OBAMA AO ENCONTRO DA HISTÓRIA - JARDO MUEKALIA

OBAMA AO ENCONTRO DA HISTÓRIA - JARDO MUEKALIA    

ImageUSA - Após as ultimas corridas nos estados de Indiana, Carolina do Norte e West Virgínia, as eleições primarias do partido democrata entraram na sua fase derradeira. Primeiro, acabaram-se as grandes praças eleitorais com elevado número de delegados. Segundo, o calendário oficial do partido prevê o fim das primárias no dia 3 de Junho.

Assim sendo, pouco ou nada poderá alterar o quadro actual que dá claras vantagens ao senador Obama. Ganhou 32 das 48 praças eleitorais disputadas, tem mais de 160 delegados do que a sua rival e uma vantagem acima dos 300 mil votos populares. Atendendo a lei da proporcionalidade adoptada pelos democratas, os únicos cenários que dariam a vitória à Senadora Hillary, seriam, ou incapacidade física de Obama, a alteração das regas do jogo ou a descoberta de novos esqueletos no seu armário. Salvo, estes cenários, Obama será o candidato democrata às eleições presidenciais de Novembro.
 
A vitoria esmagadora de Obama na Carolina do Norte (CN) e a sua derrota por dois pontos em Indiana (IN) ocorridas no dia 6 de Maio,  alteraram o quadro das percepções que se viveu desde o dia 4 de Março quando Hillary ganhou as primárias nos estados de Texas e Ohio. Neste período, criou-se uma situação em que Obama, que se manteve sempre na liderança em todas as medidas importantes – número de delgados, estados ganhos e voto popular - não conseguiu vencer nas grandes praças (Nova York, California, Nova Jersey, Massachusetts, Texas, Ohio e Pennsylvania)  dando a Hillary vantagem psicológica, que utilizou para pôr em duvida a capacidade de Obama ganhar as eleições gerais de Novembro. Hillary quis encorajar os super delegados a votarem nela, contra o sentido do voto expresso no conjunto das primárias e "caucus", alegando ser mais experiente e ter maiores probabilidades de conquistar as grandes praças na corrida à Casa Branca.

No mesmo período, surgiram os vídeos bombásticos com ataques virulentos contra a América, proferidos pelo pastor de Obama, o Reverendo Wright. A associação de Obama a um pastor capaz de condenar o seu próprio país em termos tão violentos, levantou dúvidas sobre o seu patriotismo e a sua capacidade de julgamento. Obama fez um discurso brilhante sobre a história das relações raciais nos EUA, procurando dar contexto às declarações do pastor. Por um lado, não queria alienar a sua base Afro-Americana, por outro, precisava de se afirmar como candidato a presidente de todos Americanos. Ate então, era um candidato às presidenciais que era Negro. Dali em diante passou a ser visto como um candidato Negro na corrida presidencial. Tinha uma crise delicada para gerir. Porém, pouco menos de uma semana antes do dia 6 de Maio, o pastor voltou à ribalta e fez ondas na comunicação social reafirmando as suas posições anteriores. Obama não teve outra alternativa senão renunciar e cortar relações com aquele que há vinte anos era o seu pastor.

Foi para as batalhas de IN e CN com uma nuvem negra a pairar sobre o seu exército. As sondagens davam vantagem de 6 pontos a Clinton em IN e 7 pontos a Obama na CN, 12 pontos abaixo das projecções anteriores ao fenómeno Wright. Neste contexto, a vitória de 14 pontos (CN, última das grandes praças, com 115 delegados) e a derrota por 2 pontos (IN) deram a Obama uma lufada de ar fresco, reafirmaram a sua posição de liderança na corrida, anularam os  argumentos de Clinton, demonstraram capacidade de resposta em situação de crise, aumentaram a sua margem de delegados eleitos e sobretudo, facilitaram a escolha dos super delegados a seu favor. Desde o dia 7 de Maio, mais de 40 super delegados endossaram Obama. Gradual mas constante, este processo vai acabar por confirmá-lo candidato antes do final do mês de Maio.
 
Clinton anunciou na terça-feira (13 de Maio), depois da sua vitória no estado de West Virgínia, a sua intenção de continuar na corrida ate ao fim. Em WV estavam em jogo apenas 28 delegados dos quais 20 alinharam com Clinton e 8 com Obama. Dada a diferença no computo geral, o que podia ser uma vitória significativa noutro contexto, passou a ser uma mera referência dos jornais do dia. No dia 20 de Maio vão a votos os eleitores nos estados de Kentucky e Oregon . As sondagens dão vantagem a Hillary em Kentucky e a Obama em Oregon. Os dois estados têm quase o mesmo número de delgados 51 e 52, respectivamente.

Dependendo da margem de vitória de cada um, estes estados anulam-se, em termos de delegados e voto popular. No dia 1 de Junho votarão os eleitores de Porto Rico, com 55 delegados em jogo. Na base das sondagens, Hillary tem ligeira vantagem por causa do voto latino. A confirmar-se, no seu melhor cenário, terá 35 delegados contra 20 de Obama. No dia 3 de Junho, o último dia, votarão os eleitores de Montana e Dakota do Sul. As sondagens dão vantagem a Obama nos dois estados num total de 30 delegados em jogo.

A eventual vantagem de Clinton em Porto Rico , será anulada nestes dois estados e  a cortina desce. Esgotaram-se as opções da Senador Clinton nesta corrida histórica entre a primeira mulher e o primeiro negro com perpectivas reais de chegar à Casa Branca. Concluíndo, Obama caminha ao encontro da História. 
 
* Jardo Muekalia
Fonte: Club-k

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