Nós, os africanos, nós os angolanos

Nós, os africanos, nós os angolanos -Virgílio Samakuva

Nós os africanos, e os angolanos não escapamos à regra, temos um problema que continua a afectar-nos fortemente. É que, quando um profissional angolano ou africano em geral, emigra e vai pedir emprego num país do Norte, ainda que seja comprovadamente competente, e incluso quando formado em escolas do Norte e portanto, sem mais necessidade da chamada "homologação" para o seu título, nunca vão dizer que, como tal técnico deixou o seu ambiente familiar, é diferente e deve ganhar mais do que o seu homólogo nacional desse país do Norte.
O que é habitual, é que se ele consegue ter tal trabalho, quanto muito, vão dizer-lhe que trabalhe, com os mesmos direitos e obrigações que outro trabalhador, cidadão do país do Norte, e nada mais. Considero isso minimamente correcto e justo.

Pelo contrário, quando um emigrante do Norte vem aos nossos países, ainda que seja um trabalhador medíocre, leva o título de "expatriado", "cooperante" etc., etc., para a seguir conferir-se-lhe casa, viatura, bilhete de avião para viagem ou viagens de férias etc., além de um salário muito superior ao do trabalhador nacional com as mesmas qualificações. Isso acontece não só em Angola, mas também em uns tantos países do nosso Continente.

Esse nosso defeito de discriminar os nossos trabalhadores de forma tão negativa dentro dos nossos próprios países e com a anuência das nossas elites dirigentes, essa falta de coragem de dizermos aos nossos parceiros do Norte que isso é uma violação flagrante de direitos de que eles se fazem acérrimos defensores nos seus próprios países, esse nosso gesto de complexo de inferioridade e de aceitação a esta nova forma de colonização, é um dos nossos grandes problemas.

É uma atitude que não só desencoraja trabalhadores nacionais competentes, como leva a juventude a encarar o futuro sem nenhuma perspectiva segura. É uma atitude que está na origem do drama que continua a assistir-se pelo Mundo fora e em particular na vizinha Europa, com o desembarque continuo de emigrantes clandestinos, muitos deles preciosos cérebros que fazem falta aos nossos países, mas que acabam mortos de fome e fadiga, pela longa marcha por vários países de trânsito através do Continente, quando não por afogamento na travessia do mar, ou mesmo, embora já raramente, nos centros da humilhação nos países receptores do Norte.

Quando um indivíduo vê as imagens de cadáveres retirados do mar, ou as de compatriotas que têm a fortuna de chegar vivos, mas exaustos e esqueléticos a esses sonhados eldorados europeus, só não retêm a respiração, quem não sente. Só não entendem o cenário como uma clara chamada de atenção aos governos dos nossos países, aqueles dirigentes que, só o são para si próprios. É um insulto à nossa própria dignidade, é um insulto à memória dos pais das nossas independências que, na medida da sua época, sonharam legar-nos uma África orgulhosa de si mesma, uma África muito diferente daquela que estamos a permitir-nos ver hoje. É um insulto que chega a ser nefasto para a imagem dos nossos próprios líderes actuais que, quando visitam o Norte e contrariamente ao que aparenta ser, são recebidos como tal, despindo-nos de todo aquele orgulho que teríamos, se se portassem correctamente, na defesa da dignidade das suas gentes.

Já vi um debate entre dirigentes de partidos políticos de um "país desenvolvido" onde um, acusava o outro "de se comportar mesmo como um presidente de um país do terceiro mundo", hoje eufemísticamente "país em vias de desenvolvimento". A um observador atento, não assusta uma afirmação dessas, consciente de como nos comportamos e de como estão orientadas as nossas relações internacionais. Existe um tal complexo Norte/Sul patente em vários exemplos e alimentado afinal, pelo descuido das nossas próprias lideranças. E se não fossem as riquezas existentes nos nossos países, nem sequer mereceríamos um olhar. Porquê? Porque olham já com desdém a um dirigente de uma república que sabem que controla o executivo, mas que confunde tudo e quer controlar também o legislativo e o judicial; um chefe que invade e trata todo o sistema económico e financeiro do seu país como propriedade privada; que não presta contas a nenhuma instituição da sua república; um presidente que se esquece do sofrimento do seu próprio povo, tudo isso tem como consequência, ser tratado da forma como os tratam. Como? Afinal, para que valem as limousines, para que vale toda a pompa e uma palmadinha nas costas do hóspede presidente do Sul em visita ao Norte quando, logo que este sai, saltam ao público frases como: ...te comporta mesmo como um presidente de um país do terceiro mundo? ..." Será isso um ponto de honra para nós?

Estamos hoje a queixar-nos que o nosso país está sendo invadido pelo novo imperialismo chinês, e neocolonizado por este e outros, em pleno século XXI. É que tanto as autoridades chinesas como outros, estão preocupados e procuram encontrar solução aos problemas dos seus cidadãos, que estejam dentro ou fora de suas fronteiras; que sejam livres ou provenientes de penitenciárias. Tanto, que em certos casos até nos enviam varredores como cooperantes, uma forma de dar de comer à sua gente. Todos os povos minimamente interessados à que os seus cidadãos tenham uma vida melhor, agem assim. O resto, não é problema deles. Cabe a quem recebe tal gente e sobretudo, se esquece dos seus.

