AFRIACA CENTRAL EM PERIGO PERMANENTE

Por:Sousa Jamba

A oposição no Congo Democrático A aceitação dos resultados finais da segunda volta das eleições no Congo Democrático por Jean Pierre Bemba foi, para muitos de nós, um grande alívio.
O Congo estava mesmo à beira de mais uma guerra civil na qual, como sabemos, as vítimas principais seriam as populações indefesas. Nenhum país da África austral poderá desenvolver-se seriamente enquanto o Congo Democrático estiver em chamas. Jean Pierre Bemba, o perdedor da segunda volta das eleições, disse que iria dirigir, com bastante vigor, uma oposição ao regime actual.

Devíamos todos aplaudi-lo: o Congo, na verdade, precisa de uma oposição política bastante dinâmica. E Jean Pierre Bemba está, com certeza, à altura de liderar esta oposição. No Congo Democrático, a oposição não armada foi, até recentemente, dirigida pelo velho Etienne Tshisekedi. Dizem-me que quando o ancião se zanga ele vai logo dormir. Tshisekedi provou ser errático, altamente sensível e incapaz de actuar estrategicamente.

Nos sistemas políticos africanos, a oposição - com direitos e protegida pelo Estado - é muitas das vezes vista como sendo altamente desagradável. Isto tem, em parte, a ver com o espírito pós-colonial de erguer a nação. O argumento era que a nação só surgiria se todas as populações fossem leais ao Estado central. Neste caso, o líder que estava no poder era visto como um super-soba que distribuía os privilégios em troca de lealdade.

Muitos pais fundadores das nações africanas - Houphouet Boigny na Costa do Marfim, Jomo Kenyatta no Quénia, Keneth Kaunda na Zâmbia - foram mesmo super-sobas que tentaram eliminar toda a oposição aos seus regimes. No caso dos líderes que acima citei, havia uma tendência de cooptar (em muitos casos pacificamente) os seus oponentes.

Na Zâmbia, figuras como o Harry Mwanga Nkumbula e Simon Kapwepwe, que fizeram muito na luta contra o imperialismo britânico, passaram, eventualmente, a fazer parte da Unip, o partido de Kaunda que estava no poder. No então Zaíre, Mobutu adoptou a mesma política. Um dos casos mais interessantes das alianças políticas na era de Mobutu é o do falecido Nguza Karl-i-Bond que a dado momento insistia a todo mundo que Mobutu era um ditador desprezível. Mas dias depois de ser nomeado embaixador nos Estados Unidos da América, passou repentinamente a cantar hossanas ao grande marechal.

O facto de que muitos dos políticos africanos que se encontravam na oposição não tinham recursos próprios tornava-os bastante vulneráveis. Este não será seguramente o caso de Jean Pierre Bemba; o homem não só tem dinheiro mas sabe também fazer dinheiro. É exactamente por isso que ele poderá mesmo servir como uma força positiva para garantir que Joseph Kabila e os seus próximos não abusem do poder. Nos próximos meses, as multinacionais estarão todas a tentar ganhar terreno no Congo Democrático para terem acesso aos vastos recursos naturais.

Os hotéis em Kinshasa devem estar cheios de indivíduos que se apresentam como medianeiros; os quais insistem que, através deles alguém poderá ter acesso não só aos ministros com influência mas também ao próprio presidente. Neste caso, aquelas companhias prontas a pagar esses indivíduos, passam a ter contractos e vários outros privilégios.

Claro que, a longo prazo, essas práticas empresariais vão prejudicar o país. É por isso que uma oposição e imprensa competentes são necessárias para vigiar o governo de forma muito séria. Mas esta oposição tem que ser composta por indivíduos, como Jean Pierre Bemba, que entendem bem o mundo de negócios. Bemba é formado numa das melhores escolas de Gestão na Bélgica. Já disse numa das minhas crónicas que se pudesse votar nas eleições do Congo Democrático a minha escolha seria o Dr. Oscar Kashala, o médico e empresário que também é professor de medicina na prestigiosa universidade americana de Harvard.

Na segunda volta, entre Bemba e Kabila, votaria - mas com muita dificuldade - em Joseph Kabila, talvez porque conheço Jean Pierre Bemba pessoalmente. Bemba é altamente inteligente, energético e organizado; porém, ele também tem todas as características para eventualmente tornar-se num grande ditador. Na oposição, espero, ele aprenderá a necessidade de criar alianças e consensos. A grande fraqueza de Kabila é estar rodeado de verdadeiros mafiosos da sua grande família, vinda da província do Katanga.

Muitos desses «tios» de Kabila passaram muitos anos no exílio com o seu falecido pai e gostam de trabalhar às escuras. Esses indivíduos não gostam de trabalhar com companhias internacionais que funcionam com uma certa ética; eles gostam de certos empresários, preferivelmente libaneses, com passados duvidosos e que acreditam em contas secretas em bancos ainda mais secretos no Ocidente. Como figura principal da oposição, Jean Pierre Bemba terá, então, que fazer com que o público saiba exactamente como é que a economia nacional está a ser gerida. E, nas próximas eleições, Jean Pierre Bemba poderá mesmo ganhar a confiança de muitos que não votaram nele por pensarem que ele seria mais um outro Mobutu.

Fonte: Semanário Angolense

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