intimidação e do medo

Está em marcha a estratégia de intimidação e do medo
(Por: Lourenço Bento)

Faltam poucos dias para o dia D, o 5 de Setembro de 2008, em que os angolanos vão, pela segunda vez na história do seu país, escolher, através do voto secreto os seus legítimos representantes na Assembleia Nacional. Já sabemos que 10 partidos e 4 coligações vão disputar o voto dos mais de 8 milhões de eleitores registados.

É deste modo que os angolanos já começaram a ser alvo de boas e de más mensagens. As boas são, obviamente, aquelas que esclarecem e educam os angolanos sobre o nobre exercício de cidadania que é votar num ou noutro partido; mensagens sobre os programas das formações políticas concorrentes, para despertar o interesse dos eleitores.

As mensagens negativas são aquelas que criam medo e intimidam as populações, obrigando-as a ficarem em casa no dia da votação.
Infelizmente, essa mensagem negativa está patente nas declarações feitas por dirigentes destacados do partido no poder há 33 anos, que denotam impreparação para a alternância do poder.

Isaac dos Anjos, deputado à Assembleia Nacional pelo MPLA e que no passado exerceu destacados cargos no executivo angolano, veio a terreiro afirmar, em entrevista ao Cruzeiro do Sul, que o seu partido “não está preparado para deixar o poder”. Esse dirigente, que acreditamos ter estado em pleno gozo das suas faculdades mentais e intelectuais, quando afirmou isso, acrescentou que “vai haver um tremor de terra se o MPLA perder as eleições”.

Além disso, Isaac dos Anjos estabeleceu paralelismo entre o Zimbabwe e Angola, no que às eleições diz respeito, tendo afirmado textualmente que “no Zimbabwe a ZANU-PF não se preparou para transferir o poder (…) essa realidade vale também para Angola. O MPLA também ainda não está preparado para alternância, para a perda do poder, digo isso pelo conhecimento das suas gentes, dos seus militantes, dos meus camaradas”.

Com esse género de declarações, os homens do partido no poder estão a revelar o que de facto lhes corre na alma e pretendem levar os eleitores a ficarem em casa, abstendo-se de votar para permitir que o MPLA continue no poder.

Essa estratégia tendente a inculcar o medo no seio das populações está em marcha há já algum tempo. Começou com os actos de intolerância política e confirma a suspeita de alguns observadores, segundo a qual, “o MPLA iria disposto a usar todos os meios ao seu alcance para conservar-se no poder, não obstante o seu medíocre desempenho ao longo dos últimos quase 33 anos de governação”.

De algum tempo a esta parte, a UNITA e demais partidos na oposição vêm denunciando, com alguma regularidade, a ocorrência de actos de violência politica exercida sobre os seus militantes, por elementos do MPLA e da administração do Estado, em algumas capitais provinciais, sedes municipais, comunas e aldeias. Esse assunto foi objecto de abordagem em reuniões do mecanismo bilateral de concertação politica entre o Governo e a UNITA, tendo havido, em 2007, a deslocação de uma equipa técnica à comuna de Umpulo no Bié, para verificar “in loco” a destruição, por fogo posto, de mais de uma dezena de residências de militantes do galo negro.

Foram recolhidos todos os detalhes inerentes à identidade e motivações que levaram à prática do crime e que permitiriam os órgãos responsáveis tomarem medidas que se impunham. Ao contrário da expectativa gerada em torno do assunto, os autores do crime nunca foram responsabilizados, criminalmente.

Essa passividade só tem uma explicação, os actos de intolerância política têm sido politicamente motivados por órgãos que tiram deles benefício. Por outras palavras, o MPLA que controla o poder e a justiça manda os seus partidários baterem e matar os opositores e não os pune. Como se pode ver, a impunidade tem servido de mola impulsionadora para a continuação dos actos de intolerância política, que para além de violência física, destruição do património material da UNITA também têm causado ferimentos graves e mortes. Seriam, numa sociedade sã, motivos suficientes para as forças policiais e de justiça agirem contra os violadores da lei que a todos protege e defende.

Durante a vigência do mecanismo bilateral de concertação política a outra parte, refiro-me a delegação governamental, só uma vez aceitou integrar uma missão técnica para a verificação dos danos materiais e humanos que os homens do MPLA causam aos seus adversários da UNITA. Será que faltaram motivos?
Simplesmente não. Motivo havia e continua a haver, mas como é estratégia do regime criar o medo e desencorajar os adeptos da UNITA, as propostas do galo negro no sentido da verificação dos actos e punição dos seus responsáveis são ignoradas.

A UNITA defendeu, na altura, que delegações conjuntas Governo - UNITA que se deslocarem para o interior transmitiriam mais confiança nas bases e ajudariam a consolidar o sentimento de reconciliação nacional.

Outra peça da estratégia do regime tem consistido em manter o silêncio sobre os actos de intolerância ou seja ignorar a sua existência no país. Nenhum governante ou dirigente partidário do MPLA a existência de actos de intolerância política, quando na verdade acontecem todos os dias. É outra forma de encorajar a continuação dos mesmos actos. Muitas vezes os actos de intolerância politica ocorrem a seguir aos pronunciamentos do Presidente da República, no sentido de haver tolerância e respeito pelas ideias e convicções alheias. Nem isso serve para chamar atenção dos camaradas para a necessidade de tomadas de medidas.
Está claro que é uma estratégia que visa criar medo no seio dos militantes da UNITA e das populações que se preparam para votar na UNITA.
Por acaso vão conseguir travar o vento com as mãos?
Claro que não! No dia 5 de Setembro os angolanos vão ditar a sentença na base daquilo que tem sido o seu dia a dia.

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