O MPLA quer a guerra - Tudo indica que sim

O MPLA quer a guerra - Tudo indica que sim

Orlando Castro
Pensa a UNITA, tal como todos os angolanos sérios e intelectualmente honestos, que Angola vive neste momento um período de consolidação da paz. Se é de consolidação, digo eu, é porque ainda não totalmente garantida. E como eu pensam também os mais altos dirigentes do MPLA que, a todo o custo, querem continuar no poder por falta de eleições. E como é que isso se consegue? Atazanando de tal forma a UNITA para que ela puxe o gatilho. Para dar azo a essa estratégia e porque não é garantido que o MPLA continue no poder se as eleições forem livres, Eduardo dos Santos criou uma comissão para festejar o que só ele viu: uma vitória na batlha do Cuito Cuanavale.
Mas, mesmo que as FAPLA tivessem vencido, seria altura para festejar uma guerra onde morreram sobretudo angolanos? Seria altura para dizer que os bons são os do MPLA, cubanos e russos, e os maus são os da UNITA e da África do Sul?

Estão mesmo a fazer tudo para que a UNITA se farte de tanta hipocrisia, de tanta injustiça e de tanta malvadez e diga: Basta! Felizmente a UNITA tem gente bem mais inteligente do que estes arautos da guerra e, ao perceber de há muito o que o MPLA quer, mantém a calma e deixa – para já – a questão do Cuito Cuanavale nas mãos dos investigadores.

Temo, contudo, que ao verem que esta estratégia de achincalhamento não vai levar a UNITA a pegar novamente em armas, resolvam nomear uma comissão para festejar a morte de Jonas Savimbi. O desespero do MPLA perante o cenário de uma derrota eleitoral é bem capaz de levar os donos do poder a pensar nisso.

Espero que, embora pensando nisso, não concretizam uma declaração de guerra desse tipo. É que, se um dia se lembram de comemorar a morte do presidente e fundador da UNITA, não só vão ter a guerra dentro de casa como Angola correrá o risco de ficar reduzida a cinzas.

Tanto quanto sei, ninguém a nível institucional (CPLP, ONU, UE) terá dito a Eduardo dos Santos e aos seus acéfalos assessores que comemorar batalhas entre angolanos (não adianta dizer outra coisa) é meio caminho andado para o regresso da guerra.

Espero, contudo, que lhe digam que não há FAPLAS no mundo capazes de destruir o que os povos sentem, pelo que a ideia (germinada já nos areópagos da alta política do MPLA) de comemorar a morte de Jonas Savimbi significará o mesmo que atear fogo aos milhões de paióis que cada angolano simpatizante da UNITA e de Savimbi significam.

altohama@clix.pt
23.03.2008
http://altohama.blogspot.com
http://www.orlandopressroom.com


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