SAVIMBI CONTINUARÁ A SER A NOSSA LUZ - DOMINGOS MALUCA

SAVIMBI CONTINUARÁ A SER A NOSSA LUZ - DOMINGOS MALUCA

Com as eleições marcadas para Setembro próximo, o Cruzeiro do Sul conversou com Domingos Maluca (na foto). O vice-presidente da bancada parlamentar da UNITA confiante que está numa vitória…clara, não poupou críticas ao seu principal rival. Advoga que a população está cansada do Governo do MPLA. Falou de Hossi e de Valentim. Com outras novidades pelo caminho.

Com as eleições marcadas para Setembro próximo, o Cruzeiro do Sul conversou com Domingos Maluca (na foto). O vice-presidente da bancada parlamentar da UNITA confiante que está numa vitória…clara, não poupou críticas ao seu principal rival. Advoga que a população está cansada do Governo do MPLA. Falou de Hossi e de Valentim. Com outras novidades pelo caminho.

Acredita nesta frase já muito batida: “Se as eleições fossem hoje o partido…”

A frase certa é: se as eleições fossem amanhã, o MPLA não ganharia. E a UNITA está a trabalhar neste sentido.

Prevê isso?

Acredito piamente.

Acredita então nas sondagens?

Nenhum político deve ignorar as sondagens. Mas, mais do que as sondagens, é o contacto que deve ser mantido com o público; é olharmos nos olhos dos angolanos, apertar a mão as pessoas. Eu, que ando pelo país, sinto que o país quer mudar. E essa necessidade de se mudar, fazendo com que o próprio MPLA perca, vem dentro do próprio MPLA, porque as pessoas estão fartas de tanta miséria, tanta desgovernação.

Sondagens leva-as o vento, eleições é que é. Não pensa assim?

Sondagens são sondagens. Há sondagens que falham, é verdade. Mas é necessário sublinhar que as sondagens que dizem: “se as eleições fossem hoje a UNITA ganharia ou o MPLA perderia”, são confirmadas no terreno. Quero acrescentar que nós não ficamos nos gabinetes, andamos pelo país, andamos pelos municípios; falamos com as pessoas, olhamos para elas, vamos às casas delas para ver onde está a miséria. Conclusão: elas todas têm um sentimento de mudança e esta mudança será feita nas próximas eleições em Setembro.

A UNITA tem -se mostrado muito confiante.

A nossa confiança decorre das orientações que temos do nosso presidente e, também, do trabalho colectivo que temos vindo a fazer por todo o país. Hoje, já não estamos a falar apenas pelos militantes, mas também pelos angolanos que sentem a necessidade da mudança. Olhe, se falar com um militante do MPLA, ou mesmo com um dirigente do mesmo partido ele dirá igualmente que está farto.
 
Curioso é que ninguém do MPLA veio a público dizer o que o senhor está a dizer.

Naturalmente. Têm algum receio de vir a público expressar esse sentimento, mas em off dizem-nos.

Quer avançar nomes que tenham manifestado esse sentimento dentro do MPLA?

Se avançar nomes estas pessoas vão ter dificuldade. Posso dizer-vos apenas que são pessoas pesadas como se diz. Não usamos o termo tubarões, mas são pessoas com algum poder dentro do MPLA.

A ideia que fica é que teme o MPLA?

O MPLA é um rival. É um partido com 32 anos de poder que criou raízes. Tem dinheiro, tem recurso. Aliás, até diz que os quadros são dele. Para nós os quadros são do país. Mas não há reino que não caia.

Quem será o grande adversário da UNITA nas eleições de Setembro?

O nosso grande adversário político é a abstenção. Porque há sectores que estão a mobilizar as pessoas para não votarem. Quando MPLA diz as populações para não falarem mais da UNITA; quando se ouve o discurso de um activista do MPLA não é mais do que intimidar o eleitorado. E abstenção só beneficia o MPLA. Como já disse o nosso trabalho não é de gabinete. Nós andamos pelas ruas…

Nunca o vi andar a pé?

Que pena, mas tenho andado. Quando vou ao mercado São Paulo, à Samba, ao Kibamba Kiaxi, ando a pé. Olhe, estive agora em Benguela e andei muito a pé.

Samakuva fala em coligações?

Se o termo coligação existe é porque ele pode ser praticado. O importante é que as coligações sejam feitas. Todavia, é importante que os partidos que se coligarem com os mais fortes ou com os mais fracos não percam a identidade.

Já há partidos dispostos a fazerem coligações com a UNITA?

Neste momento estamos a fazer aquilo que se chama trabalho de bastidores. Isto é, os contactos estão a ser feitos com os líderes dos partidos. Tão logo se concretize as alianças pretendidas, a UNITA dará a conhecer em conferências de imprensa.


