Testamento de Savimbi a sua sucessão – José Gama

Testamento de Savimbi a sua sucessão – José Gama
Luanda - Para compreender o que expressaram através dos votos, os delegados da UNITA, reunidos recentemente em congresso, requer fazer uma incursão ao pensamento de Jonas Savimbi no que concerne a alguns nomes cujo percurso evidenciam que estariam a ser preparados para enormes responsabilidades e por outro lado, vermos que o deputado Abel Chivukuvuku passa a ter, um trunfo que pode influenciar o rumo do pais.

É importante referir que o não manifesto publicamente dos lideres sobre quem os vai substituir, nem sempre deve ser traduzido como receio ou que se sintam insubstituíveis. Compreendemos que evitam faze-lo por receio de que o apontado possa ser combatido pelos colegas e que o próprio líder em si, seja intoxicado com falsa informações a seu respeito. A própria historia da UNITA trás alguns precedentes.

Na ausência de Jonas Savimbi, George Ornelas Sangumba, o responsável pela campanha de aceitação da UNITA na OUA., chegava a ter protagonismo semelhante a um “Presidente em exercício”. Não tardou muito começou a ter problemas. Foi-lhe atribuído omissões sobre um alegado contacto que manterá com a Embaixada Soviética em Dar-Es-Salm. Sangumba seria acusado de derrotismo e vitima dos excessos da segurança em 1981.

Outro a quem Jonas Savimbi teve inicialmente muito admiração e que a sua ascensão trouxe detratores é Pedro “Tito” Chingunji. Poliglota e tido como possuidor de uma das maiores oratória da historia da UNITA, Tito chegou a ser terceira figura do movimento. Quando Savimbi decide trazer a figura de “Vice Presidente”, apenas dois nomes estavam no centro das atenções, o de Tito e o de Jeremias Chitunda. A escolha de Savimbi recai para o ultimo. A partir de ai, algumas vozes insinuavam um alegado inconformismo de Tito adicionados a um intrigado processo que resultou ao seu afastamento e colocado sob vigia com a sua família. A 5 de Julho de 1991, segundo Fred Bridland, a segurança da UNITA desfez-se dele.

De referir que para sua sucessão, os lideres não prendem-se apenas na projecção de um único indivíduo. Jonas Savimbi tinha como preferência moldar quadros bastantes jovens formatando-os ideologicamente, militarmente e com passagem pela segurança e/ou diplomacia.

Pela projeção que foi tendo, o General Adolisi Mango Alicerces pode ser incluído na lista de quadros a quem Savimbi preparava para vôos mais altos. Saído do exercito português, Mango foi um dos primeiros elementos a participar no primeiro curso de formação de quadros da UNITA. Daí seria nomeado instrutor geral do Movimento, comandante militar em Benguela, sua terra natal e chefe militar em algumas frentes. Foi posteriormente responsável do Gabinete de Jonas Savimbi e lançado para diplomacia. Já bem moldado, é indicado para substituir Nzau Puna do cargo de Secretario Geral com a missão de transformar a maquina militar da UNITA em partido político apto para a campanha eleitoral de que seria seu mandatário. Mango não foi mais longe porque desapareceu nos confrontos de 1992 em Luanda.

Domingos Jardo Muekalia é outro a quem Savimbi demonstrou nutrir forte simpatia chegando assumir publicamente. Sempre que quisesse que um elemento de sua confiança fosse conhecido pelas massas Savimbi apresentava-os em comícios. Fez com Chiwale, Kussia, Chipembele e com Chitunda, chegando a frisar uma citação sua. Em plena sala do famoso congresso do Bailundo Savimbi pontuou que “Das várias mensagens que recebi, há uma em que, pela segunda vez, o nosso embaixador Jardo é feliz. Pela primeira vez, escreveu-me, e eu peguei na sua frase, que faz parte da minha Alocução à Nação. A nossa gente, afinal, pensa. Merece um lugar, porque a UNITA precisa deles e; Angola, também.”

