O Povo Angolano, Angola, África de luto

 

Jonas Savimbi

O Povo Angolano, Angola, África e todos os que pugnam pelos ideais de liberdade e democracia no Mundo, estão de luto. Luto por diversas razões.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, tombou heroicamente em combate! Tombou heroicamente em combate o meu Presidente.

Tão heroicamente que as Forças Armadas de Angola (ou pelo menos parte delas) tiveram necessidade de O humilhar... mesmo depois de morto.

Trataram o meu Presidente como um cão raivoso, como um trofeu de caça. Até na morte Jonas Savimbi atemorizou os militares de José Eduardo dos Santos. Estivesse João de Matos no comando e nada disso teria acontecido. Os adversários, ou até mesmo os inimigos, merecem respeito. E isso não aconteceu. As FAA não humilharam Jonas Savimbi, humilharam uma grande parte do Povo Angolano.

A África perdeu um dos seus mais insignes filhos, cuja vida e obra O situam na senda dos arautos da História Africana como N'Krumahn, Nasser, Amílcar Cabral, Senghor, Boigny e Hassan II.

O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, o meu Presidente, tombou em combate ao lado das suas tropas e do Povo mártir, apanágio só concedido aos Grandes da História. Deixou-nos como maior e derradeiro legado a sua coragem e o consentimento do sacrifício máximo que pode conceder um combatente da liberdade, a sua Vida.

Fiel aos princípios sagrados que nortearam a criação da UNITA, o Dr. Savimbi, rejeitando sempre e categoricamente os vários cenários de exílios dourados, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou na sua Pátria querida. A ela tudo deu e nada tirou, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no estrangeiro.

Fisicamente o meu Presidente morreu. Fisicamente o meu Presidente foi humilhado. Mas uma coisa é certa. Não há exército que derrote, mate ou humilhe uma cultura, um povo, uma forma eterna de ser e de estar. Jonas Savimbi, o meu Presidente, continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma eterna de ser e de estar.

«Há coisas que não se definem - sentem-se». Foi isto que há 27 anos me disse, no Huambo, Jonas Malheiro Savimbi.

É isto que José Eduardo dos Santos nunca compreendeu. A UNITA não se define - sente-se. Jonas Malheiro Savimbi não se define - sente-se.
Angola não se define - sente-se.

E porque se sente, e não há maneira de matar o que se sente, é que Jonas Malheiro Savimbi, o meu Presidente, continuará vivo. Vivo no esforço pela paz em Angola, vivo pela dignificação dos angolanos, vivo pela liberdade, vivo pela coerência... vivo porque os heróis não morrem nem são humilhados.

Obrigado Presidente

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Commentaires (6)

1. Ayres Guerra Azancot de Menezes 25/01/2012

Ayres Sacramento de Menezes estava para ser deportado para ilha do Sal quando o Senhor Monteiro de Mendonça, ricalhaço que vivia numa vivenda da Rua Tomas da Fronteira em Lisboa e que alterou o percurso do navio que o levaria para a ilha do Sal.
Ele mandou alterar a rota do navio que levava o Ayres Sacramento de Menezes para deportação para ilha do Sal.
Ayres Sacramento de Menezes veio para Portugal aos 11 anos mandado pelo seu tio, sócio do Henrique de Mendonça que vivia na Rua Marquês da Fronteira no topo de El Corte Inglês.
Ayres Sacramento de Menezes foi discípulo do professor Francisco Gentil com quem praticou cirurgia depois de ter regressado de Moçambique onde foi médico miliciano.
Ayres Sacramento de Menezes é indicado pela população para deputado e essa opinião é desacordada pelo governador e é encerrada a liga e foi nomeado um governador para São Tomé.
Ayres Sacramento de Menezes promoveu a formação de uma escola de enfermagem para muitos nacionais.
Portugal deveria pedir desculpas aos descendentes do Dr. Ayres Sacramento de Menezes pelas barbaridades cometidas na sua própria terra.
O governador é colocado a bordo pela população nativa e Ayres Sacramento de Menezes é colocado para ilha do Sal.
E a bordo Ayres Sacramento de Menezes consegue contactar o padrinho Henrique de Mendonça economista e sócio da Companhia Nacional /Colonial que alterou o rumo/rota do barco que vem primeiro acostar a Lisboa em vez da Ilha do Sal no cais de Lisboa.
O senhor Henrique de Mendonça vem espera-lo a bordo e desembarca-o.
Ayres Sacramento de Menezes ficou sem vencimento e trabalha durante dois anos.
Depois de várias exposições e influências é mandado para Angola e impedido de descer em São Tomé que lhe preparava uma recepção.
Estávamos em 1931 e que só tiveram permissão para ir a bordo a mãe do Dr. Ayres Sacramento, Maria Alves, a esposa Aida Azancot de Menezes, filhos Manuel Pedro Azancot de Menezes, Jacob Azancot de Menezes, Maria Antonieta Azancot de Menezes e Hugo José Azancot de Menezes que tinha 4 anos naquela altura.
A esposa Aida Ramos Azancot de Menezes e os filhos juntaram-se seis meses depois ao Dr. Ayres Sacramento de Menezes n Chibia que ficava a 40 km do Lubango na província da Huila.
Ayres Sacramento de Menezes ministrava ginástica e treinava futebol e iniciava a formação de atletas.
Escrito aos 25/02/2012 por:
Ayres Guerra Azancot de Menezes

