Direito de Resposta às Quimeras de Francisco Xavier Builo

Direito de Resposta às Quimeras de Francisco Xavier Builo

 

1.Em vez de tentar iluminar, como disseste na tua exposição, penso que o Senhor fez o contrário, tentou tapar a verdade como quem se protege do sol utilizando uma peneira, para ofuscar as verdadeiras razões da vossa defecção. Senão vejamos:

 

- Você omite claramente dizer que o teu grupo sempre apoiou e se associou a tudo que o ABB vinha fazendo e tudo faziam para que os assuntos não fossem previamente discutidos, mas que fossem apresentados como factos consumados aos outros que não faziam parte da cabala. As últimas reuniões que multiplicaram ao ritmo do desespero visavam apenas comprometer todos e leva-los por arrastão, subestimando as capacidades dos outros, e feito com arrogância e desrespeito à liderança do movimento e a todo o povo Cabinda.

 

- Tenha coragem e volte a escrever, reconhecendo que esta confusão não começou com a traição assumida abertamente por ABB. Isso começou bem antes e o vosso grupo a alimentou em surdina em conjunto com a parte da sociedade civil que você e o seu grupo sempre apresentaram como vossa base no interior, e tenha a coragem de cita-los para não pôr no mesmo saco a parte da sociedade civil séria, que tem contribuído seriamente para acabar com o sofrimento infligido ao nosso povo sem esperar contrapartidas materiais.

 

 - Não utilizarei este espaço como plataforma para um esclarecimento ou busca de um entendimento com alguém que por sentimento de culpa preferiu fazer a política da avestruz no momento apropriado, para depois estimular a confusão e em vão tentar denegrir pessoas que lhe alertaram do perigo dos seus actos, como sendo os responsáveis da inconsistência da sua militância em prol da causa cabindense.

 

- Para te facilitar a compreensão, eis a seguir alguns extractos dos discursos do vosso grupo, como ajuda para a tua memória, e você certamente saberá quem disse o quê e porquê; e desenvolva isso por favor. Creio que te permitirá iluminar o mundo inteiro sem caluniar:

 

.“Estou a ver o negócio... a ir a falência e por isso é que estou aqui para salvá-lo… e continuou com outros argumentos difamadores contra…” isso foi à margem da reunião preparatória da Conferência Inter-Cabindesa de Helvoirt e você sabe qual foi a minha reacção a isso diante do vosso grupo.

 

. “Já estamos a ficar velhos e não temos nada…”

 

.“Todos os Presidentes são ricos... que não tem nada, e não me ouve como conselheiro…”

 

. “…Já não se consegue vender…”

 

 “Evitemos ter muitos quadros no movimento para não dificultar as coisas…”

 

 “…Já não resta nada…” 

 

.”No próximo ano iremos a Cabinda abrir oficialmente o escritório da FLEC…” isso dito no ano passado depois da façanha de ABB; etc.

 

Só desenvolvendo estes pontos com sinceridade e honestidade em conjunto com o teu grupo, você estará sim a iluminar as coisas sobre todos os mistérios escondidos da vossa defecção.

 

2. A supressão da palavra “Enclave” e sua substituição por “Estado” na sigla FLEC é mais do que justificada porque Cabinda foi internacionalmente reconhecido como estado em 1885 e reconfirmado em 1964 pela OUA, e os Cabindas lutam pela libertação deste “Estado” que está sob ocupação estrangeira, não de um enclave até inexistente.

 

Este pensamento evolutivo foi aplaudido por todos os Cabindas conscientes e pelos estrangeiros que acompanham o caso Cabinda. Para quem está avisado a atitude do vosso grupo e dos que vos apoiam com relação a isso não é estranha; ontem, se opuseram também à decisão de exoneração do ABB e seus acompanhantes. Imagine se caíssemos todos nessa fífia, o que se diria hoje de Cabinda? Sempre contestaram aquilo que é certo e favorável à estabilização da Resistência, isto é prova de que algo está desajustado do vosso lado. Defender sempre o mal não pode ser uma coincidência.

 

O povo de Cabinda nunca admitirá que façam da FLEC uma organização de homens ávidos de uma satisfação material pessoal ou de grupo, quando assistem milhares dos seus melhores filhos perderem as suas vidas e este povo continuando a consentir sacrifícios inexprimíveis pela sua liberdade, que tanto anseia.

 

Por favor, convido-te a meditar comigo em 1Rei, 2:1-4 e 3:5-13. Este deve ser o nosso legado às futuras gerações, e o procedimento a adoptar, agora, para o bem do nosso povo. 

 

Meu caro irmão, ninguém agradará a Deus que não vê, se não preocupar-se e estender a mão ajudadora ao povo que vê sofrer. Assim como, quem não considera o seu próprio pai ou povo, não creio que terá respeito pelo pai do outro ou povo, cujos usos e costumes lhe são por assimilar.

 

3. Devido ao facto de o MPLA e o seu Governo terem-se apoderado do nome do Fórum Cabindês para o Diálogo para o seu clone político, e face ao embaraço que tal vinha causando em mantermos este órgão como instituição ligada à Resistência Cabindense; o Nkoto Likanda decidiu e bem a sua dissolução e atribuiu ao Secratariado das Relações Exteriores e Negociações a responsabilidade de procurar as formas de se trazer Angola à razão e aceitar um verdadeiro processo de negociação que seja inclusivo e cujos resultados possam reflectir as aspirações do povo de Cabinda.

 

O vosso grupo está livre de continuar ou não no FCD. E, agora que é parte do GURN em Angola, creio que estarão já de malas feitas para ocupar os gabinetes dos cargos que vos foram atribuídos e materializar os vossos sonhos. Talvez, alguém aplauda a vossa acção…

 

Vocês optaram pela defecção e se auto-excluíram da luta, isto é que devem explicar a todos. A vossa atitude vos custaria uma sanção disciplinar em qualquer organização. Tentem fazer isso lá onde se juntaram e verão qual será o resultado.

 

4. Caro Francisco Xavier Builo! Nós somos compatriotas e continuaremos a sê-lo até que a morte nos bata a porta. Porem, se estiver interessado em manter a amizade, então sê humilde e reconheça os teus erros que te levaram a esta derrocada, aprenda com eles para saíres da rotina da negatividade, em vez de procurar razões externas imaginárias e embrulhar-se em acusações gratuitas.

 

Cada um de nós tem os seus demónios que lhe atormentam e deve encontrar sozinho a forma de lidar com eles, sem inventar histórias; porque ninguém é forçado a fazer a vontade de outrem e digo-te que, concordo que cada um de nós tem de ser único, original e criativo; mas sem calúnias e manipulações, porque isso não dignifica ninguém.

 

Desejo-te sucessos na tua vida pessoal e o melhor para a tua família.

 

Atenciosamente,

 

Martinho Lubango.

 

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