INCURSAO NO PENSAMENTO POLITICO

UMA INCURSÃO NO PENSAMENTO POLÍTICO, MILITAR E DIPLOMÁTICO DE:

Jonas Malheiro SAVIMBI, Presidente Fundador da UNITA.

  HOMENAGEM MERECIDA

 Alcides Sakala Simões, Deputado.

Agradeço o convite que me foi dirigido para dissertar sobre a visão política, diplomática e militar de Jonas Malheiro Savimbi, Presidente Fundador da UNITA.

Dr.SAVIMBIEstão, de facto, decorridos cincos desde o dia em que o velho Jonas tombou em combate, nas chanas do leste de Angola, a 22 de Fevereiro de 2002.

Nesse dia, encontrava-me junto de Paulo Lukamba Gato, Marcial Dachala, Blanche Vilongo, Kalulo e do Mais Velho Vituzi, nas margens do rio Luzi, onde chegamos ao fim da manhã, depois de sete horas de marcha do local onde pernoitamos, algures na nascente do rio Chimuzi.

Íamos ao encontro do Mais Velho Jonas para uma reunião de trabalho para análise da situação politica, militar e diplomática do país, com o propósito de tomarmos decisões importantes.

O velho Jonas defendia a necessidade de se dar início aos contactos exploratórios com o governo de Angola, por intermédio de Dom Mateo, um padre da Congregação de Santo Igídio de Roma, com quem falara nos últimos dias.

Como fazíamos, logo que chegássemos a uma posição enviamos varias patrulhas para todas as direcções e para minorar os problemas da fome, enviamos vários grupos de caça ao mel e de colheita de cogumelos, única alimentação disponível naquela altura e região.

Ouvimos ao fim da manhã várias rajadas de metralhadoras pesadas, enquanto aviões da força aérea angolana nos sobrevoavam num vai e vem entre a cidade do Luena e a vila de Kangarnba.

Recebemos ao princípio da noite deste mesmo dia, e com muito cepticismo, a notícia da morte do Presidente Savimbi, anunciada em três comunicados de imprensa. Um do governo de Angola, o segundo da Estado-maior das FAA e o terceiro do comando da Polícia Nacional. Todos anunciavam que o Presidente Savimbi falecera as quinze horas em combate.

Diante deste quadro dramático, reunimo-nos por volta das 22 horas, a volta de uma grande fogueira, sentados num pequeno jango que improvisamos no centro da Base para reflectirmos sobre o que ouvíamos através dos órgãos de comunicação social.

Depois do abalo emocional que se abatera sobre nós, sobreveio a razão. De facto, tinha acontecido o impensável naquelas circunstâncias. O Presidente acabava de morrer eivado de balas disparadas por unidades das FAA.

Esta imagem trouxe a minha memória o que um dia nos disse, algures no leste de Angola: "Um dia quando as balas inimigas trespassarem o meu corpo, terei cumprido a minha missão ".

Morreu com dignidade este homem que em vida se chamava Jonas Malheiro Savimbi, fundador da UNITA que deu a sua vida por Angola. A grandeza da sua alma mede-se pela história do seu percurso.

É este percurso que vamos evocar aqui hoje, enquanto homem político, militar e diplomata.

O percurso histórico do velho Jonas marcou profundamente a história de Angola e a memória colectiva das gerações presentes. A sua morte representou o fim de uma época. O seu percurso histórico leva-nos, assim, a fazermos uma retrospectiva do seu pensamento político, que constitui uma teoria em matéria de ciências politicas .

Encontramos no seu pensamento princípios doutrinários, que exprimem a representação racional da nossa realidade social, enquanto parte de uma população excluída durante décadas pelo sistema colonial e pelo sistema actual.

É esta população ostraciasada que aspira, efectivamente, por um lugar de dignidade no seio da actual sociedade do nosso país.

O conhecimento profundo que ele tinha da história angolana, da cultura dos seus povos e a sua vivência em interacção com estas populações da Angola profunda, permitiram-lhe teorizar os seus princípios políticos.

Para além deste seu conhecimento sociológico e antropológico dos povos de Angola, o velho Jonas inspirou-se na experiências das várias revoluções contemporâneas, incluindo a revolução cubana, da qual nos recordou o encontro que manteve nos anos 60 com o comandante Che Guevara.

Partindo desta sua experiência capaz de adaptar os princípios universais que regeram as grandes revoluções, às realidades específicas de Angola, definindo um conjunto de princípios que passaram a alicerçar o sistema politico, filosófico e cultural da UNITA, que tem como valores a Democracia, o Respeito pelos Direitos Humanos, a Liberdade, a Justiça Social e a Subordinação da Politica á Ética.

Fruto do seu pensamento, a UNITA tem, de facto, uma cultura política própria, doutrinal, que caracteriza a sua forma de ser e estar em sociedade.

É importante entendermos, assim, que a tomada de consciência política do Velho Jonas se realiza no contexto da guerra-fria, numa altura, que Angola, era, de facto, uma colónia portuguesa, regida pelo estatuto jurídico do indigenato.

Quando parte para Portugal em 1958, os países do terceiro mundo, acabavam de realizar na Indonésia, em 1955, sob orientação dos Presidentes Nehru, Nasser e Sukarno , a conferência de Bandung, que instituiu o Movimento dos Países Não Alinhados, que se transformou numa plataforma internacional decisiva para o impulso da luta dos movimentos de libertação nacional em África.

É nessa época, que os povos africanos dão os primeiros passos para a conquista da terra que Ihes pertence , açambarcada pelas potências colónias que partilharam a África entre si, impondo novas fronteiras as nações africanas na tristemente famosa Conferência de Berlim, realizada na Alemanha em 1854.

O ingresso do Velho Jonas na União dos Povos de Angola, UPA, e a sua participação em 1963, na fundação da OUA, e os contactos que passou a ter desde então, contribuíram para a necessidade de se dar um novo rumo a luta de libertação de Angola.

Foi neste época, em que se preparava a criação da UNITA, que se definiu o princípio e de que todo o dirigente da futura organização deveria assumir o compromisso solene e inalienável de participar na luta no interior do país.

A sua morte em combate, em Fevereiro de 2002, em pleno território angolano, demonstrou a sua coerência ideológica e a sua fidelidade aos princípios doutrinários que ele próprio definiu e inspirou. Este e o alcance do "slogan" Pátria ou Morte, Unidos Venceremos.

Fruto da sua experiência política acumulada, Jonas Savimbi funda a i3 de Março de 1966, a União Nacional para a Independência Total de Angola, e no seu 1° Congresso constitutivo, e apresentado o ideário da UNITA, baptizado de Projecto dos Conjurados do Movimento do 13 de Março, que adopta como linha orientadora, os seguintes princípios:

  1. Liberdade e independência total para os homens e para a Pátria mãe.
  2. Democracia assegurada pelo voto do povo através de vários partidos políticos.
  3. Soberania expressa e impregnada na vontade do povo de ter amigos e aliados primando sempre os interesses dos Angolano.
  4. Igualdades de todos os angolanos na pátria do seu nascimento.
  5. Na busca de soluções económicas, priorizar o campo para beneficiar a cidade.

Definidas as linhas orientadoras da política da UNITA, o velho Jonas adoptou um estilo próprio de gestão política do partido.

Impôs, por força dos estatutos, o método de trabalho assente no princípio de direcção colectiva , enquanto princípio de responsabilização do colectivo por decisões individuais ao nível de todos os órgãos do Partido.

As reuniões do Comité Permanente, que presidia, eram quase diárias, o que se tornou, de facto, uma característica do seu estilo de trabalho, enquanto pilar da democracia interna e factor de unidade, coesão e disciplina no seio dos órgãos de Direcção.

Para além do método de direcção colectiva, e do centralismo democrático, um conceito de direcção definido por Jean Jacques Rousseau, impôs o método da crítica e da autocrítica relativamente ao desempenho dos quadros e dos organismos que representavam.

A responsabilização colectiva exprimia-se, muitas vezes, pela expressão " nós", cultura que infelizmente se perdeu nos dias de hoje.

O Pensamento Militar de Jonas Malheiro
Savimbi

O pensamento militar do velho Jonas dever ser entendido, nos dias de hoje, como uma contribuição a teoria da guerra de guerrilhas, tendo sido considerado pelo semanário " Expresso" editado em Portugal, o melhor estratega da guerra de guerrilhas do século XX.