Na maioria dos países por onde passei, observei que as autoridades se preocupam em primeiro lugar pelo emprego e bem-estar dos seus cidadãos. E não precisam de actuar de forma que se lhes acuse de xenófobos. Os próprios requisitos que impõem de forma generalizada, para a admissão em postos de trabalho, incluem já de forma ardilosa, as condições que na prática se traduzem no "primeiro, a minha gente", "segundo, a minha gente", "terceiro a minha gente" e "em quarto, os outros ... que sejam "bem-vindos". A articulação política de considerar o angolano em primeiro lugar, não foge, afinal às medidas políticas que todos seguem nos seus próprios países. Não vale a pena andarmos com tabus sobre a matéria, porque isso é assim.

É evidente porém que alguns africanos e os angolanos entre eles, em certos casos atravessam dificuldades nos países que lhes acolhem como imigrantes, mas quando estão no seu país, têm o mesmo cenário de abandono e exclusão, não lhes restando senão, deambular pelas urbes, sem trabalho, e sem nada para saciar a sua fome e a dos seus agregados. Triste realidade, quando festejamos 34 anos da nossa independência.

Se pensamos e sentimos alguma coisa pelo povo em nome do qual sempre falamos, cabe-nos proteger e dar um pouco de oportunidades também à esta nossa gente, sem as habituais discriminações da cor da pele, origem social ou camisola política. De contrário, os nossos jovens vão se encontrar com um duplo problema de, uma vez formados, não conseguirem um posto de trabalho nem o tratamento que merece a sua aptidão na sua própria terra, e enfrentar uma situação idêntica quando, desesperadamente tiverem que procurar trabalho fora do seu país.

Lembro-me ter lido e registado no passado mes de Julho, declarações feitas à LUSA, pelo Secretario Executivo da Central - Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) dando razão de ser à uma greve que protagonizavam na altura os trabalhadores da Soares da Costa, assim como as suas denuncias sobre o comportamento de muitas outras empresas que, segundo suas próprias palavras, pagavam 71 a 142 euros a trabalhadores angolanos que estão a erguer obras que geram milhões. Claro está que essas declarações só confirmam o que já é do conhecimento público em Angola, e põem a nu uma matéria de denúncia que merece o apoio de toda a sociedade angolana e em particular da classe trabalhadora. Esta é uma luta que se faz imperativa, se o angolano hoje desprezado, quiser ter um lugar à luz do Sol que o Criador colocou para todos os seus filhos e não só para os "predestinados". Se alguém perguntar quanto ganham os colegas "expatriados" dos nossos compatriotas dessas mesmas empresas, seguramente que não ganham 71 euros. É que...no que toca aos nossos amigos provenientes da UE, se ganhassem 71 euros, nem sequer embarcariam para Angola, uma vez que o salário mínimo interprofissional (obrigatório) que recebem nos seus países deve rondar os 500 euros para Portugal, os 630 euros para Espanha, para não mencionar os que roçam os 1 200 ou 1 300 euros/mês como a França ou a Bélgica respectivamente.
É tempo de compreendermos que se os chamados países desenvolvidos obtiveram e construíram o mundo tão atractivo em que vivem hoje; se os seus trabalhadores têm os salários mínimos (para nós chorudos) que já mencionamos, e os níveis e a esperança de vida melhores do que os nossos, isso foi, não só à custa do explorado nas terras das andanças dos seus conquistadores que mesmo assim, também tiveram que travar renhidas batalhas nas disputas entre exércitos das várias potências colonizadoras interessadas e que transportaram o seu botim muitas vezes sem ter em conta o justo e o injusto, mas também e sobretudo, à custa do trabalho reivindicativo árduo, que os trabalhadores organizados desses países tiveram que levar a cabo ao longo dos anos, junto dos seus próprios exploradores.
E a história nos revela que tanto nessa disputa entre as potências pelo controlo do espaço e do botim, como na busca de melhores condições de vida dos trabalhadores, sempre conseguiram o melhor, aqueles que foram mais intrépidos, mais corajosos, mais astutos, mais audazes e mais persistentes. Nunca, os que se resignaram ou que aceitaram os maus tratos e a exploração.
É por isso mesmo que, face a situação actual e tudo o que nos procuram impor, a começar por umas democracias a "terceiro mundo", os africanos e os angolanos em particular devem evitar sobretudo a resignação porque, aos 34 anos de independência, há razões para ser mais viva a esperança e a certeza de que apesar de tudo isso, para a nossa juventude, um dia melhor, sim, é possível.
Pela conquista de todos os nossos direitos, pela nossa dignidade, pela salvaguarda dos nossos interesses e por uma vida melhor num país que queremos democrático, pacífico e abrangente, avante trabalhadores angolanos. Nós, os africanos, nós os angolanos -Virgílio Samakuva

