Miala e companheiros observam greve de fome

Miala e companheiros observam greve de fome
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Recusa ser humilhado

Luanda - O general Fernando Garcia Miala e três dos seus antigos colaboradores directos, detidos na sexta-feira última, observam uma greve de fome nos calabouços da Procuradoria Militar desde sábado passado.

Esta decisão pode estar relacionada com informações segundo as quais os quatro detidos não estavam autorizados a receber alimentos dos seus familiares, desde sábado último, sabendo-se que as condições de alimentação nas instituições prisionais angolanas não são satisfatórias.

Além disso, aos familiares está vedada a possibilidade de se entrevistarem com os reclusos, o que pode agravar ainda mais o estado em que se encontram.
Entretanto, o líder do Partido Democrático angolano (PDA), Alberto Neto, manifestou-se preocupado com as condições em que o general Fernando Garia Miala e seus ex-colaboradores mais próximos se encontram detidos na Procuradoria das Forças Armadas Angolanas.

«Eu considero que é necessário que haja da parte das pessoas envolvidas directamente no assunto o respeito pela dignidade e dos direitos humanos que façam com que alguém que venha a tribunal possa ter o direito de defender-se e poder ser ouvido na integralidade».

O político que evocou o principio do segredo de justica para não se adiantar mais em comentários, disse, no entanto, não descartar que numa vertente política, este caso resulta de algum realinhamento de forças dentro do partido no poder dentro do qual Miala tinha muitas simpatias e de que é oriundo, antes de passar a pertencer as Forças Armadas Angolanas.

Miala e três altos oficiais da sua direcção foram detidos na sexta-feira, dia 13, pela Polícia Militar, acusados de crime de insubordinação militar por falta de comparência numa cerimónia pública de despromoção, 18 meses depois de terem sido indiciados numa alegada tentativa de golpe de Estado.

O Tribunal Militar quer julgar Miala por crime de desobediência mas, segundo algumas fontes, «ele recusa ser humilhado e quer provas do seu envolvimento no alegado golpe de Estado de que havia sido antes acusado pela comissão de sindicância».

Porém, o jornal A CAPITAL soube de fonte segura que o próprio Miala manifestara em círculos mais restrito a sua predisposição para responder em tribunal de uma possível acusação de crime contra a segurança do Estado, onde teria toda a liberdade, diante do tribunal, de colocar a «boca no trombone».

É que, segundo a fonte, Miala tem a seu favor o facto de possuir subsídios mais que suficientes para «destapar todas as carecas» do regime que serviu, onde residirá o principal receio daqueles que agora o pretendem julgar.

Além do episódio de ontem, a «novela Miala» parece não ter fim para tão breve. É que sobre ele e a sua equipa impende ainda a acusação de uma série de irregu laridades, com destaque para a criação pelo SIE de órgãos alheios à missão e vocações do serviço, aquisição de equipamento de inteligência sem autorização presidencial, intromissão da secreta externa nas actividades da segurança da Presidência da República sem orientação superior, realização de expedientes operativos de investigação secreta contra determinadas actividades do Governo de carácter restrito, investigação contra membros do Governo, funcionários dos Serviços de Apoio ao PR, bem como violação sistemática às normas que impunham a apresentação de planos de funcionamento.

Miala era um dos homens de maior confiança de Eduardo dos Santos, mas acabou demitido a 24 de Fevereiro de 2006 através de um decreto do presidencial que não referia as razões da exoneração, no termo da sindicância mandada instaurar aos Serviços de Inteligência Externa de que era director.

Fonte:A Capital/VOA

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