O seu pensamento militar sofreu fortes influências da escola militar da China de Mao Stung, onde em 1965 fez a sua preparação política e militar na Academia de Nanquim.

Alguns dos seus companheiros mais próximos deste curso militar encontram-se aqui connosco, nesta sala, como o Mais Velho José Samuel Chiwale, Jeremias Kussia e José Kalundungo.

Partindo do princípio de que as forças armadas são o instrumento político de defesa dos interesses dos mais oprimidos, e que as forças armadas devem se submeter ao poder político, o velho Jonas criou as Forças Armadas de Libertação de Angola, as FALA, a 28 de Janeiro de 1966 e manteve-se a frente das forças militares da UNITA até ao momento da sua morte, empunhando a sua arma.

Nesta retrospectiva do seu pensamento militar, convém referir que foi a 13 de Março de 1976, que demos início a primeira longa marcha da UNITA, em direcção a nascente do no Luengue-Bungo, na província do Moxico.

Nesse dia tínhamos sido atacados por aviões pilotados por cubanos, no momento em que nos preparávamos para celebrar o dia da fundação da UNITA na pequena vila de Gago Coutinho, hoje Lumbala Nguimbo.

Sob sua direcção abandonamos esta localidade ao anoitecer do mesmo dia, e o movimento de resistência generalizado que liderava se transformou, nas semanas a seguir, num amplo movimento nacional de massas, usando a terminologia chinesa. Passamos, de facto, a viver o ambiente de uma revolução.

Durante a marcha, por onde passássemos e encontrássemos população, o velho Jonas não se cansava de falar para o povo, transformando o trauma destas populações, decorrente da invasão russa e cubana, num sentimento racional de luta. Eram as FALA que renasciam, assim, de um processo de formação, redimensionamento e de educação politica e ideológica.

Durante o tempo que convivemos com o velho Jonas na região de Sandona, no coração da província do Moxico, em 1976, verifiquei que dedicava a maior parte do seu tempo na reorganização das FALA.

Prestava uma atenção particular a organização, partindo do pressuposto que e a organização o garante de bons resultados para qualquer empreendimento.

De facto, a organização tinha para o velho Jonas duas perspectivas: Uma de natureza funcional, assente na hierarquização estatutária e na funcionalidade dos quadras, e a outra, de natureza mais ampla, que abarcava todo o trabalho do Partido.

Nesta segunda perspectiva, o velho Jonas dedicava horas a fio, no exercício de planificação, definição de objectivos e de acções a realizar, dentro de uma calendarização rigorosa, onde se previa também a mobilização e a gestão de recursos humanos e naturais.

A organização era para si "não um fim em si, mas um instrumento, uma arma para a acção colectiva", enquanto pressuposto de ordem, método, eficiência e sistematização.

Fez do Partido um instrumento de luta para a defesa dos interesses dos povos oprimidos de Angola. Transformou a UNITA num aparelho onde cada ser humano, sentia-se parte do elo da corrente, contribuindo, assim, de forma patriótica, desinteressada e criativa para o engrandecimento do Partido.

Imperava nesta engrenagem, o princípio da solidariedade permanente, determinada pela vontade de todos, todos por um e um por todos.

Acreditava na força da organização e no valor da disciplina com carácter permanente, e era duro para com aqueles que infringiam as regras disciplinares.

Com base nesta aproximação, interiorizamos a dimensão filosófica do valor estratégico da organização, como elemento estruturante, transformando-o num factor permanente de apoio dos quadros políticos e militares no desempenho das suas actividades, quer operacionais, quer políticas.

O rigor ideológico, nos obrigava a aplicar as normas de conduta, adoptadas durante a primeira guerra de libertação, em que era imperativo obedecer sempre, mas sempre as instruções superiores. Não se devia receber nada do povo, nem uma pena de galinha sequer, e tudo o que se capturasse em combate devia ser entregue ao Comando.

Esses princípios se transformaram numa doutrina militar que vigorou até 2002. Como general, esteve sempre ao lado do soldado, e inspirou a criação do Comité do soldado, um órgão de gestão e defesa dos interesses dos soldados.

Como político, militar e homem de Estado, o velho Jonas foi, de facto, a mola impulsionadora das mudanças mais importantes que ocorreram nas várias etapas da história de Angola nos últimos 40 anos.

A Diplomacia de Jonas Malheiro Savimbi

A UNITA tinha uma política externa e uma diplomacia actuante, enquanto instrumento pacífico das relações internacionais.

Em matéria de exercício para a condução da diplomacia, o velho Jonas criou o posto de Representante Residente, o que levou o Partido a nomear Representantes residentes em várias capitais europeias e africanas.

Um dos postulados da sua política externa, era o estabelecimento de relações de amizade com todos os povos do mundo, amantes da paz e do diálogo permanente de concertação entre as nações. Fruto de ter sido a UNITA, o primeiro movimento político em África a pegar em armas para combater o social imperialismo, granjeou-lhe simpatias internacionais e apoios políticos importantes do Ocidente, que permitiram consolidar as suas amizades internacionais.

Um dos exemplos da pujança da sua diplomacia, foi o surgimento em Portugal, em final dos anos 80, do Fórum Português para a Paz e Democracia em Angola, uma organização constituída por um grupo de senhoras de várias tendências da politica portuguesa que contribuíram para o reforço das relações de amizade entre os povos de Angola e de Portugal.

Esta amizade continua firme nos dias de hoje, e aqui estão duas senhoras do FÓRUM, a Maria Antónia Palla e a Maria João Sande Lemos, a testemunhá-lo, e que juntam a nós nesta hora de reflexão e de celebração do dia 22 de Fevereiro.

O velho Jonas era um diplomata hábil. Tinha uma visão realista das relações internacionais. Era particularmente sensível a diplomacia africana, tendo cultivado durante o seu consulado, relações inter-pessoais com quase todos os chefes de Estados e de governo das nações africanas.

Conclusão

E minha convicção que Jonas Savimbi se transformou num mito na história de Angola, amado por uns e odiados por outros, mas muito poucos.

O velho Jonas morreria um dia, como todos os comuns mortais de todos os tempos. Mas lutou até ao fim, e é um exemplo que se deve seguir de fidelidade aos princípios.

A sua voz ficou silenciada para sempre, mas o seu projecto pelo qual aceitou morrer a favor dos sem voz, daqueles que não tinham um lugar ao sol, continue a inspirar os continuadores da luta pelo aprofundamento da democracia em Angola.

A força das suas ideias e a sua visão de uma Angola unida, democrática, multiracial, reconciliada e livre do medo, será a força motora da estabilidade política, do desenvolvimento e do progresso.

Transformou negros camponeses, chamados os gentios, em homens dignos da sua graça. Fez dos filhos dos camponeses do norte, da costa atlântica, do sul, de centra, de leste e oeste de Angola, que acreditaram no seu projecto, quadros políticos, militares e diplomáticos capazes, que dão hoje o seu contributo para a consolidação da paz e da democracia.

A sua luta pela conquista da democracia multipartidária, consumada nos acordos de Bicesse, em Portugal, em 1991, faz dele o pai da democracia em Angola.

Se Agostinho Neto foi o pai da independência nacional, Jonas Savimbi é, seguramente, o pai da democracia.

Obrigado pela vossa atenção.

 

HOMENAGEM MERECIDA

Na véspera da Conferência que assinalou o primeiro aniversário da morte em combate do Dr. Jonas Malheiro Savimbi , entrevistamos o Senhor Embaixador Lukamba Paulo Gato - Secretário Geral do Partido, cujo o teor, pela sua importância e oportunidade apresentamos já a seguir.

Pergunta - Qual tem sido o seu papel depois da morte do Dr Savimbi?

Resposta - O Dr. Savimbi deixou-nos um legado: a luta por uma Pátria justa, solidária e a dignificação dos angolanos. Trata-se duma causa que é comum a todos os militantes da UNITA. O que eu tenho feito é coordenar as iniciativas e as sinergias dos militantes para atingir três metas imediatas.

1 - Promover e consolidar a coesão do Partido.

2 - Organizá-lo, no sentido da sua mais ampla reimplantação e

3 - Preparar as condições para a realização do 9º Congresso que auguro, seja o mais representativo e democrático possível.

Pergunta - Que passos foram dados no sentido da realização das exéquias fúnebres do Dr. Savimbi e de outros dirigentes do Partido à luz das recomendações da Comissão Política ao Comité Permanente?

