PAZ SOCIAL DEVE SER PREOCUPAÇÃO DOS ANGOLANOS

 

PAZ SOCIAL DEVE SER PREOCUPAÇÃO DOS ANGOLANOS

Depois do fim da guerra há seis anos traduzida no calar das armas e no ribombar dos canhões e com ele o cortejo de mortes, a grande prioridade dos angolanos está na conquista da paz social que não existe e constitui uma ameaça permanente ao processo de consolidação de paz e reconciliação nacional, disse no Lubango o sacerdote católica Benedito Kapingala.

O padre admite que passados seis anos, a paz trouxe aos angolanos o sentimento de auto-estima e a ideia de que eles, estão ao mesmo nível de outros povos, mas que os problemas sociais acentuados vividos pela maioria dizem muito pouco sobre o que se fez desde o fim do conflito armado.

De acordo com o prelado católico, são ainda muito grandes as desigualdades sociais que colocam em perigo esta paz e que um trabalho árduo como desafio aos angolanos se apresenta na construção da paz nos vários domínios.

Benedito Kapingala concorda com a ideia segundo a qual os problemas sociais vividos pelos angolanos no período pós-guerra, são consequências normais do conflito à semelhança do que vivem outros países, mas discorda que haja conformismo do estado de coisas;

«Normalmente, para anestesiarem-nos dizem que não, mas nós só temos seis anos de paz, mas olhe que há países africanos piores do que Angola, eu estou de acordo com tudo isso, mas só que estes países piores do que Angola não são Angola, eu prefiro pensar na minha Angola e dizer em Angola a paz trouxe verdadeiramente um sentirmo-nos angolanos, mas do ponto vista social temos de trabalhar muito ainda, não está tudo mal, mas também não está tudo bem. Por exemplo, o saneamento das grandes cidades é um problema, você está no Lubango, você tem o Lubango do asfalto que o colonialismo ou o português deixou e depois tem todo uma série de bairros de lata à volta que nem uma megalópole de miséria e de insegurança.»

O nosso interlocutor reconheceu que outros benefícios da paz estão ligados à reconstrução de infra-estruturas sociais que devem ser entretanto acompanhados da reconstrução das mentes muitas delas não estão preparadas com a nova realidade.

Os desequilíbrios regionais no que toca aos investimentos, são na opinião do sacerdote católico, uma outra ameaça quando se procura balancear os seis anos de paz.

«Parece que há mais investimentos em algumas cidades do litoral e do que para outras, o que significa dizer que há qualquer coisa que não bate, mesmo a questão das universidades ou você vai para Luanda e consegue uma universidade agora parece que não só em Luanda, também Benguela e consegue alguma coisa ou então vai navegando aqui e acolá, bom não aqui na Huíla o próximo ano esperamos ter mais uma universidade mas o que é isto numa avalanche de gente que procura a todo custo entrar para a universidade e não conseguem.»

O padre Benedito Kapingala, a consolidação da paz é um processo e precisa do trabalho envolvente de toda a sociedade angolana.(TA)

 

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