HISTORIA DE ANGOLA

 

ANGOLA

"Desde os primeiros anos de conquistas da terra africana, tornou-se sementeira de resistência contra o invasor branco, contra o homem civilizado que lhe ia transformar as terras livres e bárbaras em palco de tristezas e de dores, pois a liberdade que desfrutavam os negros na sua vida errante e nómada e o mais precioso legado que ficara dos primitivos povos como integrantes das colmeias de tribos errantes ou fixadas, sabiam amar e tinha a sua família poligâmica e numerosa, onde o homem era macho, deus e senhor e respeitado por todas as suas mulheres, as tribos preferiam viver nos estados bárbaro, selvagem e livre do que a receber a civilização dos brancos.

Por isto Angola teria que ser, assim, nunca os kikongos, ambundos e embundos se submeteram ao jugo do reinado do Congo.

Insubmissão que passou de geração a geração, o túmulo vingador de milhares de negros tombados ou cangados para os mercados de escravos de outras terras.

Se havia trégua entre os pretos e brancos era um hiato forçado pelas circunstancia do momento pois ódio aos portugueses permanecia latente no espírito dos negros constantemente. Paulo Dias Novais, o chefe invasor que ficara prisioneiro juntamente com a missão de Jesuítas enviada pela Rainha Dona Catarina de Portugal, sentira esse ódio durante a sua longa e dura prisão e que jurara, depois de conquistar a liberdade, castigar os angolanos. A vingança cristalizou-se no espírito do capitão e em 1575 voltou a terra negra levando régios presentes para o Rei do Angola e por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva estabeleceu uma aliança ente os portugueses e angolanos e nesta época o rei de Angola via-se envolvido com a revolta do soba Quiloango-Quiacongo, foi o Capitão Paulo Dias de Novais que se ofereceu para desbaratar o soba, para poder executar a sua vingança a ferro e fogo. A vitoria das armas portuguesas sobre os rebelados e a violência de seu chefe mutilando hediondamente os vencidos, abriram caminho para melhor entendimento entre invasores e kikongos uma longa trégua se seguiu daí por diante.

O Capitão Paulo da Silva Novais nomeou o Cabo de Guerra Pedro da Fonseca como seu embaixador junto ao rei negro e estabeleceu o resgate franco e aberto dos negros que eram enviados para a metrópole, São Tomé e para o Brasil.

Os portugueses que mercadejavam no Congo e em Angola livremente com os sobas e régulos amparados e apoiados por estes, que não viram com bons olhos a chegada do Governador Paulo Dias de Novais com imensos poderes sobre a terra negra e desde logo tramaram toda espécie de intrigas, chegando a criar uma discórdia entre invasores e kikongos, quebrando a paz estabelecida e estancando o comércio existente entre eles. Devido a influência dos Jesuítas pertencentes a Companhia de Jesus onde predominavam a mentalidade espanhola que era bem diferente das dos portugueses em matéria de colonização e pelo massacre efectuado contra os portugueses, Paulo Dias de Novais tornou-se para os negros um tremendo flagelo, deixou de ser civilizado e transformou-se em um bárbaro, mais bárbaro que a raça negra, ambicioso e vingativo, com os olhos fixos nas lendárias minas de prata da Serra de Cambambe, por isto invadiu o sertão angolano e espalhou o terror por toda a parte entre os Ambundos e Embundos. E no ano de 1589 Paulo Dias de Novais armou uma grande expedição ao Congo para destruir a cidade de Baassa aonde residia o Rei do Congo, porém a morte o colheu repentinamente antes dos ataques, e com o correr dos tempos vários governadores militares lhe sucederam e todos eles quando pisaram no solo angolano sempre vieram sedentos de sangue e ávidos de vitória. A degradação moral que contagiava os invasores em busca de riquezas, nivelando governo e governados no mesmo plano imoral do trafico e dos negócios escusos, que enfraquecia pouco a pouco os colonizados e fortalecia os bárbaros sedentos de vinganças e devido aos factos as hostes dominadoras, dia a dia, passaram a ser dominadas pelos negros, que nesta época mais coesos e forte.

Pois estavam sendo dirigidos pela mais soberana das mulheres africanas: Jinga Mbandi que surgira inopinadamente para salvação de seu povo, culta, de rara beleza de espírito, esbelta de físico, de família nobre de Matamba.