Resposta - Reconheço a urgência da realização de funerais à dimensão dos nossos heróis. Trata-se de um dever incontornável. Porém, estamos apenas a espera por circunstâncias mais favoráveis, para que o fizermos seja bem feito.

Pergunta - De que forma a actual Direcção da UNITA pensa honrar o Dr. Savimbi, em reconhecimento ao seu papel histórico, enquanto Presidente Fundador da UNITA e que muito contribuiu para a Independência de Angola e da África Lusófona e como impulsionador do multipartidarismo e democracia no Continente?

Resposta - Qualquer gesto, manifestação ou realização será, sempre insuficiente para honrarmos cabalmente o revolucionário e percursor da nossa luta e que marcou de modo indelével, as três últimas décadas da história da África e do país em particular. Todavia, foi elaborado um programa simbólico, que marcará a passagem do primeiro aniversário da sua morte, durante o qual será debatida a sua vida e obra. Futuramente, o Partido saberá eternizar a sua memória.

Pergunta - Realizou viagem ao exterior de Angola, tendo visitado os Estados da América, Inglaterra, França e Portugal. Que sentimento lhe foi transmitido por amigos do Dr. Savimbi e da UNITA naqueles países?

Resposta - A esse nível, as amizades traduzem-se em interesses, e esses não são imutáveis. Porém, mais do que lamentar, os amigos do Dr. Savimbi e da UNITA reafirmaram a sua admiração no homem que viveu os seus ideais, até as últimas consequências, por um lado; por outro, e até porque a causa por que o Dr. Savimbi deu a vida, não morreu com ele. Por isso, além das palavras de conforto, os amigos da UNITA continuam fiéis à sua causa e dispostos a apoiar o Partido, nesta nova página que se abriu, na sua história.

Pergunta - Qual é neste momento o estado de saúde da UNITA e as suas perspectivas?

Resposta - Depois da tempestade vem sempre a bonança. O Partido está a recompor-se da maior crise da sua história que o abalou, há cerca de um ano. Foram dados passos muito significativos no sentido da sua normalização institucional. Com a realização do Congresso, teremos viabilizado os documentos, em processo de revisão. E elegeremos os órgãos de Direcção, incluindo o Presidente do Partido. Definiremos a estratégia do Partido para uma prestação exitosa nas próximas eleições legislativas e presidenciais. Estamos optimistas quanto ao futuro.

Pergunta - Quais as razões da sua não candidatura à sucessão do Dr. Savimbi?

Resposta - As razões prendem-se com as minhas convicções pessoais, segundo as quais, ofende-se a ética quando se pretende ser arbitro e jogador ao mesmo tempo. O que eu tinha como fundamental era a manutenção da chama acesa, na sequência da hecatombe. Conseguimo-lo! O Partido vai agora iniciar uma nova era, em que a pluralidade de ideias e a maior democraticidade vão conferir-lhe estabilidade, e daí conhecerá maiores garantias para alcançar os seus objectivos, através do candidato que merecer a escolha dos militantes, durante o Congresso.

Pergunta - Quais as vantagens da estratégia dos acordos políticos com o MPLA?

Resposta - Não procuramos vantagens na concertação com o MPLA. Procuramos sim, viabilizar o País, criando as condições legais para que se desse continuidade aos trabalhos da Comissão Constitucional. Aproveito a ocasião para reiterar que esse exercício continuará, sempre que os interesses nacionais estiverem em jogo. Fá-lo-emos com o MPLA, com a FNLA, com o PRD ou com o PLD de acordo com a realidade.

Pergunta - Levantadas todas as sanções que pendiam sobre a UNITA, o Partido está folgado em todos os sentidos. Que efeitos práticos se esperam dessa nova situação?

Resposta - É vital, para um Partido que os seus dirigentes possam circular sem constrangimentos, em todos os países onde tenham interesses. Com o fim das sanções muitos dirigentes da UNITA puderam participar das reuniões e das "demarches" que nos conduziram à reunificação do Partido. Por outro lado, a ausência das sanções tem permitido a reanimação das nossas relações internacionais. Não é em vão que temos recebido vários convites para visitas ao exterior.

 

Homenagem merecidaao Dr Jonas Savimbi2

Há um ano, morreu em combate, na província do Moxico, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente Fundador da UNITA. Para assinalar a passagem do primeiro aniversário do seu passamento físico, a direcção do Partido encabeçada pelo Secretário Geral, Lukamba Paulo Gato, promoveu uma Conferência em homenagem àquele que dedicou todas a sua vida à causa da liberdade, dignidade, paz, democracia e desenvolvimento de Angola e das suas gentes - o Dr. Jonas Malheiro Savimbi. O evento em que participaram, para além de militantes, simpatizantes e amigos da UNITA, destacadas personalidades da classe intelectual angolana, políticos e diplomatas, decorreu numa das salas do Hotel trópico. Durante dois dias foi passado em revista o percurso do Dr. Jonas Malheiro Savimbi, através do testemunho vivo e inequívoco, feito por figuras como o veterano Holden Roberto, o Dr. Jerónimo Wanga, o embaixador Joaquim Ernesto Mulato, o Dr. Almerindo Jaka Jamba, os professores Vicente Pinto de Andrade e Carlinhos Zassala, e o embaixador Isaías Samakuva.

Dr.SAVIMBIHá exactamente um ano tombou em combate aquele que é -fique para a história- o percursor da paz, democracia e multipartidarismo em Angola. A morte do Dr. Savimbi surpreendeu tudo e todos, daí o sentimento de consternação de que o país perdeu um dos seus melhores filhos igual a si próprio e por isso mal compreendido pelos seus detractores, mas que tudo fez para que Angola ascendesse a independência e nela se implantasse o multipartidarismo. Adalberto José Kachiungo encontrava-se em Luanda quando se deu a morte do Dr. Savimbi e disse como acolheu a triste notícia. «Foi com bastante tristeza que todos os militantes e simpatizantes da UNITA acolheram a triste notícia», afirmou, frisando que o Dr. Savimbi é o símbolo da causa dos angolanos, sendo o seu nome um factor que nos inspira a continuar a trabalhar para a concretização dos nobres ideais pelos quais se bateu até morrer. Através da sua participação nas lutas para as independências africanas, o Dr. Savimbi marcou a história, protagonizou factos que não passam despercebidos e que ninguém consegue usurpar, tendo por essa razão o mérito de ocupar lugar próprio na história contemporânea da África e do mundo. Corroborando com essa posição, secretário geral adjunto da organização juvenil da UNITA - JURA, afirmou que o Dr. Savimbi merece ocupar um lugar ao lado de todas as figuras do nacionalismo angolano e de movimentos para as independências africanas como Kwame Nkrumah, Ben Bella, Nasser, Sekou Touré, Jomo Kenyatta, Agostinho Neto e outros. De acordo com o nosso interlocutor, com o passamento físico do Dr. Savimbi o cenário político africano ficou empobrecido, porque segundo acrescentou, «o Dr. Savimbi era um dos últimos dinossauros da política africana de que Nelson Mandela é o único modelo hoje». O Dr. Almerindo Jaka Jamba, deputado da UNITA à Assembleia Nacional e que assumiu a presidência da Conferência em homenagem ao Presidente Fundador da UNITA, lamentou a forma como o conflito angolano foi resolvido, numa alusão a morte do Dr. Savimbi. «Acolhemos a morte do Dr. Savimbi com muita surpresa, consternação e sobretudo com o sentimento de que podíamos encontrar outras alternativas para a solução do conflito angolano do que a forma como tudo ocorreu», afirmou o parlamentar que embora reconheça o carácter extraordinário do Dr. Savimbi, acredita que a UNITA vai manter a vitalidade, o mesmo vigor e a mesma capacidade de intervenção na cena política angolana. «É verdade que a personalidade do Dr. Savimbi tinha uma ascendência e credenciais que facilitavam a abertura de algumas portas nos planos nacional e internacional, confessou o Dr. Jaka Jamba que é também o segundo vice - presidente da Assembleia Nacional, manifestando, entretanto, a sua esperança quanto ao futuro do Partido. «As lições da escola do Dr. Savimbi, a grande nata de quadros formados nessa mesma escola, estarão à altura dos desafios futuros», enfatizou o dirigente parlamentar, tendo apontado como exemplo da capacidade empreendedora dos quadros da UNITA «a reunificação da família da UNITA que muitos julgavam ser um objectivo impossível de concretizar». De recordar que em vida o Dr. Jonas Malheiro Savimbi desempenhou um importante papel na luta pela independência de África do jugo colonial, levou a cabo iniciativas para a reconciliação dos movimentos de libertação angolanos - MPLA, FNLA e UNITA, conduziu a resistência armada à ocupação de Angola por forças estrangeiras soviéticas e cubanas, abrindo as portas ao multipartidarismo que se tornou uma realidade no país há já dez anos. «Personalidades como o Dr. Jonas Savimbi», afirmou o Dr. Jaka Jamba, «ficam para a história, independentemente da simpatia ou não que se nutra pela sua obra». Por seu turno, o antigo tesoureiro da representação da UNITA em Portugal, Dr. Carlos Fontoura destacou, na sua intervenção, a preocupação que o Dr. Savimbi tinha para com a formação de quadros para as diferentes áreas da vida do Partido, incluindo a concessão de bolsas aos estudantes. «Penso mesmo que na história das revoluções em todo o mundo, poucos terão sido os líderes de guerrilhas que terão tirado dinheiro às balas para colocar estudantes no exterior a estudarem», enfatizou Carçlos Fontoura, sublinhando que alguns quadros que acompanham o Partido são o testemunho da preocupação do Presidente Jonas Malheiro Savimbi.

