Turbulência na reunião da Conselho Nacional do Povo de Cabinda

Turbulência na reunião da Conselho Nacional do Povo de Cabinda
Nkoto Likanda reúne em Paris
Paris - O Nkoto Likanda, denominação em ibinda para Conselho Nacional do Povo de Cabinda, vai reunir de 30 de Julho a 1 de Agosto nos arredores de Paris num momento em que o movimento nacionalista Cabinda atravessa uma das maiores crises das últimas duas décadas.

Uma ocasião que servirá a Nzita Tiago (na foto), 80 anos, presidente da FLEC, de tentar consolidar o poder no movimento.

«Todos sabem que nunca pretendi ser o Presidente de Cabinda», afirmou Nzita Tiago quando celebrou o seu octogésimo aniversário, 14 de Julho, ironizando sobre as disputas pelo poder no movimento preside há 44 anos, e sublinha: «não aceito que andem para aí a falar em meu nome», fazendo alusão a um cisma que vive a Frente de Libertação do Enclave de Cabinda, FLEC.

A actual reunião do Nkoto Likanda tem como principal objectivo, segundo a convocatória, a reflexão sobre o «projecto, organização e sua gestão (liderança, objectivos, estruturação do projecto e funcionamento da organização) numa perspectiva de curto, médio e longo prazo», mas serão debatidas «propostas de alterações estruturais dos órgãos e dos textos da Organização», o que sugere que fortes alterações, até mesmo expulsões, no organigrama da FLEC podem vir a ser anunciadas no final do Nkoto Likanda.

O Nkoto Likanda é uma assembleia que foi criada em Agosto de 2004 na Holanda, durante a reunião intercabindesa que resultou nos Acordos de Helvoirt que originaram a fusão dos dois principais movimentos da luta armada em Cabinda, FLEC/FAC, então presidida por Nzita Tiago, e a FLEC Renovada liderada por Bento Bembe, em torno de um só movimento denominado apenas como FLEC.

Na mesma ocasião duas estruturas nascem com objectivos distintos. O Fórum Cabindês para o Dialogo, FCD, com a competência de preparar negociações com Angola e encontrar uma solução pacífica para o conflito, no qual Bento Bembe assume a presidência. O Nkoto Likanda, Conselho Nacional do Povo de Cabinda que congregaria cabindas e amigos de Cabinda, oriundos dos meios militares, civis e religiosos de todas as facções e tendências com o objectivo de estabelecer politicas e estratégias comuns e desbloquear as eventuais situações de crise interna que pudessem por em risco a unidade.

Todavia os primeiros sinais de cisão surgem poucos meses após a fusão das FLEC’s. Os fiéis de Nzita Tiago, presidente da recém-unificada FLEC, acusam «altos membros» da ex FLEC Renovada de estarem a negociar secretamente com Angola em Brazzaville, capital da Republica do Congo. O incidente foi ultrapassado, mas revelou que na FLEC os dois campos, FLEC/FAC e FLEC Renovada, continuavam de costas voltadas e a «fusão» era virtual. No seio dos militares a «unidade» dois movimentos nunca «passou do papel» como confirmou o comandante Carlos Luemba à PNN.

A primeira cisão efectiva surgiu com António Bento Bembe, então secretário-geral da FLEC e presidente do FCD, que várias vezes denunciara os «métodos angolanos para provocar divisões», tornando-se numa das suas vítimas.

Após a captura de Bento Bembe na Holanda, na sequência de um mandato de captura internacional emitido pelos EUA, o presidente do FCD foi julgado por um tribunal de Haia que decidiu «estudar» o pedido formulado por Washington de extradição de Bento Bembe. Durante um período de pena suspensa, Bento Bembe, contrariando as condições impostas pelos juízes holandeses, decidiu abandonar o país e regressar a África clandestinamente, onde inicia imediatamente conversações directas com Luanda à revelia de Nzita Tiago e dos antigos fiéis da FLEC/FAC.