Descendente directas dos N`gola, foi embaixatriz de seu irmão o Rei N`gola e durante os acontecimentos políticos e militares de Angola no governo de João Correia de Sousa que devido a má política da administração de Angola e as guerras com os portugueses, ela se refugiou numa das ilhas do Cuanza e envenenou o seu irmão e assumiu o poder, coroando-se rainha dos Jagas e tornando-se a mulher mais poderosa de toda a África, após conquistar o trono de seu irmão, faltava apenas sacudir o jugo dos invasores, sabedora que era que seu povo era cangado para os mercados da escravidão e vendidos aos portugueses. Era tempo de pôr um paradeiro em tudo aquilo para evitar que Angola tivesse o mesmo destino do Império do Congo que fora avassalado, tutelado e transformado em mercado negro, fornecedor de outros mercados. Foi quando Jinga Mbandi levantou o seu povo contra o inimigo e seu grito de rebelião não se perdeu no deserto e as tribos se uniram para a liberdade ou para a morte. Jinga Mbandi cristianizada e baptizada com o nome de Dona Ana de Sousa, uma vez no trono deu inicio ao seu génio heróico e aventureiro, invadindo o reino do Congo que estava avassalado a Portugal no intuito de reconstituir domínios separados da antiga monarquia dos angolas, subleva os povos de Cassanje e da Matamba e põe em cheque as forças portuguesas com as quais lutou com pequenas intermitência durante os governos de João Correia de Souza, Pedro de Souza Coelho, Frei Simão de Mascarenhas e Fernão de Sousa que a impôs a primeira derrota, apesar disto conseguiu se manter autónoma dos invasores e sob o seu comando ou exemplo, os povos de Cassanje, Cafuxe, Jagas, Quigilo, Sambangombe, Calumbo, Molundo e Acamahoto revoltaram-se contra os portugueses, lutaram por todos os ângulos das terras ensanguentadas e os negros vencidos e sacrificados são levantados pela heróica rainha que magnetizava as massas, reuniu as tribos dispersas e descrentes de liberdade para lutar e combater durante anos de dores e de desesperos com grande vontade de libertar o seu povo da odiosa opressão estrangeira.

Os povos mais em evidencia em civilização como os holandeses, ingleses, franceses e espanhóis disputavam com os portugueses o grande mercado de escravos das terras africanas nesta época e no mais aceso das lutas, os holandeses fizeram causa comum com a rainha dos Jagas, derrotando os portugueses que só viram no mar uma saída, um caminho para vergonhosa fuga.

Deixando apenas um grupo de portugueses no Forte de Massangano, porém a Rainha Jinga Mbandi não queria mudar de opressor. Portugal nesta época era um instrumento nas mãos da França, campo aberto a exploração inglesa, burlado pela Holanda. Portugal restaurado sem gente, sem dinheiro, sem colónias, sem vida, sem carácter era o cadáver sobre o que os Jesuítas imperava, e a herdade de Dom João IV, as armas, o dinheiro e os soldados e a coragem da raça nascente no Brasil fora a salvação de Angola e com ela, pelas consequências decorrentes das demais colónias portuguesas na África. E no dia 26 de Julho de 1645 chegou ao porto de Quibombo Francisco de Souto Maior comandando uma expedição militar brasileira para socorrer os bravos de Massangano, que fora organizada com os mesmos homens que haviam batido os holandeses de Recife nas fulgurantes Batalhas dos Montes Guararapes, após a derrota dos holandeses chegou outra expedição constituída de doze navios sob o comando do governador nomeado para Angola Salvador de Sá e Benevides que pôs fim à resistência dos holandeses em terras africanas. Jinga Mbandi lutou desesperadamente para levantar o seu povo do caos, mas era muito tarde, pois a raça africana já estava oprimida pela destruição e envenenada pelo trafico nefando e a rainha negra depois de longos anos de resistência, estendeu a mão aos invasores portugueses, fazendo causa comum com ele, para poder dirigir o rebotalho humano a que fora reduzido o seu povo".

http://www.geocities.com/zumbi2000/angola.htm

Em parte, tenho a mesma opinião do autor deste escrito. Os negros viviam felizes com o seu "modus vivendi" e o branco foi interferir com ele em nome de uma civilização. Não foram só os portugueses como também outros povos da Europa que "descobriram" na África riquezas que não existiam nos seus países e, não satisfeitos com isso, capturavam os povos para a escravidão. Nestas circunstância é natural e até humano que odiassem os brancos e a prova disso foi a resistência que encontraram por parte de sobas como Mandumbe Ndemufayo e reis e raínhas africanas como a raínha Jinga Nbandi. Infelizmente para eles não era fácil enfrentar os brancos ao tempo bem armados, por isso foram submetidos e depois convertidos à dita civilização que eles destestavam mas que mais tarde se viriam a adaptar.

