Siona Casimiro - INVERTER A SOBERANIA DA IMPUNIDADE

Siona Casimiro - INVERTER A SOBERANIA DA IMPUNIDADE

A todos os títulos condenável, o delito sobre D. Eugénio Dal Corso, idoso de 66 cacimbos, traduz o grau de imoralidade a que o crime chegou no país e indicia aonde poderá ir. Poderá ir ... ao não esbarrar com nada, ébria de volúpia e soberania da impunidade, tendência que urge, então, inverter.

Ao aterrorizar entidades que, como os sacerdotes, representam os baluartes de moralidade e ética de qualquer sociedade, o crime parece pronto a enveredar para o niilismo.

Independentemente do regime político que a molde, toda a Nação saudável ou projecto dela, alicerça-se, entre outros, em religiosos dedicados aos respectivos fiéis quão pastores às suas ovelhas.

A agressão a D. Dal Corso requer o repúdio de todas as forças vivas, que aspiram, no espaço geográfico de Angola e não só, à reabilitação de uma comunidade humana tão plural quanto sã.

Nem as inclinações autonomistas de autóctones do enclave de Cabinda podem justificar a violência cometida contra D. Dal Corso. Choca à consciência o exercício de tamanha barbaridade seja o alvo um Bispo, um padre raso ou reles cidadão. Não tem outra qualificação, senão um delito de direito comum, que os órgãos competentes do Estado devem clarificar cabalmente.

A opinião pública interna e externa está em direito de exigir e esperar esta clarificação, uma clarificação desejada em moldes céleres, isentos e justiceiros. A realização êxitosa deste repto credibilizará o propalado esforço de segurança e de estabilidade que se estreia no país. Reforçará, outrossim, a fé geral no futuro de uma Angola diferente, em substância, do triste passado.

O presente voto abrange, obviamente, o rol de crimes que jazem nas teias da investigação, demorando chegar à sede dos tribunais.

Longe de o mesmo ludibriar a bicuda questão de Cabinda sobre a qual a posição da CEAST é de uma genuinidade cristalina! A saber: o reconhecimento da sua existência, em termos equidistantes dos chavões de uns e outros, condenar a violência e militar pela sincera solução negociada.

Longe, também, de minimizar a identidade dos assuntos de uma diocese como Cabinda, cujas raízes mergulham na remota segunda metade do século XVI, na histórica Diocese do Congo! Ou, seja, uma entidade com trajectória de uma sinuosidade ímpar até à presente configuração eclesiástica do mapa universal.

Mesmo a reavaliação contemporânea desta escorregadia realidade aconselha ambiente de tranquilidade, maturidade e confiança. Este traço, sim, é que garante o parto de varão valente, às antípodes da prole raquítica, que a mãe África deu à luz nas convulsões dos meados do século passado.

Daí, ainda, o imperativo de se inverter a soberania a que se quer erguer, o crime que assolou a integridade física de D. Dal Corso, cá, e a vida do Bispo Luigi Locati, a semana passada no Quénia.

Que curiosidade, de resto, a coincidência dos casos no tempo (numa semana da era da globalização) e no espaço (pelo astral africano e origem italiana dos alvos)!

(por Siona Casimiro)

 

 

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