Nós os africanos, e os angolanos não escapamos à regra, temos um problema que continua a afectar-nos fortemente. É que, quando um profissional angolano ou africano em geral, emigra e vai pedir emprego num país do Norte, ainda que seja comprovadamente competente, e incluso quando formado em escolas do Norte e portanto, sem mais necessidade da chamada "homologação" para o seu título, nunca vão dizer que, como tal técnico deixou o seu ambiente familiar, é diferente e deve ganhar mais do que o seu homólogo nacional desse país do Norte.
O que é habitual, é que se ele consegue ter tal trabalho, quanto muito, vão dizer-lhe que trabalhe, com os mesmos direitos e obrigações que outro trabalhador, cidadão do país do Norte, e nada mais. Considero isso minimamente correcto e justo.

Pelo contrário, quando um emigrante do Norte vem aos nossos países, ainda que seja um trabalhador medíocre, leva o título de "expatriado", "cooperante" etc., etc., para a seguir conferir-se-lhe casa, viatura, bilhete de avião para viagem ou viagens de férias etc., além de um salário muito superior ao do trabalhador nacional com as mesmas qualificações. Isso acontece não só em Angola, mas também em uns tantos países do nosso Continente.

Esse nosso defeito de discriminar os nossos trabalhadores de forma tão negativa dentro dos nossos próprios países e com a anuência das nossas elites dirigentes, essa falta de coragem de dizermos aos nossos parceiros do Norte que isso é uma violação flagrante de direitos de que eles se fazem acérrimos defensores nos seus próprios países, esse nosso gesto de complexo de inferioridade e de aceitação a esta nova forma de colonização, é um dos nossos grandes problemas.

É uma atitude que não só desencoraja trabalhadores nacionais competentes, como leva a juventude a encarar o futuro sem nenhuma perspectiva segura. É uma atitude que está na origem do drama que continua a assistir-se pelo Mundo fora e em particular na vizinha Europa, com o desembarque continuo de emigrantes clandestinos, muitos deles preciosos cérebros que fazem falta aos nossos países, mas que acabam mortos de fome e fadiga, pela longa marcha por vários países de trânsito através do Continente, quando não por afogamento na travessia do mar, ou mesmo, embora já raramente, nos centros da humilhação nos países receptores do Norte.

Quando um indivíduo vê as imagens de cadáveres retirados do mar, ou as de compatriotas que têm a fortuna de chegar vivos, mas exaustos e esqueléticos a esses sonhados eldorados europeus, só não retêm a respiração, quem não sente. Só não entendem o cenário como uma clara chamada de atenção aos governos dos nossos países, aqueles dirigentes que, só o são para si próprios. É um insulto à nossa própria dignidade, é um insulto à memória dos pais das nossas independências que, na medida da sua época, sonharam legar-nos uma África orgulhosa de si mesma, uma África muito diferente daquela que estamos a permitir-nos ver hoje. É um insulto que chega a ser nefasto para a imagem dos nossos próprios líderes actuais que, quando visitam o Norte e contrariamente ao que aparenta ser, são recebidos como tal, despindo-nos de todo aquele orgulho que teríamos, se se portassem correctamente, na defesa da dignidade das suas gentes.

Já vi um debate entre dirigentes de partidos políticos de um "país desenvolvido" onde um, acusava o outro "de se comportar mesmo como um presidente de um país do terceiro mundo", hoje eufemísticamente "país em vias de desenvolvimento". A um observador atento, não assusta uma afirmação dessas, consciente de como nos comportamos e de como estão orientadas as nossas relações internacionais. Existe um tal complexo Norte/Sul patente em vários exemplos e alimentado afinal, pelo descuido das nossas próprias lideranças. E se não fossem as riquezas existentes nos nossos países, nem sequer mereceríamos um olhar. Porquê? Porque olham já com desdém a um dirigente de uma república que sabem que controla o executivo, mas que confunde tudo e quer controlar também o legislativo e o judicial; um chefe que invade e trata todo o sistema económico e financeiro do seu país como propriedade privada; que não presta contas a nenhuma instituição da sua república; um presidente que se esquece do sofrimento do seu próprio povo, tudo isso tem como consequência, ser tratado da forma como os tratam. Como? Afinal, para que valem as limousines, para que vale toda a pompa e uma palmadinha nas costas do hóspede presidente do Sul em visita ao Norte quando, logo que este sai, saltam ao público frases como: ...te comporta mesmo como um presidente de um país do terceiro mundo? ..." Será isso um ponto de honra para nós?

Estamos hoje a queixar-nos que o nosso país está sendo invadido pelo novo imperialismo chinês, e neocolonizado por este e outros, em pleno século XXI. É que tanto as autoridades chinesas como outros, estão preocupados e procuram encontrar solução aos problemas dos seus cidadãos, que estejam dentro ou fora de suas fronteiras; que sejam livres ou provenientes de penitenciárias. Tanto, que em certos casos até nos enviam varredores como cooperantes, uma forma de dar de comer à sua gente. Todos os povos minimamente interessados à que os seus cidadãos tenham uma vida melhor, agem assim. O resto, não é problema deles. Cabe a quem recebe tal gente e sobretudo, se esquece dos seus.

