha de Cuito Canavale

Vitória Mítica de Cuba

O Mito

Em 1988 o ministro angolano da defesa e outras fontes oficiais angolanas e cubanas reivindicaram que uma ofensiva da África do Sul que consistiu em mais de 9.000 tropas com 500 tanques, 600 canhões de artilharia e dezenas de aviões tinham atacado a localidade de Cuito Cuanavale em Angola. De acordo com sua versão o ataque tinha falhado graças a um valente esforço de defesa das tropas cubanas e angolanas, e os sul-africanos tinham perdido 50 aviões, 47 tanques e centenas de homens.

A versão da propaganda cubana desta "batalha heróica" foi largamente credível no oeste e não foi só senão depois da guerra ter terminado que os factos emergiram. No fim de 1987, quando os cubanos e os angolanos eram supostos ter conseguido a sua grande vitória, eles estavam já a pedir a paz em Angola, com os seus apoiantes soviéticos a indicarem abertamente que a guerra lá, não poderia ser ganha.

Nas negociações que seguiram, uma das condições dos cubanos foi a de que eles pudessem fazer uma retirada honrosa da guerra, um pedido invulgar a ser feito por um exército vitorioso, a dizer pelo menos. O facto é, que os cubanos sabiam que estavam a perder mas não queriam retirar-se de Angola em desonra. Os sul-africanos, que tinham sido os verdadeiros vencedores na campanha de Cuito, compreenderam que tornando os factos conhecidos nesse estágio delicado nas negociações de paz, humilharia os cubanos e seus apoiantes soviéticos e talvez os estimulasse a enviar ainda mais tropas para Angola, num esforço para salvar a sua reputação. Fazer os cubanos cair no ridículo não serviria de nada.

Entretanto, uma vez a participação cubana e soviética na guerra ter terminado e os sul-africanos terem retirado as suas tropas, não levou muito para a verdadeira história da batalha ser conhecida.

Origem da guerra

Quando Angola se tornou independente do regime português em 1975, não havia nenhum governo eleito, e um movimento de guerrilha pro-comunista, o MPLA, transformou-se no regime de facto, oposto pelos movimentos anti-comunistas menores, a FNLA e a UNITA. Quando os "conselheiros cubanos" começaram a entrar no país para apoiar o MPLA, o exército sul-africano respondeu enviando pequenos grupos de combate para ajudar a FNLA e UNITA e ao mesmo tempo para eliminar a ameaça de SWAPO, um grupo de guerrilha que lutava para tomar a Namíbia. Durante a Operação Savana em 1975 dois pequenos grupos de combate sul-africanos, com cobertura secreta americana, avançou através de Angola para a capital, Luanda, num ataque relâmpago, que foi interrompido no último momento, quando os americanos retiraram o seu apoio político.

Nos anos que seguiram, o MPLA consolidou sua posição em Angola, mas ao mesmo tempo a UNITA cresceu para uma força superior a 30.000 homens que controlava a maior parte do Sul de Angola e tinham o apoio da população local. A fim de conter uma ameaça para o MPLA, mais e mais tropas cubanas foram trazidas para o país, juntamente com conselheiros soviéticos e fontes enormes de armamentos. Diversas ofensivas foram tentadas contra a UNITA durante o início dos anos 1980 sem sucesso. Tanto o exército angolano como a força aérea foram aumentados consideravelmente, sendo as mais recentes armas modernas fornecidas pelos soviéticos, incluindo helicópteros de combate, Mig-23 e Mi-25.

Em 1985 as FAPLA mandaram 20 brigadas para o sul na sua maior ofensiva até então e o governo da África do Sul entendeu que a ameaça das forças cubanas, das FAPLA e SWAPO, alcançando as fronteiras da África do Sul, era agora demasiado real para ignorar, e enviaram um pequeno número de tropas para Angola, para ajudar a UNITA. Para conter a ofensiva aérea, a força aérea sul-africana voou também um número de saídas, abatendo um Mig e diversos helicópteros soviéticos, um dos quais transportava os 10 oficiais soviéticos de chefia da ofensiva ao Cuito. A ofensiva finalmente pára no terreno, com um grande número soldados das FAPLA e de cubanos mortos, o que levou Castro a aumentar as tropas cubanas em Angola para cerca de 45.000 homens.

