UNITA discute estratégia para a mudança política em Angola

: UNITA discute estratégia para a mudança política em Angola

 
debates redundaram num lavar
de roupa suja de baixo nível
Luanda - O X congresso da UNITA iniciado ontem, fixou a substituição do regime do MPLA como compromisso estratégico a alcançar nas próximas eleições legislativas previstas para 2008.

Cerca de 1500 delegados de todo o país vão proceder durante quatro dias à discussão do novo programa do ‘Galo Negro', vão definir a sua futura estratégia eleitoral e eleger uma nova direcção.

Isaías Samakuva, actual líder da UNITA desafiou, na abertura dos trabalhos, os congressistas a debruçarem-se sobre os novos rumos a seguir pelo partido para escolher "uma agenda estratégica para a mudança com base em politicas de governação mais eficazes" que as do MPLA.

Samakuva criticou ainda severamente "a cultura de hegemonia e de exclusão social" praticada pelo partido no poder que, acrescentou, "ao nível de todos os órgãos de soberania sem excepção utiliza fundos públicos para satisfazer fins pessoais dos seus dirigentes".

A intolerância política e a reinserção social dos ex-militares vão marcar igualmente a agenda desta reunião. O congresso foi precedido de uma intensa campanha eleitoral protagonizada pelo actual líder da UNITA, Isaías Samakuva e pelo candidato a sua sucessão, Abel Chivukuvuku.

Durante os debates, os dois candidatos envolveram-se em azeda troca de acusações, que acabaram por acentuar ainda mais as feridas que neste momento dividem a UNITA.

"Os debates redundaram num lavar de roupa suja de baixo nível e, pelo andar da carruagem, este congresso dificilmente a reunificará", disse um delegado.

Sintomático desse clima é a ausência notada em vários círculos de alguns dirigentes históricos do ‘Galo Negro' como Jorge Valentim e Eugénio Manuvakola, suspensos no ano passado pela direcção do partido num processo muito nebuloso.

"Vamos ter de quebrar algumas resistências passivas, esgrimir as nossas diferenças mas respeitar sempre a unidade no seio da UNITA", salientou, durante os trabalhos, Alcides Sakala, chefe da bancada parlamentar do ‘Galo Negro' e um dos apoiantes à reeleição de Isaías Samakuva.

Boicote da imprensa pública

A preparação deste X congresso da UNITA, que deve ainda aprovar a atribuição às mulheres de uma quota de 30 por cento para ocuparem lugares de direcção, foi, entretanto, alvo de um boicote generalizado dos órgãos de comunicação social públicos.

Dos vários debates promovidos pelas duas candidaturas, nenhum mereceu a cobertura da imprensa oficial.

"Não percebo por que razão ainda existem forças de bloqueio à divulgação das nossas actividades politicas que temendo os nossos exemplos de abertura e de pluralismo democrático e vendo fantasmas onde não existem, até a fixação de "outodoors" alusivos ao congresso por algumas artérias da cidade, vetaram", lamentou Fernando Heitor, deputado do Galo Negro.

"A UNITA está a dar uma lição de democracia para Angola e para África sendo que, agora, a alternância democrática aqui passa necessariamente por ela", sublinhou João Soares, o convidado estrangeiro mais aplaudido durante a sessão de abertura do congresso.

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