Quero lembrar-lhe que a UNITA não foi feliz em 1992 com as coligações. Nesse ano, Savimbi estabeleceu alianças com três pequenos partidos bacongos. Mas foi um fracasso. Provavelmente porque nenhum dos principais dirigentes do galo negro era natural da região, escreveu-se na altura?

1992 é o passado.

A UNITA não se importa com o passado?

Claro que se importa. Nós temos que aprender com o passado para melhorar o presente e o futuro. Temos estado a ler o que aconteceu nesse ano e vamos tirar lições que nos permitam ter eleições organizadas, partidos bem estruturados e coligações que consigam remover o MPLA com 32 anos no poder e sem soluções para o país.

Hoje já não há zona tradicionalmente do MPLA. Não lhe preocupa o comportamento previsível do eleitorado em zonas historicamente de influência do MPLA?

Hoje já não há zonas tradicionalmente do MPLA.

Como assim? Acha, então, que Malange, Kwanza Norte e Sul, Luanda, só para exemplificar, províncias em que, em 1992, a UNITA perdeu para o MPLA não podem ser consideradas zonas tradicionalmente do partido dos camaradas?

Volto a repetir que o trabalho que estamos a fazer, ajudado pela desgovernação que MPLA pratica, leva-nos a concluir que hoje já não há zona tradicionalmente do MPLA. Hoje há zonas de angolanos que querem a mudança.

E Benguela, zona de maioria umbundu, a etnia de Jonas Savimbi, que manteve sempre alguma distância em relação à UNITA.

Não é pela via de grupos étnicos que nos estamos a seguir. Mas deixe-me dizer-vos que em 1992 ganhamos em Benguela. Elegemos três deputados contra dois do MPLA.

Durante a campanha eleitoral, a UNITA vai apresentar caras novas, ou conhecidas, mas entretanto longe dos holofotes? Por exemplo, Vitorino Hossi...

(Risos). Na campanha vão surgir caras antigas e novas, porque estamos num amplo movimento nacional para mudança. Esperem para ver!

Savimbi fará falta? Em 1992 foi melhor que a UNITA.

O dr. Savimbi há-de fazer sempre falta, porque é a nossa luz.

E Jorge Valentim, um tribuno nato, vai fazer falta?

Nós temos estatutos e regulamentos. Quem os violar tem que se retratar publicamente, para depois ser analisado o processo que o levou a ser expulso do partido.

Tem percorrido o país e ouvido as pessoas. Quais são os sentimentos da população?

As pessoas estão muito queixosas e fartas. Atribuem responsabilidade à gestão do MPLA. Muitos  dos problemas que Angola tem devem-se exclusivamente à falta de soluções para os resolver. Porém, constato com alguma tristeza o facto de as pessoas mais idosas estarem conformadas e descrentes com a situação, o que não pode acontecer.

E quanto aos jovens?

Estes querem a mudança. Há jovens médicos, professores universitários, engenheiros que têm receio de manifestar, abertamente, o seu descontentamento. Pois, foi o MPLA que lhes deu casa e carro e não querem perder tudo isso. Pior ainda: receiam perder o emprego.

Caso a UNITA vença, quais serão as medidas prioritárias?

A UNITA tem uma carta que o nosso presidente fez aos quadros, onde é possível encontrar as bases estruturantes do nosso programa de governação.

E que medidas a UNITA preconiza para a saúde?

Está tudo nesta carta.

Mas preferimos ouvir da sua boca.

Claro. Quanto a Saúde, a política é: saúde para todos. Apostaremos mais seriamente na melhoria do sistema nacional de saúde; faremos com que ela chegue ao mais recôndito canto do país; com que ela chegue ao último cidadão, àquele que está lá na chamada Angola profunda. Faremos também com que a saúde não seja tão cara como hoje.
 
Há obras fundamentais a fazer, é isso?

Fazem falta os hospitais especializados, infra-estruturas, centros médico e postos de saúde nas povoações. Há obras que estão programadas há muitos anos e não avançam.

Já ouvimos muito contra o partido no poder, mas ainda não falou do que ele mais o critica…

O MPLA não deve nem pode criticar a UNITA, porque o programa do Governo lhe pertence. É o MPLA que tem de assumir as falhas e o desempenho da governação.

Uma das críticas ao MPLA relaciona-se, então, com o que prometeu e não concretizou…

Não só. Passam também pelo clientelismo.

Como assim?

Por exemplo, as privatizações daquilo que é público estão a ser feitas sem transparência. No caso concreto do Canal 2, que se está a passar para um grupo privado é vital haver um concurso público. Estamos a ser a voz dos cidadãos anónimos que dizem que não se pode transferir, de forma irresponsável, aquilo que é do erário público a determinadas famílias. Alguém dizia hoje que Angola não é uma quinta da mãe Joana.

Caso a UNITA vença, o GURN manter-se-á?

Bem. Vamos avaliar, na altura da consagração da vitória, o clima político e, só depois, tomaremos uma decisão. Neste momento, o GURN é para ser mantido.

 


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