Durante a primeira metade de 1986 outra ofensiva foi tentada, consideravelmente dificultada e atrasada depois das forças especiais sul-africanas terem afundado um navio de carga cubano, no porto de Namibe e danificado dois navios de carga soviéticos e diversos tanques de óleo. Em Junho, todavia, a ofensiva foi progredindo lentamente, mas de súbito foi interrompida quando as tropas da UNITA, apoiadas por tropas sul-africanas, atacaram severamente a base aérea vital em Cuito Cuanavale. ¶Sem apoio aéreo a ofensiva foi esmagada e as tropas recuaram.

A Nova Ofensiva

Durante 1986 e antes de 1987 as forças cubanas em Angola prepararam-se ainda para outra ofensiva em grande escala com o fim de invadir a UNITA e capturar os seus comandos na Jamba. Depois do seu falhanço nas ofensivas de 1985 e 1986 na ajuda das FAPLA, os cubanos estavam agora ansiosos para ganhar a iniciativa e para provar que eram um desafio para a força de defesa sul-africana e para se instituirem como os "libertadores" da África do Sul.

A União Soviética enviava armamentos pesados para Angola diariamente, alguns deles o mais moderno armamento jamais visto fora da mesma União-Soviética - jactos de combate, tanques, helicópteros de combate, mísseis de defesa-ar, radares e numerosos veículos. A maioria dele foi entregue em Menongue de onde foram então levados para a base em Cuito Cuanavale. ¶Esta base tinha sido escolhida como o ponto de partida para começar a nova ofensiva.

Tanto a África do Sul como a UNITA não duvidavam que esta enorme quantidade de armamento e de tropas constituiu preparação para a maior ofensiva jamais tentada pelos cubanos e pelo exército angolano. ¶O general Magnus Malan da SADF advertiu publicamente que a ofensiva era eminente e um correspondente do Washington Post - William Claiborne - confirmou os avisos de Malan, depois de lhe ter sido permitido ver o enorme armamento soviético pessoalmente.

Durante Julho de 1986 os sul-africanos executaram uma limitada operação para ajudar a UNITA a desenvolver uma capacidade anti-tanque. Ao mesmo tempo o Secretário de Estado Assistente americano para os assuntos africanos, Chester Crocker, foi envolvido nas negociações de paz com os cubanos e angolanos, mas regressou a Washington no fim de Julho decepcionado e irritado pela sua recusa de falarem seriamente sobre a paz. Falhando em todas suas ofensivas precedentes, estavam agora obviamente determinados em fazer um esforço máximo para forçar uma solução militar para o problema angolano. 

Em fins de Julho os encontros em pequena escala entre a SADF e as unidades das FAPLA foram aumentando e em princípios de Agosto a ofensiva tinha começado. A principal força Cubana/Fapla, consistindo em 16, 21, 47 e 59 brigadas do exército angolano, avançou para uma cidade chamada Tumpo, a leste de Cuito Cuanavale, enquanto algumas outras brigadas avançaram de Lucasse, apoiadas por aviões de ataque ao solo, num esforço de formar um ataque em duas frentes através do rio de Lomba.

Uma força moveu para oeste, pretendendo capturar as cidades de Cangamba e Lumbala, mas foi parada pela UNITA sem auxílio dos sul-africanos e nenhuma das cidade foi capturada.

A segunda força, entretanto, foi mais determinada, com as brigadas 16 e 21 a moverem-se para este, pretendendo voltear para o sul e avançar sobre Mavinga, enquanto as brigadas 47 e 59 se moveram para o sul no sentido de Mavinga.

Um reduzido número de oficiais sul-africanos foi destacado para junto das forças da UNITA para observar o inimigo e desenvolver uma estratégia para conter a sua ofensiva. Quando se tornou óbvio que a ofensiva tinha começado o SADF moveu uma bateria de lançadores múltiplos de foguetes de 127mm e uma bateria de morteiros de 120mm, cada uma acompanhada por uma companhia da infantaria do Batalhão "Búfalo" 32, para a frente, para apoiar a UNITA. Contudo a magnitude da ofensiva foi tão grande, que depois de ponderado cuidadosamente pelos comandantes da SADF, uma bateria pesada da artilharia G-5 foi enviada para Mavinga, para apoio, causando grande excitação e temor entre as tropas da UNITA, que nunca tinham visto antes canhões tão grandes. Pouco tempo depois o Grupo do Batalhão Mecanizado 61, usando carros blindados Ratel, foi enviado para Mavinga, como reserva.

