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Mais un lider que vai se embora

Morreu Holden Roberto
   
 
O PAI DO NACIONALISMO
ANGOLANO
Luanda - O Líder Histórico e Presidente da FNLA, Irmão Álvaro Holden Roberto, faleceu hoje, dia 2 de Agosto de 2007, pelas 18h30, de acordo com o Comunicado do Bureau Político
DECLARAÇÃO


O Bureau Político da Frente Nacional de Libertação de Angola – FNLA – vem por este meio, levar ao conhecimento das Autoridades do País, à Nação Angolana, aos Dirigentes, Militantes, Simpatizantes e Amigos da Grande Família FNLA e à opinião pública nacional e internacional, que o Líder Histórico e Presidente da FNLA, Irmão ÀLVARO HOLDEN ROBERTO, faleceu hoje, dia 2 de Agosto de 2007, pelas 18h30, na sua residência, sita na Rua Américo Júlio de Carvalho, nº 43, no Município da Samba, em Luanda.

A trajectória política de Álvaro Holden Roberto


Álvaro Holden Roberto, nasceu em Mbanza-Congo, ex-São Salvador, província do Zaire, aos 12 de Janeiro de 1923. É filho de Garcia Diasiwa Roberto e de Joana Lala Nekaka. Álvaro Holden Roberto fez os seus estudos primários e secundários em Léopoldville, e é cristão baptizado pela Igreja Baptista (BMS).

No quadro da sua formação política, Álvaro Holden Roberto frequentou tanto em Léopoldville como no Ghana vários Cursos de Ciências Políticas, incluindo um estágio político-diplomático na Representação Diplomática da República da Guiné Conacry nas Nações Unidas, em Nova York, de 1959 a 1960.

Para melhor compreender a trajectória política de Álvaro Holden Roberto deve-se recuar no tempo e no espaço. Com efeito, ele é neto de MIGUEL NEKAKA (pai de sua mãe), um dos primeiros evangelistas angolanos, baptizado em 23 de Maio de 1889, que traduziu partes significativas da Bíblia para o Kikongo e compôs numerosos hinos protestantes. Miguel Nekaka era antes de tudo um patriota que defendia os interesses dos seus compatriotas, o que lhe valeu a hostilidade, a prisão e torturas por parte das autoridades coloniais portuguesas, mas graças a sua clarividência e resistência, conquistou o respeito e a estima do povo , dos missionários britânicos e de outros instalados nas actuais províncias do Uige e do Zaire.

Miguel Nekaka, que desempenhou um papel fundamental nos preparativos da Revolta contra o poder colonial português liderada por TULANTE BUTA, em 1914, foi traído pelas autoridades coloniais portuguesas que solicitaram o seu apoio para pôr fim a revolta dos patriotas angolanos. Essa nota negra na vida de Miguel Nekaka que, faleceu em 1944, suscitou nele um forte sentimento de revolta, o que o levou a fazer o seguinte juramento: UM DOS MEUS DESCENDENTES ME VINGARÁ !

Esse descendente mencionado no juramento de Miguel Nekaka, é ÁLVARO HOLDEN ROBERTO, filho mais velho de sua filha JOANA LALA NEKAKA. Estava assim traçado o destino político de Álvaro Holden Roberto que, conjuntamente com seu tio materno, MANUEL SIDNEY BARROS NEKAKA, um dos filhos de Miguel Nekaka, iniciou no princípio dos anos 50 a formação e estruturação de um Partido Político verdadeiramente nacionalista.

Assim, nasceu, em 7 de Julho de 1954, simultaneamente em Matadi, cidade portuária congolesa, e em Léopoldville, a UNIÃO DOS POVOS DO NORTE DE ANGOLA- UPNA- progenitora da histórica e gloriosa UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA (UPA).

Convém sublinhar, que a UPNA teve uma existência efémera, porquanto logo a seguir surgiu a UPA, um Partido Político nacionalista, devidamente estruturado e organizado. O primeiro Presidente da UPA foi Álvaro Holden Roberto.