O facto de não o ter selecionado para a lista de candidato a deputado em 92 é provável que Savimbi estaria a reserva-lo para ocupar a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros num Governo da UNITA. De entre os representantes no exterior, Jardo foi a dada altura o que era sempre chamado para estar presente nas negociações de paz . Foi um dos selecionados que Savimbi levou para ser cordialmente recebido por Nelson Mandela na África do Sul tendo mais tarde sido convidado para assistir a cerimônia de empossamento de Thabo Mbeki, num caso que as autoridades angolanas exigiam explicações de Pretoria, se ele estaria em representação de Jonas Savimbi ou não. Em “memória de um Guerrilheiro”, Alcides Sakala trás também um elemento de informação sobre apreciação que Savimbi fez lhe a cerca de Jardo Muekalia, na data do seu aniversario. Talvez seja este segredo, que disse (numa entrevista) guardar consigo e que um dia poderá revelar.

Ernesto Mutalo figura a quem Jonas Savimbi confidenciava ultra segredos sobre o que seria a chamada “longa marcha” da UNITA justificou numa entrevista ao semanário “Cruzeiro do Sul” que “Fomos nós que desde a morte do Dr. Savimbi fomos forçando que o companheiro Samakuva avançasse, quando sentimos que o Dembo faleceu”. Quando um Histórico do “Galo Negro” expressasse desta forma é porque representa a vontade do falecido Presidente da UNITA. O sustento pode ser evidenciado no que respondeu certa vez Antonio Dembo: “Penso que isso se deve à educação política que o Presidente Savimbi nos transmitiu. Nos comitês da UNITA os mais velhos estão presentes como Conselheiros, participam nos debates, na apreciação da situação e nas propostas a desenvolver”.

Quando a UNITA perde das suas fileiras, o militante Samuel Chivukuvuku, Jonas Savimbi mandou para o Zaire, um dos seus irmãos mais novo, Abel para responder pelas comunicações da representação do seu partido naquele pais. Nos “breafings” para o interior, os serviços de inteligência da UNITA denotam eficácia e uma brilhante oratória ao jovem a quem Savimbi projectaria até chegar a terceira figura da hierarquia do partido. Entretanto, um pequeno pormenor desilude o Presidente da UNITA. Savimbi convoca todos os deputados ao interior do pais, para orientações mas Abel Chivukuvuku ao tempo líder da Bancada foi o grande ausente. Alega-se que Jonas Savimbi nunca se convenceu com as justificações dadas resultando nas desconfianças entre ambos. Entretanto, em 1998, numa analise sobre a situação do pais, Chivukuvuku viria desabafar ao “Expresso” que: “Na verdade, gostaria de ver Savimbi assumir uma atitude patriótica e de coragem, enfrentando o risco da paz, facilitando a extensão da administração do Estado, trazendo uma nova mensagem para participar na definição do futuro quadro constitucional do país”. pronunciamentos semelhantes criaram precedentes que terão influenciado aos delegados da UNITA votaram contra si.

De referir, que a UNITA tem um passado de “p\Partido - Estado”. A “BRINDE” o seu “braço de inteligência” já não existe como instituição mas os procedimentos de avaliação não morreram na mente dos quadros. Abel Chivukuvuku terá sido mal interpretado ou então a leitura que terão feito ao presente contexto é que a “pressa” que tinha de competir “já” a liderança do seu Partido fosse resultado de compromissos alheios aos idéias da UNITA. O chamado “projecto de Muanguai” tem cinco princípios, e muitos terão entendido que ao serem mudados (modernizados ao estilo de Abel) , a UNITA deixaria de ser UNITA, portanto optaram em votar a favor da continuação da “sua” UNITA.

“Para cada derrota uma vitória, para cada vitória uma derrota, assim sucessivamente ate a vitória final”, assim escreveu Jonas Savimbi em 1967 no Cairo. Se se confirmarem as informações que insinuam que, com ou sem a UNITA, o deputado Abel Chivukuvuku vai concorrer a Presidência da Republica, este político, com os inquestionáveis adeptos que tem maioritariamente fora do seu partido, pode vir a ter chance de forçar uma segunda volta, nas eleições. Num cenário como este (e com poucos concorrentes), pode ele, na segunda fase, apoiar uma das partes, em troca de, em caso de vitória, da alteração da constituição para a sua recondução o cargo de Primeiro Ministro (leia-se Chefe do Governo).

Fonte: Club-k.net

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