32 Batalhão "Búfalo"

O Batalhão sul-africano 32 foi formado em 1975 pelos antigos angolanos da FNLA, durante a luta para o controle de Angola, recentemente independente. A FNLA era um grupo de guerrilheiros que se opôs ao maior grupo pró-comunista o MPLA. O coronel Jan Breytenbach, pára sul africano e comandante de diversas unidades de elite na sua carreira, foi enviado para Angola para treinar e organizar o grupo da FNLA. Os homens foram formados numa unidade nova - Batalhão 32 - comandada por sul-africanos, e em pouco tempo, reequipados com uniformes e armamento moderno, foram sujeitos a treino como uma unidade da COIN. A maior parte do seu treino. A maior parte AAa ocorreu no campo de batalha para onde foram logo enviados contra o MPLA, SWAPO e cubanos. A unidade logo provou o seu valor e ganhou fama pela agressividade no campo de batalha, frequentemente atacando e derrotando forças inimigas numericamente superiores. A existência deste batalhão do exército sul-africano foi mantida secreta por muitos anos enquanto lutou no denso mato africano, um problema constante para o exército angolano, que todos seus conselheiros soviéticos e cubanos eram incapazes de resolver. O Batalhão 32 foi a força principal da infantaria da SADF durante a campanha de 1986.

61 Batalhão Mecanizado

O Batalhão Mecanizado 61 era a única unidade convencional da SADF a ser usada durante esta campanha e consistia de infantaria com um total de 55 carros blindados Ratel de tipos diferentes. ¶O batalhão não tinha tanques, mas tinha estado envolvido na guerra da fronteira por mais de 10 anos e tinha adquirido uma formidável reputação.¶

Canhões G-5

Indubitavelmente um dos elementos mais eficazes da participação da SADF em Angola foi o uso feito dos canhões G-5 construídos na África do Sul. ¶Reconhecido como a melhor artilharia de longo alcance no mundo nesse tempo, os G-5s com seu alcance de 40 quilómetros podiam cobrir uma grande área do campo de batalha. ¶Ainda não produzidos em grande escala, apenas 16 foram usados em Angola, mas a sua alta precisão e um calibre de 155mm fizeram deles a arma a mais potente do exército sul-africano.

A Ofensiva Começa

10 de Setembro de 1987

Em 10 de Setembro a Brigada 21 enviou 2 batalhões com 5 tanques T-55 a atravessar o rio, usando uma ponte móvel. Os observadores sul-africanos, olhando a travessia, ficaram impressionados com o comportamento de grande confiança do inimigo, com os homens de infantaria descansando casualmente, mãos nos bolsos, olhando a travessia. A força sul-africana de reconhecimento consistiu de 4 carros anti-tanque blindados Ratel-90 e 240 homens de infantaria de 30 veículos de combate de infantaria Casspir.

Os sul-africanos foram mandados esperar para ver o que as FAPLA fariam. Quando um carro blindado começou a rolar sobre a ponte, os sul-africanos entraram na acção.

Um míssil anti-tanque destruiu o carro blindado e matou os homens de infantaria que estavam à volta. Um segundo míssil destruiu a gigante ponte móvel soviética GAZ. Os sul-africanos concentraram então nos tanques T-55 que estavam a começar a mover-se para o oeste, e destruíram 3 deles dentro de minutos. Os 2 restantes recuaram imediatamente. Foi pedido o fogo de artilharia dos canhões G-5 situados a alguma distância atrás das linhas sul-africanas, e no fim do dia 1 batalhão das FAPLA tinha sido completamente destruído, deixando o restante da força inimiga recuar em confusão através do rio.

13 de Setembro de 1987

Três dias mais tarde, em 13 de Setembro as FAPLA enviou 2 batalhões da Brigada 59 com os tanques T-55 através do rio numa segunda tentativa de estabelecer um frente dianteira. Os sul-africanos e a UNITA atacaram outra vez imediatamente, o Ratel-90s disparou obuses anti-pessoal que cortaram uma fileira de destruição através da infantaria inimiga. Os homens de infantaria. De Casspirs metralharam e dispararam sobre o inimigo exposto. Os angolanos começaram a recuar, mas foram expostos em terreno aberto, com uma extensão de terreno pantanoso cortando o seu recuo para o rio. Dentro de um curto espaço de tempo, mais de 200 soldados das FAPLA foram mortos.  