2. meireles (site web) 29/07/2008

Escrito por:
(Ayres Guerra Azancot de Menezes)

A formalização do MLSTP COMO MOVIMENTO QUE INICIALMENTE SE INTITULAVA CLSTP FOI MUITA MAL EXPLICADA E HISTORICAMENTE FALSEADA.
Toda esta estratègia foi programada a partir do Ghana Pelo Dr Hugo de Menezes, Dr Tomas Medeiros Dr Guadalupe de Ceita e Onet pires e existia um plano que foi desvirtuado e executado por um outro grupo que apossou-se da sua paternidade.
Pois o Dr Tomas Medeiros e outros intelectuais têm outras versões mais coerentes e testemunhos escritos que em breve sairão para desvendar as mentiras da historia.

3. meireles (site web) 29/07/2008




(CARTA PERTENCENTE AO ESPOLIO DO DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES,UM DOS FUNDADORES DO MPLA).

Ao Comité Director do M.P.L.A.

BRAZZAVILLE


Brazzaville,11 de Agosto de 1972


Prezados camaradas


Durante os últimos quatro anos, procurei dar a minha modesta
Contribuição à luta de libertação do povo Angolano ,como militante
Médico do MPLA. Mas a usura ( Física e sobretudo Psíquica ) provocada por estes quatro anos de permanência em DOLISIE, talvez de
Certo modo aliada aos 45anos que se aproximam , reduziram em muito a
Minha capacidade de luta e de trabalho; presentemente ,sinto-me incapaz
De dar ao MPLA toda a contribuição que a luta exige de um militante activo.
Continuando - Se a isso for autorizado pela Direcção do Movimento - como membro do MPLA, ao qual gostaria de poder dar uma contribuição
,ainda que ,de agora em diante limitada ,procurarei trabalhar como médico ,fora da organização ,retomando contactos de há muito perdidos com a medicina.

Queiram aceitar ,prezados camaradas ,as minhas melhores saudações.


HUGO DE MENEZES











4. meireles 04/02/2008

O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário.
Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.
Neste pais, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a casa dos estudantes do império juntamente com Mário Pinto de Andrade ,Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.
Em janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo( então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué),George Houser ( director executivo do Américan Commitee on África),Alão Bashorun ( defensor de Naby Yola ,na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais9, Felix Moumié ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões),Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.
Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez( actualmente embaixador do Congo em Paris),o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris( Naby Yola).
A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa.
Desta forma ,Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.
Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC , com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.
Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore ,hoje Holden Roberto , com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos.
De regresso ao pais que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA ( fundada a organização das mulheres angolanas ) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara ,Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida ( esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe).
A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .


Na residência de Hugo, noites e dias árduos ,passados em discussões e trabalho… nasce o MPLA ( movimento popular de libertação de Angola).
Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA ,possuindo Menezes o cartão nº 6,sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA .
De todos ,é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.
Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR ( centro voluntário de assistência aos Angolanos refugiados).

Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês.
Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana ) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha.

Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana , Armando Entralgo Gonzales.
Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português ,e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola.

Em 1966´é criada a CLSTP (Comité de libertação de São Tomé e Príncipe ),sendo Hugo um dos fundadores.

Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto. Nesta sequência ,Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana .Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo.
Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a república popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial á Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração.

Em 1968,Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases ,no interior do território Angolano, onde é alcunhado “ CALA a BOCA” por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio.

Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas.

Saturado dos conflitos internos no MPLA ,aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência ,em 1972 parte para Brazzaville.

Em 1973,descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna ,foi ,com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros ,signatários do « Manifesto dos 19», que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa.
Em 1974 entra em Angola ,juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis ( Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto ,um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias).

Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos .

Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional ,dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios.

Em 1992 participa na formação do PRD ( partido renovador democrático).
Em 1997-1998 é diagnosticado cancro.

A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.

5. antonio oliveira-II 18/08/2007

Jonas Savimbi morreu.
José Eduardo dos Santos e este MPLA, não estiveram à altura daquele Combatente .
Aliás aquela dupla também não está á altura dos verdadeiros herois de Angola; os combatentes anónimos que sofreram as agruras da luta no mato e do povo que passou e continua a passar as maiores privações.

6. antonio oliveira 18/08/2007

Jonas Savimbi, não esteve (para mim) à altura
de Agostinho Neto ou Amilcar Cabral, verdadeiros ícones das lutas dos povos africanos. Como ex-combatente respeito a sua memória, o respeito que é devido a todos os que lutam por um ideal, mesmo que não estejamos de acordo com as suas ideias.
Como ex-combatente repugnou-me, senti NOJO, pela forma cobarde como aquele Combatente foi tratado depois de morto.

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