Discurso de fim de ano, proferido por Isaías SAMAKUVA, Presidente da UNITA

Angolanas e angolanos, Minhas senhoras e meus senhores,

Estamos praticamente no fim do ano de 2008. Para muitos angolanos, este ano termina com o sentimento de frustração por não terem alcançado a mudança que muito almejavam com a realização das eleições de Setembro passado. Os vícios e indícios de fraude que caracterizaram este processo eleitoral resistiram e persistiram às denúncias por nós feitas repetidas vezes antes das legislativas de 5 de Setembro. A forma como as eleições foram conduzidas e o seu resultado, constituíram-se num facto que marcou de forma dominante o nosso 2008.

A auditoria que realizamos revelou que os dez por cento atribuídos ao nosso Partido, não representam a vontade expressa pelo Povo. Pelo contrário. Ela revelou que certos poderes utilizaram estruturas do Estado para interferir nas funções acometidas à CNE, dirigindo, de facto, as operações eleitorais. Criaram mais de doze mil mesas fantasmas e manipularam mais de três milhões de votos violando, assim, o direito constitucional e eleitoral vigentes, a lei, as liberdades e direitos dos cidadãos. O relatório da União Europeia sobre as eleições veio confirmar que elas não foram democráticas; não foram competitivas nem foram transparentes.

Em várias partes do Mundo, o ano de 2008 foi marcado pelo triunfo da mensagem da mudança. A mudança para mais justiça e inclusão social chegou à América com a eleição de Barack Obama, triunfou na Bolívia e no Kenya e abalou profundamente a base de sustentação da ditadura no Zimbabwe. Estou certo de que a mensagem da democracia e da inclusão também não tardará a triunfar no nosso País.

Dois mil e oito termina com uma boa parte dos cidadãos angolanos a recearem que a subversão das normas eleitorais ocorrida em Setembro de 2008 seja um golpe duro ao processo democrático e que venha a instalar-se em Angola um regime absolutista, mascarado de democracia, praticando a ditadura com subtileza, manipulando a Lei e subvertendo a soberania popular. Creio que não é isso que os angolanos querem. Eles querem a democracia real e a justiça social que produzem a paz social.

Os angolanos querem reforçar as infra-estruturas da democracia – uma imprensa livre, sindicatos livres, partidos políticos fortes e independentes, que permitem às várias comunidades escolher os seus dirigentes para desenvolver as respectivas regiões e a sua cultura e reconciliar as suas divergências internas por meios pacíficos.


No que nos diz respeito, em 2009 vamos continuar a defender um regime democrático onde as desigualdades são contidas e os desequilíbrios reduzidos e eliminados. As grandes desigualdades a nível do poder sócio-económico dificultam a distribuição do poder político de forma relativamente igualitária. Sabemos que há quem defenda o contrário, dizendo que Angola precisa de criar primeiro um regime forte, de uma elite de capitalistas nacionais ligada a um só Partido. Esta elite promove uma cultura hegemónica e um Estado centralizado, que organiza eleições sem competitividade e sem perigar a manutenção do poder pela classe dominante.

Vamos continuar a defender um regime realmente democrático, com um Estado descentralizador que utiliza a democracia participativa para reduzir e conter as desigualdades sócio - económicas e promover o desenvolvimento humano e a inclusão social.

Por isso dizemos que a democracia deve ser participativa e total e o desenvolvimento deve ser descentralizado e sustentável, quer do ponto de vista humano, quer do ponto de vista tecnológico, cultural e ecológico. Democracia e desenvolvimento devem andar de mãos dadas porque somente o ideal democrático, e nunca o autoritarismo, trará desenvolvimento e justiça económica e social para todos os angolanos.

Prezados companheiros,

Em 2008 o mundo viu mudanças drásticas no preço do petróleo que atingiu o auge de $147 o barril em Julho, desceu para os $90 em Setembro e caíu para $34.00 o barril agora nos últimos dias do ano!

O ano de 2008 termina com o mundo a experimentar uma crise financeira sem precedentes que reduzirá o nível dos investimentos, das poupanças e do crescimento económico global em 2009, o que irá afectar o ritmo da execução dos investimentos e projectos programados para 2009 porque os custos financeiros serão mais altos e a taxa de rentabilidade do capital a investir será mais baixa. Os especialistas admitem que o preço do petróleo continuará bastante volátil, podendo vir a estabilizar apenas no final do ano. Isto significa que em 2009 os preços da roupa, da comida do transporte e de outros produtos derivados do petróleo continuarão a subir.

Vários governos continuarão a perseguir fontes alternativas de energia, o que poderá aumentar a procura do gás natural e o aumento dos custos de construção de novas refinarias. Como o nosso País ainda importa mais de 70% da gasolina e do gás que consome, isto significa que em 2009 os preços desses produtos poderão subir.

Angola vai precisar de mais petróleo para pagar os credores a quem prometeu pagar com o petróleo. Como estes vão levar mais petróleo, a Sonangol vai ficar com menos petróleo para as necessidades do país.

Além disso, o Governo vai prosseguir a sua política de manter uma Administração Pública pesada composta por cerca de 1700 estruturas orgânicas, muitas delas sobrepostas! Em 2009, o Governo vai custar ao povo angolano mais de $10 biliões de dólares. Muitos destes gastos são supérfluos e servem apenas para alimentar a corrupção organizada e sistémica.

Este cenário nos permite antever um ano difícil para a maioria das famílias angolanas. O aumento da despesa pública, as políticas do Governo e a corrupção irão impôr ao povo angolano um esforço terrível em 2009. Os poucos empregos que irão surgir irão beneficiar mais os estrangeiros, pagos em dólares, do que os angolanos.

Prezados companheiros

Apesar deste quadro sombrio, não temos nada a temer. Quando olhamos para trás e vemos toda a humilhação e tirania por que passámos, nós e os nossos antepassados; quando olhamos para trás e vemos todos os perigos por que passámos, as poderosas conquistas que alcançamos, por que razão haveremos de ter medo do futuro? Sobrevivemos ao pior. Afinal, o futuro pertence-nos, porque somos um povo maduro, temos uma história e teremos um destino. Assim:

Dirijo-me a todos os combatentes da liberdade, que deram a sua juventude e o seu espírito de luta à causa da angolanidade e do nacionalismo angolano.

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