Governo deve explicar ao parlamento a presença das FAA na RDC, afirma Alcides Sakala

Governo deve explicar ao parlamento a presença das FAA na RDC, afirma Alcides Sakala

O Embaixador Alcides Sakala Simões disse recentemente em Luanda que é necessário que se estabeleça contacto com todos os actores intervenientes no conflito da região dos grandes lagos na perspectiva uma solução definitiva para conflito que se arrasta há muitas décadas.

Em entrevista á reportagem do site unitaangola sobre o conflito armado na RDC e o possível envolvimento das Forças Armadas Angolanas na região, o Embaixador disse que “ a posição da UNITA é que as Forças Armadas Angolanas que actuam no Congo deviam ter o mandato das Nações Unidas, porque se não transforma-se num factor de desestabilização permanente e que isto tem repercussões não só em Angola, mas também em todos os países que fazem fronteira”.

P- Senhor Embaixador, o que é que deu origem aos conflitos na República Democrática do Congo?

R- O Conflito tem vertentes imensas, sabendo que há uma população que habita o Leste do Congo que é originária do Rwanda que já está ali e reivindica os seus direitos; os interesses geo- estratégicos de países da região, interessados em defender os seus interesses numa perspectiva mais abrangente, mais internacionalista como é o caso do próprio Rwanda, Angola que tem neste momento forças na RDC, portanto, há aqui interesses Geopolíticos e Geoestratégicos. Portanto, as alianças que se fazem não têm nenhuma dimensão ideológica, assentam nestes interesses imediatos dali este clima de permanente conflituosidade.

Acredito que as Nações Unidas estão a procura de soluções assim como os próprios Africanos e veremos o que é que se poderá conseguir daqui para frente. Se tiverem em consideração as preocupações de todos os intervenientes, poderá se dar um passo importante para a solução deste conflito que tem uma dimensão Inter-étnica muito profunda.

P- Ouve-se que as FAA estão a apoiar as forças de Kabila e que alguns estão a ser capturados em combate. Confirma esta informação?

R: O que sabemos, é que, forças militares angolanas ficaram no Congo desde 1998 quando houve confrontos que levaram a que Kabila tomasse conta do poder na altura em que substituiu o presidente Mobuto. Naturalmente Angola tem um envolvimento grande no Congo, não só na formação das forças armadas, como também tem uma presença militar decorrente desta situação que foi herdada desde a altura da queda de Mobuto. A aliança das FAA com as milícias May May, desprestigia as próprias FAA. E a nossa posição enquanto UNITA é que “ as FAA que actuam na RDC deviam agora ter o mandato das Nações Unidas, UA, SADC o que implica que as forças armadas angolanas presentes actualmente no Congo deviam se retirar e terem que ir neste país já no quadro dum mandato bem definido das Nações Unidas porque se não, estas forças sem o mandato internacional transformam-se num factor de desestabilização permanente.

Angola ou esta região teve no passado exemplos muito tristes porque o sistema do Apartheid durante algum tempo utilizou isto em conjunturas diferentes, também políticas de desestabilização; significa que é envolver-se nos conflitos internos dos países vizinhos aqui da região Austral. Angola não devia seguir esta visão, significa, estar no Congo, estar no Congo Brazaville, estar em Zimbabwe. Portanto, a diplomacia da força tem de ser substituída por uma diplomacia internacional mais credível, legítima que permite efectivamente no concerto com todos os Estados e Nações interessados em ajudar a resolver o problema do Congo, encontrar uma solução permanente.

Angola tem com o Congo uma fronteira de 1250km, que não controla, em que para o caso angolano que vive uma fase de transição e que nós temos que preservar a nossa independência nacional, a estabilidade que conquistamos com muito sacrifício; devíamos ajudar o Congo no bom sentido para não transportarmos do Congo o problema dos congoleses para o nosso país, o que pode criar consequências muito negativas.

P- O que a UNITA pode fazer ao nível das instituições do Estado, mormente a A. Nacional, para solução do conflito que afecta a região central com consequências para os países vizinhos?

R- A nossa posição é que esta questão tinha de ser levada ao parlamento para ser discutida e o governo angolano devia clarificar todo este quadro que está a se viver na região, sobretudo a presença de forças angolanas. Em que níveis, é que os angolanos estão envolvidos no conflito do Congo, porque conquistamos uma paz com muito sacrifício e não gostaríamos que o nosso país sofresse novamente consequências de situações que viessem do exterior, pelo que um debate de urgência é necessário fazer-se na Assembleia Nacional para informar aos angolanos duma forma geral o que é se passa no Congo e quais são os níveis de responsabilidade em termos de envolvimento das FAA naquele país. Também se houver o mandato das Nações Unidas para que Angola mande as suas forças para o Congo já numa perspectiva internacional, o parlamento tem de se pronunciar sobre esta decisão.

P- A presente crise tem alguma relação com os resultados contestados das eleições presidenciais e legislativas na RDC?

R- Penso que não, o que há aqui é mesmo a luta pelo poder. Significa, Kabila pai foi assassinado, Kabila filho tem agora dificuldades, portanto, é preciso ver o que é que está mal para se poder resolver estes problemas duma vez por todas.

P- Acha que as posições da ONU, UA SADC podem ser respeitadas pelas partes em conflito?

R- Acredito que sim, se houver uma aproximação racional coerente que tenha em consideração as preocupações dos intervenientes. Tivemos o nosso exemplo em que negociamos anos e anos com as Nações Unidas a mediar na medida do possível aproximar as partes. Acredito que o presidente Obasanju que está a mediar o conflito como enviado dos países Africanos tem conseguido dar alguns passos importantes.

Muito obrigada.

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