Terceiro fôlego de Eduardo dos Santos

Terceiro fôlego de Eduardo dos Santos
ImageNo poder desde 1979, o Presidente angolano vai ser candidato à sua própria sucessão. Será a segunda vez que vai a votos. Sucedeu a Agostinho Neto, derrotou Jonas Savimbi e quer continuar Presidente após 2009.

Foi o secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo, mais conhecido como "Dino Matrosse", quem anunciou na quarta-feira que José Eduardo dos Santos será "o candidato natural e único" do MPLA nas presidenciais previstas para o próximo ano.

Chegado ao poder em 1979, nos tempos da República Popular, o engenheiro de petróleos foi depois a votos em 1992, numas eleições marcadas pelo clima de guerra civil, e procura agora nova confirmação num cargo que ocupa há três décadas.

Líderes mais antigos em África são já poucos, se bem que no continente esteja o recordista mundial, Omar Bongo, do Gabão, no poder desde 1967.

A recandidatura de Eduardo dos Santos - que em 1992 não viu confirmado o seu triunfo numa segunda volta porque a UNITA de Jonas Savimbi regressou à guerrilha depois de assassinados vários dos seus dirigentes em Luanda - contraria os rumores sobre o seu estado de saúde, mas mostra igualmente não haver ainda um sucessor para este homem que em 2009 fará 67 anos.
E persistem dúvidas sobre se a eleição será por voto popular ou na Assembleia, onde o MPLA conta 191 dos 220 deputados.

"Dino Matrosse" negou que o Presidente defenda a segunda opção, esclarecendo que a iniciativa de mudança constitucional nesse sentido foi apresentada por um pequeno partido.

As legislativas de Setembro mostraram a enorme influência do MPLA, que obteve 81%, e a diluição da base de apoio da UNITA desde a morte de Savimbi.
Mas um relatório dos observadores da União Europeia fala de falta de transparência e de problemas de organização durante as eleições. Também o sindicato angolano dos jornalistas criticou a parcialidade dos media estatais e apelou a maior transparência.

O triunfo do MPLA pode ser entendido como natural tendo em conta que os dinheiros do petróleo alimentam uma enorme militância.

E o crescimento económico perto dos 20% anuais também ajudou ao resultado do partido do Governo, apesar das constantes denúncias de corrupção e de 70% dos angolanos viverem com menos de dois euros por dia.

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