ANGOLA ESTÁ A DESPERTAR

ANGOLA ESTÁ A DESPERTAR


Hoje a UNITA pelo cariz da sua campanha vai às eleições consciente da sua vitória

Angola vive a efervescência e o frenesim que resultam dos processos eleitorais. Com o Quénia e Zimbabwe como espelhos reflectores, a Europa, a América, a China e a África, acompanham com certo cepticismo o processo angolano. Todos os tablóides angolanos, esgrimem as suas opiniões umas bem mais estruturadas do que outras, mas em uníssono buscam “cachas” que permitam vender mais jornais e credibilizar as respectivas redacções.

Ler também crónicas de Eugénio Costa Almeida: "Os disparates da subserviência em Angola" e de Jorge Eurico: "Verdades que se pensam mas nem sempre se dizem"


Por: José Samakaka

Em alguns casos, solicitam a alguns articulistas da praça que verborreiam, na maioria das vezes, com algumas incursões académicas buscando na maior parte dos casos, fundamentos baseados nas experiências pessoais, realçando um certo narcisismo que não o encontram no espelho social.

Porém, factos são factos, vivemos todos, cada um à sua maneira, em torno de Setembro e no pós-Setembro. Uns apostam, outros acreditam que o MPLA já ganhou, uns ainda acham que a UNITA já era, enfim, um rol sem fim de diálogos, conversas de quintais, discussões filosóficas, sem nunca recorrerem ao músculo como a razão da força.

Todos! Os angolanos de lá e os de cá e os de todos os lados. Inclusive os abutres que sobrevoam o tecto angolano, uns em voos rasos e picantes outros a alta altitude. Angola deslumbra tal e qual o “el dorado”.

A guerra armada há muito deixou de fazer parte das cogitações entre os mangurras, a nova guerra é a social. É a guerra contra a fome, a guerra pelos milhões, a guerra pelo poder, a guerra pelas concessões, a guerra das comissões, a guerra entre os canalhas, a guerra interna dos partidos, a guerra pela ascensão social, a guerra das divas, a guerra contra a pobreza.

É guerra das guerras. Tem um nome e um culpado; já foi capturada, julgada e condenada por todos: chama-se Corrupção - Tráfico de Influências. E quem a promoveu? Ninguém! Mas todos sabem só não convém dizer quando todos dela beneficiam.

O multimilionário Presidente da Nação também não o foi nem é o culpado, mas tem a família mais rica de África. Os seus séquitos também não o foram mas viajam de helicópteros para as suas riquíssimas fazendas. Em nome da paz, somos todos inocentes até o culpado do costume foi pela primeira vez na história angolana inocentado dos males que Angola carrega no dorso dos Katiavala, Mandume, Jinga, Bula Matadi, Ekuikui e Mutu-ya-Kevela.

As eleições de 2008, vão ter seguramente um final feliz porque vão permitir repor a legalização institucional do País. E ao contrário das promessas do virtual vencedor, Angola vai constatar os seus maiores níveis de desigualdades sociais e económicas. Não é uma visão pessimista quando assistimos a ausência de coragem política para assumirmos todos que falhámos.

Que a independência falhou; que a construção de uma sociedade justa falhou e que o vírus da corrupção é e vai continuar a fustigar o desenvolvimento e a autenticidade do Estado angolano. O Estado é vítima de si mesmo e a sua gestão e mercenária. Porque não dar razão quando dizem que ele é gerida por criminosos? As gruas gigantes que crescem em Luanda são vistas lá onde a guerra armada mais dilacerou o País?

Onde fica o enquadramento daqueles que noutros tempos o “mal de Angola” chamava de Angola profunda? O interior, o centro e sul não fazem parte de Angola?

Mas os angolanos são naíves. E claro, vamos ter umas eleições com dois candidatos e um publicista. Os outros, apenas vão debitar as migalhas timbradas por uns quantos confundidos e inocentes. Os chamados elucidos vão votar pela barriga vazia e quiçá pela oportunidade circunstancial com espírito meramente mercenário.

Outros, claro, o farão mas pela revolta do que pela razão. De consciência apenas os militantes seguidores que acreditam que ainda existem valores entre as diversas correntes políticas que apoiam. Neste cocktail de interesses (in)comuns, sairá o vencedor legítimo da nova República que porá fim aos anos de poder exclusivo.

O MPLA, tem fortes razões para lutar por uma vitória esmagadora. Será pela primeira vez que se compromete com a Nação e a Comunidade Internacional em realizar um processo transparente e credível. Por outro lado, tem necessidade de provar ao mundo que é a maior e a mais organizada formação política nacional. E, por fim eliminar os fantasmas de 92 onde a vitória não foi clara nem transparente.

