O nosso país é visto de, mais ou menos, 10 milhões de maneiras distintas

O nosso país é visto de, mais ou menos, 10 milhões de maneiras distintas. As pessoas, na sua unicidade, assimilam o que se passa em frente às suas pupilas e, sequencialmente, definem as suas perspectivas e posições sociais. Como é lógico, nem sempre há um espaço físico para expormos aquilo que entendemos como ideal para determinada situação. Todavia, a capacidade inata de opinar, ainda que apenas como exercício reflexivo, deve ser estimulada. Julgo, por conseguinte, ser fulcral que cada um de nós seja comentador e analista da sociedade de que é contemporâneo.

Por Arménio Carvalho dos Santos

Está em voga o conceito de Jornalismo do Cidadão que é muitas vezes, e mal, confundido com Jornalismo de Opinião. Se no primeiro caso, a actividade jornalística presume uma maior iniciativa por parte dos jornalistas insapiens da caneta e da imperial, o segundo surge como a plataforma interpretativa do jornalista. Considero, ainda, que a espécie jornalística deve comportar esta vertente como fundamental, uma vez que um jornalista sem capacidade crítica, e eu conheço alguns, é como uma mulher sem menstruação. Ou seja, e para que todos compreendam a analogia, é algo que por vezes chateia e causa náuseas, mas que define e distingue o género!

A objectividade só existe nos livros e nas mulheres frígidas. Dizem os doutos que, no entanto, se deve procurar incessantemente a mesma. Eu acredito neles. Primeiro porque são doutos e depois porque a susceptibilidade no jornalismo já é tão grande que se tornaria incomportável estabelecer limites para a incoerência e fundamentalismos.

Para mim, sonhador burro que sonha com a burrice de ser jornalista, o desabafo não pode ser confundido com o opinativo, se bem que alguns comentadores-jornalistas o fazem muitas vezes.

Tem que haver uma linha que oriente o nosso discurso e alguma técnica que o emoldure. Não há notícia sem o gene humano, mas o gene humano para o jornalista, como para a medicina ou marcenaria, tem de ser estucado, refinado, enfim, jornalizado. Por isso, não se faça do jornalismo uma “casa da mãe Joana” em que não há estatutos nem consumos mínimos obrigatórios.

Quem quer ser advogado licencia-se em Direito. Quem quer ser enfermeiro licencia-se em enfermagem. Quem quer ser jornalista licencia-se! Em letras ou em Desporto, tanto faz. E, sendo coerente em relação às diferenças geracionais, ainda há extremos em que o Ensino Secundário é suficiente para se assinar artigos e, quiçá, ganhar um Pulitzer. Senão, veja-se: uma pessoa com curso superior, que não um ligado ao Jornalismo, pode ter Carteira Profissional após 18 meses de trabalho remunerado. Eu, por exemplo, com o curso de Ciências da Comunicação tenho de cumprir 12 meses.

Fazendo as contas, um arqueólogo só necessita de 6 meses para atingir a educação jornalística que eu alcancei em 36. A mesma equação serve para quem não frequentou uma formação específica e alcança a CP, ao fim de 3 anos, em que o tempo e a qualidade do trabalho são sempre relativos.

Em suma, a modéstia dos actores do jornalismo não se pode engrandecer perante os agentes legisladores. Se há a Comissão da Carteira e a Entidade Reguladora da Comunicação Social, a fiscalização não pode, nem deve, apontar o dedo somente ao conteúdo. Para haver credibilidade urge que se leve a sério e se reveja o estatuto do Jornalista. Quero, por isso, ver o Jornalismo a ser avaliado, julgado até! Mas a um nível alto. A um nível científico que coloque os macacos no seu devido lugar.

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