Álvaro Holden Roberto é, pois, o herdeiro político tanto do seu avó, Miguel Nekaka, como do seu tio e mentor, Manuel Sidney Barros Nekaka. Estes dois ascendentes exerceram uma grande influência sobre Álvaro Holden Roberto. Do avô ele herdou a dignidade e a perseverança; do tio a paciência, o tacto diplomático, o gosto pelas línguas e a eloquência.

Com efeito, Manuel Sidney Barros Nekaka falava fluentemente português, francês e inglês. Álvaro Holden Roberto também fala e escreve correctamente português, francês e inglês.

De 5 a 13 de Dezembro de 1958, Álvaro Holden Roberto assistiu à primeira Conferência dos Povos Africanos que se realizou em Accra, capital da jovem República do Ghana, na qualidade de Embaixador Plenipotenciário da União das Populações de Angola -UPA-. Pela primeira vez, na voz de um nacionalista angolano, a África e o resto mundo ouvem falar de liberdade e independência para Angola. Regressado à Léopoldville, em 1960, Álvaro Holden Roberto é eleito, por unanimidade, Presidente da UPA. Um ano depois, mais exactamente em 15 de Março de 1961, a UPA sob a dinâmica liderança de Álvaro Holden Roberto, inicia a Luta Armada de Libertação Nacional.

Em 27 de Março de 1962, é formada a FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA (FNLA), resultado da fusão entre a UPA e o PDA (Partido Democrático Angolano). A presidência da FNLA é assumida por Álvaro Holden Roberto, tendo sido reeleito pelo primeiro Congresso (em 1976, na ex-República do Zaire), pela Conferência Nacional (em 1992, em Luanda) e, finalmente, pelo II Congresso da Unidade e da Esperança realizado de 15 a 18 de Maio de 2000, em Luanda.

No quadro do combate pela Paz e a realização da Reconciliação Nacional, Álvaro Holden Roberto endereçou de Paris, em 4 de Dezembro de 1987, durante o seu exílio, ao Presidente José Eduardo dos Santos e ao Líder da Unita, Jonas Malheiro Savimbi uma carta que se tornou célebre e histórica, porquanto ela serviu de base para a elaboração do primeiro Plano de Paz para Angola elaborado por um Líder angolano.

Esse Plano de Paz foi divulgado em Janeiro de 1990, em Paris, durante uma conferência de imprensa. Foi precisamente esse Plano de Paz que serviu de base para elaboração dos Acordos de Bicesse cujas cópias foram enviadas ao Presidente José Eduardo dos Santos, ao Líder da Unita, Jonas Malheiro Savimbi, aos Governos de Portugal, Estados Unidos e da ex-União Soviética.

Desde então, Álvaro Holden Roberto tem-se destacado no combate pela Paz e pela realização da Reconciliação Nacional, preconizando a via do diálogo nacional para a solução do imbróglio angolano. É precisamente esta postura nacionalista e patriótica que segundo a FNLA tem irritado sobremaneira tanto o Presidente José Eduardo dos Santos como o seu Partido, o MPLA, e evidentemente, os seus aliados conjunturais.

Álvaro Holden Roberto estava a finalizar a redacção das suas Memórias que, todos esperam, que sejam um valioso contributo para História Contemporânea de Angola.

Fonte: Club-k.net/DEPARTAMENTO DE INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA DO SECRETARIADO GERAL DA FNLA

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Commentaires (10)

1. imad (site web) 09/08/2011

gosto de contrar co jentis pri gozo

2. O FUTURO DO POVO ANGOLANO FPA (site web) 09/03/2011

O FUTURO DO POVO ANGOLANO -FPA -
O Movimento do Povo Angolano:


O Partido político do povo angolano, fundado no dia 27 de Maio de 1992 em Luanda, como resultado da convergência dos ideais de grande Politico e Amor do Povo Angolano Nito Alvés e de muitos patriotas que aspiravam contra a guerra da mafia do senhor José Eduardo dos Santos de Angola, a FPA contribuiu significativamente
para que fosse atingido este objectivo de todo um Povo, de Cabinda ao Cunene.