A força da SADF/UNITA começou a limpar os últimos grupos de homens que sobraram, quando os tanques se juntaram subitamente, causando o caos e obrigando os blindados ligeiros Ratels e Casspirs a fugir em todos as direcções. Uma vez que os sul-africanos encontraram cobertura no mato, começaram a disparar obuses anti-tanque (HEAT) contra os tanques que estavam em desvantagem, com seus longos canhões, no mato. Os Ratels sabendo que tinham a vantagem da velocidade e a maneabilidade, começaram a circundar em volta dos tanques, atraindo-os a perseguir os carros blindados em consecutivos pequenos círculos até que o Ratels foram capazes de voltar atrás dos tanques e fazer fogo. No fim do encontro 5 tanques tinham sido destruídos e mais de 250 soldados das FAPLA mortos, com a perda de 8 mortos e 3 carros blindados do lado da SADF.

Os sul-africanos, depois do seu choque inicial ao encontrar os tanques, tinham adaptado as suas tácticas e provado que os seus carros blindados poderiam lidar com os tanques, por uma combinação de movimento rápido e de disparos com precisão, tácticas reminiscentes daquelas usadas pelos Boers contra os Ingleses, 80 anos antes.

14 a 23 de Setembro de 1987

Depois da primeira série de encontros terem ocorrido, os sul-africanos foram avisados para não cruzarem o rio de Lomba, mas para estabelecer uma linha atrás dele, para bloquear o avanço angolano. Os canhões pesados G5 continuaram a martelar os angolanos sem piedade, enquanto a força aérea da Africa do Sul voou missões sobre o inimigo para eliminar as suas instalações anti-aéreas. Ao mesmo tempo a artilharia das FAPLA bombardeava as posições dos sul-africanos com morteiros e artilharia pesada.

A Brigada 21 continuou a juntar materiais no seu lado do Lomba, mas os bombardeamentos dos sul-africanos dificultaram-nos severamente, nos seus esforços de recomeçar o seu avanço. Os Recces sul-africanos (forças especiais, da SADF equivalente da SAS ou Boinas Verdes) manteve o inimigo sob constante observação, de pontos ocultos na mata, frequentemente a não mais de 50 jardas das posições inimigas. Durante toda a campanha estas Recces posicionaram-se por dias e mesmo semanas, nos seus postos de observação, orientando o fogo de artilharia G5 para as posições das FAPLA. O inimigo soube que eles estavam perto, mas nunca foram capazes de os localizar.

A Brigada 47 tinha sido retardada também no seu avanço pela artilharia sul-africana e ataques aéreos. Foi apenas avançando um quilómetro por o dia, e os sul-africanos foram-na lentamente atraindo para uma "área de matança " de sua escolha.

Houve um breve interlúdio na luta, quando a África do Sul e Angola concordaram finalmente em trocar prisioneiros - um sul-africano Recce, capitão Wynand du Toit, capturado pelas FAPLA em 1985, foi trocado por 170 soldados das FAPLA capturados pela SADF e UNITA. Um par de contrabandistas holandeses, capturados na África do Sul, foram incluídos na troca. De acordo com fontes da Amnistia Internacional os 170 soldados das FAPLA foram para a capital angolana, Luanda, onde todos foram executados pelos Angolanos por terem falhado no seu dever... 

Em consequência disto, não foi surpresa para as tropas da África do Sul encontrar muitos soldados capturados das FAPLA expressarem um interesse em juntar-se à UNITA ou perguntarem sobre a possibilidade de se alistar na SADF!

A Brigada 47, agora incapaz de recuar e desesperada para se juntar às outras brigadas, fez uma tentativa de se juntar à brigada 59. Os sul-africanos enviaram os seus Ratels para atacar outra vez pelo oeste. Eles tinham 250 homens disponíveis para atacar uma força de mais de 1000 homens com armas pesadas. A SAAF lançou bombas da fragmentação nas posições das FAPLA e depois os Mech 61 manobraram por detrás delas. A progressão foi difícil no mato e acabaram por ficar ao lado do inimigo, em vez de directamente atrás dele. Após um rápido encontro no mato, os Ratels retiraram-se outra vez porque simplesmente não podiam ver o inimigo, e estavam a receber muito fogo de artilharia.