À conferência realizada no Hotel Trópico para homenagear o Dr. Jonas Malheiro Savimbi - Presidente Fundador da UNITA - afluíram todos interessados em estar por dentro da realidade, sem sensacionalismos a que nos habituaram, ao longo do tempo os detractores da UNITA. Telmo Vieira, um jovem angolano recentemente chegado de Portugal, esteve no Hotel Trópico. Depois de ver e ouvir tudo sobre a figura o Dr. Savimbi, considerou de salutar e bastante esclarecedor o evento. «Estou bastante satisfeito assistir ao colóquio sobre o líder carismático e histórico Dr. Savimbi, o qual admiro e cujo percurso acompanhei por livros e, em parte, inspirou-me muito na determinação que tenho para contribuir para o desenvolvimento de Angola», afirmou Telmo Vieira, que sem ser membro de qualquer partido político angolano, acredita no futuro próspero para Angola.

A circunstância da conferência sobre a vida e obra do Dr. Jonas Malheiro Savimbi que decorreu no Hotel Trópico, como ficou suficientemente esclarecido, serviu para dissipar todas as dúvidas que os detractores da UNITA e dos presidente fundador procuram, deliberadamente criar no seio dos angolanos e não só. Figuras bem informadas e por isso autorizadas a falar sobre o assunto, aproveitaram o ensejo para colocar os pontos nos «I» e traços nos «T» no que concerne a intenção de longa data dos dirigentes do Mpla de eliminar o Dr. Savimbi da cena política angolana, não obstante as iniciativas de paz que desenvolveu até poucos dias antes da sua morte.

O senhor Lukamba Paulo Gato, secretário-geral da UNITA teceu o seguinte comentário:

«Tenho comentário para consubstanciar aquilo que acabou de dizer o camarada Isaías Samakuva. Efectivamente, e para que se saiba e porque esta é a ocasião e o camarada Samakuva citou-me. Em 1988, conforme está no artigo que saiu no Publico, o Dr. Savimbi recebeu uma mensagem do rei Hassan II de Marrocos a informar-lhe que havia uma mensagem muito importante. O Dr. Savimbi encarregou-nos para irmos até à Marrocos para entendermos o conteúdo da mensagem e fomos a Marrocos recebidos pelo Rei, numa instância turística. Sua Majestade deu-nos uma carta assinada pelo Presidente da República, pelos Presidentes Bongo do Gabão e Sassu do Kongo Brazaville que diziam em grosso «temos meios precisamos que Sua Majestade encontre uma casa suficientemente espaçosa, à beira mar, para albergar Jonas Savimbi». Em 1988, «enquanto José Eduardo dos Santos pacifica o país». O rei de Marrocos disse que esta carta foi endereçada à mim, mas eu não posso responder em nome de Jonas Savimbi, leve a carta. Eu telefonei ao mais velho e o mais velho disse que se o conteúdo é esse não vale a pena vires para aqui, porque não tem valor. Os protagonistas todos ainda estão vivos. Só morreram Hassan II e o velho Jonas. Nós todos estamos aqui para dizer à história os factos.

Este é o primeiro, o segundo também é um facto. Processo de iniciativas de paz. Em 1990 em Évora, primeiro contacto entre nós e o Mpla. Éramos quatro: o General Ita que está aqui, o ministro Pitra Neto que está aqui, deixou-nos o Secretário-geral Mango Alicerces; estávamos presentes sob os auspícios do actual primeiro ministro de Portugal, na altura Secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros. Uma primeira abordagem. Só para vermos o carácter das iniciativas. Primeira abordagem, é assim que se negocia, começa-se por cima e depois vai-se andando. A primeira proposta que nós recebemos foi: já há democracia em Angola, só é preciso alargá-la com a vossa entrada. Entrem! Isso que vocês andam a dizer, multipartidarismo aprenderam, o Senhor Gato em Paris e o Senhor Alicerces em Portugal. Pedimos ao senhor Durão Barroso para clarificar, ajudar os nossos irmãos a entenderem. O actual primeiro-ministro não podia fazer mais nada. Teve que fazer um break e regressarmos no dia seguinte e falar de outras coisas, porque ninguém podia clarificar. Hoje estamos aqui, dez anos depois o multipartidarismo é um facto, a economia de marcado é um facto com todas as consequências que estamos a ver, mas não foi esta a proposta original. A primeira proposta é uma linha coerente desde o início: Gbadolite, esta de Marrocos, exclusão. Entrem! Está ali, leram o artigo. Vamos fazer uma integração de poucos no Mpla. É o que está escrito. Portanto são estes dados que eu queria apenas aproveitar esta oportunidade para confirmar que sim aquilo é verdade. Eu protagonizei estes factos».

O Deputado Manuel Savihemba, é membro da Bancada Parlamentar da UNITA e tendo feito parte de périplos efectuados ao exterior teceu as seguintes considerações:

«Na sequência daquilo que os ilustres mais velhos da direcção do Partido frisaram, importa darmos também um subsídio daquilo que foi a iniciativa do nosso saudoso Dr. Savimbi. De Setembro a Dezembro de 2001 a Bancada Parlamentar da UNITA envolveu-se na implementação da iniciativa de paz do Dr. Savimbi. Encetou périplos ao exterior do país e contactos ao mais alto nível com instâncias internacionais nos EUA, Parlamento europeu, etc. Em Bruxelas nos confirmaram e apresentaram a carta que o nosso saudoso presidente havia escrito para o secretário-geral Koffi Annan em 2001 com o propósito de retomarem imediatamente os contactos com o governo da República de Angola. Mas a resposta dos nossos compatriotas, na pessoa do Presidente da República resumiu-se em três cenários: cumprimento do Protocolo de Lusaka, captura e morte em combate. Esta foi a resposta à carta que o saudoso Dr Savimbi fez às Nações Unidas para a paz no nosso país. O Dr. Savimbi foi mesmo «Mwata da Paz».

O antigo representante diplomático da UNITA em Roma, Adalberto da Costa Júnior esteve por dentro dos preparativos das tréguas que a direcção do partido estava a preparar no interior que evoluiriam para o cessar-fogo e, usando da palavra disse o seguinte:

«O tempo histórico acaba sempre por trazer as coisas ao de cima. Nunca se sabe qual é o melhor momento do tempo histórico. Nós estamos aqui para compartilhar questões de relevante importância. O embaixador Samakuva falou de todo um espaço que estava feito, concluído. Eu queria dizer que em Dezembro de 2001, no início do mês eu encontrava-me em Portugal, numa missão. Recebi uma mensagem do Dr Savimbi para voltar rapidamente à Roma. Quando lá cheguei, enviou o texto da Declaração de Tréguas que iria ser lido no dia 17 de Dezembro de 2001. O texto chegou a ser enviado, a instrução que recebi foi de lhe ser dado o tratamento jurídico que chegou a ser feito e compartilhado pelos parceiros internacionais. O texto foi devolvido ao interior e as nossas comunicações foram destruídas».