Na maioria dos países por onde passei, observei que as autoridades se preocupam em primeiro lugar pelo emprego e bem-estar dos seus cidadãos. E não precisam de actuar de forma que se lhes acuse de xenófobos. Os próprios requisitos que impõem de forma generalizada, para a admissão em postos de trabalho, incluem já de forma ardilosa, as condições que na prática se traduzem no "primeiro, a minha gente", "segundo, a minha gente", "terceiro a minha gente" e "em quarto, os outros ... que sejam "bem-vindos". A articulação política de considerar o angolano em primeiro lugar, não foge, afinal às medidas políticas que todos seguem nos seus próprios países. Não vale a pena andarmos com tabus sobre a matéria, porque isso é assim.

É evidente porém que alguns africanos e os angolanos entre eles, em certos casos atravessam dificuldades nos países que lhes acolhem como imigrantes, mas quando estão no seu país, têm o mesmo cenário de abandono e exclusão, não lhes restando senão, deambular pelas urbes, sem trabalho, e sem nada para saciar a sua fome e a dos seus agregados. Triste realidade, quando festejamos 34 anos da nossa independência.

Se pensamos e sentimos alguma coisa pelo povo em nome do qual sempre falamos, cabe-nos proteger e dar um pouco de oportunidades também à esta nossa gente, sem as habituais discriminações da cor da pele, origem social ou camisola política. De contrário, os nossos jovens vão se encontrar com um duplo problema de, uma vez formados, não conseguirem um posto de trabalho nem o tratamento que merece a sua aptidão na sua própria terra, e enfrentar uma situação idêntica quando, desesperadamente tiverem que procurar trabalho fora do seu país.

Lembro-me ter lido e registado no passado mes de Julho, declarações feitas à LUSA, pelo Secretario Executivo da Central - Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) dando razão de ser à uma greve que protagonizavam na altura os trabalhadores da Soares da Costa, assim como as suas denuncias sobre o comportamento de muitas outras empresas que, segundo suas próprias palavras, pagavam 71 a 142 euros a trabalhadores angolanos que estão a erguer obras que geram milhões. Claro está que essas declarações só confirmam o que já é do conhecimento público em Angola, e põem a nu uma matéria de denúncia que merece o apoio de toda a sociedade angolana e em particular da classe trabalhadora. Esta é uma luta que se faz imperativa, se o angolano hoje desprezado, quiser ter um lugar à luz do Sol que o Criador colocou para todos os seus filhos e não só para os "predestinados". Se alguém perguntar quanto ganham os colegas "expatriados" dos nossos compatriotas dessas mesmas empresas, seguramente que não ganham 71 euros. É que...no que toca aos nossos amigos provenientes da UE, se ganhassem 71 euros, nem sequer embarcariam para Angola, uma vez que o salário mínimo interprofissional (obrigatório) que recebem nos seus países deve rondar os 500 euros para Portugal, os 630 euros para Espanha, para não mencionar os que roçam os 1 200 ou 1 300 euros/mês como a França ou a Bélgica respectivamente.
É tempo de compreendermos que se os chamados países desenvolvidos obtiveram e construíram o mundo tão atractivo em que vivem hoje; se os seus trabalhadores têm os salários mínimos (para nós chorudos) que já mencionamos, e os níveis e a esperança de vida melhores do que os nossos, isso foi, não só à custa do explorado nas terras das andanças dos seus conquistadores que mesmo assim, também tiveram que travar renhidas batalhas nas disputas entre exércitos das várias potências colonizadoras interessadas e que transportaram o seu botim muitas vezes sem ter em conta o justo e o injusto, mas também e sobretudo, à custa do trabalho reivindicativo árduo, que os trabalhadores organizados desses países tiveram que levar a cabo ao longo dos anos, junto dos seus próprios exploradores.
E a história nos revela que tanto nessa disputa entre as potências pelo controlo do espaço e do botim, como na busca de melhores condições de vida dos trabalhadores, sempre conseguiram o melhor, aqueles que foram mais intrépidos, mais corajosos, mais astutos, mais audazes e mais persistentes. Nunca, os que se resignaram ou que aceitaram os maus tratos e a exploração.
É por isso mesmo que, face a situação actual e tudo o que nos procuram impor, a começar por umas democracias a "terceiro mundo", os africanos e os angolanos em particular devem evitar sobretudo a resignação porque, aos 34 anos de independência, há razões para ser mais viva a esperança e a certeza de que apesar de tudo isso, para a nossa juventude, um dia melhor, sim, é possível.
Pela conquista de todos os nossos direitos, pela nossa dignidade, pela salvaguarda dos nossos interesses e por uma vida melhor num país que queremos democrático, pacífico e abrangente, avante trabalhadores angolanos. Nós, os africanos, nós os angolanos -Virgílio Samakuva