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"Angola era povoada pelo menos desde o século V a.C., embora existam achados arqueológicos de ocupações muito anteriores.

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Descobrimento da Foz do Zaire por Diogo Cão
(foto Memórias de Angola, João Loureiro)

Os portugueses, sob o comando de Diogo Cão, no reinado de D. João II, chegam ao Zaire em 1484. É a partir daqui que se iniciará a conquista pelos portugueses desta região de África, incluindo Angola. O primeiro passo foi estabelecer uma aliança com o reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o de Ndongo e o de Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao reino de Angola (c.1559).

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D. Pedro VII, quadragésimo oitavo monarca do Reino e D. Isabel
(foto Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)

Explorando as rivalidades e conflitos entre estes reinos, na segunda metade do século XVI os portugueses instalam-se na região de Angola. O primeiro governador de Angola, Paulo Novais, procura delimitar este vasto território e explorar os seus recursos naturais, em particular os escravos. A penetração para o interior é muito limitada. Em 1576 fundam São Paulo de Luanda, a actual cidade de Luanda. Angola transforma-se rapidamente no principal mercado abastecedor de escravos das plantações da cana do açúcar do Brasil.


Gravura antiga de São Paulo de Luanda com a fortaleza ao fundo
(foto Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)

Durante a ocupação filipina de Portugal (1580-1640), os holandeses procuram desapossar os portugueses desta região, ocupando grande parte do litoral (Benguela, Santo António do Zaire as barras do Bengo e do Cuanza). Em 1648 os portugueses expulsam os holandeses, para contentamento dos colonos do Brasil.

Até finais do século XVIII, Angola funciona como um reservatório de escravos para as plantações e minas do Brasil. A ocupação dos portugueses confinam-se às fortalezas da costa.

O colonização efectiva do interior só se inicia no século XIX, após a Independência do Brasil (1822) e o fim do tráfico de escravos (1836-42), mas não da escravatura. Esta ocupação trata-se de uma resposta às pretensões de outras potências europeias, como a Inglaterra, a Alemanha e a França, que reclamavam na altura o seu quinhão em África. Diversos tratados são firmados estabelecendo os territórios que a cada uma cabem, de acordo com o seu poder e habilidade negocial.

Uma boa parte destes colonos são presos deportados de Portugal, como o célebre José do Telhado. Paralelamente são feitas diversas viagens com objectivos políticos, científicos e esclavagistas para o interior do território angolano, tais como: José Rodrigues Graça (1843-1848)-Malanje e Bié; José Brochado-Humbo, Mulando, Cuanhama; Silva Porto-Bié; Devido à ausência de vias de comunicação terrestres, as campanhas de ocupação do interior são feitas através dos cursos fluviais: Bacia do Cuango (1862), Bacia do Cuanza (1895,1905,1908); Bacia do Cubango (1886-1889, 1902,1906); Bacia do Cunene (1906-1907); Bacia do Alto Zambeze (1895-1896); Entre Zeusa e Dande (1872-1907), etc.

As fronteiras de Angola só são definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que o território dos Umbundos, a cuja língua o território de Angola anda associado.


Luanda. Uma linda panorâmica da cidade hà mais de 150 anos
(foto Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)

1900-1960 A colonização de Angola, após a implantação de um regime republicano em Portugal (1910), entra numa nova fase. Os republicanos haviam criticado duramente os governos monárquicos por ter abandonado as colónias. O aspecto mais relevante da sua acção circunscreveu-se à criação de escolas. No plano económico, inicia-se a exploração intensiva de diamantes. A Diamang (Companhia dos Diamantes de Angola) é fundada em 1922, embora opera-se deste 1917 na região de Lunda.

A colonização de Angola, após a implantação de um regime republicano em Portugal (1910), entra numa nova fase. Os republicanos haviam criticado duramente os governos monárquicos por ter abandonado as colónias. O aspecto mais relevante da sua acção circunscreveu-se à criação de escolas. No plano económico, inicia-se a exploração intensiva de diamantes. A Diamang (Companhia dos Diamantes de Angola) é fundada em 1922, embora opera-se deste 1917 na região de Lunda.

