MILITARES DO REGIME DE ANGOLA APOSTAM NA «RAZÃO» DA FORÇA

MILITARES DO REGIME DE ANGOLA APOSTAM NA «RAZÃO» DA FORÇA

Kopelipa, da Casa Militar de Eduardo dos Santos, é o novo dono do semanário Independente. Assassinato de William Tonet é o próximo passo

 Por NORBERTO HOSSI


O que muitos desconfiavam e foi aqui noticiado no Notícias Lusófonas, começa a ficar mais visível, em Angola, quanto às motivações que estão na origem do ressuscitado semanário Independente, que lidera, com a chefia da Casa Militar da Presidência da República e do secretário para a Informação do MPLA, Norberto dos Santos Kwata Kanawa, uma campanha visando o assassinato do jornalista William Tonet, director do Folha 8. Não se trata de um órgão de comunicação social privado, mas sim dos Serviços da Segurança de Estado de Angola.

A composição dos seus proprietários, todos agentes de topo na estrutura do SINFO (Serviços de Informação do Estado), nomeadamente; Fernando Manuel (que chegou a ser vice-ministro da Segurança), Luís Fragoso - Loy, ligado às Análises e Informação, Pena Fernando, operativo de sistemas e actual director de gabinete de Joaquim Mande, inspector-geral do Estado (homem ligado a Kundi Pahiama), Estevão Kauanda e Cristóvão A, afectos as operações especiais, não deixa dúvidas.

Estes homens com vista a apresentarem trabalho e depois de terem arruinado o título, com a exoneração intempestiva do antigo director, o jornalista Pedro Narciso, ex-correspondente da Revista Visão de Portugal, que tentou dar uma lufada de ar fresco à publicação, aliaram-se há cerca de seis meses, ao todo poderoso general Hélder Vieira Dias Kopelipa (foto), chefe da Casa Militar da Presidência da República, que com o general José Maria e o Presidente José Eduardo dos Santos, constituem a Junta Militar, que desde Fevereiro de 2006, tomou o poder real do país, com o desmantelamento dos Serviços de Inteligência Externa.

Com o denominado Independente, Kopelipa pensa ter conseguido uma aliança importante, capaz de melhorar a sua imagem, com vista a contrapor as críticas da maioria da comunicação social, face à sua arrogância e mau desempenho governativo.

“O director injectou capital do Estado, mais concretamente da linha de financiamento da China, para suportar este órgão, um apêndice, da Segurança de Estado, objectivando, nesta fase do período pré-eleitoral, a calúnia e a difamação de jornalistas e membros da oposição”, disse ao NL, uma fonte digna de crédito, junto da Casa Militar, acrescentando que “o dinheiro injectado a fundo perdido, cerca de 1,5 milhões de dólares, aos proprietários, pela cedência de parte das acções do Independente e USD 600.000,00, para o jornal, saem do montante de 10 milhões de dólares, afectos mensalmente, ao Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), para as obras de reconstrução de Angola, do qual Manuel Hélder Vieira Dias, Kopelipa é também director, mesmo sem estar cabimentado”.

E para consumar a lamacenta estratégia, foram buscar, segundo a nossa fonte, Armando Benguela, formado em jornalismo numa escola do KGB, na ex-União Soviética, com a recomendação expressa de recrutar agentes transformando-os em jornalistas da rolha.

O actual director, que mostra a “plástica facial”, Epinelas Mateus é agente camuflado do SINFO, que antes havia trabalhado num outro órgão ligado à Segurança, o ex-Actual Fax de Leopoldo Baio. Epinelas, no quadro da mesma estratégia, tentou antes, sem êxito, infiltrar-se na redacção de alguns jornais privados, nomeadamente a Capital e Folha 8.

É pois esta matilha que se propõe liderar uma campanha contra William Tonet, visando não só denegrir a sua imagem, como atentar contra a vida do jornalista e director do jornal independente Folha 8, com base num plano secreto de assassinato, “antes do período eleitoral, para calarem a voz, que mais se tem batido pela denúncia das arbitrariedades e corrupção” endémica do sistema.

