REGIME DO MPLA ESTÁ QUASE AO FIM ?



O REGIME DO MPLA ESTÁ QUASE AO FIM ?





Será que o regime do MPLA está-se reduzindo à última extremidade? A pergunta pode parecer extravagante, inesperada e até provocadora para algumas pessoas, na medida em que a mesma é feita num periodo de “vacas gordas” em proveito do regime, tanto no plano político-militar como no plano económico.

Efectivamente, já lá vão cinco anos, ou seja um mandato presidencial, desde que foram  assinados os acordos suplentos do Luena (04-04-2002) que puseram fim à guerra civil devastadora. O periodo caracterizado pela subida em flecha do preço do barril de petróleo bem como o aumento da produção que disso resultou, colocou o regime numa megalomania sem igual.

No plano da política externa, nota-se, por exemplo, o papel de gendarme que tem desempenhado o regime pronto a financiar ou enviar tropas para os países amigos a fim de estender a sua hegemonia na região.


 Enquanto que o quadro económico ostenta proveitos elevadíssimos nos sectores petrolíferos e mineiros, a redistribuição das riquezas nem muito aproveitam à população mas sim a uma pequena classe burguesa.

Os salariados angolanos vêem o seu poder de compra reduzir-se, vivendo num ambiente em que a inquietação aumenta de dia em dia, e dominado pelo êxodo rural e pela permanência de um elevado nível de desemprego e da precaridade multiforme.


E como, quanto mais se deteriora o tecido social da maior parte da população tanto mais explodem os beneficios em proveito de uma oligarcia, nada de surpreendente que monte em podeirio o debate sobre a mesquinha governação, a corrupção, a falta de transparência na gestão da coisa pública, a restauração da autoridade do Estado e a legitimidade de um “regime” desse.


A nível da política interna, a terminologia “Democracia” não passa de uma espécie de folclor, proferida nos discursos do regime local no momento em que o meio ambiente é predominado não só pela intolerância política como também por uma gestão totalitária do poder que alguns classificam de tipo “Salazar”.


A população deprimida assite na capital a uns projetos e obras públicas sem criação de empregos e não hesita em dizer : “... O governo não faz nada de útil dos seus bilhões, que não investe quase nada nas infra-estruturas industriais, que não prepara o futuro suficientemente...”.


O dinheiro corre em abundância, mas raramente se utiliza em conhecimento de causa, para adaptação das economias, investir nas fábricas, nas infra-estruturas básicas, na investigação e no desenvolvimento... tendo em conta as potencialidades que regorgita Angola profunda.


Na opinião angolana, o mal-estar é cada vez mais profundo. Cada qual, responsável ou simples cidadão, pressente que é preciso reagir. Como fazer de modo que os recursos do país sirvam a causa da prosperidade colectiva, do crescimento e do emprego?


Acossado pelo debate inquietador e pelas eleições que se avizinham, o regime resolveu andar fugido para a frente, adiantando as eleições para 2008 ou 2009 sem cronograma preciso, o tempo de dar a impressão de tratar de alguns sintomas, principalmente a realização de certas construições com impacto visível em alguns centros urbanos, a conclusão de alguns contratos de investimento com certos países dentre os quais a China, os acordos exclusivos e precipitados sobre o estatuto especial de Cabinda, a constituição de uma comissão eleitoral inteiramente controlada pelo regime, o registo eleitoral que exclui a franja importante da população angolana na diáspora....


Hoje trinta e dois anos no poder, sendo a história um eterno recomeço, parece difícil crer que a gente pode esperar pelo melhor desse “regime” se o poder não é partilhado com outras forças políticas presentes no país.


O falecido Marechal Mobutu, do ex-Zaire, que reinou trinta e dois anos, disse, a dado passo na sua alocução na tribuna das Nações Unidas, cito: “O fruto cai da árvore só quando está maduro, mas perante o vento da tempestade, maduro ou não maduro, ele cai sempre...”.


Eis porque é urgente reformar, por via democrática, a gestão de “REPÚBLICA”, estabelecer e aplicar devidamente as regras de governação. Estas devem impor aos actores políticos o respeito pela lei fundamental do país. Isso supõe mudança quase radical em relação ao sistema actual.


Tal diligência de reformar a governação do país, é um assunto de responsabilidade colectiva. Cada cidadão, independetemente da sua pertença tribal ou de opinião política, tem um papel a desempenhar na escolha judiciosa dos futuros governantes.


Os partidos políticos têm, portanto, a nobre missão a cumprir na formação da opinião dos seus membros e simpatizantes, pondo em realce os valores republicanos, a angolanidade e a pátria-mãe considerada como uma riqueza comum que não pertence nem a uma categoria ou classe social nem tão pouco a alguns partidos políticos.


Hoje, quer queira quer não, os Angolanos aspiram às reformas : uma mudança integral do homem angolano, do seu meio ambiente, do sistema de governação para o ‘bem-estar” de todos.


Claro que Angola precisa de ser reconstruida pelos seus dignos filhos e filhas que constituem a sua primeira riqueza.


Para se chegar a isso, os governantes angolanos de um lado, a classe política e a sociedade civil do outro lado, têm a grande responsabilidade de saber favorecer a eclosão duma dinâmica de mudança que passe imperativamente pela organização de eleições credíveis e tranquilizadoras com vista a legitimar as instituições de administração do país no contexto de pós-conflito.


Em suma, a época de “one best way” terminou. Angola precisa de vários arquitectos, homens capazes de reflectir e combinar muitas variantes susceptíveis de dar a Angola um lugar de escolha na cena mundial.

 





 

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