O desenvolvimento económico só se inicia de forma sistemática, em finais do anos trinta, quando se incrementa a produção de café, sisal, cana do açúcar, milho e outros produtos. Tratam-se de produtos destinados à exportação.

A exportação da cana do açúcar, em 1914, pouco ultrapassava as 6.749 toneladas. Em 1940 atingia já as 39.423 toneladas exportadas. As fazendas e a industria concentra-se à volta da cidade de Luanda e de Benguela.

A exportação de sisal, desenvolve-se durante a segunda guerra mundial (1939-1945). Em 1921 pouco mais foram exportados que 62 toneladas, mas em 1941 atingia-se já as 3.878. Dois anos depois as 12.721 toneladas. Em 1973 situavam-se nas 53.399. Estas plantações situavam-se no planalto do Huambo, do Cubal para Leste, nas margens da linha férrea do Dilolo, Bocoio, Balumbo, Luimbale, Lepi, Sambo, mas também no Cuanza norte e Malange.

A exportação de café logo a seguir à segunda guerra mundial, abriu um novo ciclo económico em Angola, que se prolonga até 1972, quando a exploração petrolífera em Cabinda começar a dar os seus resultados. A subida da cotação do café no mercado mundial, a partir de 1950, contribuiu decisivamente para o aumento vertiginoso desta produção. Em 1900, as exportações pouco ultrapassaram as 5.800 toneladas. Em 1930 atingiam as 14.841.Em 1943 subiam para 18.828. A partir daqui o crescimento foi vertiginoso. Em 1969 forma exportadas 182.944 e quatro anos depois, 218.671 toneladas.

Para além destes produtos, desenvolve-se a exploração dos minérios de ferro. Em 1957 funda-se a Companhia Mineira do Lobito, que explorava as minas de Jamba, Cassinga e Txamutete. Exploração de cedeu depois à alemã Krupp.

O desenvolvimento destas explorações, foi acompanhado por vagas de imigrantes incentivados e apoiados muitas vezes pelo próprio Estado. Entre 1941 e 1950, saíram de Portugal cerca de 110 mil imigrantes com destino às colónias, a maioria fixou-se em Angola. O fluxo imigratório prosseguiu nos anos 50 e 60."

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Angola
http://www.portugal-linha.pt/opiniao/CAlexandrino/cron4I.html


Luanda. A cidade em 1883 e Igreja da Nazaré 1890.  (fotos Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)

"No século XVII, São Paulo de Luanda viveu anos de completa degradação, abandono e incúria. Até os degredados ocupavam cargos de relevo social, apesar da proibição da lei. O próprio governador, D. Manuel de Almeida e Vasconcelos, em 1791, comunicava a este propósito: " A experiência tem sempre feito com justiça repotar mal este clima, porém as suas as suas infermidades moraes, e políticas, ainda a meu ver, excendem a todas os que influem no Corpo Fízico". Carlos Dias Coimbra, Livros de Ofícios para o Reino, do Arquivo Histórico de Angola (1726-1801)".

"O nome da cidade São Paulo de Luanda foi mudado após a sua reconquista a 15 de Agosto de 1648, pela mão de Salvador Correia e a sua armada de doze navios e mil e duzentos homes. Passa a denominar-se São Paulo de Assunção de Luanda, em homenagem à Virgem, por ser aquele o dia da sua Assunção". (Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)".

"Igreja da Nazaré, 1890. A ermida foi mandada construir por ordem do governador Vidal Negreiro em 1664, como promessa por ter sobrevivido a um naufrágio". (Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)".

"A capital Luanda, que "levaria tempo a perder o aspecto de acampamento que, durante perto de três séculos a caracterizava" devido ao tráfico de escravos para as plantações e minas do Brasil, era habitada em 1881 por 1.453 europeus, dos quais 718 eram degregados.

A população branca, além de escassa, era flutuante, rareando as mulheres, o que provocou cruzamentos frequentes com filhas da terra".

"Daí ter a sociedade uma forte componente crioula, que desempenhava papel activo no comércio e na administração, sendo o poder político na maior parte das épocas partilhado entre governadores ou outros funcionários do reino e potentados por sobas locais".