Anos após a sua fundação, o prepara as suas estruturas, as mentes e corações dos milhares de militantes, simpatizantes, amigos e do Povo Angolano, em geral, para a grande Revolta do povo angolano e do Nito Alvés contra os Mafiosos do senhor José Eduardo dos Santos e todos os grupos Politicos mafiosos no Parlamente de Angola em Luanda:

- Trabalhar no sentido do asseguramento do acesso de todos os angolanos à educação, criando as condições para atrair a este trabalho, toda sociedade e o bom o futuro do Povo angolano.

Consciente destas realidades e desafios, a FPA está convicto de que a época que vivemos é a época do rápido desenvolvimento da ciência e da tecnologia, cada vez mais postos ao serviço da humanidade. Por outro lado, é também a época da globalização, em que se manifesta uma grande competição internacional, vencendo aqueles que forem capazes de dominar as tecnologias mais avançadas e de as aplicar aos processos produtivos, no interesse dos seus povos e de toda a humanidade.
Confiamos nas energias do Povo Angolano e no seu talento para vencer!

O Partido político do povo angolano (FPA), fundado a 27 de Maio de 1992, como resultado da convergência dos ideais de grande Politico e Amor do Povo Angolano Nito Alvés e muitos patriotas que aspiravam pela luta contra todos os grupos da mafia em Angola, a FPA contribuiu significativamente para que fosse atingido este objectivo de todo um Povo, de Cabinda ao Cunene.

O FUTURO DO POVO ANGOLANO (FPA)
"The future of the angolan people"

The FPA was founded in 1992 as a All angolan people party with a strong following in the Angolan capital, Luanda. This was the be crucial in the FPA's seizure of power in 1995. It was first led by António da Silva José until his death and now by Joao Mario Nito, who is still the President of angolan oposition Angola. The FPA commenced civil and military operations against the Mafia President José Eduardo dos Santos in 2011. The flag is divided horizontally, black, with a blue in the centre. It is said that this flag was adapted from that of the Namibia, whose flag was red over blue with the same yellow star. The change of colour from blue to black in the FPA flag is a fairly obvious adaptation to African people symbolism. In the mid 2000s.

The FPA flag strongly influenced the flag of what became the People's Republic of Angola at independence.

The FPA- O FUTURO DO POVO ANGOLANO - (Movimento do Povo Angolano), that is,
The future of the angolan people, is the ruling party with 85.000.00 members in all city of Angola.
Its flag is the with blue bicolour . [b][/b]

3. Manuel Francisco Cabrita Lopes (site web) 30/01/2011

O Presidente da FPA apela à mobilização do Povo Angolano contra todos os mafiosos do Governo do José Eduardo dos Santos em Angola

FPA apela à mobilização do Povo Angolano contra o governo da Mafia do José Eduardo dos Santos e todos os grupos da Mafia no Parlamente de Angola. O Povo Angolano para assegurar a recuperação da economia. O Presidente da FPA lembra que não basta sermos produtivos, temos também que ganhar competitividade.

