OFICIAL DE INTELIGÊNCIA DENUNCIA PLANO DE ELIMINAÇÃO ANTES DAS ELEIÇÕES

OFICIAL DE INTELIGÊNCIA DENUNCIA PLANO DE ELIMINAÇÃO ANTES DAS ELEIÇÕES

 

Luanda - Um oficial da inteligência, denunciou em carta dirigida ao Folha8, o plano de eliminação de figuras como Justino Pinto de Andrade antes das eleições. Diz ainda a carta que quanto ao Caso Miala “vai ser muito difícil um outro desfecho, pois o Presidente está preso num colete de forças que lhe foi montado por Kopelipa e José Maria, que o impede de agir em contrário”.

 



Ao
Director do Folha 8
William Tonet
E ao povo de Angola

Estimado Senhor,
Caros compatriotas,

Na qualidade de membro dos Serviços de Inteligência tenho a obrigação moral de denunciar o que se vai passando no nosso seio, desde que em Fevereiro de 2006 se decidiu pelo desmantelamento dos nossos serviços. Isto porque a maioria dos membros dos serviços deixou de desempenhar as suas funções, quer por medo, quer por receio de vir a ser acusado de estar aliado a antiga direcção e ao general Miala

Hoje, no SIE, SINFO e Inteligência Militar o que impera é a bufaria, bisbilhotice e a intriga que funcionam como catarse Existe a subversão dos princípios de Inteligência, fragilizando as instituições do Estado por falta de informações importantes, para a sua defesa e da soberania em relação, por exemplo, ao terrorismo e as cadeias internacionais de droga, a corrupção de certos dirigentes, etc.

A política de terror e intimidação atinge todos os operativos antigos, sempre conotados com a direcção expulsa, que desta forma quase não actuam.

A situação actual no SIE e SINFO é diferente das anteriores crises na Segurança de Estado, pois agora desmantelaram todo o sistema, inclusive a sua espinha dorsal, tornando inclusive o Presidente da República mais frágil e vulnerável

O golpe de Estado e os três que dirigem o País

A nossa convicção é de ter havido sim um golpe de Estado em Fevereiro de 2006, que tornou o país refém de um núcleo de três pessoas; o Presidente da Republica, o general José Maria e o general Hélder Vieira Dias Kopelipa, que é o grande mentor de tudo e quem controla todas as operações no domínio militar, Forças Armadas, Polícia Nacional e órgãos de Segurança cujos chefes lhe prestam vassalagem em primeira instância, por terem sido por ele nomeado.

E a nossa convicção de golpe de Estado é maior porque até as negociações com a China são agora lideradas pelo general Kopelipa, que assim se coloca como o homem de maior poder em Angola, desde que deu o golpe de Estado, que viria dentre outras coisas desmantelar a coesão na Segurança de Estado, nas Forças Armadas, Polícia Nacional, com a exoneração de Fernando Garcia Miala, Alfredo Ekuikui, Agostinho Nelumba Sanjar, Pedro Neto, Mariana Lisboa, Quina Silva, general Vietnam e tantos outros, que faziam o equilíbrio a nível do poder. Agora o presidente está refém na mão de dois homens e o MPLA e a Assembleia Nacional não são tidos nem achados, pois apenas esperam ordens para agir de acordo com as orientações dos golpistas

Plano de intimidação da sociedade

Segundo fontes seguras de alguns sectores a nosso nível, com o chegar das eleições existe um plano que visa eliminar ou calar certas vozes a nível do próprio MPLA, mas também os partidos da oposição e sociedade civil, quer através da corrupção, quer por recurso a assassinatos.

Encabeça a lista o general Miala, que poderá ser eliminado na cadeia, os líderes do Padepa, Carlos Leitão, do PRS, Eduardo Kwangana, os principais responsáveis da Mpalabanda, Raul Danda, Martinho Nombo, o padre Casimiro Congo, Raul Tati e o advogado David Mendes. A nível da sociedade civil estão na mira os jornalistas William Tonet do Folha 8, Aguiar dos Santos do Agora, Rafael Marques e ainda Luís Araújo da SOS-habitat, Fernando Macedo da AJPD, Justino Pinto de Andrade entre outros.

A nível do MPLA deverá ser reforçada uma política de corrupção a Lopo do Nascimento, Marcolino Moco, Roberto de Almeida, João Lourenço, Pitra Neto, Bornito de Sousa, entre outros, dando-lhes mais empreendimentos económicos e acções em empresas.

Objectivo é manter Miala na cadeia

Quanto ao julgamento do general Miala e o seu recurso vai ser muito difícil um outro desfecho, pois o Presidente está preso num colete de forças que lhe foi montado por Kopelipa e José Maria, que o impede de agir em contrário, pois ele já viu que Miala não cometeu crime algum, mas não consegue fazer nada.

O juiz, António Santos Patonho e o procurador Militar, João Maria foram
pressionados e receberam dinheiro para que o general Miala e a sua equipa fossem condenados e presos e esta pressão vai continuar, pois o general Kopelipa quer que o Presidente da República nomeie juízes que não percebam nada de direito e que lhes sejam favoráveis, por esta razão afastaram o general Agostinho de assessor jurídico do Estado Maior General, por ser contrário a este julgamento e estão muito renitentes em nomear o general Rasoilo.

Crise nas Forças Armadas

Este clima está a provocar um sentimento de revolta silencioso a nível das
forças armadas e dos seus oficiais, que estão sem motivação, o mesmo se passa a nível da Polícia Nacional, pois não se acredita se houver um levantamento, quer as tropas como a população irão estar solidárias com o Presidente Eduardo dos Santos e o regime do MPLA como em 1992. Hoje as pessoas estão muito revoltadas, mas ninguém consegue informar isso ao chefe, por parecer haver intenção de deixar apodrecer tudo e então rebentar a situação. A nossa convicção é de estarmos a dormir num barril de pólvora e que a qualquer momento poder explodir, pelo que é preciso fazer-se alguma coisa com a reposição da legalidade, para que o país não descambe em novos conflitos.

Ainda assim Angola nunca mais será a mesma e a luta entre os ricos com influencia e os outros acirrou-se e ninguém tem dúvidas de ser necessário uma mudança radical e uma denuncia permanente de todas as vozes do MPLA, dos partidos da oposição e da Sociedade Civil, para que não continuemos a assistir a assassinatos, a corrupção e o aumento da pobreza no país, apesar da descoberta de mais poços de petróleo.

Se esta denúncia servir para alguma coisa, unamos forças para salvar vidas e evitar mais banhos de sangue, porque as coisas não estão bem, mesmo a nível das forças armadas; mesmo a unidade da guarda presidencial, a considerada reserva do Presidente e de Kopelipa, se houver alguma coisa eles vão ficar divididos, pois a injustiça nesta instituição está a atingir todos os seus membros e ninguém está contente com a humilhação por que estamos a passar.

Bengo, 03 de Outubro de 2007
O oficial operativo
Manuel Carvalho Kindissuka

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