Futuro líder quer que UNITA seja alternativa ao MPLA

  
  Futuro líder quer que UNITA seja alternativa ao MPLA

ÚLTIMA HORA

Luanda - A disputa será renhida. Qualquer um dos dois tem hipóteses de ganhar. A campanha interna foi intensa.

Houve debates entre os dois candidatos em rádios privadas - algo inédito em Angola. A imprensa não oficial passou a ideia, presente na opinião pública, de que a UNITA está a dar passos importantes, embora haja ainda muito a fazer. Se um dia tem hipóteses de fazer uma oposição forte, ou mesmo ser poder em Angola, muito dependerá do contexto político, e da abertura permitida pelo Governo - condições ainda não reunidas, segundo os analitas ouvidos pelo PÚBLICO

Entre os desafios mais imediatos da UNITA: a clarificação da sua posição "ambígua", enquanto partido da oposição e membro do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional resultante dos acordos de paz, a modernização e democratização do partido, processo que passa pelo fim da "herança autoritária" do presidente fundador, Jonas Savimbi, segundo o professor de Ciência Política na Universidade Católica de Luanda, Nelson Pestana, também escritor (sob pseudónimo Eduardo Bonavena). Para este académico e membro da Frente para a Democracia (na oposição), o lema do congresso - Reafirmação da identidade política, para a mudança - é "indicador" de que a UNITA ainda não se libertou desse passado.

A herança de Jonas Savimbi mantém-se, como uma "referência", uma "matriz", que permite ao partido resistir a ameaças de divisão. Impossível ser de outra maneira, diz o jornalista Mário Paiva, que conta um episódio recente: num dos debates radiofónicos, o da Radio Ecclesia, um dos ouvintes criticou Abel Chivukuvuku por ter, em tempos, insinuado que Savimbi representava "o passado". "Chivukuvuku respondeu não respondendo, explicando que a UNITA tinha de olhar para a frente."

Nenhum dos dois candidatos quer assumir uma "ruptura cega" com o passado, diz o professor de Ciência Política da Universidade Agostinho Neto, Fernando Macedo. "A UNITA tem o seu passado, o seu legado, os seus erros. Tem o seu passivo e o seu activo", acrescenta este académico, que é também presidente da Associação Justiça, Paz e Democracia.

"Na UNITA, a presença do presidente-fundador [Savimbi] é um factor muito marcante. Mas qualquer um dos dois candidatos saberá construir e consolidar a sua própria liderança. Vejo em qualquer um dos dois o perfil de líder", conclui.

O vencedor da eleição de hoje será o candidato às presidenciais previstas de 2009. Como adversário terá - possivelmente mas sem certezas - José Eduardo dos Santos. Mas é nas legislativas, programadas para 2008, que a UNITA diz querer apostar, criando uma dinâmica de competição e de vitória que lhe permita passar a imagem de ser alternativa ao MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola), partido no poder. "Qualquer um dos dois pode fazê-lo", diz Fernando Macedo.

Promessas e determinação

Qualquer um dos candidatos promete-o, embora Chivukuvuku com maior vigor e determinação. Samakuva concentra-se no legado que deixa ao fim de quatro anos à frente do partido, e com a "difícil" missão de ter sucedido a Jonas Savimbi, reconhece, numa altura em que o partido estava fragilizado.

Com uma imagem mais mediática, Chivukuvuku joga na eloquência. "É como um Barack Obama [candidato das primárias do Partido Democrata nos EUA] de Angola", diz o jornalista Mário Paiva. "É o candidato mais novo, e aparece como mais dinâmico, mais agressivo."

Mas no essencial Chivukuvuku e Samakuva não apresentam diferenças políticas de fundo. O que os distingue é o estilo. No frente-a-frente na rádio Voz da América, Samakuva esteve "cauteloso, económico nas palavras, mas muito seguro", enquanto Chivukuvuku foi elogiado pelo seu discurso "claro e objectivo".

Nos últimos anos, a UNITA concentrou-se em manter a coesão, em não desaparecer. "A sua grande vitória foi ter conseguido resistir às tentativas de desestabilização por parte do próprio MPLA", conclui Macedo.

O professor Nélson Pestana fala de uma "grande evolução". A UNITA de Samakuva conseguiu "depurar-se de certas correntes dentro da UNITA que já tinham feito compromissos com a outra parte [o Governo]" - diz numa referência à UNITA Renovada, no seio da qual, houve figuras, como Jorge Valentim, que foram expulsas.

É esse o principal mérito atribuído a Samakuva, que, por outro lado, sofre da imagem de ter sido, por momentos, demasiado complacente para uma figura da oposição, posicionando-se "na faixa do poder, fazendo arranjos em nome da estabilidade, procurando consensos em reuniões" com o MPLA, diz Nélson Pestana. Seja como for, conclui o jornalista Mário Paiva, depois deste congresso, se ganhar, Samakuva não poderá manter esse estilo de liderança.

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Commentaires (1)

1. meireles 14/11/2007

O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 09 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz, Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos.

Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldina ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

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