“Temos que conseguir a recuperação económica, é sabido que uma das condições para criar emprego é o crescimento económico geralmente entre 1 e 2% (…) com um aposta forte de inovação”, afirma o Presidente da FPA.
FPA acredita que já deve haver alguma recuperação económica este ano, mas alerta que ainda há muito trabalho para fazer.
O Presidente comentou desta forma a revisão em alta feita pela FPA do crescimento da economia angolana, que poderá atingir os 0,8% no próximo ano.
“É positivo que as instituições internacionais revejam em alta as previsões de crescimento, mas há muito trabalho ainda a fazer, não só em Angola como nos outros países europeus. Os números do desemprego são um sinal disso mesmo”, afirmou o Chefe da FPA em Luanda.
“Este já deve ser um ano de alguma recuperação o Governo nos Mafiosos do José Eduardo dos Santos em Luanda, no entanto, os economistas debatem-se sobre se é uma recuperação e “U” ou em “V”. A maioria dos economistas, até internacionais, diz que é difícil que seja uma recuperação em “V”, muito rápida. Quer dizer que um país como FPA vai depender muito daquilo que se passa noutros países africanos e em países que são mercados importantes para Angola”, sublinha da FPA.

O Presidente da FPA falava em Luanda, no final de uma visita ao Centro de Formação plano e Profissional a preração da Mobilização do Povo Angolano contra todos os Mafiosos do José Eduardo dos Santos e todos os Grupos Mafiosos no Parlamente de Angola , realizada na Cidade de Luanda/Angola.
O FUTURO DO POVO ANGOLANO F.P.A.
Manuel Alberto Fernandes (FPA)
O Secretário geral da F.P.A. Angola.
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4. meireles (site web) 27/06/2008

( DOCUMENTO PERTENCENTE AO ESPOLIO DO DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES ,UM DOS FUNDADORES DO M.P.L.A.)

MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA
(M.P.L.A.)
51.Avenue Tombeur de Tabora ,51
3.P. 720 - LEOPOLDVILLE

COMUNICADO A TODA ORGANIZAÇÃO DO M.P.L.A.


Nas condições particularmente difíceis em que decorre a revolução Angolana, o Congresso do M.P.L.A. Está impossibilitado de intervir normalmente na solução dos problemas da sua competência.

Para as condições anormais do presente , impõe-se um processo excepcional, salvaguardando -se porém todo respeito à competência do congresso para logo que as condições da nossa luta voltarem ao mínimo de normalidade.

O comité Director do M.P.L.A. Nas suas sessões de 13 , 21 e 22 de Maio de 1962, com a intenção única de fazer avançar a revolução com o máximo de eficácia e de segurança , decidiu - com plena responsabilidade de que dará conta ao próximo congresso - remodelar o comité Director do M.P.L.A..
O novo Comité Director do M.P.L.A. é assim constituído:

MARIO DE ANDRADE

MATIAS MIGEIS

HUGO DE MENEZES

LUIS DE AZEVEDO JUNIOR

GRAÇA DA SILVA TAVARES

DEOLINDA D`ALMEIDA

JOSÉ BERNARDO DOMINGOS

GEORGES MANTEYA DE FREITAS

VER. DOMINGOS FRANCISCO DASILVA

DESIDERIO DA GRAÇA

JOÃO VIERA LOPES

JOÃO GONÇALVES BENEDITO

JOSÉ MIGUEL
Mário de Andrade continua com as funções de Presidente do M.P.LA.
Matias Migueis passa a exercer as funções de vice - Presidente do M.P.L.A.
O posto de Secretario - Geral é substituído por um Secretário cuja composição é a seguinte:

Graça da Silva Tavares - 1º secretário

João Viera Lopes - 2º secretário

Desidério da Graça - 3º secretário


O novo Comité Director do M.P.L.A. Entra imediatamente em função.

Léopoldville ,25 de maio de 1962.




O COMITÉ DIRECTOR

5. meireles 16/04/2008

Conacry,10 de agosto de 1961 Ref. 383/21/61

Hugo Azancot de Menezes

Recebida aos 24/08/61


Caro Hugo

Estimamos que tu e a tua família tenham feito uma excelente viagem e que vocês todos gozem de boa saúde.

