Há sempre uma razão para também dar voza quem a não a tem!

Há sempre uma razão para também dar voza quem a não a tem!
O silêncio do que se pensa e não se diz ou escreve é por vezes, e não poucas vezes, mais inciso e gritante do que o que se escreve

Há quem não goste que se escreva, diga ou palestre sobre certos assuntos. E se os assuntos estão na génese da crítica aos pretensos ditadores e claros autocratas para quem as eleições são um devaneio de uns quantos nunca efectuado, então aí as ameaças mais que “fascinantes” são-no efectivas e claras. Tudo isto porque alguns angolanos não gostam de calar o que pensam, mesmo que isso os obrigue a pensar e sentir 24 horas da sua vida pela vida daqueles que mesmo querendo pensar – e pensam – não conseguem fazer-se ouvir nem conseguem chegar aos meios comunicacionais para apresentarem os seus pontos de vista.

Por Eugénio Costa Almeida

E por isso alguns pretensos bajulo-ditadores – por certo ao arredio do interesse das cúpulas nacionais e mesmo partidárias – ameaçam a vida privada de quem se sente capaz de ser arauto da verdade – mesmo que seja a sua verdade, embora pense e produza como verdade de todos – sem se preocuparem com os efeitos que provocam.

Por isso, muitos desses bajulo-ditadores conseguem sobreviver, quais macacóides em árvores de ramos finos, porque habituaram-se em estar de bicos-de-pés e, com isso, estragarem os sapatos e endurecerem os dedos que lhes permite estarem pendurados quais ratos, quais múcuas.

Acham que levando as pessoas, os pensadores, ao silêncio que os calam e, por esse facto, amordaçam a verdade – mesmo que seja a sua verdade, embora pense e produza como verdade de todos – efectiva e clara: os autocratas não gostam que se pense e se pense o real.

Se pensam podem criar expectativas e tentações de escrita. Se lhes cortar a escrita, pensam que o povo não pensa e se remete ao silêncio.

Mas o silêncio não impede que se pense. E o silêncio do que se pensa e não se diz, ou escreve, é por vezes, e não poucas vezes, mais inciso e gritante do que o que se escreve.

Talvez por isso, e ainda assim, aqueles que só sabem fazer – e mal, felizmente, – o que lhes mandam, prefiram que se fale porque pensam que não se morde.

Caros leitores, pode-se morder – e muito, acreditem, se assim não fosse não perdiam tempo em se mostrarem nas vias públicas como se capangas fossem e mais não são – falando e pensando. E os autocratas e pretensos ditadores gostam muito mais que se fale para ameaçar do que se pense.

O que se pensa não se diz, mas obriga-os a pensar no que estamos a pensar.

E porque há aqueles que pensam que fazem favores aos “chefes” ameaçando, não têm qualquer pudor em sair dos embondeiros e mostrarem-se aos pensadores.

Podem pensar que não pensamos. Mas pensamos e enquanto os dedos da mão doerem escreveremos dando sempre voz aos que não a têm e parece não a querer ter. Somente estão calados em silêncio.

E lembrem-se que há muitas formas de falar. O silêncio é uma das mais gritantes.

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