ELEIÇÕES SIM! DEMOCRACIA DE FACHADA NÃO!

ELEIÇÕES SIM! DEMOCRACIA DE FACHADA NÃO!

 Por: Pe. Maurício A. Camuto, CSSP

O discurso do Presidente da República anunciando a realização das eleições em Setembro de 2008 foi colhido com muito entusiasmo em Angola e no mundo. Está dado o tiro da largada. A separação das Legislativas das Presidenciais também parece colher algum consenso. Entretanto, a indicação de dois dias para o pleito já leva alguns a torcer o nariz, pois a noite parece ser má conselheira em matéria de escrutínios. Mas esta luz no fundo de um túnel de 16 anos (as primeiras e últimas eleições aconteceram em 1992) traz algumas sombras e apreensões. É certo que o registo eleitoral foi feito – era fundamental. O mês indicado, Setembro, um mês seco e sem chuvas, parece ser bom. Mas aos espíritos mais abertos e atentos preocupa o facto de não haver no Orçamento Geral do Estado para 2008 fundos destinados aos partidos políticos para levarem avante as suas campanhas. E isto num país onde a sede de um partido ocupa sempre os melhores edifícios das praças centrais das cidades e municípios. Uma situação que leva a supor que o partido no poder usará a máquina administrativa do país para fazer a sua campanha e os restantes partidos ficarão a ver navios, sem qualquer hipótese de concorrência e muito menos de vitória. Portanto o ponto de partida apresenta-se já ensombrado, porquanto os meios materiais são desiguais. Outros aspectos que ensombram a corrida ao pleito são as divisões e rixas partidárias, meios de comunicação e seus profissionais limitados ou manietados, intolerância política, armamento em posse de civis, etc.

Para que as eleições sejam livres e justas há que criar condições de igualdade de oportunidade para todos os partidos políticos, pois as vitórias dos Davides  contra os Golias raramente (senão mesmo nunca) acontecem em política. Aqui há que se salientar sobretudo a necessidade de uma pluralidade informativa – peçachave de uma democracia saudável. Neste domínio há que se investir ainda muito e com seriedade, sem receios ou medos de fantasmas. A justeza e credibilidade das eleições vai ter muito a ver com a pluralidade e seriedade dos meios de informação.

Como cidadão sinto-me feliz e entusiasmado com o anúncio das eleições, embora partilhe algumas apreensões e me preocupe com as condições reunidas para que elas mereçam o tão necessário título de “Livres e Justas”. Depois de tanto sofrimento os angolanos merecem uma VERDADEIRA DEMOCRACIA e não aquela de fachada com a qual nos temos acomodado.

Voltar

Aucune note. Soyez le premier à attribuer une note !

Ajouter un commentaire

Vous utilisez un logiciel de type AdBlock, qui bloque le service de captchas publicitaires utilisé sur ce site. Pour pouvoir envoyer votre message, désactivez Adblock.

Créer un site gratuit avec e-monsite - Signaler un contenu illicite sur ce site

×