Diz-nos urgentemente de que necessitares aí. Estamos aqui para servir da melhor maneira.
1-Junto te envio copia de uma carta que o director do EXPRESSEN dirigiu ao bureau da CONCP.
Pelos vistos já estão a caminho de Léopoldville 3 toneladas de medicamentos, de medicamentos ,os quais se destinam a CVAAR.
Achamos que é muito importante reter a seguinte passagem da carta do director do EXPRESSEN: “ Nos remede sont a leur disposition, mais s`ils n`arrivent pas a Léo ces temps -ci les remede seront distribués aux infirmeries au long de la frontiere.

Se for possível ,é muito conveniente que te apresentes urgentemente ao M. Gosta Streiffert , coordenador em chefe da acção em favor dos refugiados angolanos no congo.

Os fins da tua visita ao Streiffert deverão ser os seguintes:

a) Garantir- lhe a próxima chegada ao Congo de mais dois médicos angolanos. ( Com efeito, o ministro da saúde deste país acaba de dizer ao Eduardo que ele pode partir quando ele quiser .Em face disso, é quase certo que o Eduardo e o Boavida partirão no próximo barco, ou mesmo antes, de avião.

b) Avisar ao Streiffer que os três médicos angolanos -
- Tu ,Boavida e Santos -,que estarão aí certamente antes da chegada dos medicamentos, estão prontos a entrar imediatamente em actividade com os medicamentos enviados da Suécia pelo EXPRESSEN.

c) Deixar boa impressão ao Streiffer . Para isso, recomendaremos -te um trato o mais diplomático possível e a maior circunspecção possível . É fundamental que, depois do teu encontro com o Streiffer , este não fique com a impressão de que a vossa actividade vai constituir uma espécie de concorrência as funções dele e a actividade da liga das sociedades da cruz vermelha para o Congo.
Pelo contrario.
d) Sondar , habitualmente , a opinião íntima do Streiffer sobre a vossa futura presença junto dos refugiados . Tentar saber se há influências, opostas a actividade da CVAAR , na pessoa do Streiffer e dos seus colegas.

e) Deixar em toda gente a convicção firme de que a actividade da CVAAR será humanitária e apolítica . Quero, no entanto, lembrar-te quee a melhor maneira de impor a ideia de que a CVAAR é apolítica não consiste em declarares que ela “ é apolítica”, mas sim em mostrares um interesse humano, médico, por todas as vítimas da guerra. Quero dizer: o apoliticismo da CVAAR será inculcado no espírito dessa gente de maneira indirecta: através das tuas atitudes e do teu interesse humano e de técnico pelos doentes vítimas dos acontecimentos de Angola.

Fala pouco e ouve muito. É pela bouca que morre o peixe.
f) É fundamental que, depois do Streiffer te conhecer , deixes neste indivíduo uma espécie de compromisso de consciência que o impeça de dar os medicamentos um outro destino diferente ,sem primeiramente te consultar.
2- O Aquino Bragança vai enviar-te de Rabat o original da carta do director do EXPRESSEN . Em caso de necessidade , essa carta poderá servir de tira-teimas sobre o destinatário dos medicamentos.
Tudo faremos para que dentro de dias o Eduardo e o Américo estejam aí.

3)- Diz-nos urgentemente se a War ON Wait já transferiu o dinheiro para aí. Tenho insistido com o CABRAL para que isso se realize o mais depressa possível . Mas achamos estranho que o CABRAL não tenha, até hoje, acusado a recepção da vossa carta para a WAR ON WAIT.

Achamos conveniente que, logo que chegues ao Congo , escrevas ao CABRAL informando-o de que já estas aí e que outros médicos chegarão dentro de dias .
Saúde para a tua família e para ti.
Coragem , bom trabalho e prudência!

P.S.- O original desta carta ,enviámo-la , nesta mesma data , à nossa caixa postal de Brazzaville.