Nós os africanos, e os angolanos não escapamos à regra, temos um problema que continua a afectar-nos fortemente. É que, quando um profissional angolano ou africano em geral, emigra e vai pedir emprego num país do Norte, ainda que seja comprovadamente competente, e incluso quando formado em escolas do Norte e portanto, sem mais necessidade da chamada "homologação" para o seu título, nunca vão dizer que, como tal técnico deixou o seu ambiente familiar, é diferente e deve ganhar mais do que o seu homólogo nacional desse país do Norte.
O que é habitual, é que se ele consegue ter tal trabalho, quanto muito, vão dizer-lhe que trabalhe, com os mesmos direitos e obrigações que outro trabalhador, cidadão do país do Norte, e nada mais. Considero isso minimamente correcto e justo.

Pelo contrário, quando um emigrante do Norte vem aos nossos países, ainda que seja um trabalhador medíocre, leva o título de "expatriado", "cooperante" etc., etc., para a seguir conferir-se-lhe casa, viatura, bilhete de avião para viagem ou viagens de férias etc., além de um salário muito superior ao do trabalhador nacional com as mesmas qualificações. Isso acontece não só em Angola, mas também em uns tantos países do nosso Continente.

Esse nosso defeito de discriminar os nossos trabalhadores de forma tão negativa dentro dos nossos próprios países e com a anuência das nossas elites dirigentes, essa falta de coragem de dizermos aos nossos parceiros do Norte que isso é uma violação flagrante de direitos de que eles se fazem acérrimos defensores nos seus próprios países, esse nosso gesto de complexo de inferioridade e de aceitação a esta nova forma de colonização, é um dos nossos grandes problemas.

É uma atitude que não só desencoraja trabalhadores nacionais competentes, como leva a juventude a encarar o futuro sem nenhuma perspectiva segura. É uma atitude que está na origem do drama que continua a assistir-se pelo Mundo fora e em particular na vizinha Europa, com o desembarque continuo de emigrantes clandestinos, muitos deles preciosos cérebros que fazem falta aos nossos países, mas que acabam mortos de fome e fadiga, pela longa marcha por vários países de trânsito através do Continente, quando não por afogamento na travessia do mar, ou mesmo, embora já raramente, nos centros da humilhação nos países receptores do Norte.

Quando um indivíduo vê as imagens de cadáveres retirados do mar, ou as de compatriotas que têm a fortuna de chegar vivos, mas exaustos e esqueléticos a esses sonhados eldorados europeus, só não retêm a respiração, quem não sente. Só não entendem o cenário como uma clara chamada de atenção aos governos dos nossos países, aqueles dirigentes que, só o são para si próprios. É um insulto à nossa própria dignidade, é um insulto à memória dos pais das nossas independências que, na medida da sua época, sonharam legar-nos uma África orgulhosa de si mesma, uma África muito diferente daquela que estamos a permitir-nos ver hoje. É um insulto que chega a ser nefasto para a imagem dos nossos próprios líderes actuais que, quando visitam o Norte e contrariamente ao que aparenta ser, são recebidos como tal, despindo-nos de todo aquele orgulho que teríamos, se se portassem correctamente, na defesa da dignidade das suas gentes.

Já vi um debate entre dirigentes de partidos políticos de um "país desenvolvido" onde um, acusava o outro "de se comportar mesmo como um presidente de um país do terceiro mundo", hoje eufemísticamente "país em vias de desenvolvimento". A um observador atento, não assusta uma afirmação dessas, consciente de como nos comportamos e de como estão orientadas as nossas relações internacionais. Existe um tal complexo Norte/Sul patente em vários exemplos e alimentado afinal, pelo descuido das nossas próprias lideranças. E se não fossem as riquezas existentes nos nossos países, nem sequer mereceríamos um olhar. Porquê? Porque olham já com desdém a um dirigente de uma república que sabem que controla o executivo, mas que confunde tudo e quer controlar também o legislativo e o judicial; um chefe que invade e trata todo o sistema económico e financeiro do seu país como propriedade privada; que não presta contas a nenhuma instituição da sua república; um presidente que se esquece do sofrimento do seu próprio povo, tudo isso tem como consequência, ser tratado da forma como os tratam. Como? Afinal, para que valem as limousines, para que vale toda a pompa e uma palmadinha nas costas do hóspede presidente do Sul em visita ao Norte quando, logo que este sai, saltam ao público frases como: ...te comporta mesmo como um presidente de um país do terceiro mundo? ..." Será isso um ponto de honra para nós?

Estamos hoje a queixar-nos que o nosso país está sendo invadido pelo novo imperialismo chinês, e neocolonizado por este e outros, em pleno século XXI. É que tanto as autoridades chinesas como outros, estão preocupados e procuram encontrar solução aos problemas dos seus cidadãos, que estejam dentro ou fora de suas fronteiras; que sejam livres ou provenientes de penitenciárias. Tanto, que em certos casos até nos enviam varredores como cooperantes, uma forma de dar de comer à sua gente. Todos os povos minimamente interessados à que os seus cidadãos tenham uma vida melhor, agem assim. O resto, não é problema deles. Cabe a quem recebe tal gente e sobretudo, se esquece dos seus.