A nossa reportagem espalhada por Luanda fora, colheu os mais variados depoimentos de militantes do Partido e não só, que não ficaram indiferentes a retrospectiva da vida e obra do Dr. Savimbi, na passagem do primeiro aniversário da sua morte. Isto mesmo ficou vincado no bate papo tido com o Deputado da UNITA Daniel José Domingos Maluka.

«A causa está de pé e vamos continuar»

Pergunta - Como político e como homem que conheceu fisicamente o Dr. Savimbi, o que é que lhe ocorreu após o anúncio da morte do Dr. Savimbi?

R- Para mim foi terrível, porque aquela notícia era transmitida dizendo que acabava de falecer o meu segundo pai. Tive um pai biológico, infelizmente também já é falecido, mas tive um pai político, espiritual, e creio que é o pai dos angolanos, que acabava de falecer, foi terrível.

Qualquer das formas, nós conseguimos recompormo-nos, estamos aqui um ano depois, para dizermos ao nosso pai, lá onde ele estiver, que a causa está de pé e nós vamos continuar.

P- De certa forma, a morte do Dr. Savimbi abalou sobremaneira o Partido. Desde a sua morte até a esta parte, como avalia a evolução do Partido e as perspectivas para a sua reimplantarão?

R- De facto, a morte do Dr. Savimbi, presidente fundador do Partido abalou a estrutura, mas tal como ele nos ensinou, de que; é nos momentos difíceis que devemos nos preparar para as grandes batalhas. Mal tomamos conhecimento da notícia de que o Dr. Savimbi tinha acabado de tombar, nós retemperamos as nossas forças e vamos continuar os seus ideais, com os seus ensinamentos. Portanto, o Partido está preparado para as próximas tarefas, para os próximos combates políticos, e eu creio que é nele que vamos nos inspirar. Dai que o Dr. Savimbi, para nós, é uma pessoa imortal, aliás, como se diz: os homens cujas ideias são de toda a gente nunca morrem.

O Deputado Gerónimo Wanga não fugiu a regra e sublinhou:

«Nunca esperei que o Dr. Savimbi tivesse um fim trágico»

Pergunta - Um ano depois da morte do Dr. Savimbi, como avalia este período?

R- Para o Partido, um ano depois, realizarmos esta manifestação no sentido de que dá a compreender que perdemos o nosso chefe, e um ano depois, nos encontramos para uma reflexão, para a partir deste momento, começarmos a trabalhar para frente. Quer dizer, o luto para o Partido acaba; o luto acaba e não significa que, a partir de hoje já não pensaremos no Dr. Savimbi, antes pelo contrário, a partir de hoje tiramos o luto ao nível do Partido e vamos pôr em prática aqueles ensinamentos que ele nos deu. A partir de agora é mesmo trabalho sério.

P-O que é que lhe ocorreu após o anuncio da morte do Dr. Savimbi?

R-O anúncio provocou-me bastante mágoa. Eu nunca esperei que o Dr. Savimbi tivesse este fim assim tão trágico. Eu pensaria que, pelo rumo que as coisas seguiam a nível do Partido, e pela predisposição que ele manifestou em acabar com a guerra, encontrar soluções para se acabar com a guerra, para mim isso foi um grande choque, porque afinal o programa que ele tinha para a paz foi, de um dia para o outro, quebrado.

Se ele estivesse vivo, com certeza teria encontrado uma maneira de conquistarmos a nossa paz, talvez de uma maneira mais digna e mais consequente, porque agora estamos a viver uma paz, mas uma paz, até certo ponto, não negociada, uma paz imposta e isto tem os seus prós e os contra, porque se este processo não for bem conduzido, poderá haver falhas na aplicação desse processo; se as pessoas não estiverem correctamente integradas na sociedade, isto ainda pode provocar, digamos, inseguranças aqui, inseguranças acolá.

Se estes desmobilizados, até a uma dada altura ficam abandonados, não têm outra visão, senão recorrer aqueles meios impróprios para poderem sobreviver, e são coisas que deveriam ser evitadas, se chegássemos a este entendimento para a paz, mas num outro clima e não no clima de violência em que a morte do Dr. Savimbi ocorreu.

P- Ao fim e ao cabo, os detractores da UNITA e do Dr. Savimbi conseguiram atingir os seus objectivos?

R- Pensam que conseguiram atingir os seus objectivos, mas para mim esses objectivos ainda estão longe de serem atingidos, porque o objectivo não é o calar das armas, não é a reconciliação nacional nem é a paz. As armas calaram-se, mas o que é que as pessoas pensam? O que é que as pessoas têm nos seus corações? Será que os corações estão mesmo desarmados? O desarmamento dos corações é outra coisa.

Portanto, atingiram talvez o fim, mas este fim que eles conseguiram atingir não é solução para todos os problemas que temos, para uma verdadeira paz e reconciliação nacional.

Todos alinham no mesmo diapasão tal como também fez transparecer o Deputado Manuel Savihemba:

«Hoje não temos expressão...»

Pergunta - Assinala-se um ano depois da morte do Dr. Jonas Malheiro Savimbi. Do seu ponto de vista, que significado e que repercussões sobre a data?

R- Para mim, é uma data de grande e profunda reflexão para nós, porque hoje não temos expressão. Imagine que foi um carismático, foi um clarividente Presidente que sou congregar todos os seus filhos, de Cabinda ao Cunene e do mar ao Leste, foi o defensor acérrimo da procura verdadeira e duradoira paz aqui em Angola e foi um entidade que na sua vida sempre procurou unir todos os seus filhos e, na véspera da morte já tinha toda a documentação possível, inclusive cartas que ele escrevera para o Secretário Geral das Nações Unidas, às igrejas, aos Bispos, com o propósito de procurar a forma de que a paz deveria ser inevitável, mas os angolanos ambiciosos, por sua vez, pensaram ao invés de responderem positivamente, responderam com aquilo que, para nós todos, entristece.

Por isso, queríamos dizer que, na verdade é o dia bastante, cheio de lágrimas de consternação, de mágoa, mas seguiremos sempre a memória e os ensinamentos do nosso Presidente e saudoso Dr. Savimbi, porque nos mostrou o caminho.

P- O que é que lhe ocorreu depois do anúncio da morte do Dr. Jonas Savimbi?

R- Eu pessoalmente, se até aqui tenho vida, também duvido porque é que tenho vida. Após o anúncio triste deste acontecimento, quase dois meses não quem era eu, nem sabia onde é que eu estava, nem sabia o que é que iria fazer, mas no dia seguinte, isto foi no dia 23, a Rádio Ecclesia ainda soube convidar-me para um debate, embora com aquela mágoa, pude marcar presença para poder, efectivamente, garantir aos milhares de angolanos que afinal ainda deve haver esperança, porque para frente é o caminho.

P- O que é que se espera do Partido sem o Dr. Jonas Malheiro Savimbi?

R- O Partido, como sabe, tem os seus quadros, tem a sua direcção, tem os pesos pesados que, com as luzes deixadas pelo nosso saudoso e clarividente Dr. Savimbi, os caminhos serão trilhados e os angolanos saberão, efectivamente, honra a memória do Dr. Savimbi trabalhando, honrar a memória do Dr. Savimbi mais unidos e procurar formas de defender os menos equipados.

P- Também é de opinião que a morte do Dr. Savimbi foi o consumar de um objectivo sempre premeditado?

R- Como sabe, as pessoas sempre interpretam o contrário. Uns dizem que com a morte do Dr. Savimbi facilitou rapidamente a paz, pensando que talvez foi através da morte que a paz veio ser tão rapidamente consolidada, este é o contrário, é mentira. O Presidente Savimbi, desde sempre procurou o bem - estar do angolano e do bem estar de todos os filhos da sua terra. Não significa dizer que, com a morte a paz foi mais rapidamente alcançada. A paz foi sempre procurada, foi sempre desejada e sempre almejada, pelo nosso saudoso Presidente Dr. Savimbi, porque queria que Angola fosse um país dos angolanos, que Angola fosse um país próspero, para que todos os angolanos pudessem saborear a riqueza que este país possui.