VIRIATO DA CRUZ

6. meireles 16/04/2008

UMA CRÍTICA MUITO DURA AOS MÉTODOS DO MPLA

Ao saber da conversa ocorrida em Acra (Ghana), Lúcio Lara reagiu: « Os cubanos falam de mais»

HUGO AZANCOT DE MENEZES

Longe de mim a pretensão de ter feito história ou de escrevê-la.
Contudo, vivi factos que envolvem, também , outros protagonistas.
Alguns, figuras ilustres. Outros, gente humilde, sem nome e sem história, relacionados, apesar de tudo, com períodos inolvidáveis das nossas vidas.
Alguns destes factos , ainda que de fraca relevância, podem ter interesse, como « entrelinhas da História», para ajudar a compreender situações controversas.
Conheci Ernesto Che Guevara em Acra , em 1964, e comprometi - me a não publicar alguns temas abordados na entrevista que tive o privilégio de lhe fazer como « repórter» do jornal Faúlha.

Já se passaram mais de 30 anos. O contexto actual é outro.
Pela primeira vez os revelo, na certeza de que já não é o quebrar de um compromisso, nem a profanação de uma imagem que no
A entrevista realizou-se na residência do embaixador de Cuba em Acra , Armando Entralgo González, que nos distinguiu com a sua presença.
Ali estava Che…
A sua tez muito pálida contrastava com o verde - escuro da farda.
As botas negras, impecavelmente limpas.
Encontrei-o em plena crise de asma, Socorria - se , amiúde, de uma bomba de borracha.
Che Guevara , deus dos ateus, dos espoliados e dos explorados do terceiro mundo, deus da guerrilha, tinha na mão uma bomba, não para destruir mas para se tratar… de falta de ar. Aspirava as bombadas, dando sempre mostras de um grande auto -domínio.
Fora-me solicitado que submetesse o questionário à sua prévia apreciação - e assim o fiz.
Uma das questões dizia respeito à cultura da cana - de - açúcar em Cuba.
Como encarava ele a aparente contradição de combater teoricamente a monocultura - apanágio dos sistemas de exploração colonial e tão típica dos sistemas de exploração colonial e tão típica do subdesenvolvimento - ao mesmo tempo que fomentava, ao extremo, a cultura da cana e a produção de açúcar - mono -produto de que Cuba se tornaria, afinal, cada vez mais dependente?
Outro tema que nos preocupava, a nós , africanos, era o papel dos cidadãos cubanos de origem africana na revolução cubana e a fraca representação deles nos órgãos de direcção dos país e do partido, os quais tinham proscrito qualquer discriminação racial.
Não constituiria o comandante Juan D´Almeida - único afro - cubano na direcção do partido - uma excepção?
Entretanto, a crise de asma agudizava-se , o que nem a mim me dava o à - vontade requerido nem, obviamente, ao meu interlocutor a disposição necessária para o diálogo.
Insistiu para que eu o iniciasse. Ao responder - lhe que não me sentia á vontade para fazê-lo, em virtude de seu estado, disse - me em tom provocante e com certa ironia :« Vejo que você é um jornalista muito tímido.»

