COMO EDIFICARMOS UMA NOVA ANGOLA

 


Artigo de opinião: Dr. José Avelino NDONGA

 

Como edificarmos uma nova Angola

 

É grave, muito grave, injustificavel e incompreensivel a repetição quotidiana da intolerânca e da violçência entre Angolanos em quase todas as provincias de Angola. É grave, muito grave e muito preocupante o que aconteceu no Kwanza Norte, o atentado contra um leader da oposição angolana, poucos anos apos o assassinato do Dr Prof. MFULUPINGA Nlandu Victor, caso até agora não elucidado, encontrando-se nas mãos da Justiça.

 

As palavras faltam-nos, as que existem são menos fortes para qualificarmos o acto diabolico de extrema loucura e gravidade perpetrado em Camabatela, a 2 de março de 2007, contra o Presidente da UNITA; acto que visou, não so assassinar um homem, um ser humano, o Sr SAMAKUVA, o presidente do maior partido da oposição angolana, mas tambem "assassinar" a Paz, a Liberdade e a Democracia;  destruir a Nação Angolana, a Unidade e a Fraternidade entre Angolanos; abrir as feridas que estão a sarar, com certeza, mas dificilmente; erigir mais barreiras no ja longo caminho da reconciliação nacional. A guerra esta, e deve ser definitivamente banida nas mentes de todos os Angolanos.

 

Muitos compatriotas colocam-se a pergunta seguinte: sera que ha mãos manipuladoras invisiveis por detras destes actos? Incumbe a justiça e aos autoridades competentes a responsabilidade, dum lado, de estabelecer a verdade, doutro lado, de fazer tudo para que tais actos ja não aconteçam em qualquer outro canto de Angola e que os terroristas sejam apanhados, julgados e punidos. Pois, no quadro da sua missão, um dos deveres do Estado é de proteger o cidadão, garantindo a segurança da sua vida e dos seus bens. E, num pais democrático, os líderes da oposição merecem realce, respeito, consideração e uma segurança adequadas.

 

Os autores deste acto ignobil em Camabatela como todos aqueles que têm praticado a violência contra os seus irmãos Angolanos, esquecem-se que a paz de calar das armas e o pequenino espaço de democracia e de liberdade até agora observado em Angola, foram alcançados à um preço muito elevado, o sacrificio supremo de sangue dos melhores filhos e filhas de Angola. Uns sacrificaram as suas proprias vidas e outros a integridade fisica dos seus corpos, tornando-se deficientes, incapazes de viverem normalmente.

 

Depois de inumeros e inesquecives sofrimentos, depois de muitas lagrimas devido a guerra, o povo angolano engajou-se na via da democracia, procurando obter, pacificamente, num espírito de fraternidade, as mudanças necessarias para um futuro melhor. Apesar de intimidações e de ameaças, os terroristas devem saber que esta firme vontade do Povo Angolano ninguém tem nem tera o poder de contê-la nem de interrompê-la. Quer no caso de Camabatela, quer nos outros muitos casos ainda não esclarecidos, temos a certeza que tarde ou cedo a verdade ha de ser conhecida. O homen conseguiu inventar armas mais destruidoras, fez inúmeras proezas e invenções, chegou à Lua, planeia agora pôr os pês no Março, mas nunca, o homen, vai conseguir inventar uma arma nem um produto seja ele quimico capaz de "assassinar" a verdade.

 

Angola de amanhã, a Angola dos nossos sonhos, deve ser edificada com tolerância e não com violência e odio. A violência so pode trazer-nos violências e conflitos continuos que nunca poderão servir o interesse nacional. Devemos todos nos Angolanos cultivar a irmandade, o espirito de respeito mútuo e de solidariedade entre nos, pacificando as nossas almas, desactivando das nossas mentes os germes de exclusão e de vingança, de sectarismo individualista, regionalista ou de castas; restaurando a confiança aonde reina actualmente a desconfiança. Assim terminaremos juntos, com êxito, o agradável processo da reconciliação nacional iniciado a 4 de Abril de 2002.

 

A reconciliação e a fraternidade entre Angolanos são os pilares que asseguram a paz e a liberdade. Mas a plavra chave, muito ignorada e banalizada, que nos permite de conquistar estes valores nos nossos corações é o Amor, o amor ao proximo, o amor para com o seu irmão Angolano. É a falta de amor para com o proximo que muitas vezes esta na base de muitos conflitos internos e fratricidas, na base de intrigas, calunias, invejas e odios terríveis entre colegas e irmãos. Esta triste realidade se tem observado na nossa sociedade; nos ministérios, nas embaixadas, nos consulados, nas empresas, mesmo nos organismos sociais e nos partidos politicos.

 

Amaras o teu proximo como a ti mesmo. Este é o grande mandamento da lei, disse Jesus. Lei que rege ainda hoje, sem duvida nehuma, a sociedade humana. E so com uma boa, mas sincera e suficiente dose de amor para com o seu próximo, isenta duma venenosa hipocrisia que havemos de conseguir de edificar uma nova Angola, de reconstruir o tecido social nacional, fortificando assim os laços de fraternidade e de reconciliação e tomarmos, finalmente, o bom rumo para o desenvolvimento do nosso pais. Com efeito, onde ha amor, respeito e consideração mutuos, é possivel o dialogo e a co-habitação pacifica.

 

I have a dream. Sim, como o pacifista e pastor Africano-Americano Martin Luther KING, tenho um sonho "idoso", o de ver Angola ser um mosaico multicultural e multiracial composto de cidadãos de diferentes origens, onde, de Cabinda ao Cunene, de Benguela ao Muxico, havemos de viver todos juntos de mãos dadas, com alegria e boas saudades, respeitando-nos mutuamente na diversidade de opiniões, abrindo-nos cordialmente uns aos outros, no respeito pela diferença. Onde batalharemos simplesmente para encontrarmos a nossa kizaka e o funje de cada dia, para melhorarmos o futuro das nossas progenituras e recebermos o melhor tratamento médico quando o nosso corpo o necessitar. Uma Angola pacifica, fraternal e solidaria, onde o Angolano ja não tera medo do seu irmão Angolano. As armas hão de servir unicamente nas matas e savanas a caça dos bufalos e dos antilopes e nunca mais, jamais, sevirão para disparar um tiro contra um ser humano, contra o seu proprio irmão Angolano.

 

Este é o meu sonho, penso também ser o de muitos Angolanos como o escritor Mateus David que escreveu: "...unirão numa so língua, a do espírito que nos irmana, os povos desta imensa Angola que, afinal, é uma so família, não obstante a diversidade de dialectos que, à primeira vista, os confunde e separa".

  

Sim, somos irmãos duma mesma nação. Angola necessita duma paz duradoura, uma liberdade efectiva, uma democracia plena, uma justiça inclusiva e equitativa, um espírito de irmandade, de respeito mútuo entre todos os filhos de Angola, com a implicação, na realização destas tarefas, de todas as forças vivas da nação. Mas nada podera ser feito se não houver uma verdadeira e firme vontade politica permitindo-nos concretisâ-las. So com estes valores é que havemos finalmente de edificar a Angola dos nossos sonhos, uma nova Angola, segura, prospera, pacifica e congregada, uma Angola que será melhor para todos.


 

                                                                       

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