A cisão é um facto. A FLEC expulsa Bento Bembe, Nzita Tiago na qualidade de presidente da FLEC retira ao seu ex secretário-geral da presidência do FCD. Uma medida à qual Bento Bembe é indiferente e juntamente com os seus fiéis, oriundos da FLEC Renovada, prossegue «negociações» directas com Luanda, estas fortemente contestadas pelos principais círculos cabindas no enclave e no exterior. A destituição de Bento Bembe seguira os trâmites definidos nos acordos de Helvoirt, decidida durante uma reunião extraordinária do Nkoto Likanda que foi replicada imediatamente por um um simulacro Nkoto Likanda paralelo composto por fieis de Bento Bembe. Ambos Nkoto Likanda contestaram reciprocamente as decisões finais.

Um ano após a assinatura do «cessar-fogo» e do Memorando de Entendimento, ME, entre Angola e os próximos de Bento Bembe, nenhum resultado concreto foi assinalado, e Luanda já começa a duvidar da viabilidade do ME e da credibilidade de Bento Bembe junto da população binda. Os combates prosseguem no enclave, e a resistência está activa provocando continuamente baixas nas Forças Armadas de Angola, FAA. Bento Bembe não conseguiu aglutinar as várias sensibilidades políticas cabindas, e a oposição ao ME é galopante. As situações mais críticas vividas no enclave, outrora muito criticadas por Bento Bembe quando presidente da FLEC Renovada, agravaram, especialmente a liberdade de expressão, repressão, violações dos direitos humanos e os ataques contra a igreja católica local.

No entanto, o cisma de Bento Bembe provocou uma situação crítica no seio da FLEC e dos nacionalistas, suscitando uma verdadeira «caça às bruxas» interna onde os alvos eram: quem seria supostamente «apoiante de Bento ou Nzita», causando fortes danos na credibilidade do movimento.

O mesmo fenómeno ressurge nas vésperas do próximo Nkoto Likanda entre «alguns elementos da direcção da FLEC na Europa» onde reciprocamente se acusam de «traição» e de «quererem ser presidente no lugar do presidente», utilizando a difamação como arma contribuindo directamente na deterioração da imagem do movimento na Europa.

Assim, o anúncio da reunião do Nkoto Likanda suscitou imediatamente fortes debates. Na sequência da convocatória emitida a 28 de Junho por Stéphane Barros Mang’ga, secretário nacional do Nkoto Likanda, Jacques Gieskes, secretário permanente do Bureau Politico da FLEC, reagiu lembrando que perante a grave crise vivida no seio do movimento seria oportuno reunir primeiro o Bureau Politico da FLEC o qual apresentaria as suas sugestões para serem debatidas no Nkoto Likanda, tal como ficara estabelecido no momento da criação do organismo. Uma posição que fica sem eco.

«O caso Bento Bembe deve ser encarado como uma má experiência, mas sobre a qual devemos reflectir para evitar mais cisões e desvios na FLEC» declarou fonte da PNN em Cabinda, o Nkoto Likanda deve ser «um instrumento de unidade» que dispõe dos mecanismos democráticos necessários para a «ultrapassar as crises internas» e travar «lutas pelo poder nefasta para o futuro do movimento». Segundo a mesma fonte, neste momento, «qualquer procedimento de exclusão na FLEC poderá ser fatal para o movimento» e sublinha que qualquer decisão do Nkoto Likanda deve estar em concordância e ter em consideração a «posição das personalidades civis e religiosas cabindesas, e principalmente dos militares que estão no terreno, assim como dos refugiados que também constitui uma parte importante do povo de Cabinda e raramente são directamente consultados».

Segundo os estatutos, qualquer reunião do Nkoto Likanda deverá ser composto pela FLEC, Sociedade Civil e a Igreja binda, perante a dificuldade de se conseguir agrupar num só local todos os seus elementos foi prevista uma reunião simultânea de quatro grupos regionais espalhados pelo mundo, onde deverá ser privilegiado o parecer do grupo regional de África e especialmente dos chefes militares que constituem a coluna vertebral da resistência.

Fone: PNN Portuguese News Network

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Commentaires (1)

1. vicente 20/12/2007

Je suis le jeune qui aime beaucoup nztita tiago comme un pere ou liberateur.
Et je voulais aussi avoir ses informations personnelles.
Merci beaucoup.

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