No mesmo tom lhe respondi, que não me tinha pronunciado como jornalista, mas como médico .« Comandante, as suas condições não lhe permitem dar qualquer entrevista», disse-lhe eu.
Olhando-me , meio surpreso e sempre irónico, replicou: « Companheiro, eu não falo como doente, também falo como médico.
Em meu entender, estou em condições de dar a entrevista.»
Mas a crise de asma não melhorava, tornando impossível o diálogo. Foi necessário adiá-lo.
Reencontrámo-nos dias depois. Estava, então, quase eufórico. Referindo-se á atitude dos cidadãos cubanos de origem africana, à sua fraca participação na revolução, disse não gostar de se referir á origem ou à raça dos homens.
Apenas à espécie humana, a cidadãos, a companheiros.
Manifestei-lhe a minha total concordância. «A verdade », disse-lhe eu, «é que a revolução cubana tinha suscitado em todos nós , africanos, uma enorme expectativa, muita esperança, pois que, pela primeira vez, assistia-mos a um processo revolucionário de cariz marxista, num país subdesenvolvido e eis - colonial , tendo, lado a lado, cidadãos de origem europeia e africana, e onde a discriminação racial tinha sido, e ainda era, tão notório.»
Cuba seria pois, para nós, africanos, um teste. Seguíamos atentamente a sua evolução e queríamos ver como seria resolvido este problema.
Muitos, em África, mostravam-se cépticos. Mais do que interesse, da nossa parte existia ansiedade.
Segundo Che Guevara , a população de origem africana, a principio, não participava no processo. Via-o com uma certa indiferença, como mais uma luta…
«deles». Mas a desconfiança estava a desaparecer, era cada vez maior a adesão, á medida que iam constatando que este processo era totalmente diferente daqueles que o precederam. Que era um processo para todos.
Che Guevara acabava de chegar do Congo - Brazzaville.Visitara as bases do MPLA em Cabinda (de facto, na zona fronteiriça Congo/ Brazzaville /Cabinda) .
Pedi - lhe que me desse as impressões da sua visita. Che não era um diplomata, mas um guerrilheiro, e foi directamente à questão:
« O MPLA tem ao seu dispor condições de luta excepcionais.
Quem nos dera a nós que, durante a guerrilha, em Cuba, tivéssemos algo comparável. Mas estas condições não estão a ser devidamente aproveitadas, exploradas …
O MPLA não luta, não procura o inimigo , não ataca…
O inimigo deve ser procurado, deve ser fustigado, deve ser perseguido, mesmo no banho. Agostinho Neto está a utilizar a luta armada apenas como mero instrumento de pressão política.»
Dei parte da conversa a Agostinho Neto. Não reagiu. Tal como a Lúcio Lara, que me respondeu:
« Os cubanos falam demais.»
Mas Che falava verdade. Durante vários anos, na minha qualidade de responsável dos serviços de assistência médica da 2º região político - militar do MPLA (Cabinda ) , fui disso testemunha a cada passo.
Aí e assim , como contestação a esta e outras situações idênticas, surgiria dentro do movimento, antes de Abril de 1974, a Revolta Activa.

Hugo José Azancot de Menezes foi médico. Foi um dos fundadores do MPLA

7. meireles 16/04/2008

MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE
DE ANGOLA
M.P.L.A.
51,Avenue Tombeur de Tabora
LEOPOLDVILLE




COMITÉ
DIRECTOR


NACIONALISTAS ANGOLANOS



Transcreve-se a nota Nº .A/M/F enviada ,em 10.11.1961, ao comité Executivo da União das populações de ANGOLA:

“ Como V.Exas. Sabem, em nove de setembro de 1961, uma esquadra da nossa organização militar, que se dirigia a Nambuangongo em missão de socorro às populações cercadas pelas tropas portuguesas , foi , pela traição, cercada e feita prisioneira por grupos armados da União das Populações de Angola que actuam no corredor de entrada e saída dos patriotas angolanos.

Desde aquela data até hoje, mantendo - se embora vigilante e tendo conhecimento , não sem revolta, dos maus tratos que foram infligidos por militantes da UPA aos nossos compatriotas, o comité Director do M.P.L.A. Esperou ver qual seria o comportamento dos órgãos dirigentes da UPA
Diante desse crime de lesa - pátria e que enodoa o digno movimento patriótico do povo angolano.

O Comité Director do M.P.L.A. Faz o mais enérgico protesto contra esse acto anti - patriótico, que visa a enfraquecer a resistência armada do povo angolano e que introduz, por iniciativa da UPA, a luta fratricida nos campos de batalha de Angola.
Sob pena desse “ affaire “ ser levado imediatamente ao conhecimento da opinião pública e dos organismos internacionais , o comité Director do MPLA

“ - exige a imediata libertação de todos os nossos compatriotas;
“ - exige a entrega de todos as armas, munições e demais bagagens

“ - que foram retirados aos guerrilheiros daquela nossa esquadra ; e

“ - responsabiliza, desde já , a união das populações de Angola pela


“ - vida desses nossos valorosos compatriotas.