A Brigada 59 começou a posicionar-se e recebeu bem vindos mantimentos e reforços da Brigada 21, que tinha agora conseguido colocar uma ponte móvel sobre o rio Cunzumbia. A SADF preocupada agora com a possibilidade de que a Brigada 47 escapasse, retrocedendo através do rio, enquanto a Brigada 59 empurrava contra a débil defesa dos sul-africanos, decidiu que era tempo de fechar a armadilha que eles tinham vindo a preparar. .

3 de Outubro de 1987 - A Batalha Decisiva

Em 2 Outubro os Recces sul-africanos relataram que a Brigada 47 tinha conseguido construir uma estrada de madeira através dos pântanos, que obstruíam o seu recuo para rio de Lomba. Os caminhões, os portadores dos mísseis, os carros blindados e os tanques estavam ocupados a concentrarem-se na linha das árvores preparando-se para recuar ordenadamente através da estrada.

Os Recces observavam das suas posições vantajosas em árvores próximas e chamaram fogo de artilharia sobre as FAPLA, enquanto os grupos do combate da SADF trabalharam arduamente para estarem prontos e em posição.

Os primeiros veículos das FAPLA a tentarem atravessar foram os Sam-9s soviéticos. Um atravessou em segurança mas os Recces enviaram o fogo de artilharia sobre o segundo, quando ele tentou atravessar, destruindo-o e efectivamente obstruindo a ponte. As tropas das FAPLA enviaram um tanque T-55 para tentar desimpedir o caminho, mas sem sucesso. Cada vez que as FAPLA tentavam mover-se, os Recces chamavam fogo de artilharia de alta precisão. Durante 48 horas, sem dormir ou descansar, os Recces vigiaram as rotas de retirada das FAPLA, pedindo o fogo de artilharia ao movimento mais ligeiro, até que por fim ouviram o distante retumbar, que anunciou a chegada dos carros blindados do Batalhão Mecanizado 61.

Os Ratels de Mech 61 tinham uma variedade de armamentos, desde carros de infantaria com canhões de 20mm a tanques com canhão 90mm. As tropas da UNITA tinham-se posicionado agora a sudeste da Brigada 47, caso eles tentassem escapar naquela direcção.

A artilharia das FAPLA começou a bombardear os Ratels que se aproximavam e Migs voaram por cima, para prestar apoio e cobrir a retirada da Brigada 47. Os Ratels atacaram. As FAPLA, acostumadas a ver a UNITA em retirada rápida sempre que seus tanques apareceram, tentou a mesma táctica e mandou seus tanques para as posições da SADF. Para o seu desânimo, a reacção dos sul-africanos foi exactamente oposta - eles atacaram. Os Ratels correram para os tanques, para a frente e para trás, até que puderam ficar atrás deles e atirar nas traseiras, comparativamente vulneráveis, dos tanques.

O Major Laurence, segundo-no-comando de Mech 61, disse mais tarde ao jornalista e autor britânico, Fred Bridgland:

"eu não posso dizer-lhe quanta coragem necessita um condutor e atirador Ratel, quando um tanque está investindo contra eles, para arranjar a vontade para parar por tempo suficiente, para estabilizar a sua plataforma de tiro e lançar sua descarga..[ao contrário de um tanque T54/55, que tem estabilizadores internos e pode disparar em movimento, um Ratel, como outros carros blindados, pode somente fazer fogo, de uma posição estática].Naturalmente, assim que disparam, fogem como lebres acossadas. Um de nossos homens morreu naquela tarde enfrentando um T-55 com o seu Ratel. Um morteiro de 100mm do tanque, saltou por acima da terra arenosa e atravessou a torre. O comandante de Ratel, tenente Hind, foi terrivelmente ferido e morreu mais tarde. Tivemos dois outros feridos com gravidade naquele dia, e uns outros três com feridas ligeiras. Os paramédicos removeram apenas os estilhaços daqueles que foram feridas ligeiramente, limparam as feridas, e eles regressaram imediatamente ao combate.

