NA IMPRENSA LUSÓFONA O MPLA SOMA E SEGUE

NA IMPRENSA LUSÓFONA O MPLA SOMA E SEGUE

Uma bitacaia em Eduardo dos Santos tem direito a muito mais espaço na Imprensa internacional do que, por exemplo, o relatório da Human Rights Watch

Com a suposta obrigatoriedade de fazer eleições, José Eduardo dos Santos aperta o cerco à Imprensa privada angolana, seja prendendo e intimidando jornalistas, seja apoiando produtores de conteúdos. Mas os tentáculos do polvo do MPLA não se limitam a Angola. Em Portugal, como nos restantes países dessa “coisa” que dá pelo pomposo nome de CPLP, os homens de Eduardo dos Santos continuam a somar pontos. Basta ver, por exemplo, o que se (não) tem dito sobre Graça Campos. Ou seja, tudo quando se relacione com as verdades incómodas para o regime ditatorial que (des)governa Angola desde Novembro de 1975 é passado a pente fino pelo crivo editorial (um neologismo para censura), enquanto há roda livre para o que respeite ao MPLA.

O MPLA continua, graças ao seu poder económico que o coloca – não enquanto partido, mas através dos seus dirigentes – no âmago de grandes empresas portuguesas, a dizer o que deve ou não ser divulgado. Há, é claro, excepções. São cada vez menos, mas ainda as há.

A entrada do dinheiro do Estado angolano, que em grande parte deveria ser destinado aos famintos angolanos que continuam a ser gerados com fome, a nascer com fome e a morrer com fome, no capital de grandes empresas, ou grupos portugueses, sejam ou não dos media, leva a crer que as excepções deixarão de existir.

Para já, tanto quanto é possível saber, a estratégia passa também por “sensibilizar” (se calhar o termo deveria ser “comprar”) alguns responsáveis editoriais da Imprensa lusa para a necessidade de crivar quase tudo e quase todos os que se atrevam a dar voz aos que a não têm, ou seja à maioria do povo angolano.

Os resultados não se notam a olho nu mas, com um pouco de esforço, acabam por se descobrir. Quantos foram os media portugueses, ou da CPLP, que noticiaram a prisão de Graça Campos, as ameaças aos jornalistas do Agora e do Folha 8? Quantos foram os que averiguaram a notícia de que Eduardo dos Santos pediu a Cuba o regresso de militares?

Assim como são céleres a enaltecer os elogios de Cavaco Silva ou José Sócrates à democracia de Luanda, ignoram voluntariamente o clima de intimidação violenta contra os que, em Angola, tentam acreditar que ainda vale a pena lutar para que o país seja, de facto e de jure, um Estado de Direito Democrático.

Lamenta-se que a Imprensa portuguesa confunda propaganda com jornalismo e dê mais importância a uma bitacaia em Eduardo dos Santos do que aos muitos milhares de angolanos que vivem na miséria.

Mas valerá a pena lamentar? Não cremos. Não deixaremos, contudo, de dizer que jornalistas do semanário Agora têm sido ameaçados de morte, mesmo em locais públicos, por militares ou polícias armados.

Não deixaremos, contudo, de dizer que o semanário Folha 8 tem sido diversas vezes sabotado e os seus jornalistas já entendem como normal as ameaças, se bem que algumas estejam a subir de tom.

Não deixaremos, contudo, de dizer que o mesmo se passa regularmente com os do Semanário Angolense.

Não deixaremos, contudo, de dizer que o até mesmo em Portugal, jornalistas angolano-portugueses que escrevem (seja em blogues ou em meios exclusivamente on line) sobre Angola têm sido ameaçados de morte, depois de falhadas as tentativas do regime para comprarem o seu silêncio ou a sua mudança de barricada.
Voltar

Aucune note. Soyez le premier à attribuer une note !

Ajouter un commentaire

Créer un site gratuit avec e-monsite - Signaler un contenu illicite sur ce site