“ Na expectativa, subscrevemo-nos


Atenciosamente

(ass) Mario Pinto de Andrade
Viriato da cruz
Matias Miguéis
Eduardo dos Santos
Hugo de Menezes

8. meireles 16/04/2008

Léopoldville ,13 de Novembro de 1962




Meu Caro Hugo, ( Hugo José Azancot de Menezes)

Em 20 de setembro ultimo, escrevi - te para que, por mim, agradecesses à Salette pela compota enviada e me dissesses algo quanto ao destino a dar os 18.090,- CFA que recuperei da chargeur reuni como reembolso do bilhete Pointe Noire /Lomé, não utilizado pela tua família.
Em 29 daquele mesmo mês a pedido do Mário , fiz-te um telegrama por este ditado, exageradamente conciso, pedindo-te para que na medida do possível, dispusesses as coisas de forma a tomares o primeiro barco para Léopoldville que por aí passasse depois daquela data. Só agora vejo que, contrariamente ao que o Mário me convenceu era ele quem deveria ter assinado o telegrama em causa.

Ontem, enderecei - te meu segundo telegrama, rogando a tua intervenção junto das autoridades Ghaneenses, no sentido de facilitarem o desembarque do Carreira em Tokoradi.
Receio, pois, que este meu telegrama (último) venha merecer sorte igual do meu anterior correio.
Não quero sequer discutir a “ grandeza” das razões que estariam militando a favor do teu silêncio, a ponto até de darem primazia à falta de indicação de tua parte quanto ao destino a dar aquela “ massa” em meu poder.
Quero apenas pedir-te ,por favor, a tua melhor atenção e interesse neste assunto Carreira, informando-nos a tempo no que virão resultar as tuas “ demarches” para assim sabermos para onde enviar o “ Título de viagem” conseguido à seu favor.

Ainda sobre o telegrama de 20/9: talvez não fosse descabido se contactasses o Mário acerca do seu conteúdo , isto é , se ainda o não fizeste.
O Aníbal de Melo diz te ter feito carta pedindo as gravuras - ( titulo - pequeno e grande - do jornal) .

Recomendações à Salete e beijos aos V/ pequenos. Aceita um aperto de mão cordial do Camarada Matias.

Matias Migueis

9. meireles 16/04/2008

PARTIDO AFRICANO DA INDEPENDÊNCIA DA GUINÉ E CABO VERDE
Sede: Bissau
Conacry , 20 de Fevereiro de 965



Mr. Hugo MENEZES

P.O.BOX 1633

ACCRA (Ghana)


Caro amigo,

Em resposta à sua carta de 23 de Novembro último, temos a dizer-lhe o seguinte:

1º/ - A iniciativa da publicação, no Ghana, de um jornal em língua portuguesa, parece - nos digna do maior interesse, não podendo nos deixar de dar todo o apoio aos amigos que se dedicam à concretização dessa ideia;

2º/ - Nesse intuito, pensamos pôr, em breve, à vossa disposição, algum material escrito e fotográfico, expor -vos as nossas sugestões e enviar - vos a colaboração escrita que nos pedem;

3º/ - Dada que a sua carta nos chegou num período em que o nosso secretário geral se encontrava no interior do pais , de onde regressou apenas há alguns dias, não nos foi ainda possível enviar-lhe o artigo pedido para o primeiro número do jornal. Contamos, entretanto, poder fazê-lo brevemente.

Apresente as nossas melhores felicitações a todos quanto trabalhem para que o jornal seja em breve uma realidade.

Com os melhores votos, queiram receber as nossas

SAUDAÇÕES COMBATIVAS


VASCO CABRAL



10. meireles 30/11/2007

O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 09 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz, Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos.

Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldina ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

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