“Este sistema mata mesmo, apesar da imagem de anjo do Presidente Eduardo dos Santos, o número de assassinatos não têm parado de crescer e Tonet é visto como uma pedra no sapato do regime, e que por isso não pode continuar ou em liberdade ou com vida”, assegura a nossa fonte que solicitou o anonimato.

Entretanto, Epinelas e Kopelipa, na sua visão barroca da situação, não se deram conta dos prejuízos que estão a causar à própria imagem de Eduardo dos Santos, pois colocam-no como um dirigente frio e ditatorial da estirpe de Adolfo Hitler ou Idi Amin Dada, disposto a qualquer recurso para eliminar adversários políticos. Vieram ainda confirmar a existência de um mau clima no seio das Forças Armadas e da Polícia Nacional, que têm sido denunciadas pelo F8 e NL.

E os exemplos estão à mão de semear, quando o Independente acusa o antigo comandante geral da Polícia Nacional, Alfredo Ekuikui de, alegadamente, ter dado 4 milhões de dólares para a construção de uma pousada, para a Polícia no Mussulo, uma ilha em Luanda, que não teria sido construída pela empresa de construção civil, onde William Tonet é um dos administradores.

“Ora se isso é verdade então estamos a provar que o regime é mesmo corrupto e que os seus gestores podem delapidar a seu bel prazer o erário público. Se deram dinheiro a uma empresa para um fim ela tem de o fazer, sob pena de procedimento criminal, a não ser que estejamos a mostrar o lado perverso da administração do regime do MPLA”, diz uma fonte.

É que o dinheiro não pode ser visto como sendo do antigo comandante, mas do órgão; Polícia Nacional, do qual era gestor, num dado momento. Quatro milhões não são quatro tostões, logo se Ambrósio de Lemos e a sua corporação não se pronunciam é porque estão, tal como Kopelipa, na estratégia de diabolização de Ekuikui, apontado como sendo homem de Fernando Miala, antigo patrão do SIE (Serviços de Inteligência Externa), preso por ordens expressas de Eduardo dos Santos, o senhor todo poderoso, o único poder real em Angola, sem que houvesse capacidade de ser apresentada alguma prova em tribunal, para os crimes que estiveram na base da sua exoneração.

Por outro lado, a obra para a qual a empresa de William Tonet foi contratada, concluiu-se em tempo recorde (quatro meses) e o seu valor, não ultrapassou nem chegou perto de 1 (um) milhão de dólares.

“Nós estamos tranquilos e o contrato e os pagamentos podem ser consultados juntos da direcção de Finanças da Polícia Nacional”, disse uma das responsáveis da Jango’s - Construção Civil e Decoração Africana.

A obra é hoje um condomínio de arquitectura africana de referência, na zona, que preservou o ambiente natural da região, composto pelo maior jango (sala oval, com mais de 1000 m2) de Angola, 13 suites, uma piscina, uma cascata em gruta, como porta de entrada, uma ponte cais, uma vivenda com 4 quartos e uma suite, uma cozinha industrial, duas cabines de som e tradução, duas lojas, uma praia com cerca de 300 metros, três sombreiros, uma grande espreguiçadeira, lavandaria, churrascaria, casa de máquinas, um heliporto. Foi ainda fornecido mobiliário rústico, fabricado pela empresa, com garantia de 30 anos.

Como o peixe morre pela boca, eles esqueceram-se ter sido a obra inaugurada, em Novembro de 2005, pelo falecido ministro do Interior, Osvaldo Serra Van-Dúnem, que surpreendido pela obra feita por uma empresa angolana, solicitou a implantação da segunda fase do projecto.

“A notícia do Independente visou somente afastar a Jango’s da II fase, pois Kopelipa e Ngongo pretendem na sua política de discriminação retirar trabalhos a empresas que sejam de pessoas que não bajulem o nosso governo e defendam o Miala”, garantiu a nossa fonte.

