'O GOVERNO ESTÁ GASTO E A OPOSIÇÃO PODE APROVEITAR'

'O GOVERNO ESTÁ GASTO E A OPOSIÇÃO PODE APROVEITAR'
Luanda - Em entrevista exclusiva ao Jornal Angolense, o presidente da UNITA, Isaías Samakuva afirmou que o partido que dirige está preparado para concorrer nas próximas eleições, onde o objectivo não é apenas vencê-las, mas sobretudo normalizar as Instituições do Estado. Samakuva reafirmou que em cinco anos de paz é possível fazer-se mais e melhor, referindo-se às condições básicas dos cidadãos, tendo como referência a realidade actual do país.

No entender do líder da UNITA, a oposição vai às próximas eleições em desvantagem em relação ao MPLA, ao mesmo tempo que afirmou que o Governo, 32 anos depois, está desgastado e a oposição pode aproveitar este elemento.
Angolense (ANG) – A UNITA bate-se pela realizasção das eleições no país, o que é uma obrigação pelo facto da Lei Constitucional consagrar em Angola um Estado democrático. Caso elas ocorram em 2008, a UNITA está preparada?

Isaías Samakuva (I.S) - A UNITA não é daqueles partidos que não estão preparados. E eu digo não de uma forma redonda. Quando é que estaremos preparados para as eleições?

Nós na UNITA estamos sempre preparados. Agora, o que se coloca é a possibilidade de vencer ou não as eleições, mas nós não pedimos as eleições só para ganhar, elas devem ser realizadas porque estão previstas na Lei Constitucional, fazem parte de um sistema democrático que queremos consolidar para o nosso país e, por conseguinte, temos que nos considerar sempre preparados para as eleições.

Então, os dirigentes do partido maioritário ao falarem desta maneira, que muitos partidos falam em eleições mas não estão preparados, querem nos dar a impressão de que eles querem realizar as eleições só quando se sentirem preparados.

(ANG) – Quando diz que a UNITA está preparada, está a dizer que do ponto de vista financeiro e de mobilização está tudo como vocês pretendem?

(IS) - Como disse devemos estar sempre preparados de acordo com as condições, portanto, as eleições acontecem de 4 em 4 anos, por isso, devemos estar preparados do ponto de vista psicológico, do ponto de vista político e do ponto de vista material para fazer face às necessidades do processo, na medida das nossas possibilidades. Mas, não podemos fugir das eleições porque não estamos preparados. Não! Os políticos seniores estão sempre preparados porque as eleições devem acontecer num intervalo de 4 anos.

(ANG) – Enquanto líder da oposição sente que todos os partidos que compõem a oposição estão em condições de concorrem em pé de igualdade com o partido no poder, no caso o MPLA?

(I.S) – De forma nenhuma. Para perceber melhor isso basta considerarmos o que acabou de dizer. Uns são oposição e outros poder e com todos os meios, com o controlo da comunicação social, da banca e da administração, portanto, não podemos estar em pé de igualdade.

Temos consciência disso. Há um desequilíbrio grande, mas não quer dizer que este desequilíbrio possa ser motivo impeditivo para a nossa ida às eleições. Vamos às eleições, vamos fazer o nosso trabalho com os métodos que possam anular ou pelo menos reduzir este desequilíbrio de meios, de condições entre o partido no poder e a oposição. Estou em crer que se utilizarmos devidamente os factores que nos são favoráveis, estes factores por si só poderão servir para anular o desequilíbrio a que me refiro.

Portanto, gostaria de fazer referência a um destes factores: naturalmente, depois de 32 anos o Governo está desgastado. O partido no poder está, na minha maneira de ver, desgastado. Este é um elemento que nós, os da oposição, podemos aproveitar bem.

(ANG) – Recentemente, criticou duramente a composição da Comissão Nacional Eleitoral e admitiu que a partir dela poderá ser construída uma fraude eleitoral. Por este facto, admite a retirada da UNITA na (C.N.E), por ser um órgão em que a direcção do partido que dirige não tem confiança?

(I.S) – Isso é um processo e nós não podemos nos retirar num processo destes. Não podemos olhar apenas nas próximas eleições, uma vez que a vida não termina com o pleito eleitoral. A vida continua. Se nós conseguíssemos anular esta situação, refiro-me ao desequilíbrio que existe na composição da (C.N.E), seria o ideal não só para a democracia, mas para que o processo fosse mais transparente. Mas, se o Governo não considerar os nossos pedidos, os nossos protestos, devo recordar por exemplo que temos ainda uma petição no Tribunal Supremo que ainda não foi respondida, será mau. Se considerar também será bom.

De qualquer modo, a realização das eleições vai alterar a correlação de forças, estou certo disso, e esta alteração vai influenciar outros acontecimentos no país. Portanto, nós não olhamos neste processo com o fim de tudo, é um processo paulatino e, por isso, é importante que as eleições se realizem nas melhores condições. O nosso país é suficientemente maduro para termos eleições transparentes, não devia haver, em princípio, interesse de ninguém em tirar partido da situação de vantagem que tem. Mas, se isso não acontecer agora, a luta que estamos a travar agora terá os seus resultados mais cedo ou mais tarde.

(ANG) – Pensa que em cinco anos de paz as condições dos angolanos e do país deviam melhorar significativamente?

(I.S) – Creio que sim. Cinco anos não é muito tempo, mas também não é pouco para se fazerem algumas coisas. O que nós temos visto são que enormes somas de dinheiro que têm sido atribuídas para a realização de determinadas obras, que as vezes não são feitas porque as verbas são desviadas, quando se fazem elas são mal executadas.

Por exemplo, a estrada da Samba que foi inaugurada há um ano ou dois anos atrás já está a ser reparada. Temos outras estradas que foram feitas recentemente e que já não estão em condições de transitabilidade. Por outro lado, a política de tapa buracos está a se tornar algo normal e os resultados estão aí: tapam-se alguns e abrem-se outros. As estradas continuam em péssimas condições, portanto, em cinco anos há coisas que deviam ser feitas, ou mesmo não sendo feitas, devia haver um trabalho que desse garantias de que as coisas vão melhorar paulatinamente. As indicações que nós temos é que as coisas estão a degradar-se. Sem dúvidas, há aqui políticas e procedimentos errados. Por isso, parece -me que o cidadão angolano está a perceber que o Governo que gere o país não está a altura de o fazer.

(ANG) - Antes da reeleição do senhor, os militantes da UNITA manifestaram-se preocupados devido ao edifício do secretariado geral que foi vendido. Condições foram criadas em substituição das anteriores instalações?

(I.S) – O Secretariado-geral hoje funciona num edifício que nós denominamos "José Pirão" enquanto estamos a criar condições para um novo secretariado. As verbas da venda do edifício anterior estão a servir para criar condições para que o Secretariado-geral funcione em melhores condições.

As preocupações que se levantaram resultaram da ignorância de uns, de um lado, enquanto do outro estavam relacionadas com o período eleitoral que vivíamos antes do congresso. Não são justificações justificáveis. Nós teremos brevemente um novo local onde o Secretariado-geral do partido vai funcionar.

Fonte: ANGOLENSE

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