«Liberalizar, diversificar e "angolanizar" são palavras-chave na economia»

«Liberalizar, diversificar e "angolanizar" são palavras-chave na economia»
ImageA liberalização da economia angolana, e sua diversificação para sectores produtivos que permitam reduzir a dependência externa do país, serão as prioridades de um eventual "governo UNITA" saído das eleições de Setembro, disse esta segunda-feira Isaías Samakuva.

"Precisamos liberalizar a nossa economia. Teoricamente, ela está liberalizada, mas ainda é muito centralizada. O sector privado ainda não se articula e desenvolve como deveria ser numa economia de mercado livre", disse à Lusa Isaías Samakuva, que se encontra em Portugal até domingo próximo, para contactos com o meio político e empresarial.

Nos próximos dias, Samakuva estará no Porto, onde tem encontros previstos com as associações empresariais Associação Industrial Portuguesa e Associação Empresarial Portuguesa, onde afirma que pretende deixar a mensagem de que o processo eleitoral não coloca em causa a estabilidade em Angola e que o partido do "Galo Negro" é uma alternativa credível a 32 anos de MPLA.

"Queremos diversificar a economia. Ela está centralizada no sector petrolífero, mas sectores como a agricultura são estratégicos, podem empregar muita gente. Precisamos desenvolver a indústria transformadora, porque hoje importamos tudo e é preciso começar a produzir, a transformar as matérias-primas no nosso país. É uma maneira de reduzir os preços e criar postos de trabalho", afirma.

Samakuva promete ainda lançar um programa de formação de recursos humanos e apostar no desenvolvimento de áreas de base como a Saúde e Educação, além de continuar a recuperação das infra-estruturas, porque "está tudo por fazer".

"Temos de concentrar os nossos esforços para que o país se abra, não só no litoral, mas também para o interior. Reconstruir as pontes, as vias, os aeroportos, os hospitais e as escolas", afirmou Samakuva.

Para o líder da UNITA, Angola precisa de proteger mais o investimento estrangeiro e reduzir a "burocracia pesada", nomeadamente na criação de empresas e também no processo de emissão de vistos, que tem dado dores de cabeça a muitos empresários portugueses.

"Há formas de tratamento de vistos nos aeroportos, até em países mais desorganizados do que o nosso (...) Há especialistas técnicos que podem copiar experiências de outros países. Já entrei em vários países africanos onde tratei do visto no aeroporto, um visto para seis meses", sugere o líder da UNITA.
A UNITA assume-se como partido de oposição e integra com três ministérios o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional desde 1997.

"Apesar da burocracia" actual, acusa, "o país está cheio de ilegais e aqueles que [na requisição de visto] fazem as coisas como deve ser são muitas vezes interditados".

O líder da UNITA salienta o contributo das empresas portuguesas para a modernização do tecido económico angolano, nomeadamente na banca e na construção civil, mas deixa claro que, se a UNITA vencer as eleições legislativas de Setembro, não haverá qualquer inflexão na política de "angolanização" dos quadros de pessoal e do capital das empresas do país.

"A UNITA faria da mesma forma. Estamos plenamente de acordo, talvez fizéssemos até um esforço maior. Precisamos de que os angolanos se capacitem para sermos competitivos em relação aos outros países", afirma.

Sem querer referir casos concretos, Samakuva afirma ainda que alguns "interesses económicos deveriam ser mais escrupulosos" na sua relação com o regime angolano ou figuras a ele ligado, e que não o sendo estão a dar cobertura a "atropelos à democracia e aos direitos humanos".

"A comunidade internacional, que durante muitos anos andou a falar de direitos humanos e democracia em Angola, hoje parece estar conivente com a atitude e o posicionamento do governo", afirma o líder da UNITA.

"Há um sentimento que cresce na sociedade angolana de que os princípios democráticos (...) em Angola podem ser postos de lado, de que há uma conivência com o regime mesmo quando este desrespeita os princípios aceites internacionalmente", afirma.

Exemplo, afirma, são as recentes detenções de jornalistas e o encerramento do escritório de direitos humanos das Nações Unidas em Luanda.

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