As tropas das FAPLA, embora com mais armas e em maior número, na proporção de 4 para 1 das forças sul-africanas, começaram a perder a paciência e um dos batalhões, subitamente, rompeu em direcção ao rio. Eles correram através do terreno aberto, em direcção ao rio numa multidão indisciplinada e os sul-africanos atiraram descargas de MRL e morteiros altamente explosivos, em cima deles. Um segundo batalhão também rompeu e correu para o rio, com os Ratel no seu encalço. Aproximadamente 100 veículos estavam agora a avançar e a tentar alcançar a ponte através da estrada de madeira. Os Reeces lançaram fogo de artilharia dos G.5s em cima deles, causando grandes estragos. A retaguarda era agora um deserto de árvores partidas e terra queimada pelas granadas e estilhaços dos dois lados.

Migs pilotados por cubanos fizeram 60 saídas naquele dia, lançando bombas e tentando atingir as posições sul-africanas, mas eram bastante imprecisos e tiveram pouco efeito.

Tanques das FAPLA fizeram um esforço para recuperar alguns dos veículos abandonados, mas foram eles próprios destruídos pela precisão do fogo das G-5. Quando o fogo finalmente parou, ao fim do dia, mais de 600 soldados das FAPLA tinham morrido naquela extensão de terreno aberto, e 117 veículos das FAPLA ficaram destruídos e abandonados perto do rio.

Na manhã de 4 de Outubro, os sul-africanos puderam avaliar o que restava no campo de batalha. Foram enviadas equipas de salvamento para recolher tudo aquilo que fosse útil, e os generais das SADF ficaram satisfeitos ao saber que as suas tropas conseguiram salvar um dos sistemas mísseis Sam-8 completo, com mísseis, veículos logísticos e de radar, o primeiro exemplo desta altamente eficaz arma Soviética, jamais capturada por um país ocidental.

O que restava das Brigadas 21 e 59 juntaram forças e tentaram reorganizar-se. Houve algumas escaramuças quando as tropas das SADF e da UNITA atravessaram o campo de batalha para salvar equipamento. Alguns soldados inexperientes da UNITA, quase causaram estragos quando tentaram levar os tanques não danificados.

Os sul-africanos interseptaram mensagens dos comandantes russos a pedir aos Migs e tropas das FAPLA que destruíssem o equipamento abandonado, mas nessa altura os sul-africanos já tinham movido o sistema Sam-8 para trás das suas posições e tinham-nos bem camuflados. A UNITA tentou mais tarde reclamar o Sam-8 para si, com o fim de o passar para os americanos, mas a África do Sul, lembrando a maneira como a América tinha abandonado os seus aliados em Angola, recusou, e manteve o sistema de mísseis para o seu próprio programa de investigação de armamento.

Depois da batalha continuaram as operações de limpeza de ambos os lados. Observadores sul-africanos viram desgostosamente soldados das FAPLA atirarem sobre os seus feridos, porque eram incapazes de evacuá-los ou de lhes prestar assistência médica. No fim do dia o comandante sul-africano Deon Ferreira enviou um mensagem para o quartel general, de que a sua missão tinha sido cumprida, e que o avanço Angolano/Cubano em Mavinga tinha parado. As suas novas ordens foram para limpar o que restava das forças inimigas do lado oriental do rio Cuito e estabelecer posições a partir das quais conseguissem evitar travessias futuras, em território da UNITA. Não foi mencionada a própria captura de Cuito Cuanavale. As SADF todavia queriam estar em posição de poder bombardear a base aérea e neutralizá-la como ponto de partida para nova ofensiva. Cuito permitia acesso fácil dos Migs a território da UNITA, e se fosse destruído, os Migs teriam que mover 175 Kms para ocidente. 

Os grupos de artilharia G-5 avançaram e começaram a bombardear Cuito. A SAAF enviou 4 Mirages como chamariz e enquanto os Migs estavam a ser tirados dos seus" hangars " de cimento armado reforçado, as G-5 bombardearam a pista. Em pouco espaço de tempo a base aérea foi destruída e os Migs que ficaram foram forçados a mover de novo para Menongue.

Foram também utilizados mísseis Stinger com bom resultado pela UNITA e dois pilotos cubanos foram feitos prisioneiros depois de o seu Mig ter sido abatido.

