DIA DA PAZ COMEMORADO NA VISTAS ALEGRE COM TRISTEZA - REPORTAGEM DE ADÉRITO MALUNGO

DIA DA PAZ COMEMORADO NA VISTAS ALEGRE COM TRISTEZA - REPORTAGEM DE ADÉRITO MALUNGO

Os actos de intolerância politica na comuna de Vista Alegre, município do Dande-Quitexi, na província do Úige, continuam a provocar inúmeras fissuras no seio da população, volvidos 6 anos desde de que foi assinado o memorando de entendimento do Luena; complementar ao protocolo de Lusaka, pela UNITA e o Governo de Angola.

Espancamentos, intimidações, bloqueios de actividades político–partidárias de formações políticas da oposição em Angola tem sido a “tónica” dominante por parte do MPLA naquela vila que dista à 100 Kms da cidade capital do Úige.

Tais actos se repetiram quando Secretário-geral da UNITA, Abílio Kamalata Numa, deslocou-se por terra de Luanda à vila da Vista Alegre no dia (4.04) para presidir o acto comemorativo do 4 de Abril que simboliza em Angola o dia da Paz e Reconciliação Nacional.

Naquela localidade Abílio Kamalata Numa, presidiu um comício popular e que ficou “manchado” pela negativa já que militantes e simpatizantes da JMPLA (organização juvenil do MPLA) bem como da OMA (organização feminina do MPLA), tudo fizeram para impedirem o comício organizado pela UNITA.

Mesmo depois do Secretariado provincial da UNITA, ter pedido autorização do executivo local como manda a lei, este remeteu-se ao silêncio e segundo informações dignas de crédito tudo fez para “sabotar o acto”já que “impavidamente” viam-se crianças vestidas de camisolas do MPLA, assim como os militantes da JMPLA e da OMA, a manifestarem-se entoando canções ofensivas contra a UNITA, à 20 metros do local onde decorria o acto que “ Galo Negro” organizou.

Apesar desta situação, o comício da UNITA decorria. Ao fazer as honras da casa o secretário provincial da UNITA, no Úige, António Francisco Fernandes, destacou a importância do 4 de Abril para a vida dos angolanos apesar dos actos de intolerância política que continuam a enfermar as populações do Úige com destaque as da vila de Vista Alegre.

“ Não se pode criar um ambiente de convivência com o que se verificou aqui, desde as primeiras horas desta manha (05.04)”, disse o politico.

De acordo com António Francisco Fernandes os actos de intolerância promovidos pelo MPLA mostram “ a falta de argumentos políticos para convencer a população”.

Segundo destacou o dirigente do “Galo Negro” no Úige o seu Partido pretende conviver em paz, tendo destacado que os “ irmãos do MPLA podem vir com as suas camisolas para os nossos comícios serão sempre bem-vindos. Mas não queremos distúrbios! Porque nós da UNITA exigimos tranquilidade que nos permita trabalhar”.

Depois da intervenção do secretário provincial da UNITA no Úige, foi chamado o secretário-geral do Partido, Abílio Kamalata Numa, a dirigir-se as populações ávidas de ouvirem as linhas mestras e orientadoras para os próximos tempos.

Abílio Kamalata Numa começou o seu discurso de aproximadamente uma hora, com palavras da Bíblia Sagrada. Do Salmo 133, o secretário-geral da UNITA, tirou palavras que serviram de “inspiração” para o comício popular, destacando deste Salmo, a convivência em união entre os “irmãos” e a vida para sempre.

Num discurso virado para paz, Abílio Kamalata Numa, defendeu igualmente a unidade, harmonia, tolerância, concórdia e uma verdadeira reconciliação nacional.

“ Transmitamos a mensagem da paz, da reconciliação nacional, a mensagem da mudança”, disse.

Sobre a intolerância o dirigente da UNITA, afirmou que este mal é frequente nalguns pontos do país. “Estão a defender uma pessoa que para preparar o seu cabelo fá-lo na Europa, já que em Angola não tem as tais cabeleireiras”.

“ Você bateu o seu próprio irmão com quem deviam se juntar na mesma luta, para acabar a pobreza”, desabafou, tendo destacado que foi esta penúria a mãe de todas as guerras que “ nós vivemos aqui neste país”.

