“Nações Unidas não têm estado a honrar o seu próprio objecto”

“Nações Unidas não têm estado a honrar o seu próprio objecto”
O Presidente do Amplo Movimento de Cidadãos (AMC), William Tonet, acusou o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Luanda, de não cumprir com as suas obrigações.

O também jornalista  William Tonet considera que os últimos acontecimentos em Luanda deveriam constituir motivo de denúncia das Nações Unidas. William Tonet, não entende porquê que aquela organização internacional não toma uma posição nesse sentido.

 “As Nações Unidas não têm estado a honrar o seu próprio objecto. O escritório em Luanda também. Há uma atitude muito cúmplice com aquilo que se passa em Angola e era preciso que as próprias Nações Unidas em foro próprio dissessem isto”.

 O activista de direitos humanos William Tonet, pronunciou-se numa entrevista à rádio alemã, Dewtschewelle. Disse que o quadro actual de desrespeito aos direitos humanos em Angola é por demais periclitante,  razão suficiente para intervenção das Nações Unidas. Por isso mesmo, questiona a existência de um escritório de direitos humanos da ONU  em Luanda.

 “Morrem cidadãos e porquê este descaso das Nações Unidas, eles têm aqui um escritório para quê. Foi extinta a Mpalabamba, há restrição de movimentos de intelectuais e outros, as associações de direitos humanos não podem funcionar em Cabinda, há prisões arbitrárias, a polícia alveja a matar antes de se informar e depois das mortes é que pergunta o que é que realmente se estava a passar”, revelou.

 William Tonet sublinhou que posições do escritório das Nações Unidas condenando essas acções poderiam “dissuadir o seu prosseguimento. Ora para quê que temos aqui uma representação das Nações Unidas, para defender o status quo, para dizer, se continuar com atitudes e acções arbitrárias vocês têm o  nosso respaldo – não”.

O também jornalista sublinha que  “é preciso que a sociedade civil manifeste a sua repulsa em relação a este posicionamento cúmplice dos sectores das Nações Unidas. E isto não se passa só em Angola”.

Por outro lado o Presidente do AMC ressaltou na sua intervenção que Angola não deveria ter assento na Comissão de direitos humanos da ONU.

Esta posição vem assente num pronunciamento recente que o Amplo Movimento de Cidadãos (AMC) em colaboração com a Associação Mãos Livres, pretendem levar a cabo para a retirada de Angola da Comissão para os Direitos Humanos daquela organização mundial.

Esta posição foi reforçada na reunião que aquelas duas organizações da sociedade civil mantiveram em Luanda e que ficou patente a criação de um grupo de pressão para exigir à ONU a retirada de Angola.

A crescente onda de intimidações, espancamentos assim como mortes de cidadãos indefesos protagonistas por agentes da polícia nacional nos últimos dias na capital angolana, veio cimentar os maus tratos que os pacatos cidadãos vêem registando.

 “Se queremos falar do respeito pelos direitos humanos, nunca na ONU deveria ser permitido que um país que viole sistemática e reiterada os direitos humanos, um país onde não se respeitem as liberdades fundamentais do cidadão este país pudesse assumir a sua Comissão dos direitos humanos ainda que fazendo parte da organização”, disse.

De acordo com William Tonet, mandato de Angola à frente da Comissão tem sido marcado por uma série de violações dos direitos humanos, sendo por isso um contraste gritante.

“Há pessoas que morrem na rua alvejados por agentes da polícia, não se levam os interrogatórios até ao fim, não se vê uma punição exemplar, pessoas são presas sem qualquer formatação policial, jornalistas que são impedidos, associações cívicas que são extintas, há uma série de anormalidades que do ponto-de-vista da própria justiça que neste momento se faz não honram a presença de Angola”.

Considera por isso que “a ONU deve ser uma organização responsável e imparcial em que os cidadãos do mundo se possam ver reflectida nela como uma organização séria e deve-se chegar aos mais altos postos da ONU através de comportamentos que sejam exemplares e referenciáveis”, acrescentou.


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