"A vida econónima assentava, como se referiu, no comércio altamente lucrativo de escravos, exportados para o outro lado do Atlântico Sul a partir dos portos de Luanda e Benguela, por sua vez abastecidos pelos fornecimentos dos régulos do interior que negociavam com os chamados "aviados" (negros livres ou mulatos ou escravos de confiança que penetravam no sertão por mandato do comerciante luso ou brasileiro)". (Memórias de Angola de João Loureiro).

Não é minha intenção dissertar sobre a história de Angola, até porque essa não é a minha "especialidade" e há livros que a contam pormenorizadamente mas apenas fazer alguns comentários que me parecem pertitentes porque é frequente dizer-se ou escrever-se por pessoas menos esclarecidas que os portugueses foram uns ladrões exploradores e roubaram Angola por isso mesmo foram "expulsos". Quem já leu o que anteriormente escrevi com provas evidentes, verá que isso não corresponde minimamente à verdade dos factos.

Tal como outras nações fizeram, efectivamente os portugueses exploraram as riquezas de Angola e, inclusivamente, traficaram escravos até com a cumplicidade dos sobas e outros intermediários como se pode ler acima. Por isso, a culpa não pode ser só atribuida aos portugueses mas também aos angolanos que colaboravam tirando daí os respectivos proventos.

Se verificardes cuidadosamente as imagens acima vereis que houve uma evolução enorme no crescimento da cidade de Luanda onde na primeira gravura se vê pouco mais que a fortaleza (presídio) evoluindo até que em 1883 a cidade já tinha bastantes habitações inclusivamente a Sé que se distingue perfeitamente. Junto da igreja (ermida) da Nazaré podereis ver um grupo de cubatas que provavelmente seriam habitadas pelos negros. Agora imaginai o que seria Luanda se os brancos com a ajuda da mão de obra dos negros não tivessem construído os edifícios que vemos na fotos? Seria apenas mais um "kimbo" de cubatas tal como as que se vêem junto da igreja da Nazaré.

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Avenida Salvador Correia em 1942 e Palácio e Residência do Governador Geral, 1935 (Memórias de Angola, João Loureiro)


Igreja de Nossa Senhora da Nazaré em 1908 e em 1970 (fotos Memórias de Angola, João Loureiro)

Angra do Negro, local onde nasce a cidade de Moçâmedes (Namibe), era conhecia pelos Mucubais como "Tchitoto tchobatua" (buraco dos passarinhos) e pelos Muhilas como "ombala" (terra do litoral oceânico). Vista das pescarias na falésia da Torre do Tombo. A indústria da pesca foi para aqui trazida pela mão de um algarvio, Fernando Cardoso, que montou a primeira pescaria em 1843". "Moçâmedes. A cidade cercada pelo deserto do Namibe, vista aérea, 1950". (fotos Era Uma Vez...Angola, Paulo salvador".

Colónia de Sá-da-Bandeira (Huila). Vista geral. Foto de fins do século XIX, tirada da rua principal com a casa do director da colónia (a única caiada) e os campos de trigo, milho e batata". "Vista aérea da Cidade de Sá-da Bandeira" fotos de Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)".

Luanda. O Banco Comercial de Angola (BCA) era um ex-libris da cidade, ostentado, aquando da sua construção, como um dos mais altos edifícios da África Ocidental. São vinte e seis andares e oitenta e sete metros de altura, 1965". (foto Era Uma Vez...Angola, Paulo Salvador)."

Como podereis observar pelas fotografias, as cidades Angolanas hoje existentes e ainda inteiras, começaram apenas como pequenos colonatos sendo pouco a pouco desenvolvidas pelas mãos dos portugueses até serem transformadas em centros urbanos de capital importância na economia de Angola como foi o caso de Namibe e Huila. Se não fossem os portugueses o que existiria no lugar destas lindas cidades? No Namibe o deserto e na Huila uns quantos "kimbos" de mucubais ou de outra tribo qualquer.