Na maioria dos países por onde passei, observei que as autoridades se preocupam em primeiro lugar pelo emprego e bem-estar dos seus cidadãos. E não precisam de actuar de forma que se lhes acuse de xenófobos. Os próprios requisitos que impõem de forma generalizada, para a admissão em postos de trabalho, incluem já de forma ardilosa, as condições que na prática se traduzem no "primeiro, a minha gente", "segundo, a minha gente", "terceiro a minha gente" e "em quarto, os outros ... que sejam "bem-vindos". A articulação política de considerar o angolano em primeiro lugar, não foge, afinal às medidas políticas que todos seguem nos seus próprios países. Não vale a pena andarmos com tabus sobre a matéria, porque isso é assim.

É evidente porém que alguns africanos e os angolanos entre eles, em certos casos atravessam dificuldades nos países que lhes acolhem como imigrantes, mas quando estão no seu país, têm o mesmo cenário de abandono e exclusão, não lhes restando senão, deambular pelas urbes, sem trabalho, e sem nada para saciar a sua fome e a dos seus agregados. Triste realidade, quando festejamos 34 anos da nossa independência.

Se pensamos e sentimos alguma coisa pelo povo em nome do qual sempre falamos, cabe-nos proteger e dar um pouco de oportunidades também à esta nossa gente, sem as habituais discriminações da cor da pele, origem social ou camisola política. De contrário, os nossos jovens vão se encontrar com um duplo problema de, uma vez formados, não conseguirem um posto de trabalho nem o tratamento que merece a sua aptidão na sua própria terra, e enfrentar uma situação idêntica quando, desesperadamente tiverem que procurar trabalho fora do seu país.

Lembro-me ter lido e registado no passado mes de Julho, declarações feitas à LUSA, pelo Secretario Executivo da Central - Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) dando razão de ser à uma greve que protagonizavam na altura os trabalhadores da Soares da Costa, assim como as suas denuncias sobre o comportamento de muitas outras empresas que, segundo suas próprias palavras, pagavam 71 a 142 euros a trabalhadores angolanos que estão a erguer obras que geram milhões. Claro está que essas declarações só confirmam o que já é do conhecimento público em Angola, e põem a nu uma matéria de denúncia que merece o apoio de toda a sociedade angolana e em particular da classe trabalhadora. Esta é uma luta que se faz imperativa, se o angolano hoje desprezado, quiser ter um lugar à luz do Sol que o Criador colocou para todos os seus filhos e não só para os "predestinados". Se alguém perguntar quanto ganham os colegas "expatriados" dos nossos compatriotas dessas mesmas empresas, seguramente que não ganham 71 euros. É que...no que toca aos nossos amigos provenientes da UE, se ganhassem 71 euros, nem sequer embarcariam para Angola, uma vez que o salário mínimo interprofissional (obrigatório) que recebem nos seus países deve rondar os 500 euros para Portugal, os 630 euros para Espanha, para não mencionar os que roçam os 1 200 ou 1 300 euros/mês como a França ou a Bélgica respectivamente.
É tempo de compreendermos que se os chamados países desenvolvidos obtiveram e construíram o mundo tão atractivo em que vivem hoje; se os seus trabalhadores têm os salários mínimos (para nós chorudos) que já mencionamos, e os níveis e a esperança de vida melhores do que os nossos, isso foi, não só à custa do explorado nas terras das andanças dos seus conquistadores que mesmo assim, também tiveram que travar renhidas batalhas nas disputas entre exércitos das várias potências colonizadoras interessadas e que transportaram o seu botim muitas vezes sem ter em conta o justo e o injusto, mas também e sobretudo, à custa do trabalho reivindicativo árduo, que os trabalhadores organizados desses países tiveram que levar a cabo ao longo dos anos, junto dos seus próprios exploradores.
E a história nos revela que tanto nessa disputa entre as potências pelo controlo do espaço e do botim, como na busca de melhores condições de vida dos trabalhadores, sempre conseguiram o melhor, aqueles que foram mais intrépidos, mais corajosos, mais astutos, mais audazes e mais persistentes. Nunca, os que se resignaram ou que aceitaram os maus tratos e a exploração.
É por isso mesmo que, face a situação actual e tudo o que nos procuram impor, a começar por umas democracias a "terceiro mundo", os africanos e os angolanos em particular devem evitar sobretudo a resignação porque, aos 34 anos de independência, há razões para ser mais viva a esperança e a certeza de que apesar de tudo isso, para a nossa juventude, um dia melhor, sim, é possível.
Pela conquista de todos os nossos direitos, pela nossa dignidade, pela salvaguarda dos nossos interesses e por uma vida melhor num país que queremos democrático, pacífico e abrangente, avante trabalhadores angolanos. Nós, os africanos, nós os angolanos -Virgílio Samakuva