Quanto à calúnia de tentativa de extorsão a Kopelipa no valor de 100 mil dólares anos, Tonet prefere não comentar, mas desafia o chefe da Casa Militar e os seus cães de fila, a apresentarem a misteriosa pessoa que dizem ter tentado a extorsão e as razões de não o terem preso, porquanto na sua opinião, só uma empresa de bonecos animados poderia pedir USD 100.000,00 (cem mil dólares ano) para limpar uma imagem que carece de toneladas excessivas de lixívia.

“Isso é de maníacos. Tenho ideais e nunca pediria esmola a Kopelipa, aliás USD 100.000,00/ano, para ele seria uma gorjeta. Mas em Tribunal estarei na disposição de abrir o rosário, para mostrar e demonstrar com provas irrefutáveis os dados em nossa posse. Estamos serenos! Vamos até ao fim para, em sede judicial, esclarecermos situações escabrosas e deploráveis, que o país e a maioria dos angolanos desconhecem e uns poucos querem esconder”, disse William Tonet, que se escusou a fazer mais comentários.

Entretanto o NL soube ter o Dr. Moreira Pinheiro, que é o advogado do jornalista/jurista, nesta causa, apresentado já uma queixa-crime, contra o semanário Independente e todos os seus proprietários e direcção, em função das mentiras e calúnias publicadas.

Porta-voz do MPLA também faz parte da rede

O secretário para a Informação do MPLA, Norberto dos Santos, Kwata Kanawa, também entrou no grupo de “homens bomba”, disposto a calar alguns jornalistas da imprensa privada, pois terá sido contactado por Kopelipa, para orientação, tendo fornecido, segundo a nossa fonte, o pacote editorial a ser seguido pelos agentes da Segurança, infiltrados na comunicação social e para lhes dar alento, inaugurou o seu primeiro número.

“Na política não há coincidências e se não tivesse implicado, Kwata Kanawa, não daria uma grande entrevista a um órgão desconhecido, que iria reentrar no mercado”, salienta a fonte do NL.

Recorde-se que Kanawa é também um dos homens fortes da New Mídia, empresa de comunicação do MPLA, que recentemente lançou um novo título, denominado “Novo Jornal”, apresentado como órgão independente, mas dependente da política dos donos; MPLA e BES (Banco Espírito Santo), este último, que para continuar a ter relações financeiras privilegiadas no mercado angolano, funciona como financiador do regime, até mesmo em operações espúrias.

O “Novo Jornal” apareceu no mercado com uma capacidade financeira invejável, disposto inclusive a debilitar outros órgãos, aliciando com salários muito acima da média, os seus principais jornalistas, depois de terem contratado alguns jornalistas de referência, como o seu director geral, Victor Silva, correspondente da Voz da América e Gustavo Costa, director-adjunto, correspondente do Semanário Expresso de Lisboa, ambos ligados a Aldemiro Vaz da Conceição e a Manuel Helder Vieira Dias Kopelipa, os homens de mão de José Eduardo dos Santos, para a implementação de subversão política na fase pré-eleitoral.

É este o clima da comunicação social em Angola, onde o MPLA e o seu regime, tentam eliminar todos quanto pugnem por uma imprensa livre, liberdade de expressão e a implantação de uma verdadeira democracia.

Com os milhões do petróleo Eduardo dos Santos, ao invés de trabalhar para uma verdadeira reconciliação nacional, pretende consolidar o seu regime com a eliminação física dos seus adversários políticos, como aconteceu com o jornalista Ricardo de Melo, Nfulumpinga Landu Victor, líder do PDP-ANA, Jonas Savimbi, todos assassinados e Holden Roberto, morto devido ao corte ilegal do subsídio do seu partido, por ter deputados no parlamento, devido a não bajular o chefe do regime angolano.

fonte:http://www.noticiaslusofonas.com/


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