Homens (?) de mão do ainda presidente mostram que o rei vai mesmo... nu

Homens (?) de mão do ainda presidente mostram que o rei vai mesmo... nu
 

«Quero, posso e mando quer o mundo queira ou não», eis a tese de José Eduardo dos Santos

Ignorando que o Povo está cada vez mais maduro e, por isso, minimizando que o mesmo já sabe e está a fazer as (mais variadas) leituras políticas dos últimos acontecimentos (prisão de Fernando Miala e pares e caça às bruxas de todos aqueles que lhes eram próximos; fomento de confusão e divisão no PADEPA; instauração de um processo-crime contra David Mendes pelo Tribunal Superior) que têm ocorrido no País, fazendo jus ao «quero, posso e mando», «os donos» do poder angolano serviram-se do processo de injúria, calúnia e difamação intentado em 2004 pelo antigo ministro da Justiça, Paulo Tjipilica, para colocar o jornalista e director do Semanário Angolense na prisão.

Dito de outro modo: «os homens de mão» do Presidente Eduardo dos Santos terão pressionado o Tribunal provincial de Luanda e Paulo Tjiplica, actual Provedor de Justiça, para colocar o jornalista Graça Campos a ver a nascer o Sol aos quadradinhos durante um período de oito meses.

Para além de andar a reboque dos humores políticos da Cidade Alta, a primeira instituição (o Tribunal provincial de Luanda, pois claro!), que era suposto, e ao mesmo tempo desejável, ser independente, não tinha como não satisfazer o desejo dos «donos» do poder, enquanto que Paulo Tjipilica - um intelectual que se vai descredibilizando a cada dia que passa e dele a UNITA sente nojo -, não poderia de maneira nenhuma virar a cara aos que (des)mandam em Angola em virtude dos inúmeros favores que (um dia destes serão aqui escalpelizados «tim-por-tim») deve ao regime.

O processo de injúria, calúnia e difamação intentado contra o jornalista e director do Semanário Angolense (não) terá sido um pretexto para colocá-lo na cadeia por não ser anti-Povo, como é a maioria do membros Menos Pão Luz e Água? Bem, uns dir-me-ão que sim e outros que não. Seja como for, e não sei porquê, tenho dificuldades em dissociar um caso do outro.

E tenho dificuldade porque quanto a mim, é bom que (não) se saiba em nome da pretensa Liberdade de Imprensa e de Expressão existente em Angola, a verdadeira razão da privação da liberdade do jornalista Graça Campos deve-se ao facto de ter querido ser nacionalista ao denunciar em tempo oportuno que o então ministro da Justiça estava a desapossar cidadãos dos seus imóveis com o propósito de devolvê-los aos seus antigos donos (portugueses) que, na altura, voltavam para o País aos magotes, quais cogumelos que crescem em tempo de chuva.

A provar que a denúncia do jornalista Graça Campos tinha razão de ser está o facto de a primeira medida do actual ministro da Justiça, depois da sua nomeação, ter sido a de colocar um ponto final à entrega de imóveis a cidadãos lusos, um processo que se tinha iniciado e concretizado durante o consulado de Paulo Tjipilica.

O processo de injúria, calúnia e difamação intentado contra o jornalista e director do Semanário Angolense não terá sido um subterfúgio para desestabilizar o referido hebdomadário, um instrumento de luta política que, nos últimos tempos, faz(ia) cada vez mais luz às manigâncias e matreirices políticas do timoneiro do partido no poder e «de sus muchachos»?

Bem, uns dir-me-ão que sim e outros que não. Seja como for, e talvez por uma questão de defeito, penso que, na óptica de quem manda, o jornalista Graça Campos (é) pode(ria) ser uma ameaça aos interesses alheios e de uns poucos como o foi Fernando Miala e pares.


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