VIAGEM – CONTACTO COM A ANGOLA

VIAGEM - CONTACTO COM A ANGOLA DE BAIXO

DIA DA CHEGADA IGUAL DIA DE BAPTISMO NA LAMA

Depois de 23 anos de exílio, tive ultimamente a ocasião de permanecer em Angola, também com o desígnio de rever os meus pais que de me indagar no terreno sobre a evolução da situação politico-económico e social, na vespéra das eleições legislativas de Setembro próximo.

No ano passado, a economia registou uma taxa de crescimento de perto de 15%, graças ao petróleo. Mas, este é aproveitado só por uma ínfima minoria desdenhosa dos direitos do homem. É um pouco aquilo que o Rocker irlandês BOB GELDOF, tinha dito que Angola é dirigido por criminosos, hoje há muitos cidadãos angolanos que estimam que o pais é dirigido como se fosse ou se tratasse de um negocio privado pertença de uma clique ou sócia de sem scrùpulos, para quem um adversário politico é um inimigo a abater ou liquidar fisicamente. Uma tal concepção da politica só pode que agravar as desigualdades e comprometer a paz.

Addis-Abeba. Partida para Luanda (a capital angolana) estava prevista para as 9 horas e 30 minutos, mas o avião da companhia Ethiope, Ethiopian Airline, só voou com uma vintena de minutos de atraso. Estava repleto. Entre os passageiros, havia numerosos estrangeiros, entre os quais chineses, árabes, os europeus e os oeste-africanos. Esta presença estrangeira me confirmava o que eu já sabia, através dos meus contactos e das minhas leituras. Desde o fim da guerra que durou quase três décadas, Angola virou com efeito um pôle de atracção por milhares de "bisiness people" provenientes de diferentes cantos do mundo. Aqui me foi também confirmado pela presença de comerciantes angolanos que encontrei em Addis-Abeba; as jovens comerciantes angolanas muito empreendedoras que fazem as idas e voltas entre Luanda e certas cidades do sul da china.

Luanda. O avião tinha aterrado cerca das 12 horas e 50 minutos, mas só por volta das 15 horas e 30 minutos que tinha saído do aeroporto.

As causas: O numero elevado de passageiros e sobretudo a lentidão tanto dos serviços de imigração bem como o dos serviços de reposição e controlo de bagagens.

O meu pai veio a minha busca no aeroporto. Ele esperava lá fora desde às 11 horas e impacientava-se, não sabendo se tinha realmente chegado.

Embora que envelheceu, não tive dificuldades para o reconhecer no meio da gente que esperava diante do edifício do aeroporto. Quando o vi, corri em sua direcção. Depois foi um momento de intensos emoções. Depois do reencontro, chegou o momento de encontrar um táxi para levar-me até uma pensão onde contava ficar durante a minha estadia de duas semanas em Angola. Alguns minutos depois já dentro do táxi em direcçao ao centro da cidade passando pela zona da Maianga.

Não foi fácil de encontrar uma pensão a preço modesto. Fomos em quatro pensões, todas elas super lotadas, não havendo quartos vagos. Foi assim que o taxista teve a ideia de me levar ao hotel Alameda onde devia passar a minha primeira noite em Angola, depois de 23 anos de exílio.

Regresso no passado: Foi na noite de 06 de Setembro de 1984 que tinha apanhado o voo ( por volta das 22h45) com destino para Alemanha ( Federal naquele tempo). Estava farto de ficar num pais mergulhado na era da intolerância, da estupidez e da violência. As perspectivas de futuro eram tristes e inexistentes. Era a época onde o regime tratava de contra-revolucionários as pessoas que fugiam de mergulharem e se afogarem no pensamento único veiculado e imposto pelos dirigentes do partido no poder, o MPLA Partido do Trabalho ( que de trabalho é só palavra, na prática nada se viu e se vê hoje ...).

Toda a gente dançava ao ritmo do socialismo que promovia as mais puras doutrinas dos oportunistas da sociedade angolana.

Desde a época da juventude, eu assegurava já a minha liberdade de espírito. É assim que decidi de tomar o caminho do exílio. Não foi uma decisão fácil, dando que sou o primogénito da família. Confidente dos meus pais, conhecia todas as dificuldades e eu sabia que era importante de ficar ao lado deles em Angola. Mas isso significaria uma renúncia a certos valores, em nome das exigências da sobrevivência.

" Tenha cuidado .... este pais tem os seus donos "

Tinha chovido em Luanda, um dia antes da minha chegada. Era quase impossível de ir em certos bairros deserdados, tais como Hoji ya Henda, Mabor, Palanca, Tala-Hady, etc...

Os motoristas dos táxis recusavam categoricamente de levar clientes que desejavam ir a estes cantos pouco urbanizados.