 


 

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Commentaires (14)

1. AYRES GUERRA AZANCOT DE MENEZES (site web) 25/07/2008

é um testemunho muito importante para a verdade histórica .
Não é fácil realizar uma pesquisa desta envergadura.
Não podemos deixar de apontar um certo subjectivismo pró -VIRIATO da parte do DR Edmundo Rocha por ter sido seu admirador real fã
É um testemunho que terá cada vez mais valor pela pessoa do Viriato pela coragem do DR Edmundo Rocha em ter reconstituído parte da trajectória desta figura impar do nacionalismo Angolano.
A subjectividade por parte é redutora de certos realismos e declara ao longo desta exposição correntes ideológicas incompatíveis cujos contornos poderiam não ser reflexo de melhor visão estratégica para a o futuro do partido.
Ainda é muito cedo e a medida que os anos vão passando os fatalismos têm que ser bem ponderados.
Os subjectivismos aliados a jogos de poder condicionam muito as abordagens.
Os favoritismos políticos aliados a certas compensações de carácter literário muitas vezes denunciam jogos de contra poder que podem ser ajustados com o tempo.
O maior ou menor contributo histórico deve resultar de perspectivas honestas. Só
Com o tempo e a confrontação do percursos dinâmicos de cada interveniente deste patamar se poderá postular sobre grandes teses.
A desonestidade aliada a recursos alternativos de sucesso bibliográficos e alianças ,muitas vezes desvirtuam o verdadeiro carácter da honestidade histográfica.
O ideal não será ajudar ou travar o percurso histórico dos correligionários para projectar livremente certas obras,mas sim permitir uma maior confrontação para enrriquecer e fortalecer o projecto comum.

2. AYRES GUERRA AZANCOT DE MENEZES (site web) 25/07/2008

é um testemunho muito importante para a verdade histórica .
Não é fácil realizar uma pesquisa desta envergadura.
Não podemos deixar de apontar um certo subjectivismo pró -VIRIATO da parte do DR Edmundo Rocha por ter sido seu admirador real fã
É um testemunho que terá cada vez mais valor pela pessoa do Viriato pela coragem do DR Edmundo Rocha em ter reconstituído parte da trajectória desta figura impar do nacionalismo Angolano.
A subjectividade por parte é redutora de certos realismos e declara ao longo desta exposição correntes ideológicas incompatíveis cujos contornos poderiam não ser reflexo de melhor visão estratégica para a o futuro do partido.
Ainda é muito cedo e a medida que os anos vão passando os fatalismos têm que ser bem ponderados.
Os subjectivismos aliados a jogos de poder condicionam muito as abordagens.
Os favoritismos políticos aliados a certas compensações de carácter literário muitas vezes denunciam jogos de contra poder que podem ser ajustados com o tempo.
O maior ou menor contributo histórico deve resultar de perspectivas honestas. Só
Com o tempo e a confrontação do percursos dinâmicos de cada interveniente deste patamar se poderá postular sobre grandes teses.
A desonestidade aliada a recursos alternativos de sucesso bibliográficos e alianças ,muitas vezes desvirtuam o verdadeiro carácter da honestidade histográfica.
O ideal não será ajudar ou travar o percurso histórico dos correligionários para projectar livremente certas obras,mas sim permitir uma maior confrontação para enrriquecer e fortalecer o projecto comum.

3. meireles 04/04/2008

Caro Hugo




Saúde para si e para a família. Nós por cá tudo normal excepto a complicação dos disparates dos amigos da Firma UPA- PDA que se pretendem grandes vítimas do nacionalismo angolano quando é certo sofrerem do nacionalismo de ricos…
Deves estar ao corrente de que provavelmente na 2ª quinzena de Setembro se deve realizar o congresso popular para modificações disciplinares no nosso movimento. Como todos os membros do comité Director devem assistir a ele, era e é máxima conveniência que respondesse ao telegrama que o MPLA te enviou confirmando a minha aceitação da proposta do presidente Nkrumah e tua a fim de eu ficar a trabalhar em Accra.

Convém que me responda se recebeu o telegrama e quando conta que eu possa aparecer aí, para também aqui se fazer um plano de trabalho de sorte a minha ausência mesmo inopinada não prejudique a boa marcha das coisas.
Recomendações da minha família à sua.
Abraço e saudações nacionalistas.
Ao seu dispor
Leo , 30/08/ 1962

José Domingos

4. meireles 04/04/2008

MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE
DE ANGOLA
M.P.L.A.
51,Avenue Tombeur de Tabora
LEOPOLDVILLE




COMITÉ
DIRECTOR


NACIONALISTAS ANGOLANOS



Transcreve-se a nota Nº .A/M/F enviada ,em 10.11.1961, ao comité Executivo da União das populações de ANGOLA:

“ Como V.Exas. Sabem, em nove de setembro de 1961, uma esquadra da nossa organização militar, que se dirigia a Nambuangongo em missão de socorro às populações cercadas pelas tropas portuguesas , foi , pela traição, cercada e feita prisioneira por grupos armados da União das Populações de Angola que actuam no corredor de entrada e saída dos patriotas angolanos.

Desde aquela data até hoje, mantendo - se embora vigilante e tendo conhecimento , não sem revolta, dos maus tratos que foram infligidos por militantes da UPA aos nossos compatriotas, o comité Director do M.P.L.A. Esperou ver qual seria o comportamento dos órgãos dirigentes da UPA
Diante desse crime de lesa - pátria e que enodoa o digno movimento patriótico do povo angolano.

O Comité Director do M.P.L.A. Faz o mais enérgico protesto contra esse acto anti - patriótico, que visa a enfraquecer a resistência armada do povo angolano e que introduz, por iniciativa da UPA, a luta fratricida nos campos de batalha de Angola.
Sob pena desse “ affaire “ ser levado imediatamente ao conhecimento da opinião pública e dos organismos internacionais , o comité Director do MPLA

“ - exige a imediata libertação de todos os nossos compatriotas;
“ - exige a entrega de todos as armas, munições e demais bagagens

“ - que foram retirados aos guerrilheiros daquela nossa esquadra ; e

“ - responsabiliza, desde já , a união das populações de Angola pela


“ - vida desses nossos valorosos compatriotas.

“ Na expectativa, subscrevemo-nos


Atenciosamente

(ass) Mario Pinto de Andrade
Viriato da cruz
Matias Miguéis
Eduardo dos Santos
Hugo de Menezes

5. meireles 03/04/2008

UMA CRÍTICA MUITO DURA AOS MÉTODOS DO MPLA

Ao saber da conversa ocorrida em Acra (Ghana), Lúcio Lara reagiu: « Os cubanos falam de mais»

HUGO AZANCOT DE MENEZES

Longe de mim a pretensão de ter feito história ou de escrevê-la.
Contudo, vivi factos que envolvem, também , outros protagonistas.
Alguns, figuras ilustres. Outros, gente humilde, sem nome e sem história, relacionados, apesar de tudo, com períodos inolvidáveis das nossas vidas.
Alguns destes factos , ainda que de fraca relevância, podem ter interesse, como « entrelinhas da História», para ajudar a compreender situações controversas.
Conheci Ernesto Che Guevara em Acra , em 1964, e comprometi - me a não publicar alguns temas abordados na entrevista que tive o privilégio de lhe fazer como « repórter» do jornal Faúlha.

Já se passaram mais de 30 anos. O contexto actual é outro.
Pela primeira vez os revelo, na certeza de que já não é o quebrar de um compromisso, nem a profanação de uma imagem que no
A entrevista realizou-se na residência do embaixador de Cuba em Acra , Armando Entralgo González, que nos distinguiu com a sua presença.
Ali estava Che…
A sua tez muito pálida contrastava com o verde - escuro da farda.
As botas negras, impecavelmente limpas.
Encontrei-o em plena crise de asma, Socorria - se , amiúde, de uma bomba de borracha.
Che Guevara , deus dos ateus, dos espoliados e dos explorados do terceiro mundo, deus da guerrilha, tinha na mão uma bomba, não para destruir mas para se tratar… de falta de ar. Aspirava as bombadas, dando sempre mostras de um grande auto -domínio.
Fora-me solicitado que submetesse o questionário à sua prévia apreciação - e assim o fiz.
Uma das questões dizia respeito à cultura da cana - de - açúcar em Cuba.
Como encarava ele a aparente contradição de combater teoricamente a monocultura - apanágio dos sistemas de exploração colonial e tão típica dos sistemas de exploração colonial e tão típica do subdesenvolvimento - ao mesmo tempo que fomentava, ao extremo, a cultura da cana e a produção de açúcar - mono -produto de que Cuba se tornaria, afinal, cada vez mais dependente?
Outro tema que nos preocupava, a nós , africanos, era o papel dos cidadãos cubanos de origem africana na revolução cubana e a fraca representação deles nos órgãos de direcção dos país e do partido, os quais tinham proscrito qualquer discriminação racial.
Não constituiria o comandante Juan D´Almeida - único afro - cubano na direcção do partido - uma excepção?
Entretanto, a crise de asma agudizava-se , o que nem a mim me dava o à - vontade requerido nem, obviamente, ao meu interlocutor a disposição necessária para o diálogo.
Insistiu para que eu o iniciasse. Ao responder - lhe que não me sentia á vontade para fazê-lo, em virtude de seu estado, disse - me em tom provocante e com certa ironia :« Vejo que você é um jornalista muito tímido.»