Nós os africanos, e os angolanos não escapamos à regra, temos um problema que continua a afectar-nos fortemente. É que, quando um profissional angolano ou africano em geral, emigra e vai pedir emprego num país do Norte, ainda que seja comprovadamente competente, e incluso quando formado em escolas do Norte e portanto, sem mais necessidade da chamada "homologação" para o seu título, nunca vão dizer que, como tal técnico deixou o seu ambiente familiar, é diferente e deve ganhar mais do que o seu homólogo nacional desse país do Norte.
O que é habitual, é que se ele consegue ter tal trabalho, quanto muito, vão dizer-lhe que trabalhe, com os mesmos direitos e obrigações que outro trabalhador, cidadão do país do Norte, e nada mais. Considero isso minimamente correcto e justo.

Pelo contrário, quando um emigrante do Norte vem aos nossos países, ainda que seja um trabalhador medíocre, leva o título de "expatriado", "cooperante" etc., etc., para a seguir conferir-se-lhe casa, viatura, bilhete de avião para viagem ou viagens de férias etc., além de um salário muito superior ao do trabalhador nacional com as mesmas qualificações. Isso acontece não só em Angola, mas também em uns tantos países do nosso Continente.

Esse nosso defeito de discriminar os nossos trabalhadores de forma tão negativa dentro dos nossos próprios países e com a anuência das nossas elites dirigentes, essa falta de coragem de dizermos aos nossos parceiros do Norte que isso é uma violação flagrante de direitos de que eles se fazem acérrimos defensores nos seus próprios países, esse nosso gesto de complexo de inferioridade e de aceitação a esta nova forma de colonização, é um dos nossos grandes problemas.

É uma atitude que não só desencoraja trabalhadores nacionais competentes, como leva a juventude a encarar o futuro sem nenhuma perspectiva segura. É uma atitude que está na origem do drama que continua a assistir-se pelo Mundo fora e em particular na vizinha Europa, com o desembarque continuo de emigrantes clandestinos, muitos deles preciosos cérebros que fazem falta aos nossos países, mas que acabam mortos de fome e fadiga, pela longa marcha por vários países de trânsito através do Continente, quando não por afogamento na travessia do mar, ou mesmo, embora já raramente, nos centros da humilhação nos países receptores do Norte.

Quando um indivíduo vê as imagens de cadáveres retirados do mar, ou as de compatriotas que têm a fortuna de chegar vivos, mas exaustos e esqueléticos a esses sonhados eldorados europeus, só não retêm a respiração, quem não sente. Só não entendem o cenário como uma clara chamada de atenção aos governos dos nossos países, aqueles dirigentes que, só o são para si próprios. É um insulto à nossa própria dignidade, é um insulto à memória dos pais das nossas independências que, na medida da sua época, sonharam legar-nos uma África orgulhosa de si mesma, uma África muito diferente daquela que estamos a permitir-nos ver hoje. É um insulto que chega a ser nefasto para a imagem dos nossos próprios líderes actuais que, quando visitam o Norte e contrariamente ao que aparenta ser, são recebidos como tal, despindo-nos de todo aquele orgulho que teríamos, se se portassem correctamente, na defesa da dignidade das suas gentes.

Já vi um debate entre dirigentes de partidos políticos de um "país desenvolvido" onde um, acusava o outro "de se comportar mesmo como um presidente de um país do terceiro mundo", hoje eufemísticamente "país em vias de desenvolvimento". A um observador atento, não assusta uma afirmação dessas, consciente de como nos comportamos e de como estão orientadas as nossas relações internacionais. Existe um tal complexo Norte/Sul patente em vários exemplos e alimentado afinal, pelo descuido das nossas próprias lideranças. E se não fossem as riquezas existentes nos nossos países, nem sequer mereceríamos um olhar. Porquê? Porque olham já com desdém a um dirigente de uma república que sabem que controla o executivo, mas que confunde tudo e quer controlar também o legislativo e o judicial; um chefe que invade e trata todo o sistema económico e financeiro do seu país como propriedade privada; que não presta contas a nenhuma instituição da sua república; um presidente que se esquece do sofrimento do seu próprio povo, tudo isso tem como consequência, ser tratado da forma como os tratam. Como? Afinal, para que valem as limousines, para que vale toda a pompa e uma palmadinha nas costas do hóspede presidente do Sul em visita ao Norte quando, logo que este sai, saltam ao público frases como: ...te comporta mesmo como um presidente de um país do terceiro mundo? ..." Será isso um ponto de honra para nós?

Estamos hoje a queixar-nos que o nosso país está sendo invadido pelo novo imperialismo chinês, e neocolonizado por este e outros, em pleno século XXI. É que tanto as autoridades chinesas como outros, estão preocupados e procuram encontrar solução aos problemas dos seus cidadãos, que estejam dentro ou fora de suas fronteiras; que sejam livres ou provenientes de penitenciárias. Tanto, que em certos casos até nos enviam varredores como cooperantes, uma forma de dar de comer à sua gente. Todos os povos minimamente interessados à que os seus cidadãos tenham uma vida melhor, agem assim. O resto, não é problema deles. Cabe a quem recebe tal gente e sobretudo, se esquece dos seus.