Do hotel Alameda até ao Hoji ya Henda, tínhamos que apanhar dois táxis( na sua maioria são Hiaces, uma marca japonesa). Mas antes da chegada a destinação prevista (hoji ya henda), no mercado de São Paulo, o cobrador ordenou-nos sem quaisquer maneiras de descer do veiculo. Embora descontentes, fizemos o que nos tinha sido ordenado pelo cobrador. Éramos cinco passageiros. Tivemos que andar na lama, como a maioria esmagadora de gente que vive nestes bairros pobres. Não querendo ficar atrás por causa dos ladroes e outros malfeitores, caminhava ao lado do meu pai, e cada passo que eu dava, os meus sapatos tornavam-se cada vez mais pesados.

Bom dia Rogério ! Dia da chegada é igual ao dia de baptismo na lama.

A circulação na capital angolana é um verdadeiro quebra cabeça. Todas as estradas ou ruas num estado deplorável. Muitos troços estam pura e simplesmente subterrados, esburacados ou inundados com água.O numero de ruas asfaltadas está em diminuição, em vários bairros pobres.

Onde vai o dinheiro do petróleo?

Porque a falta de qualidade na execução das obras .... Há tantas perguntas que todo o cidadão angolano gostaria de bem colocar.

Nos passeios, via os Zungueiros. E quem vê Zungueiros nos passeios de Luanda, também vê o cortejo dos pequenos mercados informais improvisados ( naquilo que eram passeios) ao longo da estrada que vai a Mabor até ao Imbondeiro em direçao ao cemitério do quatorze.

O cobrador do segundo táxi nos fez o mesmo jogo sujo, no invez de levar-nos até ao bairro da cuca (fábrica de cerveja ou melhor das bitolas) parou subitamente a 1 km aproximadamente da destinação e obrigou nos de descer. Furiosos, um passageiro lançou esta : "não é vossa culpa, é daqueles que dirigem este pais" e um outro de acrescentar: "tudo isto por causa de um só homem...".

Nada mexe ou pode mexer em Angola sem o sinal vindo de José Eduardo dos Santos

Este último nem outro que o presidente da república, José Eduardo dos Santos (JES). Um meio Deus.

Tornou se meio Deus, porque ninguém no MPLA ousa contestar as suas escolhas politicas e a sua gestão do poder.Todos os seus camaradas são literalmente ajoelhados diante dele. Dai ele aparece como um gigante no meio do pygmeus (homens cambutas (1,50m de altura) residentes na floresta do equador na RDC) políticos.

Um senhor (em referência ao meio Deus).

Está na origem da degradação do MPLA, por o ter feito como uma máquina ao serviço de suas ambições pessoais. Ele sabe muito bem que a volta dele só há elementos vassalos, preocupados antes de tudo de não perder a graça presidencial. Que no exercício das suas funções, são mais guiados pelo desejo de agradar ao seu mestre que pela sua consciência e vontade de solucionar os problemas da população. Ainda nada mexe em Angola, sem um sinal vindo de José Eduardo do Santos. Há lá uma politica indigna e de dependência em frente de um homem que é tudo, menos democrata. Esta cultura é prospera sobretudo que ela alimenta e recompensa todos aqueles que só pensam nos seus interesses.

Primeira noite em Luanda: últimas notas antes de me deitar

Um vento novo sopra no pais. A paz está de volta e os angolanos viajam muito agora sem inquietude. Só que acontece em certas províncias, que os membros e simpatizantes da UNITA (primeira força da oposição) são vitimas de ataques perpetrados por elementos do MPLA. Esta violência é a consequência da intolerância politica que continua a reinar em certos meios próximos do poder. " Tenha cuidado... este pais tem os seus donos" me tinha advertido o taxista que me tinha levado ao hotel alameda.

Uma politica indigna e de dependência diante dum só homem

A maioria da população crepita nas condições de vida miseráveis. Para os que vivem em Angola de baixo, o asseço a agua potável e a electricidade é limitado. O seu quotidiano é feito de inumeráveis injustiças. A taxa de desemprego muito elevado ao nível dos jovens. Nos bairros de Luanda, as fileiras do exercito dos desempregados não pára de engordar,embora que a taxa de crescimento está na ordem dos 15% registado no ano passado. Estes desempregados, jovens na sua maioria, tentam de sobreviver, seja fazendo pequenos negócios ou mergulhando simplesmente na delinquência (só vendo o filme angolano ASSALTOS EM LUANDA para crer...). Uma criança sobre quatro morre antes de atingir os 5 anos de idade. Os enormes recursos financeiros produzidos pela industria petrolifera não têm impacto positivo no desenvolvimento económico e social, enquanto que eles só são aproveitados por uma ínfima minoria que desprezam os direitos do homem.

Assim, como tinha declarado ultimamente o rocker irlandês Bob Geldof que Angola é dirigido por criminosos, muitos sao hoje os cidadaos angolanos que estimam que o seu pais està a ser dirigido como se fosse uma propriedade privada por uma minoria sem escrúpulos, para quem um adversário politico é um inimigo a eliminar fisicamente. E, como vimos nos outros paises africanos, uma tal concepção da politica, pode a todo o momento, se traduzir em acções de violências ao encontro do adversário politico. Por exemplo em período electorale, este tipo de pensamento é muito perigoso para a democracia.

*Por Rogério GOMA.

redaction@afrique-souveraine.com

 

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