SAMAKUVA, A ZEBRA, A CORDA E O MPLA

SAMAKUVA, A ZEBRA, A CORDA E O MPLA

O Presidente da UNITA continua a não ter quem, em Angola, lhe dê voz. Em Portugal, na sua recente viagem, teve essa oportunidade que, contudo e na minha opinião, não aproveitou. Isaías Samakuva revelou-se um excelente diplomata mas não, como se esperava, um líder a caminho da chefia do Governo ou da Presidência da República.

Como muito bem disse Eugénio Costa Almeida (*), Samakuva mostrou-se “muito cordato, muito educado, sem dar mostras de uma qualquer irritação ou inconveniência mas nunca aceitando o natural repto de mostrar que a UNITA tem um líder forte e pronto para os grandes combates.”

Samakuva sabe que (sobretudo por incapacidade financeira, mas não só, da UNITA) só no exterior, ou a partir do exterior, consegue fazer ouvir a sua voz e, com ela, as ideias e os projectos que tem para Angola.

Apesar disso não potenciou essa possibilidade e, mais grave, parece nada ter feito para inverter a situação. Terá, penso, ficado satisfeito com a mão que alguns amigos lhe estendem quando tropeça numa pedra, esquecendo-se que o importante é tirar as pedras antes de ele passar.

Samakuva sabe que tem à sua disposição gente capaz e disposta a dar o litro para tirar as pedras do caminho. Teima, no entanto, em valorizar os que lhe estendem a mão e que são, em alguns casos, os mesmos que colocaram as pedras para poderem aparecer a estender a mão.

“Sabe bem o senhor Samakuva que, dentro do País, só muito dificilmente o deixarão falar – leia-se, escutar – já que os órgãos oficiosos (e bem oficiais) do MPLA – ditos públicos, logo do Povo – só o xingam e o calam!”, afirma Eugénio Costa Almeida.

Apesar disso, o líder da UNITA parece satisfeito em ser o primeiro dos últimos. E se, por natureza e formação, Samakuva é um diplomata, ao menos poderia ter quem fosse partindo a louça, quem fosse dando uns murros na mesa, quem fosse mostrando que o partido não está disposto a comer e a calar.

“Temos tempo para tudo isso”, dir-me-ão as ilustres ideólogas e operacionais da UNITA. Talvez. Creio, porém, que a equipa de Samakuva está a tentar ensinar a zebra a viver sem comer.

Apesar de todos os exemplos que tem, quando fizer uma conferência de imprensa para mostrar a zebra verá que ela morreu quando faltava quase para pouco para viver sem comer.

Traduzindo: verá que se enforcou com a corda que “amigavelmente” o MPLA lhe ofereceu para manter a zebra sob controlo.

Fonte:http://altohama.blogspot.com/

 

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