Angola e Iraque são os mais protegidos da crise

Angola e Iraque são os mais protegidos da crise
ImageAo lado da Europa e dos EUA, há países que mantêm crescimentos acima dos 5% e mais. Petróleo e mercado interno são o segredo dos que passam ao lado de uma crise que afinal não é mundial.

Se é verdade que quando os Estados Unidos se constipam, a Europa apanha uma pneumonia, o mesmo não é verdade para muitos outros países que em 2009 deverão crescer acima dos 5% e, em alguns casos, acima dos 10%.

E mesmo que estes valores, quando comparados com os últimos anos, traduzam, na realidade, um abrandamento do ritmo de crescimento, retratam um cenário longe da perspectiva de recessão que ameaça muitos países da Europa.

Ao trambolhão nas exportações para a Europa e Estados Unidos, as economias emergentes respondem com consumo interno e planos agressivos de investimento. É aqui que a primeira crise do século XXI difere das anteriores. As economias emergentes já sobrevivem sem os maiores consumidores do mundo: a Europa e os Estados Unidos.

Enquanto de um lado do mundo se discutem estratégias de estabilização do sistema financeiro, nas economias emergentes, as variáveis que condicionam a evolução do Produto Interno Bruto chamam-se inflação, preço do petróleo e contracção das exportações.

Os próximos anos vão ser de abrandamento, diz o Fundo Monetário Internacional, mas não há razões para se falar ainda de crescimentos inferiores a 5% e, em muitos casos, evoluções que continuam acima dos 10%.

A receita para combater a crise
Consumo interno a crescer, pouca dependência das exportações, sistema financeiro pouco exposto a produtos securitizados e investimento público reforçado. Eis a receita para resistir à crise financeira mundial que ameaça lançar a Europa para uma recessão económica e os Estados Unidos para a estagnação económica.

Apesar da inércia esperada daqueles que são os dois maiores blocos de consumo do mundo, países como a China, Índia, Japão, Angola e, claro produtores de petróleo, vão resistir à crise e manter crescimentos próximos ou mesmo superiores a 10%.

Por exemplo, no caso da Índia, explica a professora da Universidade de Delhi, Jyodi Narasymhan, a exportações representam apenas 21% do PIB, enquanto o consumo doméstico quase 55%.

A China goza da mesma folga, no que diz respeito ao consumo interno que, apesar de ter abrandado, continua bem sustentado com uma inflação contida e a economia forte, a garantir os custos de produção mais baixos do mundo e por isso mais competitiva que as economias ditas maduras.

Angola é outro dos países que apesar de não ser imune à crise, não está excessivamente preocupada. A China foi o país que mais aumentou os investimentos no país, logo o mau momento da Europa e Estados Unidos não é determinante para o país de José Eduardo dos Santos.

Num contexto de quase estagnação da economia mundial – o FMI prevê um aumento do PIB de 2,5% – os maiores desafios para estes países prendem-se sobretudo com a capacidade dos Governos para conterem inflações que, apesar de terem recuado, por efeito da crise internacional, continuam elevadas.

Outro desafio essencial passa pelo controle das finanças públicas e dos défices orçamentais, numa altura em que, necessariamente, as receitas vão cair, com a procura mundial a arrefecer em 2009.

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