O Presidente milionário Eng. Eduardo dos Santos, candidata-se mais por imposição do que por vontade própria. Ele será o vencedor perdedor. Vencedor porque tem todo o aparelho do Estado ao seu dispor, tem o MPLA no umbigo e os maiores abutres internacionais como respaldo na sua luta contra o pequenino Samakuva.

E perdedor simultâneo, porque perde a oportunidade de retirar-se da cena política nacional na melhor altura, depois de ter granjeado o “título” de construtor da paz, “arquitecto” da democracia e saboreado a cabeça de Jonas Savimbi em bandeja de ouro. Aliás o centro e epicentro da sua política para a nova Angola consistiu em eliminar o “cancro” e fazer a paz.

Por fim vencedor perdedor, porque dificilmente vai sobreviver do ónus da corrupção e de corrupto mor, vírus, que vai perdurar enquanto tiver os séquitos que possui. Zé-Dú em outros tempos, é hoje o mal amado entre os adeptos do Kremlin. A humilhação vai coroar este político em fim de carreira.

A UNITA tem um longo percurso de resistência e sobrevivência. E como os gatos, diz o povo tem sete vidas. Sobreviveu no passado com parcos recursos e agigantou-se anos depois, fazendo de recônditas povoações angolanas centros de discussões da alta política internacional. De “bandoleiros”, fizeram-se homens respeitáveis nas mais importantes chancelarias do mundo.

A história repete-se! Temos hoje uma UNITA meramente política, sem recursos, transportando unilateralmente culpas repartidas, sem os velhos grandes amigos, mas batendo-se por valores em que acredita desde o princípio da sua criação, uma Angola justa e livre.

Os maninhos diferenciam-se de todas outras formações políticas por uma simples razão: têm um percurso próprio com muita autenticidade e identidade. É um projecto claro que nasceu de uma base sólida sem o sentido oportunístico como fundamento de existência. Não nasceu das vísceras do MPLA. Consolidou-se ao longo dos anos, conhecendo vitórias e derrotas sem nunca perder a sua autenticidade.

Hoje, a UNITA pelo cariz da sua campanha vai às eleições consciente da sua vitória. A maior vitória não é a imediata, ela vem depois. Ou não tivesse a génese da sua criação o campo. E quem lá viveu sabe que antes da colheita trabalha-se primeiro a terra, neste caso, a terra angolana, mas mais importante ainda é a semente. A UNITA quanto a mim, está a trabalhar bem a semente.

Os angolanos vão entender em pouco menos de quatro anos qual foi a verdadeira estratégia da UNITA. E juntos vamos cantar a Vitória p´ra Nós. Não esquecer com maioria absoluta.

Samakuva, diplomata de carreira, paciente por natura é o líder certo no momento certo na Historia da UNITA, tem a sabedoria e experiência de um alto político. Não é corrupto e ganhou prestígio enquanto hábil negociador em Lusaka, poliglota é um dos quadros brilhantes forjados nas escolas do Tio Jonas.

Ao contrário dos comentários que apontam para uma humilhação no desfecho com o Megalómano Presidente milionário, SAMA já venceu o seu quinhão nestas eleições; apresentou uma proposta onde reflecte a sua prioridade: a Nação; pacto de estabilidade, a defesa do homem angolano como valor supremo e, sentido de missão na gestão do aparelho do Estado, itens que por diferença de sensibilidades não conferem o sentimento totalitário de quem faz política apenas na base de ganhar-ganhar. A maior vitória de Samakuva é o firmamento dos alicerces que servirão de base para a vitória final. E acrescento, terminará com a hegemonia parlamentar do MPLA.

Os abutres sabem que têm os dias contados, estão identificados e aos poucos vão perdendo a capacidade de influenciar as decisões políticas no ocidente e junto das grandes instâncias internacionais. No caso angolano, o meu reconhecimento vai para todos os patriotas angolanos que desinteressadamente se batem por valores que os nossos maiores nos legaram.

Activistas, políticos, clero, académicos entre outros, que não se cansam em denunciar os efeitos nocivos destes “insectos” humanos que expurgam sem dó nem piedade os pobres de Angola. Tudo tem o seu fim!

É o ciclo da vida humana na terra. Estes serão seguramente os maiores vencedores das eleições de 2008, por possuírem ainda os meios que permitem a manutenção do regime pretoriano e ocultarem os crimes do poder. Pelo contrário, caso a UNITA vença, assistir-se-á a uma Angola novamente nas manchetes internacionais com banhos de sangue.

O regime não está preparado para perder sem sangue, fazer política ao alto nível, discutir ideias e projectos ou vencer em igualdade de circunstâncias. O MPLA faz uma política de taberna, mas nem todos os angolanos são taberneiros. Angola está a despertar!

   

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