Na maioria dos países por onde passei, observei que as autoridades se preocupam em primeiro lugar pelo emprego e bem-estar dos seus cidadãos. E não precisam de actuar de forma que se lhes acuse de xenófobos. Os próprios requisitos que impõem de forma generalizada, para a admissão em postos de trabalho, incluem já de forma ardilosa, as condições que na prática se traduzem no "primeiro, a minha gente", "segundo, a minha gente", "terceiro a minha gente" e "em quarto, os outros ... que sejam "bem-vindos". A articulação política de considerar o angolano em primeiro lugar, não foge, afinal às medidas políticas que todos seguem nos seus próprios países. Não vale a pena andarmos com tabus sobre a matéria, porque isso é assim.

É evidente porém que alguns africanos e os angolanos entre eles, em certos casos atravessam dificuldades nos países que lhes acolhem como imigrantes, mas quando estão no seu país, têm o mesmo cenário de abandono e exclusão, não lhes restando senão, deambular pelas urbes, sem trabalho, e sem nada para saciar a sua fome e a dos seus agregados. Triste realidade, quando festejamos 34 anos da nossa independência.

Se pensamos e sentimos alguma coisa pelo povo em nome do qual sempre falamos, cabe-nos proteger e dar um pouco de oportunidades também à esta nossa gente, sem as habituais discriminações da cor da pele, origem social ou camisola política. De contrário, os nossos jovens vão se encontrar com um duplo problema de, uma vez formados, não conseguirem um posto de trabalho nem o tratamento que merece a sua aptidão na sua própria terra, e enfrentar uma situação idêntica quando, desesperadamente tiverem que procurar trabalho fora do seu país.

Lembro-me ter lido e registado no passado mes de Julho, declarações feitas à LUSA, pelo Secretario Executivo da Central - Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) dando razão de ser à uma greve que protagonizavam na altura os trabalhadores da Soares da Costa, assim como as suas denuncias sobre o comportamento de muitas outras empresas que, segundo suas próprias palavras, pagavam 71 a 142 euros a trabalhadores angolanos que estão a erguer obras que geram milhões. Claro está que essas declarações só confirmam o que já é do conhecimento público em Angola, e põem a nu uma matéria de denúncia que merece o apoio de toda a sociedade angolana e em particular da classe trabalhadora. Esta é uma luta que se faz imperativa, se o angolano hoje desprezado, quiser ter um lugar à luz do Sol que o Criador colocou para todos os seus filhos e não só para os "predestinados". Se alguém perguntar quanto ganham os colegas "expatriados" dos nossos compatriotas dessas mesmas empresas, seguramente que não ganham 71 euros. É que...no que toca aos nossos amigos provenientes da UE, se ganhassem 71 euros, nem sequer embarcariam para Angola, uma vez que o salário mínimo interprofissional (obrigatório) que recebem nos seus países deve rondar os 500 euros para Portugal, os 630 euros para Espanha, para não mencionar os que roçam os 1 200 ou 1 300 euros/mês como a França ou a Bélgica respectivamente.
É tempo de compreendermos que se os chamados países desenvolvidos obtiveram e construíram o mundo tão atractivo em que vivem hoje; se os seus trabalhadores têm os salários mínimos (para nós chorudos) que já mencionamos, e os níveis e a esperança de vida melhores do que os nossos, isso foi, não só à custa do explorado nas terras das andanças dos seus conquistadores que mesmo assim, também tiveram que travar renhidas batalhas nas disputas entre exércitos das várias potências colonizadoras interessadas e que transportaram o seu botim muitas vezes sem ter em conta o justo e o injusto, mas também e sobretudo, à custa do trabalho reivindicativo árduo, que os trabalhadores organizados desses países tiveram que levar a cabo ao longo dos anos, junto dos seus próprios exploradores.
E a história nos revela que tanto nessa disputa entre as potências pelo controlo do espaço e do botim, como na busca de melhores condições de vida dos trabalhadores, sempre conseguiram o melhor, aqueles que foram mais intrépidos, mais corajosos, mais astutos, mais audazes e mais persistentes. Nunca, os que se resignaram ou que aceitaram os maus tratos e a exploração.
É por isso mesmo que, face a situação actual e tudo o que nos procuram impor, a começar por umas democracias a "terceiro mundo", os africanos e os angolanos em particular devem evitar sobretudo a resignação porque, aos 34 anos de independência, há razões para ser mais viva a esperança e a certeza de que apesar de tudo isso, para a nossa juventude, um dia melhor, sim, é possível.
Pela conquista de todos os nossos direitos, pela nossa dignidade, pela salvaguarda dos nossos interesses e por uma vida melhor num país que queremos democrático, pacífico e abrangente, avante trabalhadores angolanos.

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