OS HIMBAS DE ANGOLA

Os Himba em Angola

O Deserto de Moçâmedes, ou Deserto do Namibe, é um dos desertos mais antigos do mundo, mas as praias, baías e ilhas que os navegadores portugueses mapearam há séculos, já não existem.
Há 80 milhões de anos que, a areia depositada ao longo da Costa do Esqueleto, redesenha mapas todos os dias, construindo dunas que chegam a ter 300 metros de altura e estão entre as as mais altas do mundo. O único povo que consegue habitar esta terra, das mais inóspitas de África, é o povo Himba, o povo seminómade das Mulheres de Vermelho.

Deserto do NamibeMulheres Himba, do Sul de Angola - National Geographic

Este deserto singular, onde a Corrente fria de Benguela transforma o ar quente em névoa, permite a sobrevivência de espécies raras de plantas, que alimentam elefantes, girafas e antílopes. Uma das plantas mais fabulosas do deserto do Namibe é a Welwitschia Mirabilis, apelidada por Charles Darwin de "ornitorrinco do reino vegetal" que vive até 2 mil anos só com a névoa matinal. Outra planta que sobrevive bem às duras condições do deserto é o melão !nara, com sua raiz de 40 metros de profundidade.

Welwitschia MirabilisAmor de mãe

No século 15, a tribo Herero saiu da Etiópia, com os seus rebanhos, e atravessou a África até à Namíbia. Os Himba, Ovahimba, que hoje vivem no Sul de Angola, são descendentes dos Herero, e mantiveram as tradições centenárias quase intactas. Uma delas é o hábito das mulheres de cobrirem o corpo com um óleo avermelhado, mistura de banha de boi com uma pedra local, que proteje a pele do vento e do sol. As mulheres Himba dispendem todos os dias várias horas a cuidar da sua beleza. As himba também comandam uma sociedade poligâmica, em que cada mulher pode ter relações sexuais com vários homens. Os himba vivem próximos ao Rio Cunene, que marca a fronteira entre a Namíbia e Angola, mas circulam livremente entre os dois países. Para eles, não existem fronteiras. Vagam pelo deserto como os leões e os elefantes, chegando a caminhar até 80 quilómetros em busca de água para o gado. Tanto esforço vale a pena: o gado bovino é o principal símbolo de status de uma família himba, e seu roubo é punido com a morte.

Himba casada - Foto de Markus Mauthe - Sud Afrika, 1996Himbas - Foto de Markus Mauthe - Sud Afrika, 1996

A carne é reservada apenas para eventos especiais, como casamentos e funerais. Quando um himba morre, mata-se uma parte de seu gado e as cabeças são empilhadas ao lado da sepultura, para proteger o seu espírito. Nas aldeias himba, há sempre um curral no meio, vigiado pelo fogo sagrado chamado okuruwo. Os feiticeiros usam-no para comunicar com os ancestrais.

Aldeia Himba

6 votes. Moyenne 3.83 sur 5.

Commentaires (4)

1. SAFIRA (site web) 24/04/2012

V.T.C MENTIROSO

2. antonioni ferreira chaves (site web) 22/02/2012

quero me corresponder com vocês.

3. antonioni ferreira chaves (site web) 22/02/2012

quero me corresponder com vocês.

4. Afonso Soares Lopes 05/01/2012

Sou natural de Angola. Nasci na Catumbela em 1929, já lá vão uns bons anitos. Saí de Angola devido à turbulência e à guerra. Vivi 45 anos de verdadeira felicidade em Angola, nos grandes planaltos centrais, no Huambo. no Bié. no Bailundo. Amei e amo Angola de todo o meu coração. Fora da minha terra, aquela que me deu os ossos e o sangue, nunca me consegui sentir verdadeiramente feliz. Nada me levaria a sair de Angola se não fosse a segurança da minha família, o risco eminente de perder a vida e de consentir que os meus também a perdessem. Sempre desejei que Angola fosse independente, sempre condenei o espírito colonial com que o Governo Português de então governava Angola, cerceando-lhe a possibilidade de crescer e de satisfazer as aspirações legítimas do povo africano. Nunca concordei, nem concordo com a forma como Angola foi miseravelmente atraiçoada e conduzida a uma independência fictícia, conduzida por um partido minoritário e despótico, o M.P.L.A, apoiado pelo P.C.P. numa altura em que a U.R.S.S. procurou expandir a sua influência por todo o Continente Africano e em que todo o Ocidente se viu confrontado com a chantagem nuclear dessa potência comunista de Leste. Angola recebeu a independência como um presente envenenado, depois de uma terrível guerra civil que quase destruiu todas as estruturas económicas do país. As grandes riquezas do subsolo angolano despertaram a ganância de muitos países, que, tal como predadores necrófagos, vieram acirrar a guerra fratricida que devorou centenas de milhar de angolanos inocentes. Angola merecia ter nascido para uma independência real, sem sangue de irmãos, conservando intactas as estruturas que então possuia, envolvendo todos os angolanos sem excepção etnográfica de qualquer natureza. Infelizmente porém não foi isso que aconteceu, e Angola nasceu cativa de um partido que exerce o poder arbitrariamente fomentando a corrupção, o compadrio e a desigualdade. Sendo rica em recursos naturais de todos os tipos o seu povo permanece injustamente e inexplicavelmente pobre.

Ajouter un commentaire

Vous utilisez un logiciel de type AdBlock, qui bloque le service de captchas publicitaires utilisé sur ce site. Pour pouvoir envoyer votre message, désactivez Adblock.

Créer un site gratuit avec e-monsite - Signaler un contenu illicite sur ce site

×