O politico referiu que desde 1974 quando os movimentos de libertação chegaram em Angola: FNLA, MPLA e a UNITA, todos prometiam que depois das eleições de 1975 teríamos uma Angola onde o angolano seria valorizado.

“ De 1975 para cá não vejo este angolano! Olho para todos os lados só vejo angolanos aquém se parte a casa dele; é o angolano que parte cedo e volta tarde lutando todos dias para sobreviver; é o angolano a viver na miséria; é o angolano sem estima de si próprio; é o angolano de escola de pé descalço onde mal se ensina; vejo todos os dias hospitais onde a mulher vai ter o seu bebé e muitas vezes não regressa com vida, porque é o hospital de pé descalço; vejo angolanas a prostituírem-se para poderem ter ensino superior, carros e vestirem bem. Isto vejo todos os dias”, destacou.

Abílio Kamalata Numa sente-se chocado com a realidade em que “ uns poucos ficaram com tudo de todos. O que era nosso ficou com uns poucos e quando estamos a celebrar o 4 de Abril, deveríamos reflectir esta penúria que vivemos!”, disse.

“ O que vejo hoje, são os descriminados a tentarem-se levantar mas de forma errada. Porque anos atrás, havia um slogan que dizia: não é do Partido quem quer, é do partido quem merece. Diziam eles! Hoje utilizam os que não mereciam para puderem defender aqueles que mereciam e ficaram senhores todos poderosos e detentores de todas as riquezas deste país. Esta é a penúria que temos de reflectir”.

O Secretário-geral da UNITA lembrou que o “ patriotismo só tem significado se você disser que a minha saudade é com aquela montanha que eu via quando eu era criança. No mês de Setembro quando começa a chover aquele cheiro da nossa terra único no mundo, quando as plantas começam a se despontar o verde começa a surgir”.

Para o secretário-geral da UNITA, muitos vangloriam-se de patriotas mais não o são porque vivem a margem do sofrimento do povo.

“ Hoje o que nós assistimos que quando se constrói uma ponte, uma escola, um hospital as pessoas estão à aplaudir! Afinal qual é o trabalho do governo? Aquilo é obrigação dele”.

O político disse que o povo deve fazer entender que o dinheiro aplicado nas obras não é propriedade dos governantes. “É preciso perceber isto definitivamente que quando vocês vêem aqueles senhores a construírem aqueles condomínios aquele dinheiro é do povo”, tendo defendido que se o povo não exigir “ aqueles senhores a mudarem de postura continuará a viver da forma como está a viver hoje”.

Todavia Abílio Kamalata Numa deixou um recado aos angolanos de que o “que queremos ser, depende de nós mesmos”, tudo porque o povo tem o poder nas suas mãos que é o voto.

Aos militantes do partido, o Secretário-geral daquela formação política, sublinhou que esses têm contribuição valiosa neste país. “Quem implantou a democracia neste país foram vocês. A vossa luta valeu a pena!”.

Entretanto Abílio Kamalata Numa não tem dúvidas de que o seu Partido sairá vencedor das eleições legislativas aprazadas para Setembro próximo, e convidou os angolanos quando chegar o dia “D” a votarem no projecto da mudança liderado pela UNITA, já que o mesmo, segundo destacou dignificará todo angolano e se assenta numa política de desenvolvimento local que somado vai permitir o desenvolvimento do país.

O dirigente da UNITA defendeu na sua intervenção que “ no próximo governo cada criança tem de receber subsídio do Estado”, já que para os maninhos a criança é um recurso do país e nela se assenta o futuro e o desenvolvimento de Angola.

De referir que assistiram ao comício, o administrador municipal do Dande-Quitexi, bem como o comandante municipal adjunto da policia nacional, a presidente Nacional da LIMA (organização feminina da UNITA), Miraldina Olga Jamba, a directora nacional para a mobilização da UNITA, Teresa Chipia, a presidente provincial da LIMA, Joana Miguel, o antigo governador da província da Úige, Lázaro Xixima para além de outros membros do executivo provincial da UNITA.

Como a vida não é feita só de males, eis que no último dia da visita do Secretário-geral da UNITA, na comuna da Vista Alegre, um caçador da região apanhou na sua “ armadilha” (objecto de caça) um animal raro, denominado Ndjima na língua local, que traduzido em português significa “resolve – problmea”. Segundo a tradição local, este animal simboliza o fim das desavenças entre irmãos numa determinada aldeia daquela região

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