No mesmo tom lhe respondi, que não me tinha pronunciado como jornalista, mas como médico .« Comandante, as suas condições não lhe permitem dar qualquer entrevista», disse-lhe eu.
Olhando-me , meio surpreso e sempre irónico, replicou: « Companheiro, eu não falo como doente, também falo como médico.
Em meu entender, estou em condições de dar a entrevista.»
Mas a crise de asma não melhorava, tornando impossível o diálogo. Foi necessário adiá-lo.
Reencontrámo-nos dias depois. Estava, então, quase eufórico. Referindo-se á atitude dos cidadãos cubanos de origem africana, à sua fraca participação na revolução, disse não gostar de se referir á origem ou à raça dos homens.
Apenas à espécie humana, a cidadãos, a companheiros.
Manifestei-lhe a minha total concordância. «A verdade », disse-lhe eu, «é que a revolução cubana tinha suscitado em todos nós , africanos, uma enorme expectativa, muita esperança, pois que, pela primeira vez, assistia-mos a um processo revolucionário de cariz marxista, num país subdesenvolvido e eis - colonial , tendo, lado a lado, cidadãos de origem europeia e africana, e onde a discriminação racial tinha sido, e ainda era, tão notório.»
Cuba seria pois, para nós, africanos, um teste. Seguíamos atentamente a sua evolução e queríamos ver como seria resolvido este problema.
Muitos, em África, mostravam-se cépticos. Mais do que interesse, da nossa parte existia ansiedade.
Segundo Che Guevara , a população de origem africana, a principio, não participava no processo. Via-o com uma certa indiferença, como mais uma luta…
«deles». Mas a desconfiança estava a desaparecer, era cada vez maior a adesão, á medida que iam constatando que este processo era totalmente diferente daqueles que o precederam. Que era um processo para todos.
Che Guevara acabava de chegar do Congo - Brazzaville.Visitara as bases do MPLA em Cabinda (de facto, na zona fronteiriça Congo/ Brazzaville /Cabinda) .
Pedi - lhe que me desse as impressões da sua visita. Che não era um diplomata, mas um guerrilheiro, e foi directamente à questão:
« O MPLA tem ao seu dispor condições de luta excepcionais.
Quem nos dera a nós que, durante a guerrilha, em Cuba, tivéssemos algo comparável. Mas estas condições não estão a ser devidamente aproveitadas, exploradas …
O MPLA não luta, não procura o inimigo , não ataca…
O inimigo deve ser procurado, deve ser fustigado, deve ser perseguido, mesmo no banho. Agostinho Neto está a utilizar a luta armada apenas como mero instrumento de pressão política.»
Dei parte da conversa a Agostinho Neto. Não reagiu. Tal como a Lúcio Lara, que me respondeu:
« Os cubanos falam demais.»
Mas Che falava verdade. Durante vários anos, na minha qualidade de responsável dos serviços de assistência médica da 2º região político - militar do MPLA (Cabinda ) , fui disso testemunha a cada passo.
Aí e assim , como contestação a esta e outras situações idênticas, surgiria dentro do movimento, antes de Abril de 1974, a Revolta Activa.

Hugo José Azancot de Menezes foi médico. Foi um dos fundadores do MPLA

6. meireles 02/04/2008

UMA CRÍTICA MUITO DURA AOS MÉTODOS DO MPLA

Ao saber da conversa ocorrida em Acra (Ghana), Lúcio Lara reagiu: « Os cubanos falam de mais»

HUGO AZANCOT DE MENEZES

Longe de mim a pretensão de ter feito história ou de escrevê-la.
Contudo, vivi factos que envolvem, também , outros protagonistas.
Alguns, figuras ilustres. Outros, gente humilde, sem nome e sem história, relacionados, apesar de tudo, com períodos inolvidáveis das nossas vidas.
Alguns destes factos , ainda que de fraca relevância, podem ter interesse, como « entrelinhas da História», para ajudar a compreender situações controversas.
Conheci Ernesto Che Guevara em Acra , em 1964, e comprometi - me a não publicar alguns temas abordados na entrevista que tive o privilégio de lhe fazer como « repórter» do jornal Faúlha.

Já se passaram mais de 30 anos. O contexto actual é outro.
Pela primeira vez os revelo, na certeza de que já não é o quebrar de um compromisso, nem a profanação de uma imagem que no
A entrevista realizou-se na residência do embaixador de Cuba em Acra , Armando Entralgo González, que nos distinguiu com a sua presença.
Ali estava Che…
A sua tez muito pálida contrastava com o verde - escuro da farda.
As botas negras, impecavelmente limpas.
Encontrei-o em plena crise de asma, Socorria - se , amiúde, de uma bomba de borracha.
Che Guevara , deus dos ateus, dos espoliados e dos explorados do terceiro mundo, deus da guerrilha, tinha na mão uma bomba, não para destruir mas para se tratar… de falta de ar. Aspirava as bombadas, dando sempre mostras de um grande auto -domínio.
Fora-me solicitado que submetesse o questionário à sua prévia apreciação - e assim o fiz.
Uma das questões dizia respeito à cultura da cana - de - açúcar em Cuba.
Como encarava ele a aparente contradição de combater teoricamente a monocultura - apanágio dos sistemas de exploração colonial e tão típica dos sistemas de exploração colonial e tão típica do subdesenvolvimento - ao mesmo tempo que fomentava, ao extremo, a cultura da cana e a produção de açúcar - mono -produto de que Cuba se tornaria, afinal, cada vez mais dependente?
Outro tema que nos preocupava, a nós , africanos, era o papel dos cidadãos cubanos de origem africana na revolução cubana e a fraca representação deles nos órgãos de direcção dos país e do partido, os quais tinham proscrito qualquer discriminação racial.
Não constituiria o comandante Juan D´Almeida - único afro - cubano na direcção do partido - uma excepção?
Entretanto, a crise de asma agudizava-se , o que nem a mim me dava o à - vontade requerido nem, obviamente, ao meu interlocutor a disposição necessária para o diálogo.
Insistiu para que eu o iniciasse. Ao responder - lhe que não me sentia á vontade para fazê-lo, em virtude de seu estado, disse - me em tom provocante e com certa ironia :« Vejo que você é um jornalista muito tímido.»

