A Unita de João Melo - Sousa Jamba

A Unita de João Melo - Sousa Jamba
EUA - O deputado do Mpla e escritor João Melo escreveu um artigo publicado na edição de segunda-feira passada, 23, no Jornal de Angola que, como era de esperar, tenta minimizar e até mesmo rebaixar as conquistas democráticas que resultaram do último congresso da Unita.

João Melo faz afirmações falsas dizendo, por exemplo, que Samakuva praticamente nunca esteve na mata. Será que o deputado, antes de escrever, tentou verificar os factos? Suspeito que não. João Melo descreve Abel Chivukuvuku como «o único ambaquista ovimbundu existente». Sempre pensei que os ambacas eram africanos que, no século XIX, afirmavam a identidade africana através da sua escrita e capacidade de ler.

Será que João de Melo queria dizer que Chivukuvuku é o ovimbundu mais esclarecido e sofisticado? Mas ambaquista, que eu saiba, pode significar um kimbundu urbanizado, etc. Seja o que for, João Melo tenta hifenizar a ovimbundidade de Abel Chivukuvuku. Detecto, em João Melo, um tom altamente paternalista. A implicação do que se está a dizer é que o senhor Abel Epalanga Chivukuvuku só é um político ovimbundu mais aceitável porque está desenraizado, o que não é a realidade. A realidade é, muitas das vezes, mais complexa e interessante.

Abel Chivukuvuku, que faz parte da linhagem real do Reino do Bailundo, até seria mais um ovimbundu-bakongo do que ovimbundu-ambaca (Abel Chivukuvuku fala lingala perfeitamente). Mas tal exercício seria altamente injusto para Abel Chivukuvuku, porque o homem é mais complexo. Chivukuvuku é fruto da complexa história de Angola e tem que ser visto como tal. Como político, ele tem que ser visto como alguém que apresentou os seus argumentos ao Congresso da Unita e que os mesmos tiveram a reacção que tiveram. João Melo tem uma visão muito simplista da Unita. Isto não me surpreende porque ele demonstra, também, aquele hábito de indivíduos que gostam de exibir o seu saber sem ser rigorosos.

João Melo acusa certos membros da Unita de um certo Savimbismo semelhante a um certo Sebastianismo. João Melo pode apontar uma única pessoa na Unita que acredita que o Dr. Savimbi vai ressuscitar? E quantas pessoas, no Congresso da Unita, vindas de áreas remotas de Angola é que acreditavam, ainda, que Savimbi estava vivo? João Melo refere-se, por exemplo, ao programa de Muangai que, segundo ele, acredita no «controlo rígido do poder por um núcleo negro-ovimbundu; combate as tendências urbanas e cosmopolitas da sociedade Angolana». Se ele não tivesse pruridos de falar com gente da Unita, observaria que o partido é composto por gente que é altamente diversa e que também tem várias agendas. A Unita tem que ser vista como um movimento fundado por indivíduos que estavam envolvidos na luta contra o colonialismo português.

João Melo não é historiador e as suas análises emanam de vários preconceitos enevoados. Em inglês, há um termo apropriado para definir João Melo - pub philosopher - ou filósofo de taberna. No artigo de João Melo, ele faz referência ao «cosmopolitismo africano de que fala Appiah.» João Melo lança ideias, termos, e até cita nomes injustificadamente só para avançar a simples tese de que a Unita é uma organização liderada por gente que, na sua opinião, é bastante atrasada.

É verdade que na Unita há muita gente que acredita na afirmação da nossa identidade africana. Nem tudo que é urbano e cosmopolita em Angola é bom para o resto da nação. Lendo João Melo, passo logo a ver a importância de uma formação sólida. Cá, no Ocidente, onde existe uma livre circulação e contestação de ideias, os comentaristas fazem afirmações com muita cautela, porque sabem que os seus argumentos podem ser desafiados por várias pessoas. A Unita e os seus membros são muito mais complexos do que João Melo, que me dizem ser um comunicólogo de renome em Angola, afirma.

*Sousa Jamba

Fonte: SA

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Commentaires (1)

1. eusebio domingos de almeida 05/04/2008

Dra Irene 2008-01-29 0723
50% dos Angolanos Intelectuais apoiamos o Projecto delineado por Dr Savimbi, o que significa que a maioria dos Angolanos Genuinos Apoiamos o Dr e a UNITA. Matando este Grande Homem nao significa que estamos todos contentes mas sim criou se um odio assentuado. So nos conhecemos as caras e ninguem ve o nosso interior ao terem matado o nosso Lider Genuino. que paz agora vive se depois de matarem os Angolanos? Consençoes de Diamantes entregues aos generais do mpla, TPA-2 entregue aos filhos do dito cujo candidato natural, detençoes arbitrarias de mialas e companheiros, detençoes de jornalistas em Cabinda e Namibe. É essa a paz?...........

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