CAMPANHA LEAL PARA A MUDANÇA EM ANGOLA

LIVRE OPINIÃO :

 Eduardo Nkossi Ngo.

Delegado da UNITA na RDC.

CAMPANHA LEAL PARA A MUDANÇA EM ANGOLA

O ambiente político do nosso Continente demonstra que as intimidações, a exclusão, a intolerância política, a xenofobia, a diabolização… constituem os antivalores que, durante todo o período pre-eleitoral e pós-eleitoral, têm roido o processo de democratização de certos Estados.

 

Com efeito, o vento da mudança que está a abalar e a afeitar certos regimes autoritários pelo mundo fora em geral e pela África em particular, não poupará certamente Angola cujo balanço dos trinta e dois (32) anos de poder sem partilha nem merecimento da simpatia da maioría do povo soberano de Angola.

 

Ai de mim ! Nota-se, no entanto, que alguns detentores do poder se dedicam às intrigas susceptíveis de travar a democracia almejada pelos Angolanos amantes da Paz, e consignada na Constituição da República.

Hoje em dia, após seis anos de Paz alcançada através do memorando suplento do Luena, é necessário que a classe política angolana se arroje mais nas maledicências provocadoras e nas atitudes incendiárias susceptíveis de repor em causa todos os esforços e sacrifícios consentidos para chegarmos até onde estamos ?

 

Observador atento das questões políticas do meu país, admito e aprecio, a seu justo valor, os discursos que reconciliam os Angolanos reconhecendo que : « Todos nós combatêmos e matámos ; todos nós contribuímos para a destruição do nosso país e todos nós temos que reconstruir o nosso próprio país para o bem de todos… » como quem diz : « Enterremos o machado de guerra, esqueçamos para sempre o passado negativo resolvido e viremos os nossos olhares para um futuro melhor do nosso país.

 

A poucos meses da realização das eleições legislativas no nosso país, é lamentável constatarmos e ouvirmos discursos e projectos anti-patrióticos, e até maquiavélicos de natureza a afeitar sèriamente o clima de segurança e de Paz que está a reinar em todo o país, apesar de casos isolados de intolerância que se verificam aqui e acolá.A campanha eleitoral que conduz a toda a eleição verdadeiramente democrática, oferece e contribui não só para a liberdade do povo como também para a educação do mesmo. O processo democrático que dá a liberdade de opinião, muitas vezes expõe a descoberto a demagogia e a hipocrisia dos defendentes do poder.

A população angolana que tanto sofreu das atrocidades da geurra, não pode senão ser gratificada e honrada assim que as campanhas serão movidas honesta e sèriamente de modo que as mensagens sejam sempre apresentadas em toda a equidade com uma lógica baseada em factos. Mas os Angolanos, na sua maioria, não são estúpidos. Já adquiriram uma maturidade política, e conseguirão, sem a mínima dúvida, descolbrir as mentiras e a demagogia. Sabem também que a demagogia é o pior inimigo da democracia.

A ser assim, exortamos que a classe política angolana compreenda uma coisa : o discurso do homem político não é o que diz intencionalmente na sua campanha eleitoral sob a forma de promessa tendente a ganhar e a explorar o favor dos eleitores, mas sim o respeito pela promessa dada uma vez for eleito.

O regime do MPLA que tem esperança na sua reeleição, tem um passado político pelo qual vai ser julgado. A oposição que, do seu  lado, é vítima de exclusão e diabolização, tem também um projecto de sociedade a ser apresentado e que visa a mudança para o bem estar do povo angolano.

Apesar de todas as manobras que podem ser orquestradas, mormente a compra de consciencia, a diabolização da oposição, a exclusão da diáspora do voto, etc..., os eleitores angolanos indistintamente da sua pertença política, poderão fazer a sua escolha em função dos novos dados verdadeiros do nosso país.

Daí as duas perguntas resultantes do bom senso que, a seguir, desfechamos : será razoável hoje focar a campanha eleitoral nas feridas do passado enquanto o país se meteu no caminho da reconciliação nacional ? É, de facto, conveniente fazer crer aos Angolanos que cabe à oposição, que incarna a UNITA, a responsabilidade do marasmo social angolano ?

 

Mais uma vez, ao deixarmo-nos guiar pelo bom senso, dizemos : Não, senhores. Poís, a história da governação do nosso país, desde a sua independência, mostra que a concentração completa de todos os poderes políticos e económicos estava nas mãos de algumas pessoas submissos a um chefe único que reduziu a massa angolana à pobreza.A verdade é que durante os trinta e dois anos volvidos, dos quais seis anos de Paz efectiva, a população angolana, infelizmente, ainda não achou o seu bem-estar. E por que causa : a péssima governação do país traduzida por graves contradições entre as riquezas intrínseques  do país e o nível de pobreza da população.

 

Se a condição fundamental da democracia moderna é o díreito da massa dos cidadãos de participar periodicamente em eleições credíveis para merecer uma escolha autêntica de candidatos e de programas, é de crer que a classe política angolana deveria extirpar da sua propaganda todo o discurso antipatriótico e desleal a fim de salvaguardar as vitórias da Paz e da democracia, vitórias para as quais muitos dos nossos compatriotas pagaram com o seu sangue para que um dia Angola venha a ser uma grande nação na cena mundial em relação às suas potencialidades económicas.

 


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