HISTÓRIA DO KAKONGO A ORIGEM DE ANGOLA

HISTÓRIA DO KAKONGO A ORIGEM DE ANGOLA

As linhas étnicas básicas, apontadas pela maioria dos etnólogos, na formação dos povos de Angola são três: Os bosquímanos ou mukuankalas que, juntamente com os hotentotes dominaram cerca de metade do sul da África até cinco milênios atrás e que se limitavam às suas tradições de caça e colheita de frutos e raízes para a sobrevivência. Quando então os bantu (plural de n’tu, que significa ser humano), povo migrante do norte em busca de terras melhores, invadiram a região. Mais numerosos e melhores armados, logo se tornaram “senhores” das planícies e florestas. Trouxeram com eles costumes diferentes de caça e pesca e a agro-pecuária. Antes de uma etnia, os bantu seriam um grupo parentesco lingüístico formado por diversos povos.

 

 

Com o passar dos séculos, cada grupo, vivendo separadamente, modificou costumes, tradições e mesmo a língua mãe, formando uma imensa quantidade de dialetos (260 aproximadamente), embora bantu originais. Hoje superam em mil vezes a diferença étnica da população primitiva de Angola que, nos dias de hoje, são encontrados em algumas localidades no sul. O kimbundu (denominado de mbundu ou bundu), o kikongo (confinando os dialetos kixikongo, kioko e lunda) e o umbundu, são os dialetos mais falados e usados na Angola atual.

Com a chegada dos europeus no século XV as tradições ancestrais foram, aos poucos, “infectadas” pela ganância e outros despropósitos da cultura ocidental. Abrindo comércio com Manikongo (Rei do Congo), inicialmente pacífico, começou também a evangelização do povo, que culminou com a conversão do descendente direto de Tata Akongo (ancestral divinizado) ao catolicismo, hoje a religião predominante em toda Angola.

Diogo Cão em 1482 explorou a foz de um grande rio, que os habitantes chamavam de Zaire (que quer dizer rio) e encontrou, em sua margem esquerda um grande reino negro denominado Kongo (atualmente os territórios de Angola, Cabinda, República do Congo, a parte ocidental da República Democrática do Congo e a parte centro sul da República do Gabão), que era formado por nove províncias e três reinos. Esses três reinos eram os de Kakongo, Loango e N’Goyo, porém sua área de influência atingia os estados de Ndongo, Matamba, Kassanje e Kissama que com ele faziam fronteiras. O rei de Kakongo era chamado de Makongo, e a maioria dos habitantes eram Bakongo (mukongo = indivíduo natural do Congo – plural = bakongo).

As tradições culturais e religiosas, devido à inexistência de linguagem escrita, eram passadas, de geração a geração, oralmente. Muitas dessas tradições, totalmente divergentes de nossos costumes ocidentais, se mostram muito mais convergentes a Deus do que os ensinamentos de nossa civilização. Não existe, por exemplo, os verbos ter ou possuir na linguagem de nossos ancestrais. Tais verbos foram substituídos pela expressão “estou com”, mostrando-nos que nada temos ou possuímos nesta vida, apenas usufruímos as coisas durante nossa estadia. Outro exemplo é o “julgamento” de uma pessoa que tenha cometido um erro grave: o “criminoso” é colocado no centro da aldeia, sem guardas ou amarras, e toda a aldeia se agrupa ao redor do mesmo. Um por um cada habitante fala das coisas boas que se lembrem que o “réu” tenha realizado. Quando esgotados os discursos, o irmão volta a ser recebido no seio da “família” em festa. Os europeus também não aceitam a falta de cavalheirismo dos homens que, seja em curtas ou longas jornadas, andam alguns metros à frente das mulheres, sem nada carregar, enquanto estas carregam carga, crianças de colo e outras necessidades. Os civilizados se esqueceram que seus ancestrais faziam o mesmo, pois tinham que estar com as mãos livres para defender a família de predadores animais ou ”hominais”.

Em meados do século XVI o comércio de escravos provindos da África já era intenso, cerca de dois milhões e trezentos mil negros de diversas nações desembarcaram no Brasil comercializados para o trabalho escravo. Entre os que primeiro chegaram, a maioria era bantu. Cada um trazendo seus costumes, crenças, filosofia e falando dialetos ou mesmo línguas diferentes, foram miscigenados em senzalas espalhadas de Pernambuco a São Paulo. Chegava ao Brasil, com eles, o culto às Energias Divinas.

A primeira Inzo uá Nzambi da nação Kakongo, que temos noticia, foi aberta em Alagoas por negros quilombolas. Chegando ao Rio de Janeiro, na coroa de Tata ria Nkisi Kawopona uá Nzazi, em 1963.

O Reino de Kakongo juntamente com os de N’Goyo e Loango, formam, atualmente, a região de Cabinda. Em 1885 os portugueses, em um tratado com a Alemanha, trocaram um território de seu domínio, à margem norte do Rio Zaire, por esta região denominada Cabinda. Em 1956 o governo português resolveu entregar a administração da região ao governador geral de Angola e, por isso, quando Angola conquistou a sua independência em 1975, Cabinda, a fusão dos três reinos, tornou-se um estado de Angola. Região rica em petróleo, tanto em terra quanto no mar, Cabinda busca hoje a sua independência de Angola. Kakongo possui uma das maiores reservas de preservação ambiental de Angola, com uma área de 650 km2, com diversificada fauna e flora, fazendo fronteira ao norte com a Republica Democrática do Congo, a leste com o Rio Luali, a oeste com o Rio Inhuca e ao sul na confluência dos dois rios mencionados.

 

Fonte:http://www.kakongo.kit.net

 

 

 

 


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