Rainha Nzinga Mbandi morreu há 345 anos

Rainha Nzinga Mbandi morreu há 345 anos

Director do Museu da Escravatura de Angola e Director da Rede Internacional Bantulink
É a importante vertente que escolhemos analisar pela ocasião da passagem no dia 17 de Dezembro, data que marca a morte, em Santa Maria de Matamba - a tornada cristã - no ano de 1663, da “Dupla Soberana”.
Dia, surpreendemente, bem ordinário em Angola, apesar deste ter significado uma ruptura irreversível na evolução histórica de toda a parte ocidental da África central.
Tentaremos no quadro do presente exame, realçar os principais factos que provocaram o surgimento do mito da “Regina” do Ndongo e da Matamba, a sua gradual expansão na Europa e a perpetuação da tradição real que evoca esta “sacerdote” no além – Atlântico.
Apresentaremos, em seguida, os domínios que fixaram, nessas regiões ultra marinas, o mito da monarca, a importância das múltiplas iniciativas tomadas à volta desta figura e apreciação sobre a consideração que esta deve merecer.

Educação patriótica e Marcial

A singular estampilhagem da forte personalidade da futura heroína começa, desde a tenra idade, com o seu posicionamento parental visivelmente patrilinear.
Parece estar sob o cuidado particular do pai, que é, natural e duplamente, “Ngola” e “Kiluanji”, quer dizer, Líder Político e Chefe do Exército. A jovem, de forte corpulência física, será manifestamente marcada por uma educação muito patriótica e a adopção de uma conduta estritamente marcial. E inculcado a princesa, de temperamento já refractário, o espírito de bravura, o sentimento de honra, o sentido da diplomacia e da responsabilidade política e a intuição estratégica.
Esses traços de carácter serão perceptíveis durante toda a sua vida desta “ Nzinga Mbandi” que significa no Oriente do nosso pais, curiosas homofonia e homografia, “Homem-mulher”.
Com efeito, será necessário à futura e astuta Dona Anna de Sousa, todas essas características individuais para se impor junto dos seus irmãos, machistas convencidos, e demais familiares com espírito, naturalmente, conservador, cumprir as famosas duas missões diplomáticas, delicadas, efectuadas, corajosamente, e com brio, em 1622 e no ano seguinte, numa parte já ocupada do território do Ndongo, a muito desejada pela Coroa portuguesa, cidade - fortaleza de São Paulo de Loanda.
Parte da lenda da Embaixadora da ilha de Ndanji cristaliza-se a partir das referidas audiências, que decorreram num formato de conforto muito particular. Esses encontros, que envolveram as figuras dos Governadores da Colónia portuguesa, que tinham nem mais, nem menos, o título sintomático de Vice-Rei, cunharam definitivamente os espíritos na Colónia portuguesa e na metrópole sobre esta Princesa de ferro.
Marcaram igualmente as opiniões, o extraordinário domínio da língua portuguesa pela jovem diplomata vinda de Mbaka, se tivermos em conta o irrefragável testemunho do Padre italiano Cavazzi que confirma que a Regina “ …in idioma Portoghese nel quale era versatissima…”. A apreciação sobre o seu elevado grau de instrução sobre a língua e a civilização portuguesas e a sua viva inteligência estabeleceu, definitivamente, a sua auréola.

 

Por Simão Souindoula

6 votes. Moyenne 3.17 sur 5.

Commentaires (1)

1. JOSELINHO ANTONIO DOMINGOS MANUEL (site web) 20/12/2012

GOSTEI DE DESTA INFORMAÇÃO E ESPERO QUE POSSA SER MAIS EXPLORADA

Ajouter un commentaire

Vous utilisez un logiciel de type AdBlock, qui bloque le service de captchas publicitaires utilisé sur ce site. Pour pouvoir envoyer votre message, désactivez Adblock.

Créer un site gratuit avec e-monsite - Signaler un contenu illicite sur ce site