A ofensiva Cubana/Fapla falhou. Mais tarde os cubanos tentaram salvar a face e levantar o moral das suas tropas reivindicando com ênfase que tinham ganho a batalha de Cuito Cuanavale, que eles pretenderam ter defendido com sucesso contra todos os ataques sul-africanos!

Através de toda a campanha, os sul-africanos conscientes de que estavam envolvidos numa guerra não declarada e sem aliados no ocidente, resguardaram-se de fazer declarações públicas sobre o progresso da guerra. Isto deu aos cubanos e angolanos vantagem na guerra de propaganda. A SADF não podia declarar que só tinha uma pequena força de menos de 3000 tropas ligeiramente equipadas em Angola, porque isto teria revelado a sua fraqueza perante o inimigo. O treino e tácticas superiores da SADF convenceram os cubanos e angolanos que estavam perante uma grande e bem armada força. 

Como Chester Crocker escreveu mais tarde:

No principio de Outubro a ofensiva Soviética-Fapla foi esmagada no rio Lomba perto de Mavinga. Tornou-se numa retirada precipitada ao longo 120 milhas, de regresso ao ponto primitivo do começo, em Cuito Cuanavale. Em algumas das mais sangrentas batalhas de toda a guerra civil, uma força combinada de 8,000 lutadores da UNITA e 4.000tropas da SADF destruíram uma brigada das FAPLA e enfraqueceram várias outras, de um total de cerca de 18.000 homens duma força das FAPLA envolvida numa ofensiva em três frentes. As estimativas das perdas das FAPLA elevou-se acima de 4.000 mortos e feridos. Esta ofensiva tinha sido de concepção soviética desde o princípio até ao fim. Oficiais soviéticos seniores desempenharam um papel central na sua execução. Mais de 1000 conselheiros soviéticos foram enviados para Angola em 1987 para ajudar no maior esforço logístico de Moscovo até à data em Angola: mais ou menos mil e quinhentos milhões de dólares em equipamento militar foi entregue naquele ano. Grandes quantidades de equipamento soviético foram destruídos ou caíram nas mãos da UNITA e SADF quando as FAPLA fizeram uma retirada desorganizada. A campanha de 1987 representou uma humilhação estonteante para a União Soviética, as suas armas e estratégia. Levou um ano ou talvez dois para as FAPLA recuperarem e reagruparem. Mais ainda, o desastre militar angolano ameaçou ir de mal a pior. Em meados de Novembro as forças UNITA/SADF destruíram a base aérea de Cuito Cuanavale e aguentaram milhares das melhores unidades das FAPLA, que permaneceram no perímetro defensivo da cidade. .

Os resultados da campanha até Abril de 1988 foram 4.785 mortos no lado Cubano/Fapla com 94 tanques e centenas de veículos de combate destruídos contra 31 sul-africanos mortos em combate, 3 tanques ( os tanques das SADF entraram na guerra depois da campanha do rio Lomba ) e 11 carros blindados e transportes de tropas perdidos. Foram destruídos um total de 9 Migs e apenas 1 SADF Mirage foi abatido.

Depois de 13 anos em Angola os Cubanos ainda não tinham conseguido o seu objectivo de destruir a UNITA e marchar na Namíbia como " libertadores ". Subestimaram muito mal os sul-africanos e descobriram a muito custo que estavam perante tropas altamente treinadas. Se tivessem tido o cuidado de examinar a história militar sul-africana, teriam talvez parado para pensar que os antepassados destas tropas, os Boers, tinham aguentado o todo poderoso Império Britânico durante a guerra dos Boers, quando 450.000 tropas britânicas levaram 3 anos para submeter uma força de pouco mais de 20.000 Boers.

Notas

(1) THE WAR FOR AFRICA -Bridgland, pp145.

(2) HIGH NOON IN SOUTHERN AFRICA -Crocker, pp.360-361.

Bibliography

THE WAR FOR AFRICA by Fred Bridgland (Ashanti 1990)
A GENERAL'S STORY by Jannie Geldenhuys (Jonathan Ball 1995)
SOUTH AFRICA'S BORDER WAR by Willem Steenkamp (Ashanti 1989)
HIGH NOON IN SOUTHERN AFRICA by Chester A. Crocker (Norton 1992)
THEY LIVE BY THE SWORD by Col. Jan Breytenbach (Lemur 1990)
WAR IN ANGOLA by H.R. Heitman (Ashanti 1990)

 

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