Depois destas fotografias há uma pergunta que forçosamente se impõe fazer ao povo angolano. Afinal quem constuiu essas maravilhosas e prósperas (em 1975) cidades que actualmente habitais? A resposta é simples. Fomos nós os portugueses com a ajuda da mão de obra dos angolanos mas o (know-how) - conhecimento - foi nosso. Porque se desenvolveu Angola a partir de 1965 até 1975? Porque a guerra que nos foi imposta pela UPA em 1961 foi neutralizada e os "assassinos" dizimados,  por isso, o Estado Português investiu para que brevemente fosse dada a independência a Angola (para todos, pretos brancos e mestiços) e assim, seria o país mais própero da África Ocidental. Além disso, os portugueses que foram para Angola tal como eu e que constituiram aí a sua família, fizeram Angola progredir à custa de muito esforço e trabalho com a intenção de ficar na terra que construiram e que amavam como sua, onde os seus filhos nasceram, portanto angolanos também, mas que pelas circunstâncias já antes explicadas detalhadamente foram obrigados a deixar.

Actualmente habitais uma terra que é vossa mas estais usufruindo daquilo que não fizes-tes nem nunca serieis capazes de fazer sem nós os portugueses. Angola foi-vos entregue de "mão beijada" com tudo o que nós construímos com muitos anos de trabalho e sacrifícios e, ao que parece, isso não vos incomodou minimamente.

Infelizmente por causa da ambição desmedida e cegeira dos vossos "políticos" que não pensando no povo mas apenas no poder que nunca tiveram e com que sempre sonharam, destruiram praticamente uma nação próspera e rica que foi até 1975 e que vos levará muitos anos a recuperar o que estava feito. Não culpeis os "ex-colonos" pela vossa desventura e degradação porque fos-tes vós mesmos que a provocastes. Os "ex-colonos" tem sido para o mais ignorantes (matumbos) o "bode-expiatório" para todos os vossos problemas!

Poderíamos ter continuado trabalhando em conjunto para o engrandecimento dessa terra maravilhosa evitando tantas mortes e sofrimento desnessário se tivesse havido outro procedimento dos fanáticos ultra-esquerdistas mentores do 25 de Abril e também dos presidentes dos vossos partidos que queriam a qualquer preço, sem medir as consequências futuras, a independência de Angola. Infelizmente o resultado dessa "independência" está bem à vista de todo o mundo, mendigando a caridade internacional apesar de toda a vossa riqueza natural que foi empenhada pelo actual governo na compra de material bélico que causou a destruição da Angola.

Fonte: Memorias de Angola ( http://pissarro.home.sapo.pt/ )

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Commentaires (12)

1. joaquim nobre justino (site web) 18/10/2012

jinga mbandi,fale-me dela
m/obrigado

2. Eufrazina (site web) 02/09/2012

Sinceramente, acho que a palavra ''civilizados'' E muito mal empregue; e acho que os povos africanos sempre o foram, a sua maneira, pq cada povo tem os seus habitos e costumes!

Eles dialogavam entre si dentro das tribos (ou dos quilombos), respeitavam os seus lideres, respeitavam os mais-velhos, cuidavam da sua higiene pessoal, entre outras coisas. Tudo isto muito antes dos colonos virem para Africa.

Se estou errada, alg me diga o que E, entao, ser civilizado!

3. replica watches berry (site web) 21/08/2012

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5. Manuel venâncio Miranda António 14/07/2012

Listagem de nome de todos reis de angola

6. Priscila Neto (site web) 15/06/2012

aceita e a priscila

7. Esse texto causa guerra 29/03/2012

Só a Europa e civilizada? Por isso que o Islã cresce tanto, alimentão o odio dos colonizados.

8. Claudio 29/03/2012

preferiam viver nos estados berbaros, selvagem e livre do que a receber a civilização dos brancos. ESSA É BOA HAHA
quém é o autor?

9. júlio 09/11/2011

Gostaria de saber o que realmente mudou em Angola após a independência, em relação a possíveis melhorias para a população em geral, pelas informações de que disponho, não sei se "fabricadas" ou reais, a situação em geral é péssima com relação à qualidade de vida da população em geral. Às vezes penso, se os comunistas tivessem tomado o poder no Brasil em 1964, aqui, não seria uma outra "Angola arruinada" (apesar de que a situação hoje também não ser boa, com relação à qualidade de vida em geral). Produzir riqueza não significa, necessariamente, que um país seja rico de verdade, e muito menos que sua população viva bem. Obrigado.

10. samara 05/04/2011

Alguem me diz que riqueza Portugal explorava em Angola antes da Indepedencia de Angol a e rapido por favor !!

11. 12/03/2011

quem e' o autor ?

12. valdir 30/09/2010

quero abrir isso rapido o tempo esta a esgotar

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