Resultados são "assustadores para a democracia", diz José Eduardo Agualusa

Resultados são "assustadores para a democracia", diz José Eduardo Agualusa

ImageLisboa - O jornalista e escritor angolano José Eduardo Agualusa defendeu hoje que os resultados das eleições legislativas de sexta-feira em Angola são "assustadores para a democracia", com o espectro de um "pensamento político único" nos próximos anos.

Em declarações por telefone à Agência Lusa, Agualusa considerou que os resultados, apontando para uma vitória do MPLA com mais de 80 por cento, representam "um regresso ao partido único", com a desvantagem de, agora, ser legitimado pelo voto.

"Os resultados são assustadores e preocupantes. É um regresso ao partido único, só que através do voto. Não há democracia sem oposição. Não há correntes de pensamento no Parlamento, por excelência, a casa da discussão democrática", sublinhou Agualusa desde Bruxelas, onde participa, quinta-feira de manhã, num evento promovido pelo Parlamento Europeu.

Sobre esta questão, o porta voz do MPLA recusou hoje a possibilidade de a esmagadora vitória alcançada nas eleições legislativas de sexta-feira poder levar a um sistema virtual de partido único em Angola.

Respondendo aos jornalistas depois da declaração de vitória nas legislativas, o porta voz do MPLA, Norberto dos Santos "Kawata Kanawa", fez a comparação com a Europa, "onde as vitórias alargadas não conduzem a regressos dos partidos únicos", garantindo que "em Angola também será assim".

José Eduardo Agualusa, mostrando-se também "extremamente preocupado" com a pressa do reconhecimento da validade dos resultados, comparou, sem os pôr em causa, com uma eventual situação idêntica registada em Portugal ou noutro qualquer país europeu.

"Não acredito que ninguém ficasse preocupado. Os comentadores e jornalistas debateriam tudo até à exaustão. Só que é Angola... O resultado das eleições é um revés para a democracia e um pouco assustador. A grandeza da democracia está na diversidade de opinião e não na pobreza de pensamento", sustentou, aludindo ao facto de o futuro Parlamento angolano perder várias forças políticas.

Nesse sentido, Agualusa não deu qualquer importância ao facto de as principais forças da oposição ao MPLA não se terem unido em torno de um só objectivo, derrubar o partido no poder desde a independência, em 1975, defendendo que cada partido "tem a sua visão política".

"A oposição não tinha de se juntar, uma vez que cada partido tem a sua visão. Não concordo com essa ideia" de unificação da oposição para combater o poder do MPLA, explicou o jornalista e escritor angolano, lembrando que o Parlamento saído das eleições de 1992, as primeiras, era mais equilibrado.

De acordo com os últimos resultados, ainda provisórios, o MPLA tem mais de 80 por cento dos votos, enquanto a UNITA, principal partido da oposição, aparece em segundo lugar mas apenas com pouco mais de dez por cento dos votos.

Fonte:Lusa/Fim

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