No mesmo tom lhe respondi, que não me tinha pronunciado como jornalista, mas como médico .« Comandante, as suas condições não lhe permitem dar qualquer entrevista», disse-lhe eu.
Olhando-me , meio surpreso e sempre irónico, replicou: « Companheiro, eu não falo como doente, também falo como médico.
Em meu entender, estou em condições de dar a entrevista.»
Mas a crise de asma não melhorava, tornando impossível o diálogo. Foi necessário adiá-lo.
Reencontrámo-nos dias depois. Estava, então, quase eufórico. Referindo-se á atitude dos cidadãos cubanos de origem africana, à sua fraca participação na revolução, disse não gostar de se referir á origem ou à raça dos homens.
Apenas à espécie humana, a cidadãos, a companheiros.
Manifestei-lhe a minha total concordância. «A verdade », disse-lhe eu, «é que a revolução cubana tinha suscitado em todos nós , africanos, uma enorme expectativa, muita esperança, pois que, pela primeira vez, assistia-mos a um processo revolucionário de cariz marxista, num país subdesenvolvido e eis - colonial , tendo, lado a lado, cidadãos de origem europeia e africana, e onde a discriminação racial tinha sido, e ainda era, tão notório.»
Cuba seria pois, para nós, africanos, um teste. Seguíamos atentamente a sua evolução e queríamos ver como seria resolvido este problema.
Muitos, em África, mostravam-se cépticos. Mais do que interesse, da nossa parte existia ansiedade.
Segundo Che Guevara , a população de origem africana, a principio, não participava no processo. Via-o com uma certa indiferença, como mais uma luta…
«deles». Mas a desconfiança estava a desaparecer, era cada vez maior a adesão, á medida que iam constatando que este processo era totalmente diferente daqueles que o precederam. Que era um processo para todos.
Che Guevara acabava de chegar do Congo - Brazzaville.Visitara as bases do MPLA em Cabinda (de facto, na zona fronteiriça Congo/ Brazzaville /Cabinda) .
Pedi - lhe que me desse as impressões da sua visita. Che não era um diplomata, mas um guerrilheiro, e foi directamente à questão:
« O MPLA tem ao seu dispor condições de luta excepcionais.
Quem nos dera a nós que, durante a guerrilha, em Cuba, tivéssemos algo comparável. Mas estas condições não estão a ser devidamente aproveitadas, exploradas …
O MPLA não luta, não procura o inimigo , não ataca…
O inimigo deve ser procurado, deve ser fustigado, deve ser perseguido, mesmo no banho. Agostinho Neto está a utilizar a luta armada apenas como mero instrumento de pressão política.»
Dei parte da conversa a Agostinho Neto. Não reagiu. Tal como a Lúcio Lara, que me respondeu:
« Os cubanos falam demais.»
Mas Che falava verdade. Durante vários anos, na minha qualidade de responsável dos serviços de assistência médica da 2º região político - militar do MPLA (Cabinda ) , fui disso testemunha a cada passo.
Aí e assim , como contestação a esta e outras situações idênticas, surgiria dentro do movimento, antes de Abril de 1974, a Revolta Activa.

Hugo José Azancot de Menezes foi médico. Foi um dos fundadores do MPLA

7. meireles 02/04/2008

UMA CRÍTICA MUITO DURA AOS MÉTODOS DO MPLA

Ao saber da conversa ocorrida em Acra (Ghana), Lúcio Lara reagiu: « Os cubanos falam de mais»

HUGO AZANCOT DE MENEZES

Longe de mim a pretensão de ter feito história ou de escrevê-la.
Contudo, vivi factos que envolvem, também , outros protagonistas.
Alguns, figuras ilustres. Outros, gente humilde, sem nome e sem história, relacionados, apesar de tudo, com períodos inolvidáveis das nossas vidas.
Alguns destes factos , ainda que de fraca relevância, podem ter interesse, como « entrelinhas da História», para ajudar a compreender situações controversas.
Conheci Ernesto Che Guevara em Acra , em 1964, e comprometi - me a não publicar alguns temas abordados na entrevista que tive o privilégio de lhe fazer como « repórter» do jornal Faúlha.

Já se passaram mais de 30 anos. O contexto actual é outro.
Pela primeira vez os revelo, na certeza de que já não é o quebrar de um compromisso, nem a profanação de uma imagem que no
A entrevista realizou-se na residência do embaixador de Cuba em Acra , Armando Entralgo González, que nos distinguiu com a sua presença.
Ali estava Che…
A sua tez muito pálida contrastava com o verde - escuro da farda.
As botas negras, impecavelmente limpas.
Encontrei-o em plena crise de asma, Socorria - se , amiúde, de uma bomba de borracha.
Che Guevara , deus dos ateus, dos espoliados e dos explorados do terceiro mundo, deus da guerrilha, tinha na mão uma bomba, não para destruir mas para se tratar… de falta de ar. Aspirava as bombadas, dando sempre mostras de um grande auto -domínio.
Fora-me solicitado que submetesse o questionário à sua prévia apreciação - e assim o fiz.
Uma das questões dizia respeito à cultura da cana - de - açúcar em Cuba.
Como encarava ele a aparente contradição de combater teoricamente a monocultura - apanágio dos sistemas de exploração colonial e tão típica dos sistemas de exploração colonial e tão típica do subdesenvolvimento - ao mesmo tempo que fomentava, ao extremo, a cultura da cana e a produção de açúcar - mono -produto de que Cuba se tornaria, afinal, cada vez mais dependente?
Outro tema que nos preocupava, a nós , africanos, era o papel dos cidadãos cubanos de origem africana na revolução cubana e a fraca representação deles nos órgãos de direcção dos país e do partido, os quais tinham proscrito qualquer discriminação racial.
Não constituiria o comandante Juan D´Almeida - único afro - cubano na direcção do partido - uma excepção?
Entretanto, a crise de asma agudizava-se , o que nem a mim me dava o à - vontade requerido nem, obviamente, ao meu interlocutor a disposição necessária para o diálogo.
Insistiu para que eu o iniciasse. Ao responder - lhe que não me sentia á vontade para fazê-lo, em virtude de seu estado, disse - me em tom provocante e com certa ironia :« Vejo que você é um jornalista muito tímido.»

No mesmo tom lhe respondi, que não me tinha pronunciado como jornalista, mas como médico .« Comandante, as suas condições não lhe permitem dar qualquer entrevista», disse-lhe eu.
Olhando-me , meio surpreso e sempre irónico, replicou: « Companheiro, eu não falo como doente, também falo como médico.
Em meu entender, estou em condições de dar a entrevista.»
Mas a crise de asma não melhorava, tornando impossível o diálogo. Foi necessário adiá-lo.
Reencontrámo-nos dias depois. Estava, então, quase eufórico. Referindo-se á atitude dos cidadãos cubanos de origem africana, à sua fraca participação na revolução, disse não gostar de se referir á origem ou à raça dos homens.
Apenas à espécie humana, a cidadãos, a companheiros.
Manifestei-lhe a minha total concordância. «A verdade », disse-lhe eu, «é que a revolução cubana tinha suscitado em todos nós , africanos, uma enorme expectativa, muita esperança, pois que, pela primeira vez, assistia-mos a um processo revolucionário de cariz marxista, num país subdesenvolvido e eis - colonial , tendo, lado a lado, cidadãos de origem europeia e africana, e onde a discriminação racial tinha sido, e ainda era, tão notório.»
Cuba seria pois, para nós, africanos, um teste. Seguíamos atentamente a sua evolução e queríamos ver como seria resolvido este problema.
Muitos, em África, mostravam-se cépticos. Mais do que interesse, da nossa parte existia ansiedade.
Segundo Che Guevara , a população de origem africana, a principio, não participava no processo. Via-o com uma certa indiferença, como mais uma luta…
«deles». Mas a desconfiança estava a desaparecer, era cada vez maior a adesão, á medida que iam constatando que este processo era totalmente diferente daqueles que o precederam. Que era um processo para todos.
Che Guevara acabava de chegar do Congo - Brazzaville.Visitara as bases do MPLA em Cabinda (de facto, na zona fronteiriça Congo/ Brazzaville /Cabinda) .
Pedi - lhe que me desse as impressões da sua visita. Che não era um diplomata, mas um guerrilheiro, e foi directamente à questão:
« O MPLA tem ao seu dispor condições de luta excepcionais.
Quem nos dera a nós que, durante a guerrilha, em Cuba, tivéssemos algo comparável. Mas estas condições não estão a ser devidamente aproveitadas, exploradas …
O MPLA não luta, não procura o inimigo , não ataca…
O inimigo deve ser procurado, deve ser fustigado, deve ser perseguido, mesmo no banho. Agostinho Neto está a utilizar a luta armada apenas como mero instrumento de pressão política.»
Dei parte da conversa a Agostinho Neto. Não reagiu. Tal como a Lúcio Lara, que me respondeu:
« Os cubanos falam demais.»
Mas Che falava verdade. Durante vários anos, na minha qualidade de responsável dos serviços de assistência médica da 2º região político - militar do MPLA (Cabinda ) , fui disso testemunha a cada passo.
Aí e assim , como contestação a esta e outras situações idênticas, surgiria dentro do movimento, antes de Abril de 1974, a Revolta Activa.

Hugo José Azancot de Menezes foi médico. Foi um dos fundadores do MPLA

8. meireles 26/02/2008

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .


Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

9. meireles 26/02/2008

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .


Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

10. meireles 26/02/2008

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .


Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

11. meireles 26/02/2008

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .


Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

12. meireles 04/02/2008

O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .


Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

13. meireles 03/12/2007

O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 09 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz, Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos.

Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldina ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

14. Pedro de angola 06/06/2007

valeu, este é o pai da democraçia angolana

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